A entrevista ocorreu na escola; logo, a professora assinou o TCLE dirigido à professora, e foi explicado o objetivo da pesquisa e o interesse em algumas questões relacionadas a Léo.
Sueli9 relatou ser o primeiro ano como professora de Léo; assim, no início do período letivo disse ter percebido que o menino tinha “raciocínio lento” (sic) e que por conta disso, chamou a mãe
para uma reunião. A professora afirmou que a partir disso, a mãe passou a se interessar mais a respeito do desempenho da criança na escola, e a professora entendeu que com isso, Léo melhorou muito, nas suas palavras:
D10: Eles conversaram e ele melhorou muito, em minha opinião, faltava um pouco de força de vontade e comprometimento do Léo. Ai ele veio melhorando e melhorou bastante11
P: O que você pode me contar dessa melhora?
D: Ah, ele melhorou muito. Ele não tinha muito raciocínio para matemática, ele aprendeu as contas, aprendeu a tabuada. Ele já consegue fazer as quatro operações. Divisão que era um problema sério, ele consegue desenvolver mais. Ele já sabe as quatro operações matemáticas; agora estamos estudando área e perímetro e ele está bem melhor. Mas olha... isso porque ele se interessou mais, viu? Ele, o problema dele era desinteresse, preguiça. Eu acho que ele tem um pouco de preguiça. A partir dessa conversa ele melhorou bastante. No início era muito ruim, ele melhorou muito.
P: Que interessante, então me parece que ele não se adequa aos critérios de baixo desempenho escolar.
D: Ah também não sei, né. Ele era muito fraquinho, um pouco com preguiça. A professora não continua esse assunto, não parece ser taxativa quanto ao desempenho de Léo.
P: Como são as atividades em grupo? Ele participa?
D: Ah precisa insistir um pouco, mas eu sempre faço atividades em dupla. Assim, a professora foi sendo questionada acerca dessas atividades, como ocorriam essas divisões das duplas, relatou:
D: Ah, pra ajudar a todos eu coloco um aluno que vai melhor, com um que vai mal, assim um ajuda o outro.
P: Imagino que inicialmente Léo ficava para ser ajudado. E isso foi bom?
D: Ele fazia as atividades, mas era mais lento assim, sabe? E aí como eu te falei, nossa ele agora melhorou muito.
P: Com isso imagino que ele passou aos que ajudam dada tamanha melhora de seu desempenho escolar.
D: Não, ele ainda fica pra ser ajudado. Ele não é muito participativo.
Em outro trecho a respeito das avaliações a professora nos contou que passou a mandar o calendário das avaliações para os pais e com isso Léo tinha ido muito melhor, disse:
D: Nossa no primeiro trimestre ele ia muito mal, mas aí eu conversei com a mãe, mandei o calendário das avaliações. Eu achava que ele não estudava nada em casa. Nossa melhorou muito.
10 D para docente
P: As avaliações são trimestrais? D: Sim.
P: Como foram as avaliações do Léo nesse primeiro trimestre.
D: Ele não foi bem no primeiro trimestre, acho que depois que eu conversei bastante com a mãe que ele melhorou.
P: Puxa, que interessante. O que você espera para esse próximo trimestre que está começando?
D: Acho que ele está bem melhor. Nossa, muito melhor, mais dedicado, presta mais atenção. Ele não era de perguntar nada, de levantar a mão, de demonstrar as dificuldades, mas agora, nossa. Mudou muito, ele traz tudo, faz a lição. Precisa ver. Graças a Deus, no segundo trimestre ele melhorou muito.
P: O que fez você acreditar que o Léo seria um bom caso para essa pesquisa, já que seu desempenho melhorou tanto?
D: Então, eu achei que ele era meio ‘inibidão’ (sic), achei ia ser bom. Mas ele agora melhorou muito.
P: Entendo. Quando ocorreu essa melhora? Sabe me dizer um tempo? D: Depois do último trimestre, aí melhorou muito.
P: A que você credita essa melhora?
D: Ah, como eu te disse. Eu chamei a mãe, conversei muito com ela. Sabe aqui a gente é tudo, até meio psicóloga (risos). E outra, a avó me contou que ele e a mãe só ficavam no celular, mas aí a avó passou a conversar com os dois, que não podem ficar só no celular. Ah! O Léo era assim, pra ele tanto fazia, se aprendesse bom, senão tudo bem também.
P: Parece que ele hoje pergunta, fala bastante.
D: Não tanto, não fala tanto assim. Ele é muito na dele. Mas depois que ele veio para minha turma, acho que isso mudou
A respeito de Léo e como foi o início das atividades escolares com ele, a professora relatou que no início do ano foram realizadas atividades chamadas de ‘sondagem diagnóstica’:
D: Nós pegamos os prontuários para compreender em qual o nível eles estão. Ela relata que a sondagem é um procedimento da escola, como uma prova, aplicada nas turmas. A partir disso, os alunos são classificados, segundo a professora, de acordo com seu nível. A respeito de Léo:
D: Ele já era alfabetizado, mas os textos vinham com defasagem de pontuação, coerência... A partir disso, nós desenvolvemos o trabalho para as turmas, com muita revisão. Como por exemplo, matemática eles vêm com muitas dificuldades, todos os anos ele vêm com muitas dificuldades e a gente vai sempre revisando [...] Na verdade – a professora ri timidamente, a gente pega um quarto ano esperando um quarto ano. Hoje em dia não é mais assim, as crianças vêm com muitas dificuldades, porque não é uma questão de conteúdo, é como recebemos as crianças e ter todo
trabalho de revisar tudo. Eu pego criança que ainda não sabe ler e escrever. P: Esse era o perfil do Léo?
D: Ah, ele era alfabetizado, mas não ia bem de jeito nenhum. Ele ainda tem suas dificuldades, eu acho ele desatento, parece que falta aquela vontade de aprender, sabe? Na verdade a gente se vira assim, separa em grupos, vê as dificuldades. No caso do Léo não era que ele não alfabetizava, era mais como preguiça, sabe? Precisa ficar em cima. Em dupla, grupinhos. Eu coloco quem tem mais dificuldades com outro um pouco mais habilidoso, um ajuda o outro. Até hoje ele fica com uma dupla que é mais habilidosa, eu sempre intervenho para que ele fique com um mais “espertinho” sabe?
P: Um aluno que vai bem? D: Sim.
P: Parece que ele (Léo) ainda tem suas dificuldades.
D: Sim, eu sempre coloco ele com alguém com mais habilidade.
P: O Léo é uma criança, na sua opinião, que assimila o que é passado?
D: Então, não é aquela criança rápida que aprende e pronto. Ele é mais lento, mais devagar nisso. Precisa insistir, sentar do lado, chamar ele. Ele precisa de mais atenção, ele é meio devagar, por exemplo, eu tenho alunos na sala que explica e já entende. O Léo não. Ele é bem mais devagar, parece meio longe sabe...
A professora foi, então, convidada a falar de Léo e suas relações com as outras crianças, sua relação com os demais, se ele participava ou não dos grupos, das atividades. A professora diz ser “normal”, diz que ele participou de tudo, nas aulas de educação física que ele brinca de tudo. D: Ele não é uma criança isolada, ele brinca, participa. O que eu vejo sim, ele participa brinca, fica com outras crianças, aqui é bem normal. Aí lá na casa dele eu não sei, não sei se brinca com outras crianças, se é isolado. Aqui é bem normal.
P: E a participação dele em produções em grupo, atividades. D: Ah, ele participa de tudo.
P: E a participação dos familiares aqui?
D: Então, de um tempo para cá ele começou a ir embora sozinho. Aí às vezes quando a avó vem buscar, eu aviso que vai ter avaliação, aviso como está. Mas como essa melhora dele, eu a vejo menos. Mas eu aviso sempre, ele está bem mais responsável.
Em outro trecho:
D: Ah a mãe participa, em geral. Na mostra ela não veio eu acho, não tenho certeza. P: Qual outro evento teve esse ano?
D: Grande assim nenhum, mas sempre temos no natal, festa junina, essas coisas. Ah, na mostra cultural ele não veio mesmo, porque ele disse que não ia vir no dia. É ele não veio mesmo. P: Tem ideia por quê?
D: Não... Ai menina é tanta coisa.