A entrevista ocorreu, conforme previsto no método desse estudo, na residência onde moram a mãe, a avó materna e a criança. A pesquisadora explicou novamente o objetivo do estudo, coletou a assinatura dos termos e deu continuidade a entrevista.
A respeito do tempo pré-gravidez, a mãe relata que na época estava com 21 anos; havia completado o ensino médico e estava estudando para conseguir ingressar em uma faculdade, mas para tal, precisava de uma bolsa de estudos, pois, com seu salário não conseguiria manter isso. Ane6 trabalhava como secretária em um escritório de advocacia.
A respeito de Leandro7, pai de Léo, nas palavras da mãe:
M8: Ele é um cara malandro, fala bem. Ele é vendedor, então sabe, né? Fala bem, convence todo mundo com a maior lábia. Mas ele não é um cara ruim, mas é meio ... no trabalho, a gente precisa às vezes ‘engolir sapo’, ter paciência e ele não é esse tipo de pessoa. E aqui em casa, todo mundo é assim, se a gente vê alguém precisando, a gente tenta ajudar de todas as maneiras, e aí que aconteceu, naquela época eu estava estudando, queria fazer direito, eu estava tentando bolsa, essas coisas. Porque eu não tinha ninguém que me ajudasse, aí eu fiquei grávida e cortei todos os planos.
Assim, Ane segue contando dos planos anteriores à gravidez, os quais não deram certo e os problemas com Leandro. Ela relatou que Leandro não se fixava nos empregos e que contraia muitas dívidas; Ane tentava garantir que essas contas fossem pagas com suas economias. Logo após a gravidez, Ane sugere que morassem juntos na casa em que já residia com a mãe e Leandro recusou- se, nas palavras de Ane:
5 Vale ressaltar a progressão continuada, ou seja, a nova formatação do ensino fundamental em ciclos, os
estudantes poderão ficar retidos três vezes ao longo do Ensino Fundamental, ao final de cada uma das etapas. Esses estudantes passarão por umarecuperação intensiva, ao longo de um ano, onde farão a revisão dos conteúdos com estratégias pedagógicas diferenciadas e específicas, de acordo com as suas necessidades. 6 Ane, nome fictício para preservar identidade da participante
7 Leandro, nome fictício para preservar identidade do participante 8 M para mãe.
M: Ele queria ficar rico, não queria dividir uma casa, o quintal, sei lá. Queria pagar aluguel e morar só comigo e o bebê. Mas eu não ia sair daqui para pagar aluguel em outro lugar. Ele já tem um filho mais velho, na época tinha uns quatro anos. Até dinheiro do meu salário eu dei para ele pagar pensão para esse filho. Quando eu fiquei grávida eu comecei a comprar as coisas do bebê, e ele, por essa falta de paciência discutiu com o patrão e foi dispensado. Aí tinha passado algum tempo o patrão chamou e disse que ele podia voltar, mas precisava de um carro para trabalhar. E eu, nessa época, estava trabalhando no escritório de advocacia, mas não estava registrada. Eu enjoava muito, não ficava bem, aí fiz um acordo lá para sair e a patroa pagou todos os meus direitos e eu aceitei. Eu saí e ele foi me pagando por mês, na época eu disse que ia ajudar o pai do Léo a comprar o carro, até o Léo nascer. A única coisa que eu fiz com esse dinheiro foi comprar o berço, o resto eu fazia compras do mês e pagava o carro.
Ane faz uma pequena pausa, mostrou-se muito emocionada e começou a chorar, disse que não é fácil lembrar-se desses momentos. Lembrou que se via grávida, com vontade de comprar coisas para o bebê e não conseguia. Nesse momento, Ane conta detalhadamente os motivos que a levaram, aos poucos a se separar de Leandro. Entre outros motivos, contou a respeito das dívidas com o carro e com cartão de crédito. Questionada, Ane contou que nunca chegou a morar com Leandro e que aos 18 meses de Léo, separou-se definitivamente dele. A respeito do convívio de pai e filho, Ane relembrou que no início o pai Leandro vinha visitá-los aos finais de semana e que essa rotina foi se espaçando, motivada pelas brigas e os rompimentos temporários, até aos 18 meses de Léo, quando o casal definitivamente se separou.
M: Foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida, nessa época eu comecei a trabalhar onde eu estou hoje. Eu ganhava muito pouco, mas eu precisava de um emprego perto de casa, eu tinha de voltar a trabalhar. Até hoje, se eu somar, posso te dizer que o pai do Léo ajudou no máximo com uns 500 reais, não por mês, desde que ele nasceu isso que ele tem nove anos.
Prosseguindo a entrevista, Ane foi levada a falar sobre sua gravidez, o parto, enfim. Relatou que quando ficou sabendo chorou muito. Disse ter feito um “exame de farmácia”, cujo resultado foi positivo e no outro dia marcou um exame de sangue.
M:: Foi a primeira vez que eu faltei no trabalho. Faltei nada! Cheguei mais tarde, meia hora depois. Eu sai de lá e contei para o pai do Léo
P: Como foi para você, descobrir que estava grávida?
M: Eu sempre fui muito prática, tá aí vamos ver da melhor maneira possível. Mas o que eu tinha mais medo era de contar para minha mãe, ela ficou triste mas aceitou P: Você também ficou triste?
M: Ah, triste, triste não. Mas eu sempre penso assim, se tem que resolver, vamos resolver. P: E o pai, como foi com ele?
A respeito da gestação, Ane revelou ter sido um momento muito difícil, a primeira coisa que a mãe lembrou foi a possibilidade de uma doença prejudicar o bebê.
M: Fui fazer os exames de rotina, os médicos chamaram dizendo que tinha dado Toxoplasmose indeterminada, eles disseram que o bebê podia nascer com problemas, e que por ter dado indeterminado eu tinha que repetir os exames, para ver os riscos. Ele podia ter algum problema na cabeça. Aí o médico disse que era preciso acompanhar, eu disse para o médico, que nem eu falei para você, se Deus quis assim, se acha que tem de dar isso pra mim eu vou saber me virar. Aí você fica sentimental, né. Chora por qualquer coisa. Eu pensava ‘Poxa meu filho’
A mãe continuou o relato, disse que teve de fazer constante acompanhamento médico, tomar medicações, pois, não eram taxativos os resultados a respeito da Toxoplasmose. Seguiu tratando e relatou não ter sido uma gravidez tranquila, devido as constantes brigas com Leandro. Com 36 semanas, em uma consulta de rotina, foi internada com pressão alta, que a levou a internação para a indução do parto, para preservar mãe e bebê. Segundo a mãe, o bebê necessitou ficar internado ainda alguns dias após o nascimento, em suas palavras:
M: Eu fui até o berçário ver ele, e a médica me disse que ele estava com um inicio de pneumonia, eu disse ‘Ah, só isso’. A médica ficou brava, disse que não era ‘Só isso’. Eu expliquei que eu disse ‘só’ por conta dos exames, da possiblidade da Toxoplasmose. A médica disse que não tinha sido informada sobre isso. Aí minha mãe levou todos os exames que eu tinha até então e fizeram um monte de exames, entre eles uma tomografia que via um pequeno sangramento no cérebro. Aí a médica disse que tinha que fazer os exames. Mas eu acredito que tudo acontece por um motivo, na minha fé, eu acho que tudo isso aconteceu para que vissem esse sangramento no cérebro. Porque senão, nunca teriam feito essa tomografia. Acredito que a pneumonia foi para isso também, Deus salvando meu filho. Olha quando eu entrei na sala de parto estava muito frio, ar condicionado muito frio, imagine um bebê nascendo nesse lugar, ele nasceu quentinho e o impacto que pega naquele ar super gelado. Acho que tudo tem um motivo. Acho que isso foi para iniciar a pneumonia, o problema da Toxoplasmose. Imagine sem nada disso eu teria levado meu filho para casa, na minha fé achando que estava tudo bem, e assim ele foi tratado. Tudo acontece por um motivo. Vai lá saber o que havia acontecido.
A respeito da primeira mamada, diz que Léo não sugava e por conta dos 15 dias de internação, o leite tinha que ser retirado mecanicamente e ofertado para a criança. A mãe contou que ao ir para casa, o bebê passou a mamar normalmente e fora exclusivo até os seis meses. M: Quando eu fui para a casa, eu achei que seria mamar e dormir, mas ele mamava direto, não deixava o peito. Se você perguntar para a minha mãe ela vai dizer que tinha dó de mim, de tanto que ele não me largava, era o tempo inteiro. Eu pegava ele e às vezes dormia com ele mamando, ele nunca queria largar o peito. Eu dormia com ele na cama, mamando.
P: E o pai do Léo, nesses primeiros seis meses?
Acerca da alimentação, a mãe relatou que tinha planos de voltar a trabalhar, e aos seis meses começou a introduzir papinha, por conta própria.
M: Não foi recomendação do pediatra, como ele era grandão, gordinho, eu quase nunca ia no pediatra. Eu comecei a dar papinha, porque eu queria voltar a trabalhar e eu pensava que ele tinha de estar pronto, sem o peito. Fiz umas sopinhas, que no começo ele não gostava, depois foi acostumando. Eu tinha lido que aos seis meses já podia introduzir papinha. Eu comecei a tirar leito do peito e colocava na mamadeira para ele entender que ele tinha que tomar na mamadeira. Aí eu comecei a dar leite de caixinha, puro. Como não deu reação, nem nada eu continuei dando, mas era puro. Quando chegava de noite e eu dava o peito, ele ficava a noite inteira mamando, eu achava que era fome, aí comecei a colocar engrossante na mamadeira. Comecei a dar bolachinha, papinha, macarrão. Eu dava comidinha, porque ele tinha que aprender. Eu queria que ele saísse do peito a noite, porque ele tinha de estar pronto para sair do peito.
P: Ele chorava?
M: Eu acostumei assim, quando eu via ele reclamando eu já dava o peito. Então ele mamava todo o tempo. Eu comecei a dar mamadeira com engrossante; nos primeiros dias ele chorou e não quis, chorava e não queria. Eu insisti com a mamadeira, depois de uns dias ele pegou. Minha mãe achava muito cruel, mas eu precisava descansar mais, eu queira voltar trabalhar. Depois de três noites ele acostumou. Depois de um tempo, ele começou a fazer a mamadeira de chupeta, ele nunca chupou chupeta; aí quando ele tinha uns dois anos, eu tirei a mamadeira, porque eu não queria que ele usasse a mamadeira como chupeta, para não estragar os dentes, eu queria que ele largasse isso. Minha mãe achava que eu era ruim, porque eu tirei isso dele, comprei um copo e tirei. Pra mim isso era uma vitória, era para o bem dele. Daí pra frente foi tudo bem, ainda mais quando o pai dele saiu de vez da vida da gente.
A respeito dos dentes, segundo a mãe, o primeiro apontou com seis meses e o menino não mordia o peito durante as mamadas. Sobre o engatinhar e andar, Ana relembrou que as sete meses Léo engatinhou e aos dez meses ficava de pé e em seguida começou a dar uns passinhos, segurando nas coisas. Fez uso de andador dos quatro até os onze meses.
M: Mas ele era muito ‘molão’ (sic), ele dava um passinho e caia, ele era grande, meio mole. Quando ele fez um ano, meu irmão fez uma festinha para ele. Ah, todo mundo paparicava, meus irmãos são mais velhos que eu, então depois que eu nasci nunca mais teve bebês na família, aí veio o Léo. Nessa festinha de um ano ele trocou os primeiros passinhos sem se apoiar em nada.
A primeira palavra, de acordo com Ane, foi “mamãe”: “Todo mundo era ‘mamãe’, minha mãe era ‘mamãe’, minha irmã, todo mundo”. A respeito da fala: “Eu achei que ele não fosse falar nunca. Falava tudo errado, quase quatro anos para falar a ponto da gente entender”. O desfralde ocorreu aos 18 meses, quando Léo ficava aos cuidados da vizinha, enquanto a mãe estava trabalhando. Aos três anos, Léo foi para a creche, quando foi possível uma vaga, a mãe relatou que no início Léo chorava muito e logo se adaptou.
M: Na creche, quando começou e ele ia no colo, era aqui na frente. A professora não queria que eu levasse ele no colo, porque ele era a única criança que chegava dormindo e ficava no colchão. Elas diziam que assim que eu saia ele acordava e brincava, ela não queria mais que ele fosse dormindo no meu colo.
Segundo Ane, Léo perdeu muito peso quando iniciou na creche, para a mãe isso ocorria devido ao menino não gostar da comida da creche. E ele permaneceu na creche até os cinco anos, quando foi para a primeira série do ensino fundamental. Não frequentou a pré-escola, dada à reforma da legislação escolar.
Em relação ao início da escolarização, a mãe relatou algumas dificuldades.
M: Quando ele começou na escola, ele teve muita dificuldade para aprender a ler e escrever. Eu sempre digo para ele que ele precisa estudar, porque quando ele for adulto, isso será muito importante. Às vezes eu pego uma lição e digo: ‘Olha o que você está fazendo, Léo’, ele diz: ‘Eu sei, mas é que eu sou criança’. Ele é muito distraído, eu já ouvi a professora falar. Às vezes você tá falando com ele, e ele tá ‘assim’ – fala a mãe olhando para o teto.
P: E essas dificuldades foram constantes?
M: Ano passado foi mais tranquilo, a professora não disse nada. Esse ano foi bem pior. Ela sempre dizia que ele era muito distraído.
P: E vocês se reuniram para discutir isso?
M: Não, só na saída ela comentou com a minha mãe que o Léo precisava prestar mais atenção, porque tinha ido mal na prova. Aí começamos a pegar no pé dele, brincar de mais e estudar de menos. Como eu te falei, ele chega em casa, quer pegar os papéis, ir para internet, ficar desenhando, essas coisas. Estudar, nada. Eu falei para ele chegar em casa e parar uns 30 minutos para estudar. Eu até tentei ajudar, mas eu não tenho a mínima paciência (risos). Eu já não gosto de explicar e ainda mais falar com alguém que me olha com a cara de ‘Eu não quero saber disso’, falar isso ele não fala, mas tá na cara dele, acho que é assim que ele pensa. Ele é muito preguiçoso pra estudar, pra aprender, pra fazer lição.
P: Ele vai tranquilamente para a escola?
M: A mais ou menos, tem dias que não. Ele fala que não quer, mas acaba indo, né. Eu falo para minha mãe que é como aqui, eu tinha muita dificuldade, meus irmãos também. P: Você entende que essa dificuldade é acadêmica ou se estende as relações lá? M: Eu fico tentando entender, eu às vezes eu acho ele meio tímido, eu não sei se é porque eu estou perto ou se não. Quando eu levei ele em um evento da escola, eu vi que ele estava na dele, as crianças falavam com ele e ele não interagia, não sei se é porque eu estou perto ou se é sempre assim. Me pergunto, eu não sei. Porque quando tem criança aqui, ele brinca, bagunça, mas na escola eu não sei, acho diferente. Não sei se na escola é assim. Tive poucas reclamações dele até hoje na escola nessa questão de comportamento. Ele é muito bonzinho nessa questão de comportamento.
M: Não me espanta, eu acho ele muito distraído, às vezes preguiçoso, por isso não me espanta. Se não prestar a atenção devida, não tem como aprender.
P: A escola, a professora te posiciona quanto a isso? M: Essa professora desse ano sim, falou...
P: E como isso repercutiu?
M: Eu ameacei. Disse que se ele continuasse assim, não teria mais um monte de coisas, ele até deu uma melhorada, mas... ainda acho que ele não se envolve, não é dedicado. Teve um dia que eu fui dormir e falei pra ele fica aí estudando, já que ele ficava direto até tarde brincando, ele podia ficar estudando. Ele chorou, chorou e eu deixei ele ir dormir. Eu falei pra ele, presta atenção na professora enquanto ela explica, não fica olhando para o horizonte. É isso que ele faz, eu sei. Se ele não presta atenção, não tem como aprender. Eu não acho ele burro, mas ele não presta atenção Em outro trecho, em meio a questões escolares, a mãe relatou a respeito das curiosidades de Léo.
M: Ele não ia bem, mas ele gostava muito de desenhar. Ele era muito criativo, fazia desenhos, sempre foi assim, adorava fuçar as coisas, ver, desmontar. Ele desmonta, vê na internet e tenta remontar. Algumas dão certo, outras não
P: E você notou isso quando, essa curiosidade?
M: Ah ele sempre foi assim, desde pequeno. Eu acho que ele parece comigo e com meu pai, ele trazia coisas de fora para montar. Eu sempre fui muito homem, eu troco chuveiro, passo fio, faço tudo essas coisas. Montar e desmontar coisas foi mais quando ele começou a ver na internet, quando ele era menor, ele começava brincar e o negócio desmontava, quebrava ele ficava muito nervoso.
P: Consegue lembrar de que ele brincava?
M: Ele nunca foi uma criança de ficar parada, eu comprava sempre desenhos e filmes para ele, ele nunca foi de ficar quietinho, ali. Ele sempre mexeu em tudo.
P: E como era para vocês isso, como lidava com ele?
M: Ah, a gente vivia chamando a atenção dele. Ele ficava ali, vendo TV, aí largava ligado e ia mexer em algo, sempre ficando cutucando as coisas. Aí a gente desligava ou mudava de canal, ele ficava bravo, dizia sempre que estava vendo também.
P: Como era lidar com essa criança que mexia em tudo?
M: Eu tirava tudo do alcance dele, colocava tudo para cima. Eu fui comprando brincando, e dei um videogame. No começo ele não tinha noção do que era um videogame (com cinco anos), mas eu queria que ele tivesse algo para brincar e não ficar fuçando em tudo e não ficar na casa dos outros. Ele reclamava de ter de brincar sozinho.
P: Ele é uma criança de perguntar e questionar?
M: Então, ele não tem o hábito de perguntar. Às vezes eu pergunto para ele se ele sabe o que está acontecendo em uma determinada situação ou o que aconteceu com ele, algo assim, ele diz
que não sabe, que esqueceu. Não é possível, ele não esqueceu. Ele não é uma criança fofoqueira que, por exemplo, acontece algo aqui e conta fora
P: E quando pequeno?
M: Ele perguntava muito. Ele vivia me perguntando como ele nasceu (risos) P: O que você disse?
M: Eu me enrolei um pouco. Ele queria saber como ele tinha nascido. Eu falei que ele tinha nascido da minha barriga, ai ele disse: “Não, eu quero saber como é que eu fui parar aí dentro” (risos), eu disse que a cegonha trouxe e ele: “Como foi que ela me colocou aí dentro”.
P: Quantos anos ele tinha?
M: Ele tinha uns três anos e pouco
P: Imagino que deve ter sido difícil responder.
M: Ah eu sempre fui muito brincalhona, mas como eu ia responder como ele entrou lá dentro. Ele não tinha nem idade para isso e na minha opinião, ainda nem tem. Como eu ia explicar para ele claramente, como foi que ele entrou lá dentro. Eu fui dando uns desvios, aí eu disse: “Tá vendo aqui, você entrou pelo meu umbigo. Tá vendo esse espaço?”, como eu ia dizer pra ele que ele entrou lá por baixo?
P: O que mais você lembra?
M: Quando ele era pequeno era um caos. Quando ele começou a engatinhar ele mexia em absolutamente tudo.
P: E como você reagia?
M: Eu perdia a paciência e colocava tudo para cima. Sério, ele fuçava em tudo, eu passava o dia dizendo “Léo, não mexe aí”, acho que uma das coisas que ele falou primeiro foi ‘não’, porque eu passava o dia todo dizendo ‘não mexe ai’.
P: Como você lida quando ele faz algo errado?
M: Agora? Eu falo, converso. Mas raramente eu preciso chamar a atenção dele, ele é muito na dele. Mas quando ele era criança, era o tempo inteiro. Ele ia mexer nas coisas, a ponto dele ir