RMDE 253 4.4.1 P RINCÍPIOS E ESTRUTURA DO MODELO DE PRODUÇÃO DAS SÍNTESES INFORMATIVAS
5 RMDE: ENTRE OS MODELOS EM USO E O MODELO EXPOSTO
2.4 Encerramento do projecto
No quadro dos compromissos assumidos, em Maio de 2006, procedemos ao encerramento formal do projecto com os nossos parceiros, numa sessão realizada na ARS do Norte, com a entrega formal de um relatório ao excelentíssimo Sr. Presidente do Conselho de Administração da ARS, com os resultados nas diferentes sínteses informativas, tendo por base o material recolhido entre 1 de Março a 31 de Outubro de 2005. Na mesma sessão foram disponibilizados todos os requisitos e métodos de produção automática (informática) daquelas sínteses informacionais, ao representante do IGIF.
Assim, a partir daquela data, estão criadas as condições para a consolidação de uma estratégia de produção e análise regular de informação fiável, relativa a resultados em saúde muito sensíveis aos cuidados de enfermagem.
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3 R M D E : d e s e n vo l vi m e n t o e e x p o s i ç ã o d o s
p r o p ó s i t o s e c o n t e ú d o s d o m o d e l o
O início da primeira fase do estudo orientou-se para a construção de um discurso centrado na definição dos propósitos ou objectivos associados ao modelo de recolha e agregação de dados de enfermagem e, após, para a definição da sua estrutura substantiva. Podemos dizer que este capítulo pretende responder a duas grandes questões: RMDE para quê? e RMDE sobre o quê?
Neste capítulo centramo-nos na discussão dos propósitos associados ao desenvolvimento do modelo de agregação de dados de enfermagem e dos seus conteúdos. Para isso, fazemos recurso àquilo que foi emergindo das sessões do grupo de discussão e, no particular da estrutura substantiva do RMDE, também dos contributos que o primeiro questionário aplicado nos proporcionou. Começamos por colocar em destaque o conjunto dos fundamentos ou enquadramento que sustenta os propósitos consensualizados para o modelo de agregação de dados, o que nos permite compreender alguns aspectos associados à problemática da gestão da informação de enfermagem. A partir do conceito de “sensibilidade aos cuidados de enfermagem”, evoluímos na definição dos elementos clínicos de enfermagem do RMDE e na discussão do seu significado para a profissão e disciplina.
O modelo utilizado na organização deste capítulo, à semelhança dos que se lhe seguem, traduz uma linearidade que, de todo, não corresponde à forma como os dados foram emergindo e sendo interpretados. Os excertos retirados das sessões com o grupo de discussão e as notas de campo, na nossa opinião, traduzem uma grande riqueza informativa e uma grande variedade temática. Com efeito, a partir de um excerto em concreto poderíamos tocar em praticamente toda a gama de assuntos que esta dissertação procura discutir. Contudo, a necessidade de colocar alguma sistemática, naquilo que por natureza é complexo, obriga-nos, em cada um dos pontos, a estar focalizados num determinado assunto.
A apresentação dos conteúdos do modelo que fazemos no terceiro ponto deste capítulo surge como o corolário do trabalho realizado em torno de dois grandes temas: “RMDE: para quê?” e “RMDE: sobre o quê?”, para os quais o desenho do estudo e a metodologia adoptada nos conduziram. O material que emergiu das sessões com o grupo de discussão e das notas de campo, bem como dos pretextos resultantes da primeira ronda do estudo de Delphi, através de um processo de comparação constante e de estabelecimento de relações, foi sendo organizado em categorias e subcategorias.
Assim, as categorias e subcategorias, em cada um dos dois temas, emergiram da análise dos dados, mostrando-se a literatura posteriormente útil para a clarificação das assunções teóricas por nós desenvolvidas.
Neste sentido, em cada um dos temas emergentes, apresentamos as suas categorias e subcategorias, as quais correspondem a cada um dos títulos e sub - títulos que dão corpo aos dois primeiros pontos do capítulo. Os trechos das unidades semânticas incluídas no texto têm carácter ilustrativo dos itens em discussão. Acreditamos que esta forma é congruente com a abordagem indutiva que nos permitiu ir construindo um modelo explicativo da problemática em estudo, fundamentado na observação empírica dos dados. Para além do mais, procuramos, assim, desvelar a gama de aspectos contextuais e processuais incorporados na construção de um modelo de agregação de dados de enfermagem, com base nos pontos de vista dos enfermeiros. Estas características indutivas, contextuais e processuais são congruentes com o paradigma construtivista que ilumina este estudo (Glaser & Strauss, 1967).