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Ensino superior na República Populista (1945-1964)

3.2 OS PRIMEIROS CURSOS SUPERIORES NO BRASIL

3.2.4 Ensino superior na República Populista (1945-1964)

Entre 1945 e 1964 ocorreu um processo de unificação das faculdades isoladas públicas, com a consequente integração da educação superior nesse âmbito. Tinha início o processo de federalização, em que as universidades incorporaram no âmbito administrativo os cursos isolados ainda existentes.

Na década de 1950 os variados setores sociais começam uma ampla movimentação para a reforma das universidades brasileiras (FÁVERO, 2006). Esse fenômeno tem sua origem no processo de desenvolvimento econômico do período, o que vai despertar a necessidade de uma mudança na educação superior que possa acompanhar as demandas que surgiam dentro da sociedade capitalista em expansão. O resultado disso, para o campo do ensino, é o início das discussões que levariam a edição da Lei de Diretrizes e Bases de 1961.

Assim, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (Lei nº 4.024 de 1961) “garantiu a existência do ensino superior privado, regulamentando sua expansão” (BOAVENTURA, 2009, p. 102). O objetivo do governo era formar cidadãos para ocupar cargos nos setores públicos e privados. Por isso, a profissionalização dos indivíduos fazia parte das políticas de acesso à educação superior. Houve a ampliação da oferta de cursos técnicos e profissionalizantes, a exemplo do curso de técnico industrial, agrícola ou comercial com duração de três anos, previsto na Lei nº 1.821/1953. Desta maneira, a legislação vigente ao longo dos anos cinquenta e sessenta flexibilizou a formação de nível superior e profissionalizante para uma grande quantidade de pessoas. Reforçou-se, como consequência, o modelo elitista de acesso ao ensino, em que um pequeno grupo de indivíduos continuava a ter acesso aos cursos de maior prestígio e status, como é o caso dos cursos de Direito, Medicina e Engenharia, enquanto a população recebia a formação através de cursos técnicos e profissionalizantes.

Os problemas que a educação superior carregava ao longo de sua história não apenas continuaram, mas, nas décadas seguintes, a reforma universitária daria

continuidade a uma ampla expansão do ensino superior privado que provocaria o aumento da precarização do ensino público. Pode-se afirmar, assim, que a ampliação do acesso ao ensino superior, no período, ocorreu em conformidade com o modelo de ensino tradicional, que se mantinha desde a fundação das primeiras faculdades no país, como explicam Ramos (2006) e Oliven (2002). Houve um aumento significativo das instituições privadas de ensino superior ao longo do período, o que foi continuidade das reformas educacionais iniciadas no período anterior, conforme o quadro abaixo revela:

QUADRO 6: Cronologia dos cursos superiores no Brasil na República Populista (1945-1964)

Período Tipo de Instituição Iniciativa

1946 Universidade Federal de Pernambuco Governo Republicano 1946 Incorporação da Faculdade de Direito do Recife à

Universidade Federal de Pernambuco

Governo Republicano 1946 Reconstituição da Universidade do Paraná Governo

Republicano 1949 Federalização da Universidade de Minas Gerais Governo

Republicano 1949 Federalização da Faculdade de Direito da antiga

Universidade de Manaus

Governo Republicano 1950 Federalização da Universidade de Porto Alegre

que se transformou na Universidade do Rio Grande do Sul

Governo Republicano

1950 Junção dos cursos das Escolas baianas e Federalização da Universidade Federal da Bahia, que passou a albergar todos eles

Iniciativa pública e particular

1951 Federalização da Universidade do Paraná Governo Republicano 1951 Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais Iniciativa Privada 1951 Faculdade de Direito de Curitiba (PR) Iniciativa Privada 1953 Escola Baiana de Medicina Iniciativa Privada 1953 Escola Superior de Estatística da Bahia Iniciativa Privada 1954 Faculdade de Ciências econômicas de Marília Iniciativa Privada

(SP), que se tornou Universidade de Marília em 1988

1954 Faculdade de Letras/Pedagogia de Sorocaba (SP), que se tornou Universidade de Sorocaba em 1994

Iniciativa Privada

1954 Faculdade de

Geografia/História/Letras/Português e Pedagogia do Sagrado Coração – Bauru (SP) –, que se tornou Universidade do Sagrado Coração em 1986

Iniciativa Privada

1954 Faculdade de Direito do Vale do Paraíba – São José dos Campos (SP) –, que se tornou Universidade do Vale do Paraíba em 1992

Iniciativa Privada

1955 Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro (RJ), que se tornou Universidade Veiga de Almeida em 1992

Iniciativa Privada

1955 Faculdade de Ciências Econômicas de Baje (RS), que se tornou Universidade da Região de Campanha em 1989

Iniciativa Privada

1957 Faculdade de

Ciências/Filosofia/Letras/Pedagogia de Ijuí (RS), que se tornou Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul em 1985

Iniciativa Privada

1959 Faculdade de Odontologia de Caruaru (PE) Iniciativa Privada 1959 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itu

(SP)

Iniciativa Privada

- Faculdades Integradas São Camilo de São Paulo (SP)

Iniciativa Privada

- Faculdade de Ciências Econômicas de Cruz Alta (RS)

Iniciativa Privada

1960 Faculdade de Direito do Sul de Minas em Pouso Alegre (MG)

Iniciativa Privada

1961 Faculdade Católica de Ciências Econômicas em Salvador (BA)

Iniciativa Privada

1961 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Marcelina de Muriaé/MG

Iniciativa Privada

Grande (RJ)

1961 Faculdade da Associação Educacional Evangélica de Anápolis (GO)

Iniciativa Privada

1961 Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, que se tornou Universidade de Ribeirão Preto em 1985

Iniciativa Privada

1962- 1965

Criação e instalação da Universidade do Amazonas com a incorporação da Faculdade de Direito

Governo Republicano

1965 A Universidade do Brasil muda seu nome para Universidade Federal do Rio de Janeiro

Governo Republicano

Fonte: Adaptado Saviani (2010); Shigunov Neto e Maciel (2008); Boaventura (2009), informações trabalhadas pela autora.

As escolas profissionalizantes continuaram a ser majoritárias no cenário da educação superior, excluindo-se o desenvolvimento da pesquisa na maioria delas. De outro lado ocorreram mudanças, ao longo da década de 1960, que alteraram o perfil da universidade em relação ao seu contato com a sociedade. Podem ser citadas, nesse caso, algumas ações, como a criação dos Centros Populares de Cultura, que realizaram ações de alfabetização de adultos e jovens.

3.2.5 Ensino superior durante a Ditadura Militar (1964-1985) e início da