R ecen tem en te co m ecei u m curso p a ra m e to m a r técn ico — aos 61 anos! H á ap en as alg u n s m eses n ão im a g in a v a q u e isso fo sse p o ssív el. H a v en d o ap ren d id o a d a tilo g ra fa r n a e sc o la se c u n d á ria (a ú n ic a m a té ria n a q u a l tirei C ), p o r m u ito tem p o acred itei que tin h a u m a lev e fo rm a d e dislexia: sem pre m e era m u ito fácil tro c a r as letras do teclad o . M e sm o q u an d o d ig ito as p ala v ra s p a ra este cap ítu lo , se tiv e sse d e fa z e r u m te ste de rap id ez, e staria e m a p u r o s e t e r m i n a r i a c o m u m a p o n tu a ç ã o n e g a tiv a ! C o n tu d o , d e te rm in a d o a n ão fic a r to ta lm e n te p a ra trá s n e ste m u n d o tec n o ló g ic o e de a v an ço s rá p id o s, c o m p rei h á alg u n s m e se s u m c o m p u ta d o r la p to p e m e fo rc e i a d e ix a r de c o n fia r e x c lu siv a m e n te nas h a b ilid a d e s d e d ig ita ç ã o de m in h a esp o sa , D olly. R esisti, até ag o ra, a e n tra r n a e ra do co m p u tad o r, p o r c a u sa d e m in h a id ad e e d a co n v ic ç ã o de q u e co m p u ta d o re s são ta lv e z o re su lta d o m ais ló g ic o d e u m a p re d isp o siç ã o às lim ita ç õ e s do p e n sa m e n to v e rtic a l (ex p lico m a is ad ian te). A d e sp e ito d e tu d o isso, c o n sc ie n tiz e i-m e d e m in h a p ró p ria n e c e ssid a d e de c re sc e r em u m a á re a te c n o ló g ic a e de h a b ilid a d e p e s s o a l q u e tin h a e s ta d o a n e g lig e n c ia r. E s ta é a e ra do co m p u ta d o r, e nos fiam o s n e sse fato p a ra ex e c u ta r fu n çõ es n o táv eis que fre q ü e n te m en te su b stitu e m as p esso as. (M as n ão e sq u eça, u m co m p u ta d o r n ão p o d e c ria r u m a ú n ic a id éia n ova.)
A se g u in te h is tó ria ilu s tra c o m o so m e n te a m e n te h u m a n a , so b a p re s s ã o d e u m a c irc u n s tâ n c ia d a v id a re a l, p o d e e n c o n tra r u m a so lu ç ã o c ria tiv a . E n s in a -m e q u e , c o m o m in istro , te n h o d e e sta r em c o n sta n te c re s c im e n to e n u n c a p a ra r d e ap re n d e r, le r e e s p e ra r e m D e u s p a ra n ão fic a r e sta g n a d o . Isso d e s c re v e o q u e eu e s ta v a fa z e n d o c o m a te c n o lo g ia a tu a l e c o m o e sta v a sa lta n d o p a ra a id a d e do c o m p u ta d o r. E d w a rd D e B o n o d e sa fia o le ito r do seu p e q u e n o liv ro N e w T h in k (N o v o P e n s a m e n to ) a a m p l i a r o p o d e r d o p e n s a m e n t o , a p r e n d e n d o a p e n s a r n ã o só
v e r tic a lm e n te ou a n a litic a m e n te (c o m o o m u n d o o c id e n ta l a p re n d e u do
m o d e l o g r e c o - r o m a n o d e A r i s t ó t e l e s ) , m a s t a m b é m a p e n s a r
la te r a lm e n te .5 O p e n s a m e n to la te r a l n ã o se p re o c u p a a p e n a s c o m a
s o lu ç ã o d o p r o b le m a , m a s e s p e c if ic a m e n te c o m n o v a s f o r m a s d e p e rc e p ç ã o q u e le v e m a id é ia s e d e sc o b e rta s c ria tiv a s. P o r c a u sa d e n o s s a te n d ê n c ia c u ltu ra l e m p e n s a r a p e n a s v e rtic a lm e n te , a m a io ria d e n ó s te m d e p ra tic a r in te n c io n a lm e n te o u fa z e r u m e sfo rç o c o n sc ie n te em a p re n d e r o m o d o la te ra l d e p e n sa r. A c o n v ic ç ã o p e s s o a l so b re a n e c e ssid a d e de a p re n d e r e p ra tic a r sa b e d o ria , c o m o fe z S a lo m ã o , le v a -m e a e s ta h is tó ria q u e ilu s tra o p e n s a m e n to la tera l:
O PASTOR PENTECOSTAL
Há muitos anos quando uma pessoa que devia dinheiro podia ser lançada na prisão, certo comerciante de Londres teve o infortúnio de dever enorme quantia a um agiota. O agiota, que era velho e feio, gostou da bonita filha adolescente do comerciante. Propôs um acordo. Disse que cancelaria a dívida do comerciante se pudesse possuir a menina. Tanto o comerciante quanto a filha ficaram horrorizados com a proposta. Então, o esperto agiota sugeriu que eles deixassem que a Providência decidisse o assunto. Disse-lhes que poria uma pedra preta e uma pedra branca em um saco de dinheiro vazio e depois a menina teria de pegar uma das pedras. Se tirasse a pedra preta, ela se tornaria sua esposa e a dívida do pai seria cancelada. Se saísse a pedra branca, ela ficaria com o pai e a dívida seria cancelada. Mas se ela se recusasse a tirar a pedra, o pai dela seria colocado na prisão e ela passaria fome.
Com relutância, o comerciante concordou. Estando no jardim do comerciante, o agiota se inclinou para apanhar as duas pedras. Quando apanhou as pedras, a menina, com olhos de lince, notou assustada que ele pegara duas pedras pretas e as colocara no saco de dinheiro. Então, ele pediu que a menina tirasse a pedra que decidiria o destino dela e o de seu pai.6 A g o ra, im ag in e, se n e sse m o m e n to fo sse so lic ita d o q u e v o cê d esse um co n se lh o à filha. Q u e tipo de ló g ic a u sa ria p a ra aco n se lh á -la? P e n sad o res v e r t i c a i s n o r m a l m e n t e n ã o s ã o d e m u i t a a j u d a n e s t a s i t u a ç ã o . A n a litic a m e n te , a m e n in a n ão te m m u ita esco lh a. (1) E la p o d e ria c h am ar a aten ç ão , j á de cara, q ue as d u as p e d ra s e ra m p re ta s e q u e o ag io ta os esta v a e n g a n a n d o , m as u m n e g o c ia n te e n v e rg o n h a d o n ão re s o lv e ria o p ro b le m a do p ai dela. (2) E la p o d e ria se re c u sa r a tira r a p ed ra, m as isso ta m b é m n ão so lu c io n a ria a q u estão do p a i dela. (3) E la até p o d e ria tira r u m a p e d ra e e sc o n d ê -la n a m ão , p ed in d o q u e o a g io ta id en tific a sse a co r d a p e d ra q u e fic a sse no saco. E n tre ta n to , isso m ais u m a v e z le v a ria o c o m e rc ia n te a p erd er, em face de certas c o n se q ü ê n c ia s terrív eis p a ra e la e seu pai. (4) E la p o d e ria ac e ita r h u m ild e m e n te o in ev itáv el e sacrificar-se p e lo pai. Q u al se ria o seu co n sq lh o p a ra ela? H á o u tras o p çõ es? (A n tes de p ro sse g u ir len d o , im a g in e q u e co n se lh o vo cê lhe daria.)
A m enina da história pôs a mão no saco de dinheiro e tirou uma pedra. Sem olhar para ela, atrapalhou-se ao segurá-la e deixou-a cair no caminho, onde imediatamente se perdeu entre todas as outras. “Oh, como sou desajeitada”, disse, “mas não se preocupe, se olhar no saco de dinheiro verá qual pedra tirei pela cor da pedra que ficou” . Visto que é óbvio que a cor da pedra é preta, presume-se que ela tirou a pedra branca, pois o agiota não ousaria admitir sua desonestidade.7
Só o fato de c o n tin u a r e stu d an d o , p o r m eio s fo rm ais ou in fo rm a is, não g a ran te q u e vo cê p o ssa tra n sfo rm a r seu m o d o d e p e n sa r acre sc en ta n d o o p e n sa m e n to la teral às suas o pções. M a s u m a c o isa é certa. Você a m p lia rá
seu p o te n c ia l de o p ç õ e s em fa c e d o s p ro b le m a s da vida real.
O m in istro do E v a n g e lh o e rra q u a n d o a c re d ita q u e, p e lo fa to d e a m e n sa g e m do E v an g elh o n u n c a m udar, m o d o s de a p re se n ta r o E v a n g elh o ta m b é m fiq u e m in a lte rá v e is o u n u n c a p re c ise m ser a tu a liz a d o s. N ão é v e rd a d e q ue os m e lh o re s p a sto re s n u n c a d e ix a m d e ap re n d e r e de c resc er
m e n ta l e e s p ir itu a lm e n te ? U m a d a s m a n e ir a s d e m u ito s m in is tr o s co n tin u a re m a c re sc e r é atrav és dos p e rm a n e n te s p ro g ra m a s fo rm a is de e d u c a ç ã o . O itin e r á rio d is c ip lin a d o ao c re s c im e n to m e n ta l é m e lh o r c u m p rid o , p a ra a m a io ria d e nós, com a m a tríc u la em alg u m cu rso fo rm al e e stru tu ra d o q u e fa c ilite n o ssa re so lu ç ã o de a lc a n ç a r m etas. H á m u itas m an eiras: (1) co m p le ta r p o r co rre sp o n d ê n cia ou p o r estu d o s in d ep en d en tes u m cu rso u n iv e rsitá rio q u e fico u in a c a b a d o ; (2) o b te r u m títu lo a c ad êm ico fre q ü e n ta n d o u m se m in á rio o u u n iv e rsid a d e ; (3) e s tu d a r n u m siste m a m o d u la r in te n s iv o d e s e m in á rio s d e u m a o u d u a s se m a n a s (c o m o o D e p a rta m e n to d e E x te n sã o do S e m in á rio T eo ló g ico das A sse m b lé ia s de D eu s am e ric a n as [sigla e m in g lês, A G T S ], o p e ra n d o em sete cid a d es dos E sta d o s U n id o s), p o is a ssim n ão é p re c iso d e slo c a r-se d o m in istério . H o je o A G T S o f e r e c e v á r io s c u rs o s u n iv e r s itá r io s p o r m e io d e e s tu d o s in d ep en d en tes. E m breve, a B e rea n U n iv ersity e a A G T S o fe re c erã o cursos te o ló g ic o s e m in g lê s p e la In te rn et. O p o te n c ia l é g ran d e, e essa á re a está se e x p a n d in d o a ca d a dia.
C laro q u e u m m é to d o in fo rm a l é u m en riq u e c im e n to p e sso a l sim p les, sem lig a ç ã o c o m u m a e sc o la ou sa la de aula. P o d e -se m a n te r a m en te e o e sp írito v iv o s c o m d isc ip lin a p ersiste n te.
O q ue vo cê d eve estudar? M uitas sugestões p o d eriam se feitas aqui sobre
a co n tin u ação dos estudos p ara os m inistros, e qu an to às áreas d e estudo p ro v eito sas ao seu crescim ento. P o r falta d e espaço, m en cio n o apenas u m a delas: a sen sib ilid a d e c u ltu ra l, q ue é m u ito d iv ersa e está se to rn an d o m ais c o m p lex a a cad a ano. E sco lh i d estacar apenas essa opção, p o rq u e m u ito s livros a o m item ou a n eg lig en ciam .8 O utras evidentes áreas de estu d o que n ão tem o s espaço p a ra d iscu tir aqui são a B íblia, sociologia, psicologia, p re g a ç ã o , a d m in is tra ç ã o e lid e ra n ç a , re s o lu ç ã o d e c o n flito s, m é to d o s org an izacio n ais, aco n se lh am en to , a n tro p o lo g ia cu ltu ral, c o m u n icaçõ es e m íd ia . E a lis ta é e x te n s a . P e rm ita -m e fa la r d e u m a a p re n d iz a g e m e sen sib ilid ad e tran scu ltu ral9 tão n ecessária, m as tão negligenciada.
R efiro -m e n ão ap en as aos sa x õ e s,10 qu e p o u co in teresse tê m e m inteirar- se dos a ssu n to s afro -a m e ric a n o s, h isp â n ic o s ou n ativ o -a m e rica n o s, m as ta m b é m aos p a sto re s das m in o rias q ue, co n q u a n to te n h a m de v iv e r nu m am b ie n te d e m a io ria a n g lo -a m e rica n a b ran ca, n ão te n ta m c o m p re e n d e r m e lh o r a p ró p ria cu ltu ra. Se u m a c o m p re e n sã o m ais am p la p o d e se r ob tid a atrav és do d iá lo g o e d e u m estu d o sério d o s v a lo re s d o s o u tro s p o v o s, p o r q u e , p e r g u n ta r ia a lg u é m , n ã o o f a z e m o s ? P o r q u e to d a s as p a r te s in te re ssa d a s tê m de “ ir p a ra e sc o la ” p a ra e stu d a r esse assu n to ? Porque
c a d a su b c u ltu ra tem um p r is m a d istin to p e lo q u a l vê o m undo.