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CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

1.7. ENQUADRAMENTO ECONÓMICO E SOCIAL DA RECICLAGEM DE PLÁSTICOS

Até ao momento falámos sobre a essência da reciclagem, o que é, para que serve e quando começou. Mas não chegámos a abordar como a reciclagem encaixa no contexto económico e social do nosso país.

De forma geral, em Portugal os resíduos gerados rondam os 3,3 milhões de toneladas por ano. Para minimizar esta quantidade de lixo no nosso pais, existem empresas recicladoras, cuja capacidade permite reciclar só perto de 10 % do total do plástico colocado no mercado [51]. Os factores financeiros pesam muito nesta actividade, pois o processo por vezes não é economicamente viável, sendo algumas vezes a produção de um material reciclado mais dispendiosa do que um material convencional.

Do ponto de vista económico a viabilidade de um produto reciclado segue as mesmas regras de qualquer outro produto, ou seja, torna-se viável quando a qualidade e o preço são competitivos. Em termos de preço, a situação mais favorável ocorre quando a reciclagem é feita próximo dos centros urbanos, onde as matérias-primas são mais escassas e os custos de deposição em aterro são mais elevados. Neste tipo de situação é possível diminuir os custos no que respeita à matéria-prima e ao transporte dos resíduos para o aterro. Juntando ainda os possíveis custos de diminuição do impacto ambiental e da deposição adequada em aterro, a reciclagem pode ser transformada numa alternativa economicamente viável. Para além disso, é necessário que o material reciclado tenha um desempenho pelo menos semelhante ao material natural. Caso esta condição esteja satisfeita, a escolha irá para aquele que apresenta melhor preço [70].

Os resíduos tornam-se um negócio potencialmente importante nos dias de hoje. Em Portugal, os resíduos têm vindo a ocupar um lugar de maior destaque na economia, já que se olha para eles de uma forma diferente comparando com o passado. Numa sociedade de consumo, onde se produzem cada vez mais resíduos, o seu tratamento é também uma responsabilidade acrescida para as gerações mais novas. O tecido empresarial, a legislação, todo o enquadramento económico olha para os resíduos de outra forma, daí que estes constituem uma oportunidade de negócio muito importante.

Cada possibilidade de transformar um resíduo plástico num novo produto traz inúmeras vantagens para a economia Portuguesa. Então, cada tonelada de “lixo” plástico pode ser convertida em dinheiro, como uma fonte de energia ou uma fonte de nova matéria-prima, que corta nas necessidades de compra deste material ao estrangeiro e minimiza o custo de produção de artigos de materiais plásticos. Pelos dados de SPV podemos ver o custo de resíduo por kg, na tabela 10, e os custos aproximados de recolha e tratamento, na tabela 11 [69].

Tabela 10- Valores dos materiais recicláveis estabelecidos pela SPV no ano 2001 comparando com 2008-2009 [69]. Material Valor de SPV em 2001 [€/kg] Valor de SPV em 2008-2009 [€/kg] Vidro 7.3 48 Papel e Cartão 12.25 13,5 Plástico 98.95 770 Aço 33,43 600 Alumínio 61.51 766 Madeira 4.67 X

Tabela 11- Valores aproximados dos custos de recolha e tratamento em 2001 [69].

Entidades Custo da recolha Custo de Tratamento (€/ton]

Autarquias 23,00 – 24,00 15,00

Do ponto de vista económico, a reciclagem de polímeros não é considerada uma actividade com alto retorno financeiro, principalmente devido ao custo da recolha selectiva que atinge cerca de oito vezes mais que o valor da recolha de lixo convencional [71].

Verifica-se que o custo de recolha apresentado pelas autarquias corresponde a um valor inferior aquele que é praticado pelas empresas privadas. A razão reside na ausência de contabilidade analítica por parte dos municípios donde o calculo daquele valor não considera componentes, tais como combustíveis, amortizações do investimento entre outros [71].

Este é um negócio que está dependente da mudança de mentalidades, já que o conceito de resíduo é um conceito novo para o que sempre tratámos como lixo. Hoje o lixo é apenas aquilo que não pode ser reaproveitado e tende a ser cada vez menos, apesar de os resíduos aumentarem globalmente, pois existe uma busca contínua na valorização dos desperdícios de qualquer actividade [70].

A reciclagem é eficaz, embora tenha ainda um grande potencial de desenvolvimento. A percentagem de resíduos que vão para reciclagem já é significativa, mas ainda tem margem para aumentar, e é também nesse sentido que vai a legislação comunitária e nacional [70]. O maior potencial da reciclagem está no consumidor que faz a divisão selectiva dos resíduos, nas empresas que têm a função da recolha e reciclagem, e também no destino a dar aos produtos reciclados. Todo este processo está muito dependente da sensibilização do cidadão comum para a reciclagem. Essa sensibilização é progressiva e envolve todos os agentes porque toda a actividade humana gera resíduos. Este processo começa com a indústria, passa pelo comércio e acaba em todos nós que consumimos o produto. Logo, todos temos responsabilidade na preservação do nosso planeta.

A reciclagem já faz parte do quotidiano de uma elevada percentagem da população portuguesa. A Comissão Europeia regista que Portugal atingiu a meta de 25% para a reciclagem de embalagens e resíduos de embalagens bem como as metas de reciclagem por material de embalagem, designadamente, vidro, papel/cartão, metal e plástico [72].

Actualmente existe uma sensibilidade pública muito mais apurada para este assunto do que acontecia há meia dúzia de anos atrás. A consciencialização tem vindo a aumentar e envolve todos os agentes do processo desde o produtor ao consumidor. Como consumidor

o Português conseguiu entrar bem na onda do desenvolvimento económico sustentado e dos problemas ambientais.

O interesse da reciclagem já entrou nas nossas casas, muitas famílias começam a separação de lixo dentro de própria habitação. Já existe divulgação e acções efectuadas nas escolas, serviços, mercados e entre outros. Nesta matéria convém referir também a importância das associações ambientalistas, pois estas associações são muitas vezes acusadas de serem radicais, mas isso acontece porque estão um passo à frente dos hábitos das pessoas e as sugestões que apresentam parecem utópicas no tempo em que estão inseridas, mas não o serão no futuro e a história pode testemunhar isso. Como também já referimos, a legislação actual também está à frente dos acontecimentos. Em resumo, nem todas as pessoas estão hoje sensibilizadas para a reciclagem, mas estão mais do que estavam ontem e esperamos que amanhã o estejam ainda mais [72].