5. Como editar?
5.1. Entremez do Sapateiro (Fixação de texto e notas)
Entremez do Sapateiro
Figuras: Sapateiro; a Mulher; o Mestre ou Primo; a Filha; Letrado.
Sai a Mulher.
MULHER Que estão vocês cá dizendo da honra da minha filha?
Para quem dela murmura tenho aqui quatro figas.
Venham cá, almas danadas, 5 digam-me, línguas malditas,
que tem vocês que dizer à pobre da rapariga?
Mostrem-me em esta terra
ou nestas circunvezinhas 10 sujeito mais bem prendado,
vida mais exemplativa.
Nomeem-me algum sojeito que só do seu trato viva,
que tenha tão boas prendas 15 como a minha menina.
Ela é rica costureira, ela tece, ela bilra, e por ter todas as partes
até a ler se insina. 20 Ela tange os instrumentos
que é ũa maravilha.
Finalmente, ela canta, vê-la dançar são delícias.
É no contínuo trabalho 25 tão fatal e excessiva
que nunca está ociosa nem de noute nem de dia.
À janela só se põe
quando é santo o dia, 30 que nos de fazer está
no seu trabalho metida.
Ela é tão vergonhosa, é de tão poucas saídas,
que é grã crime para ela 35 falarem-lhe em romarias.
Sempre com os olhos no chão vai quando vai para a missa, e quantos me tem já dito
ela que é ũa santinha. 40
9 terra ] B terras.
E que sendo isto assim haja tão preversa língua que sabendo há inferno da minha filha mal diga!
Bem sei dirão as demais 45 mulheres nossas patrícias:
«a filha do sapateiro como anda enfeitadinha».
Dirão que traz na cabeça
seus pentes e sua fita, 50 que traz sapatos picados
e mais seu chambre de chita, que traz colete à alamoa, que a cabeça apolvilha,
que usa de cal no rosto 55 e que o cabelo arrepia.
Que chamando-se Mariana mudou o nome sem crisma, pois nacendo só com um
tem agora mais de trinta. 60 A isso respondo eu:
que tem com a sua vida?
Deixem-ma, que é já tempo.
Que tem com a rapariga?
Escarra dentro o Marido.
Mas meu marido cá vem, 65 que também é contra a filha.
Peço, senhores, não cream nada do que ele diga.
Vai-se e sai o Marido.
MARIDO Senhores, diga-me quem souber
qu’é de a minha mulher? 70 Que eu venho louco,
levou-a o demo, importa pouco.
Oh, mulher, ou, oh, companheira!
Vinde cá logo, Isabel Ribeira.
Ide depressa atrás da vossa filha, 75 que não sei que leva na mantilha.
Vinde, mulher, depressa, se não vou eu buscar a vossa filha, que endoudeceu.
Leva a saia tão afastada
e a cabeça tão imareada, 80 tão larga vai, (é cousa dura),
53 Possível deturpação de ‘alamar’, cordão para atar a capa.
79 saia [↑mantilha].
80 imareada ] B imarcada.
leva na cabeça tal cornadura que fui à tenda mui depressa, pois cudei me levava a trepeça.
Pareceu-me a cabeça, sem invenção, 85 de boi, de carneiro, ou de cabrão.
Pois a cabeça assim, direita ou torta, não sei como lhe cabe p’la porta.
É chegado o tempo em que se conheça
que as senhoras mulheres tem cabeça. 90 Cabeça vi em ũa mulher como um dedo,
tão larga e comprida que põe medo.
Que se foram de alhos, na verdade, davam de comer a ũa comonidade.
Cabeças há com tantos dentes 95 como cem mainças somentes.
Cabecinhas estou eu daqui vendo com tamanha grandeza que intendo que um mês nelas tinha, a meu ver,
se foram de congro, mui bem que comer. 100 Quem ũa destas a peso prometera
não lhe bastavam seis arrobas de cera.
Mas não fiquem com isso enfadadas, que inda podem dar maiores cabeçadas.
Mas quem me mete a em todas falar 105 se eu só a minha quero emendar?
Mas a culpa de toda a demasia
tem a mãe que com enfeites filha cria.
Quantas vezes lhe digo eu (mas é por demais)
«não deixará a vossa filha estes atafais? 110 Não vedes que o mesmo é trazer pentes
que andar a nossa filha entre dentes?
Que coletes abertos desta maneira só servem de mostrar a parteleira?
E na tal vista até o justo peca 115 por andar vendo sempre a caixa aberta,
e que é digno de nota e de reparo mostrar as bolas e esconder o aro, e que quem deste jogo a mão não sabe
se põe no risco de apanhar um cabe. 120 Já se o jogo permite a mão se meta,
tem certo um cabe de palheta dado com tal força que se arrisca p’lo jogo abaixo a bater na risca.
E quando não suceda como lhe conto 125 que tornam acima ao ponto
e daí, sem que em culas se toque, sempre p’las barras há um emboque,
110 atafais [↑ais ais]
118-124 Nestes versos as atitudes da Filha são descritas através de uma analogia e brincadeiras de palavras em que é utilizado léxico relativo a jogo.
pois estes pós que se na cabeça bota
só no dia de cinza se não nota, 130 que é mau usar em o profano
o que o céu deixou por desengano, que andar com chambre abandado é andar sempre abrindo o cortinado,
e que o decoro assim se impina 135 sendo o desejo sumilher da cortina.
Que de lisa não tem já nada quem até a saia traz já encrespada, e que não tendo ũa pobre mantilha
quer já trazer manto a vossa filha, 140 e sendo os mantos pretos é ela tal
que só quer trazer manto de cristal, com que parece filha de um cavalheiro a filha de um pobre sapateiro».
Tudo isto lhe digo, mas que aproveita 145 se quem torto nasce tarde se indireita?
Daqui lhe fiquei com grande tédio, mas como a tudo Deos deixou remédio, por estas que se não se emendar
eu a tudo remédio hei de dar, 150 e se modesta daqui avante não for
eu com estas mãos a hei de compor, pois para emendar tão grande vício tenho bons instrumentos no meu ofício.
Para lhe pôr sinais o cerol bom é, 155 para o topete tenho o tirapé.
Tenho bem sedas e seu luxo, e para pentes um fermoso buxo, e tenho para a apolvilhar
um cartucho de pós de escodar. 160 Se na cabeça quiser levar flores
tenho para as pregar bons pinadores, e para lhe limpar bem o topete tenho já afiado o trinchete.
Se a cara quiser também burnir, 165 cabo, cunha e costa há de servir.
Para adornar o pescoço com brio de linhol tenho eu muito bom fio.
Não é só isto a minha teima,
(quem me colhera com boa fleima) 170 o que mais me mata e consome
é a ladainha do seu nome,
pois até'qui chamando-se Mariana
agora ouçam vossas mercês como se chama.
130 É feita menção à tradição da quarta feira de cinzas, primeiro dia da Quaresma, em que os católicos são abençoados pelo padre, que lhes mancha a testa com cinzas. Esta celebração recupera a antiga tradição de lançar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus.
Mas primeiro, como tantos são, 175 me é necessário fazer dentes de rezão:
(cuida) Ah sim, Mariana Josefa Tomásia Clara Angélica Damásia
Margarida Brites Leonor
Ingrácia Escolástica, se mais não for. 180 Arre lá, irra, tenho bom bestunto
pois encarrilhei tanto nome junto.
É bom isto e está bem curial na filha de um pobre oficial?
Mas inda não é esta a pior, a meu ver. 185 O pior é agora insinar-se a ler.
Esta é ignorância conhecida que inda me há de tirar a vida!
Que lhe venha a casa um mandrião
com nome de primo dar lição? 190 Isto me parece a mim mais mau
por ser a cunha do mesmo pau.
E ficando eles sós quando a insina se lhe tocará mui bem a prima.
Além disto, para o a b c lhe insinar, 195 em algũa mão lhe há de pegar,
e é bom que quando a sustento da sua mão a tenha um jumento, e que depois da lição ou primeiro
na mão lhe vá metendo o ponteiro? 200 Não, não, isto não me acomoda,
o diabo há de ir na casa toda!
Que ele como pregar-ma determina não vem senão junto à noutinha.
Mas se eu por desgraça o lá achar 205 a minha cachaporrinha há de cheirar.
Vai-se e sai a Filha e o Primo.
PRIMO Muito sente ũa absência, minha linda Mariana.
Parecem os instantes anos
a quem de veras te ama. 210 Dá-me um favor, meu bem,
ou se não me desengana, que eu nas minhas lições não te insino a ser tirana.
Sentam-se.
FILHA Com pouca rezão ingrata 215 tua sem rezão me chama.
194 Trocadilho insinuante que remete para o toque de instrumentos musicais.
Quem assiste é quem quer bem, quem dá a mão não engana.
Dá-lhe a mão.
Bem sei o quanto te devo,
tua sou, tua me chama, 220 que pouco faz em ser tua
quem por ti perdeu a fama.
Sai o Pai com ũa cachaporra ao pano.
PAI Ah, senhores, e ei-los, cá estão!
É certo o que lhe eu dizia ou não?
Ora vou visitar o cavalheiro 225 antes que lhe use do ponteiro.
(vai saindo) Esta há de mamar, em que lhe pês.
(dá-lhe) Santas boas noites tenham vocês.
PRIMO Senhor, se eu chegara a entender...
PAI Que falais vós aqui em tender? 230 Tender já, magano? Falai atento.
Quem tende dá sinal que fez fermento e segundo colijo dessas vozes
tendes feito um pão como ũas nozes.
Logo eu disse se o primo a casa vinha 235 nela havia de fazer bem má farinha.
PRIMO Eu, senhor?
PAI Se me dais mais rezão aqui vos brito.
Passai-lhe ali logo um escrito.
PRIMO Não lhe devo nada nem tal intento. 240 PAI Não é escrito de dívida, é de casamento.
PRIMO Que não vale sendo forçado.
PAI Se isso nos disser algum letrado já eu estou como um cordeirinho.
Vamos ter com ele, mas de caminho 245 preso haveis de ir de quando em quando.
Amarra-o por ũa corda por onde o levará.
FILHA Vossa mercê o quer ir arrastando?
PAI Mas antes, para que não arraste, é que lhe quero pôr este traste.
Bem sei que desta peça não gostais. 250 PRIMO Tão mau termo comigo usais.
Este é o pago que me quereis dar de a vossa filha vos insinar?
Olhai que sou um home honrado.
231-234 Nestes versos é feita uma analogia entre o crescimento da relação entre os dois jovens e o processo de fazer pão.
252 Este ] B esta.
PAI Arre, para casa do letrado. 255 Quem na prima roçou com bem pancadas
é bem leve agora bordoadas.
Dá-lhe e o leva preso puxando p’la corda e se vão todos; e sai o Letrado, e haja cadeira e mesa com livros em que se sentará.
LETRADO Está o mundo acabado!
O certo é que há muito letrado,
e bem que eu não sou dos piores. 260 Que importa se somos mil doutores?
Nada me aproveita, inda que estude.
Já não há demandas, tudo é vertude.
Já nem ũa parte vejo em todo o dia,
tudo está ũa redicularia. 265 O termo está ũa lazeira,
já não há quem bulhas ou demandas queira.
Já não vem queijos, perdizes nem presuntos.
O certo é que somos muitos,
e em conjunção ou caso tal 270 uns aos outros fazemos mal.
Já não dão as vesitas livramentos, acabaram-se já os casamentos.
Sai o Pai com o Primo p’la corda, e a Filha detrás dele.
PAI Mora aqui algum letrado, ah senhor?
LETRADO Entrai, filho, dizei algum doutor, 275 pouco aos termos políticos deveis.
Dizei-me a acção que trazeis.
PRIMO Esta cara de descarado,
que para me atar não foi atado.
PAI Esta cara de bem má sevandilha 280 levou a honra à minha filha.
LETRADO Que lha pague logo, nisso venho.
FILHA Senhor, não ma levou, que cá a tenho.
LETRADO Vamos ao caso, que o quero saber.
PAI Senhor, este homem insinava a ler 285 a minha filha, que está presente,
e sendo, como é, inda seu parente, foi ele tão grandíssimo vilão que sem lhe dar o pé tomou a mão,
e suponho, se a fé me não ingana, 290 que para cobrarem ambos boa fama
se deitaram um c’o outro a dormir, e por que ele de mim se não fosse a rir, achando-os acaiso no delito
Rúbrica entre os vv. 273 e 274: dele: leitura conjeturada. No ms. lê-se apenas de.
279 Trocadilho baseado no facto de a palavra “atado” se poder referir a uma pessoa pouco desembaraçada, com falta de iniciativa.
lhe disse que lhe passasse um escrito. 295 Ele me diz que não vale se é passado
à força. Agora vossa mercê, senhor letrado, desengane-me se vale ou não vale,
para lho passar antes que daqui abale.
LETRADO O escrito não vale de nenhũa sorte 300 sendo passado com temor da morte.
Metam cadens in virum constantem, isso, filho, nenhũa questão tem, assim o traz julgado Caminha.
PAI Caminha? Nunca a tal terra foi filha minha. 305 LETRADO Temudo em suas decisões o disse.
PAI Mudo? Se falou o mudo foi parvoíce.
LETRADO Febo e Pegas nisso assentaram.
PAI Pegas? Também as aves nisso falaram?
LETRADO Cardoso o traz em ũa proposta. 310 PAI Cardoso? A minha filha não é cardosa.
LETRADO Eu com Arouca nisso assento.
PAI Arouca? Nunca ela foi a tal convento.
LETRADO Aqui traz Pereira o comer feito.
PAI Pereira? Também as árvores sabem direito? 315 LETRADO O nosso Barbosa assi o escreveu.
PAI Barbosa já era morto quando isto sucedeu.
LETRADO Portugal o diz, e mais Guerreiro.
PAI Portugal? Logo o soube o reino inteiro?
PRIMO O senhor doutor diz o que intende. 320 LETRADO O nosso Leitão assim o defende.
PAI Leitão? É doutor bem afamado, mas é quando no espeto está assado.
302 É uma deturpação da expressão em latim “metus cadens in virum constantem”, relativa à violência no direito matrimonial.
303 questão [↑dúvida]
304 Caminha: Gregório Martins Caminha. Jurisconsulto português do século XVI. Atuou como advogado na Casa da Suplicação de Lisboa durante o reinado de D. João III. Considera-se o primeiro autor de direito português.
305 Atual município do distrito de Viana do Castelo, região norte de Portugal.
306 Temudo: Manuel Temudo da Fonseca (1589-1652), religioso e autor de várias obras de Direito.
308 Febo: Belchior Febo. Advogado do século XVI, que atuou na Casa da Suplicação de Lisboa. A sua única obra publicada é Decisiones senatus Regni Lusitaniae.
308 Pegas: Manuel Álvares Pegas (1635-1696). Advogado com atuação na Casa da Suplicação de Lisboa.
310 Cardoso: Poderá ser Francisco Cardoso do Amaral, Colegial Legista, Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação e Corregedor do Crime da Corte na primeira metade do século XVI.
312 Arouca: António Mendes Arouca (1610-1680). Jurisconsulto português. Publicou Allegationes.
313 Provavelmente, a personagem refere-se ao Mosteiro de Santa Maria de Arouca, documentado desde o século X e exclusivamente feminino desde 1154.
314 Pereira: Poderá tratar-se de Gabriel Pereira de Castro (1571-?), importante jurisconsulto português.
316 Barbosa: Parece referir-se a Manuel Barbosa (1546-1639). Advogado e autor prolífico de várias obras de direito, como Commentaria ad Ordinationes.
318 Portugal: Possivelmente Domingos Antunes Portugal (?-1677). Desembargador da Relação do Porto e da Casa da Suplicação, membro do Conselho Ultramarino. Autor do Tratado De donationibus regiis.
318 Guerreiro: Parece ser Afonso Álvares Guerreiro (?-1577). Doutor em Direito Civil e Canónico, publicou várias obras na área.
321 Leitão: Mateus Homem Leitão. Desembargador na Relação Eclesiástica de Braga, tendo-se tornado mais tarde Inquisidor em Évora (1646) e depois em Coimbra (1649). Autor de várias obras sobre Direito.
LETRADO Mascardo diz não vale o escritinho.
PAI Moscardo? Também foi já doutor esse bichinho? 325 LETRADO Valasco muito bem o ponto toca.
PAI Barbasco? É para dar aos peixes coca.
LETRADO Valasco, é o que digo.
PAI Pior é valhaco, senhor amigo.
LETRADO Também Reinoso assim o diz. 330 PAI Ranhoso? E é doutor quem tem ranho no nariz?
LETRADO Cardus o diz no tomo primeiro.
PAI Caldas não é doutor, quando muito será ferreiro.
LETRADO Almeida o traz com muitos citados.
PAI Almeida é só lá para os soldados. 335 LETRADO Muitos com Sanches o afirmaram.
PAI Sanchos? E também os sanchos direito estudaram?
LETRADO Segundo Baldo dizê-lo posso.
PAI Balde? Se é de balde vá para o poço.
LETRADO Bártolo o declarou em ũa disputa. 340 PAI Puta?! Oh vilão, chama à minha filha puta?
(dá-lhe) Ora, já que fala em doutores que o não são, vá também lendo a minha ordenação.
Vai-lhe dando com a cachaporra em todos e eles se vão fugindo.
324 Mascardo: Provavelmente, Alderano Mascardi (Mascardo, Itália, 1557-1608). Jurisconsulto italiano.
326 Valasco: Álvaro Valasco (1526-1593). Advogado na Casa da Suplicação de Lisboa, tendo sido nomeado Desembargador dos Agravos na Casa da Suplicação em 1577. Publicou várias obras de importância na área do Direito.
330 Reinoso: Miguel de Reinoso (1523-1563). Autor da obra de Direito Observationes practicae in quibus multa quae in controversiam in forensibus judiciis adducuntur, faelici stylo pertractantu.
332 Cardus: É possível que se trate de Josephus Mascardus, (?-1588), autor da obra Conclusiones probationum omnium quae in utroque foro quotidie versantur.
No testemunho A, o nome mencionado no verso correspondente é “Caldas”. Não podemos descartar que “Cardus”
se trate de uma deturpação (ou latinização) deste nome. Neste caso, poderá tratar-se de Francisco Caldas Pereira (1543-1597), jurista espanhol que desenvolveu a carreira em Portugal, tendo publicado vários Tratados importantes na área do Direito.
334 É possível que se trate de Brás de Almeida, Desembargador da Casa da Suplicação no início do século XVII e que, por isso, “citados” se refira a citações judiciais.
335 Este verso faz referência à praça-forte de Almeida, no distrito da Guarda, zona militar importante no país já desde a época romana.
336 Sanches: Tomas Sanchez (1550-1610). Jesuíta e casuísta espanhol que escreveu várias obras sobre direito matrimonial.
338 Baldo: Pedro de Ubaldis (1327-1400). Jurisconsulto discípulo de Bártolo cujas opiniões em matéria de direito civil eram tidas como norma e foram divulgadas no Direito português.
340 Bártolo: Bártolo de Sassoferrato (1314-1357). Um dos juristas mais importantes do século XIV, tendo publicado inúmeras obras.
Aparato de Variantes
Figuras: a Mulher ] A sua mulher
o Mestre ou Primo ] A hũm mosso
Rúbrica inicial: Sai a Mulher ] A Ø
1 Mulher ] A Maj
7 que dizer ] A que lhe dizer
9 em esta terra ] A nesta cidade
10 ou nestas cirunvezinhas ] A e nas duas freguezias
13 algum ] A hũm
14 só ] A Ø
trato ] A trabalho
16 menina ] A rapariga
17 é ] A Ø
20 até ] A tãobem
23 Finalmente, ela canta ] A ve la cantar e emfim
26 e ] A tão
29 À janela ] A e á renda 31 nos ] A os
34 é ] A e
35 grã ] A Ø
37 com os ] A c’os
40 que ] A Ø
51 picados ] A de cor
52 e mais seu ] A que tras hũm
53 à alamoa ] A a la moua
54 apolvilha ] A polvilha
56 que ] A Ø
59 pois ] A e que só ] A Ø
63 é já ] A ja he
Rúbrica entre os vv. 64 e 65: dentro o marido ] A o marido dentro No v. 65 A acrescenta a indicação de personagem: mulher.
67 Peço, senhores ] A Pesso lhe a vosses
Rúbrica entre os vv. 68 e 69: Vai-se e sai o Marido ] A Ø
69 diga-me quem souber ] A Ø
70 de a ] A da
71 Que ] A Ø
72 demo ] A Diabo
73 Oh ] A ou
ou, oh ] A ouvis ou
74 logo ] A depressa
75 depressa ] A logo da ] A de
76 que leva ] A que la leva
78 buscar a vossa ] A a buscar nossa
79 Leva a saia ] A e leva a mantilha
80 imareada ] A inarcada
83 mui ] A Ø
84 pois cudei me ] A e cuidando nella
86 de boi, de carneiro ] A ser de vacca, ou cabra
87 Pois ]A Ø assim ] A ou
88 cabe ] A coube p’la ] A pella
No lugar do v. 91 em A consta: tenho visto cabeças em Lamego
92 tão larga e comprida que põe ] A que de compridas e largas me põem
93 que se ] A e se ellas
94 davam de comer a ] A tinha bem que comer
95 Cabeças há com ] A pois da cabeça que tras
96 cem mainças ] A dez meunssas de alhos
99 que um mês nelas tinha ] A tinha nellas
100 mui bem ] A hũm mês
101 a peso ] A de cera
102 bastavam seis arrobas ] A bastava hũa aroba
103 isso enfadadas ] A isto intufadas
104 inda] A Ø
105 mete a ] A manda
106 a minha quero ] A quero a minha
107 Mas ] A Ø a ] A esta
108 tem ] A a tem filha ] A a
109 eu ] A Ø por ] A Ø
110 a ] A Ø
estes atafais ] A esses ays ays
112 a nossa ] A vossa
114 só servem ] A servem só
115 E na ] A e que na até o ] A hũm
117 digno de nota, e ] A muito digno
118 mostrar ] A metorar e esconder ] A escondendo
119 sabe ] A abre
120 no ] A em
122 tem ] A que tem
123 que se ] A que hir se
124 p’lo ] A pello a ] A Ø na ] A a
126 tornam acima ] A tornão outra véz assima
128 pl’as ] A pellas
129 pois estes ] A que esses se] A Ø
131 que ] A e que em ] A com
132 céu deixou ] A ceo nos deixou
135 assim se ] A emfim
136 sumilher ] A o submilher
137 que de lisa não tem já ] A e que de cizo ja não tem
138 até a ] A anda com traz já ] A Ø
139 e ] A Ø
140 quer já ] A queira
142 só quer ] A ja falla em manto ] A mantos
143 com ] A Ø
parece ] A paressa
145 Tudo ] A E digo ] A dezia
146 se quem ] A quem
147 Daqui lhe fiquei ] A fiquei lhe então
149 estas ] A esta
se não se ] A se senão
150 eu ] A que eu
152 eu ] A que eu
153 emendar ] A borrar
154 instrumentos ] A trastes
155 Para ] A e para
157 e ] A para o
158 e ] A pois
159 tenho ] A Ø
160 um ] A tenho hũm
163 bem o ] A o seu
164 tenho já ] A já tenho o ] A hum
165 Se ] A e se também ] A bem
166 cabo, cunha e ] A o cabo e cunha há de ] A hão de
168 de linhol ] A para isso eu ] A Ø
169 isto a ] A esta
170 quem ] A Oh! quem
172 a ladainha do seu ] A quando lhe ousso dizer o
173 até’qui chamando-se ] A chamando se em the aqui
174 agora ] A Ø
vossas mercês ] A vosses
175 primeiro ] A Ø
176 me ] A Ø dentes ] A entes
A rúbrica no verso 177 não existe em A.
177 Ah sim ] A Ø
178 Angélica, Damásia ] A Sogetica engracia
Os vv. 179 e 180 não existem em A.
No lugar do v. 182 em A consta: pellos émcarrilhar a todos juntos.
183 É ] A e he e ] A Ø
184 na ] A em hũma pobre ] A Ø
185 inda ] A Ø
186 agora ensinar-se ] A emssinar se agora