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Entrevista com ex-professora e coordenadora

5 UMA EXPERIÊNCIA PRÁTICA: OBSERVANDO OS

5.1 CAMINHOS METODOLÓGICOS

5.2.9 Entrevista com ex-professora e coordenadora

Foi realizada entrevista com a ex-professora Marineide Marinho Maciel Costa, sendo abordados os princípios filosóficos básicos do IMIT e a narrativa da sua experiência, desde a entrada no IMIT como professora e coordenadora, até o fim de sua atuação. As perguntas seguem em anexo. Serão colocados aqui alguns aspectos relevantes baseados nas respostas da professora com citações da mesma. Todas as informações que se encontram entre aspas são falas da professora Marineide, do jeito em que foram faladas, no momento da entrevista.

A partir de 1997, a convite da criadora e atual coordenadora do IMIT, professora Alda Oliveira, tornou-se professora do IMIT; na época relutou, pois não acreditava em piano em grupo, até mesmo por ter passado por uma experiência particular similar, porém decepcionante; mesmo assim, resolve aceitar a proposta da professora Alda, na intenção de desenvolver seu lado criativo. Ela diz: - “Eu não gosto de ficar encaixotada, não gosto de método, eu gosto de criar”... me animei, vim e me apaixonei” (informação verbal)8.

Na época, a procura pelo curso do IMIT estava aumentando e uma professora, apenas, não dava conta de 25 alunos numa mesma turma; com a chegada da professora Marineide, a turma foi dividida em duas, lecionadas por ela e pela professora Adálvia Borges, professoras e coordenadoras ao mesmo tempo.

Os estudantes de Licenciatura começaram a estagiar nas turmas do IMIT. “O objetivo grande da extensão é ser o laboratório da graduação e da pós” (sic profª Marineide). A troca com os alunos da graduação era bastante proveitosa, por serem criativos e interessados em aprender, “tanto a criança quanto o professor se animam; é sempre um master class”. A partir do momento em que os estagiários se graduavam, alguns se tornavam professores do IMIT, chegando novos estagiários.

Para ela, um dos aspectos principais e mais significativo era o fato dos alunos saírem do IMIT e se sobressaírem na música, sendo reconhecidos pelos pais como ex alunos do IMIT. No curso havia sempre interação com outros professores da UFBA, em especial de percussão; para ela, essa interação era “a coisa mais importante”. As aulas eram desenvolvidas com muita improvisação. Numa certa

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Entrevista concedida por Marineide Marinho Maciel Costa, ex-professora e ex-coordenadora do IMIT – de 1997 a 2013, no dia 18/06/2015, às 10 horas, em sua residência, previamente agendada. Todas as expressões que estiverem entre aspas são falas da professora.

feita, um aluno criou um tema denominado Kawai (marca do piano da sala de aula); esse tema oportunizou a outros alunos a prática da improvisação na sala de aula e nas apresentações da turma.

A vivência musical do IMIT não foi um método em si; eram utilizados os princípios de Willems para introdução à leitura musical. “Sá Pereira já ensinava nessa época a fazer improvisação”... A experiência deixada por Swanwick em 1998 serviu para melhor organização do pensamento e das aulas, propriamente ditas, através do modelo TECLA baseado no CLASP, já experienciado por ele. “Esse modelo serviu muito... tanto pra se fazer o plano pensando em técnica (o que é que eu vou trabalhar hoje?), em execução (o que é que ele vai executar hoje?) e na criação (dentro dessa técnica... dessa execução... o que é que pode ser criado, o que é que pode ser improvisado?) ou ele pode, daí, criar uma outra composição... como aconteceu várias vezes; e na literatura, ele aprender a parte teórica e história da música também, e fazer as pontes”... “Numa aula você faz muitas pontes, você tem que ter sensibilidade pra sentir uma pergunta de um aluno e responder a pergunta dele com segurança”...

Swanwick propôs a criação de estruturas como suporte para dar as aulas; de forma simples, era escolhido um tema para a aula e a partir desse tema, eram estabelecidos quais instrumentos e exercícios seriam utilizados e como os alunos seriam avaliados. “Você tem tudo de um plano de aula mas de uma forma simples... é uma questão de organização... mental... e estrutural”... A técnica tem que ajudar a execução e a execução tem que ter técnica”. Para ela, o modelo TECLA dá a visão de como conseguir avaliar cada aluno e identificar suas dificuldades para ajudá-lo a superá-las.

Quando a professora iniciou seu trabalho junto ao IMIT, havia na sala apenas um piano, uma marimba e alguns instrumentos de percussão. Para que todos os alunos pudessem manusear os instrumentos, se fazia um rodízio entre eles, então todos podiam vivenciar experiências diferentes e interacionais; era um momento de interação e de oportunidade para que os alunos aprendessem a se autoavaliarem e a avaliarem seus colegas; para ela isso é “mais que um ensino de instrumento em grupo e sim, fazer música”.

Muito do trabalho realizado não foi editado, porém ainda pode-se encontrar, nos relatórios, os procedimentos e vivências realizados nas salas de aula do IMIT.

Enquanto coordenadora, havia reuniões mensais de planejamento (temas, compositores) com professores e estagiários, sem perder o foco da sequência lógica de conhecimento musical. Também era realizada antes do início das aulas, a Semana Pedagógica, com abertura pela direção da escola de Música e participação de outros professores da graduação e da pós graduação; por causa da ausência dos professores e estagiários, a professora resolveu realizar as atividades desta semana em apenas um dia, obtendo sucesso.

Com o crescimento do curso, houve necessidade de se dividir o trabalho com mais outros coordenadores, um para Musicalização Infantil e outro para o IMIT.

A classificação das turmas se dava, a princípio, por idade, e depois por nível (7 a 10 anos, uma turma e 11-12 anos, outra turma). Apesar da organização das turmas ser realizada por idade, tinha-se o cuidado de respeitar os níveis, não misturando-os. Eram considerados até dez alunos numa sala de aula.

Quando a professora é arguida acerca de como vê hoje o ensino em grupo, ela responde: - “... hoje eu vejo como uma condição sine qua non para que todos tenham direito à música”... a professora alega a facilidade em relação aos custos, pois as aulas individuais sempre saem mais onerosas. Além da importância em fazer os alunos conhecerem o que é música, para se tornarem boa plateia, fazer música juntos e saber fazer uma crítica. Para a professora, “o meu sonho era que tivesse em cada canto da cidade um trabalho de grupo”.

Como ela vê a música hoje: “... uma questão de remédio para uma saúde pública”, no sentido de fazer a população aprender a... “gastar menos a voz, a cantar sem gritar, a cantar mais, a não ouvir música muito alto, a gritar menos”...

Hoje em dia, na UFBA, o IMIT não tem sido mais um lugar de oportunidade de treinamento para estagiários, o que não é bom, segundo a professora entrevistada; para ela, essa formação dentro do curso de graduação de Licenciatura é fundamental para a aprendizagem e a vivência, enquanto professor de música. Mudanças aconteciam nos aspectos em função do comportamento dos professores em sala de aula, mas a filosofia se mantinha.

Sobre a última pergunta, que aborda a relação entre o estudo da música e o desenvolvimento integral da criança, a professora assim conclui: “ Para estudar isso, eu fui estudar Psicolinguística e Psicomotricidade e, no meu trabalho de monografia

da pós-graduação, fiz uma pesquisa de campo, longitudinal, com crianças (na musicalização infantil e no final do 1º grau)”. Este trabalho se encontra nos Anais do SIMCAM (Simpósio de Cognição e Artes Musicais), em 2007 (encontra-se nas referências desta pesquisa).

Para finalizar, ela conta uma experiência com uma aluna que apresentava desvio fonético/fonológico com omissão do fonema /K/; através da utilização de canções criadas com o fonema-alvo, no final do ano, a aluna já estava falando normalmente; por isso, a professora foi bastante elogiada pela fonoaudióloga que acompanhava a garota. “Quando você descobre qual é a patologia da criança e você vai com a música naquela patologia... resolve, porque vai brincando, né?... é lúdico... trabalho de cognição no sentido... da música colaborar por causa do ritmo... de percepção auditiva... as palavras têm ritmo, a frase tem ritmo... esse ritmo vai dar a ela a pontuação de texto... a separação de sílaba”....

Bater palmas falando o nome, comparar se são iguais, reproduzir, porque vão “fazendo a criança pensar, raciocinar, refletir no que ela fez ritmicamente”...