Orientações Metodológicas do Estudo
2.2. Enquadramento curricular da temática e do projeto
Com vista a contextualizar curricularmente a temática da intercompreensão na promoção da competência de compreensão oral e a evidenciar a sua importância no âmbito da valência de Pré-Escolar a que o estudo é dirigido, teve-se por base dois documentos, em concreto: as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (Ministério da Educação, 1997) e as Metas de Aprendizagem (Ministério da Educação, 2010).
Analisando as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, podemos dizer que o nosso projeto se enquadra nos objetivos gerais pedagógicos para esse contexto: (Ministério da Educação, 1997: 15)
a) Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;
b) Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência como membro da sociedade;
e) Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo.
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Segundo Portugal, G. & Laevers, F. (2010: 21-28), são indicadores de bem-estar emocional a abertura e a recetividade, a flexibilidade, a autoconfiança e a autoestima, a assertividade, a vitalidade, a tranquilidade, a alegria e a ligação consigo próprio. Já no que diz respeito aos indicadores de implicação, são eles: a concentração, a energia, a complexidade e a criatividade, a expressão facial e a postura, a persistência, a precisão, o tempo de reação, a expressão verbal e a satisfação.
63 Já no âmbito das diferentes áreas de conteúdo, encontramos orientações que justificam o enquadramento curricular do nosso projeto. Assim, é de salientar a área de Formação Pessoal e Social e a relação desta com um conceito que está na base do nosso enquadramento teórico, a educação para a paz, visto que se explícita nas Orientações Curriculares que se pretende contribuir para a promoção de atitudes e valores nos alunos que lhes permitam tornarem-se cidadãos conscientes e solidários ao mesmo tempo que se possibilita a interação com diferentes valores e perspetivas, promovendo-se assim um contexto favorável para que a criança vá aprendendo a tomar consciência de si e do outro. (Ministério da Educação, 1997: 51-52)
Para além disso e ainda relativamente a esta área de conteúdo, recomenda-se ainda que se fomente a consciência de diferentes valores, que suscitarão a necessidade de debate e negociação, de modo a incrementar atitudes de tolerância, compreensão do outro, respeito pela diferença. Ao nível da Educação Pré-Escolar, considera-se ainda importante que as crianças aceitem a diferença sexual, social e étnica, sendo esta facilitadora da igualdade de oportunidades num processo educativo que respeita diferentes maneiras de ser e de saber, para dar sentido à aquisição de novos saberes e culturas. (Ministério da Educação, 1997: 54)
No que concerne à área de Expressão e Comunicação, mais propriamente no domínio da linguagem oral e abordagem à escrita, fica explícito que se pretende que as crianças em idade Pré-Escolar consigam interpretar e tratar a informação, “lendo” assim a realidade e as “imagens”, tomando também consciência do que é a escrita e para que a mesma serve, mesmo não sabendo ler formalmente. Relativamente à dimensão da linguagem oral, o educador deve desempenhar um papel importante, visto que é através das interações com ele, com outras crianças e outros adultos que as capacidades de compreensão e produção linguística se devem alargar, independentemente do domínio que se tem do português oral. (Ministério da Educação, 1997: 66) Já no que diz respeito à dimensão da abordagem à escrita, refere-se o quão importante é a emergência do contacto das crianças com a linguagem escrita, apelando-se ao contacto com o livro, instrumento esse fundamental para a fomentação do gosto pela leitura. (Ministério da Educação, 1997: 70)
64 No entanto, apesar do português ser a língua central de aprendizagem no nosso contexto, não se deve excluir a possibilidade de ser proporcionar o contacto com uma ou mais línguas estrangeiras, ainda mais se estas têm algum sentido para as crianças. No nosso caso específico e como já referimos, considerámos fundamental dialogar com as crianças de forma a tomarmos conhecimento sobre os seus interesses ou contactos com outras línguas estrangeiras, de forma a motivá-las e a aproximá-las de uma realidade plurilingue. Tal como se refere nas Orientações Curriculares (Ministério da Educação, 1997: 73):
A multiplicidade de códigos pode ainda referir-se à existência de diferentes línguas, não se excluindo a sensibilização a uma língua estrangeira na Educação Pré-Escolar, sobretudo se esta tem também um sentido para as crianças, contactos com crianças de outros países, por conhecimento direto ou correspondência, e se assume um caráter lúdico e informal.
Relativamente à área do Conhecimento do Mundo e apesar do presente trabalho ter uma dimensão interdisciplinar, o que lhe confere uma abrangência de vários temas que lhe são inerentes, destacamos em particular a ideia de que se deve tomar como ponto de partida o que as crianças sabem para assim formarmos alicerces mais firmes e proporcionar a construção de aprendizagens significativas. (Ministério da Educação, 1997: 80)
Neste sentido, consideramos igualmente relevante citar o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas que refere que o ensino das línguas segundas ou estrangeiras tem, muitas vezes, assumido que os aprendentes já adquiriram um conhecimento do mundo suficiente para essa finalidade, (Conselho da Europa, 2001: 147), uma vez que um conhecimento novo não é simplesmente adicionado ao conhecimento que já se possuía, antes é condicionado pela natureza, pela riqueza e pela estrutura do conhecimento anterior de cada um e, para além disso, serve para modificar e reestruturar este último, mesmo que só parcialmente. O que significa que o conhecimento de que o indivíduo é portador
influencia em larga escala as suas novas aprendizagens ao nível das línguas. (Conselho da Europa, 2001: 32)
Focando agora a nossa atenção para as Metas de Aprendizagem específicas para o Pré-Escolar, muitas são as metas que ao longo das diferentes áreas se mostram fundamentais para a contextualização curricular do nosso estudo.
65 Relativamente à área da linguagem oral e abordagem à escrita, no domínio do conhecimento das convenções gráficas, duas metas se mostram relacionadas com a literatura infantil e o contacto com os livros, referindo que se espera que no fim da educação Pré-Escolar a criança saiba que a escrita e os desenhos transmitem informação (Meta final 16), assim como conseguirá prever acontecimentos numa narrativa através das ilustrações (Meta final 23). Já no domínio da compreensão de discursos orais e interação verbal citamos a Meta final 26 que nos diz que a criança, no fim da educação Pré-Escolar, realizará perguntas e responderá às colocadas, demonstrando que compreendeu a informação transmitida oralmente e a Meta final 34 que nos informa que no final da educação Pré-Escolar, a criança alarga o capital lexical, explorando o som e o significado de novas palavras.
Na área de formação pessoal e social, no domínio da solidariedade / respeito pela diferença, a Meta final 29 aproxima-se do conceito de educação para a paz, esperando-se que a criança reconhece a diversidade de características e hábitos de outras pessoas e grupos, manifestando respeito por crianças e adultos, independentemente de diferenças físicas, de capacidades, de género, etnia, cultura, religião ou outras.
Feita esta contextualização curricular, seguidamente apresentamos os objetivos orientadores do projeto de intervenção.
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