Anexo 1 – Entrevistas com profissionais das emissoras analisadas 138
Anexo 2 – Grades de programação das emissoras analisadas 162
Anexo 3 – Modelo do questionário aplicado às famílias 176
ENTREVISTA CARLOS NOVARO
DIRETOR DE PROGRAMAÇÃO E PRODUÇÃO DA UNITEL
TRADUÇÃO REALIZADA PELA AUTORA
Trabalhei 10 anos no Canal 4 de Montevideo, Uruguai. E tenho sempre contato com a gente da Globo. No Uruguai, em Caracas, eu estava... Tentaram colocar novelas mas as principais a concorrência passava, no Canal 12, e continuam passando. Ou seja, no Canal 4 que eu estava trabalhando. Tentamos colocar algumas novelas que davam em outros horários da programação da Rede Globo mas não temos... Eu cheguei à conclusão de que as novelas da Globo, a central, por suas características, não é para o horário da tarde. É um programa noturno. Na minha opinião, como produtor inclusive de telenovelas, antes de ser programador, também produtor de novelas na Argentina, sempre gostei do que é ficção na televisão. E, no meu critério, a Globo é a melhor produtora de telenovelas que existe na América- latina. Não lhe digo para ficar bem com você, mas tenho repetido isto até me fartar aqui. Bem, em relação... ao conteúdo de seus roteiros, à sua produção, à realização, aos atores, realmente estão na vanguarda. Por algum motivo, os produtos conseguem. As novelas da Globo vendem até na Europa. As outras ocasionalmente têm algum sucesso, compram algum roteiro, algum golpe de sorte assim, pode ser. Mas a Globo faz anos que vende na Europa. E não entra qualquer coisa lá, não? Bem, ou seja, como profissional da organização de telenovelas, devo dizer que os produtos da Globo, neste aspecto, são os melhores. Sabe, o que tenho a dizer... Na Colômbia, hoje em dia, a Colômbia tem tomado um rol muito importante. Bem, ou seja, também ganha da Televisa pelos conteúdos e pelos atores também. Televisa se mantém sempre no mesmo esquema. É o conto da Cinderela a torto e ao revés, o conto da Cinderela. O pobre odeia o pobre, o rico odeia a rica. A mesma coisa. Com maus atores, às vezes. Mas as classes populares dão grande audiência aos produtos da Televisa. Inclusive aqui, não! Isso é inevitável. Esse é o problema que tem a Globo. Que é aceitada amplamente pela classe média, média alta e alta. Mas a classe baixa e baixa prefere a Televisa. Ou seja, é isso.
Uma batalha que, como se diz, é muito difícil, de certa seriedade, de certo prestígio que os produtos da Globo têm representado. São vendidos na no ssa programação e assim já era quando eu cheguei aqui. E sempre defendendo esta posição que as novelas da Globo não
podem perder. Na Argentina agora se cultiva uma espécie de busca de uma marca na programação. Aqui se passam às 21 horas todos os êxitos da Globo. Às 21h colocamos a novela central da Globo. Temos experimentado no ano passado. Compramos Escrava Isaura pelo sucesso da Rede Record. Realmente foi muito bem. A transmitimos às 19h, antes do noticiário. É uma mexicanea da... feita com mão de obra brasileira, mas com esta intenção. O fenômeno Record e Globo.... Estão tratando de imitar a Globo em toda a Record. E tenho falado com a gente da Record quando vamos nas feiras que é isso que eles tentam – a cópia da Globo. E estão fazendo produtos realmente muito interessantes. Esta é a única que nós passamos brasileira, digamos, então com continuidade que é a central da Globo.
Neste momento, estamos passando Belíssima e estamos um pouco atrasados. Estamos um pouco mais atrasados por termos contratuais. Vamos passar Cobras e Lagartos que compramos, que não é central. Mas o que acontece é que, por razões contratuais, não podemos mudar de tempo, digamos. Vamos colocar a central. Depois venderão todas as centrais que deram a Globo, uma depois da outra. Isto asseguro. Bom, é isso.
Enquanto a telenovela na Argentina compete com duas novelas da Televisa, há novelas da Rede Globo que são um grande sucesso como O Clone que ganhava de qualquer uma. E a novela Belíssima compete, briga, com as duas novelas da Televisa. Por sorte, a concorrência divide a audiência. Então, emparelha todos neste horário. Quando a novela é- eu digo- um boom como foi O Clone, que superava todos os números, mas quando são duas novelas normais, digamos, vão a emparelhar os ratings.
Quando se coloca uma telenovela brasileira na programação, já se espera um público fiel?
Sim, este público sempre nos acompanha. Faz anos que esta novela está posta na grade de programação. Este público nos acompanha. Pois eu te digo que há vezes que a novela brasileira produz um boom. Então, nos ratings, nos sobressaímos. Temos mais ratings que o habitual. Senão, mais ou menos emparelho com os outros dois canais que estão passando. Cada um, uma telenovela da Televisa.
Por que as telenovelas brasileiras são transmitidas às 21h e não uma da Televisa, aqui na Unitel? Por que são as mais caras?
Sim. As da Globo são as mais caras. No mercado são as mais caras. É um produto caro. A metade do que pode valer... O problema é que se você não emite... Na Televisa hoje são mais contratos. Não pode comprar uma novela. Tem que comprar um montão de coisas. Então isto
faz ser mais caro mas independente, digamos. A hora da Globo é mais cara que a hora da Televisa.
No mês de junho deste ano, no mês passado, o comportamento da novela da Globo em relação aos outros três canais. Primeiro, vou te dar de cidade por cidade e logo o nacional.
Digamos, a média das três cidades. Se tomamos La Paz... Vamos parar no mesmo sempre. La Paz: Unitel, as duas horas meia horas tiveram 71,78. 7.1, 7.8. Bolivisión 3.1, 3.9. ATB teve 3.6, 4.3. Red Uno 6.8, 7.5. Ou seja: aqui há praticamente um empate. Os ratings aqui não estão muito bem elaborados… Em outros lugares dois décimos, três décimos, cinco décimos importam. Aqui não. Realmente não se pode dizer que haja um virtual... há um empate entre Unitel e Red Uno.
Cochabamba. O que se vê não foi muito forte, mas... Unitel teve 8.5, 6.3. ATB. Este é o que mais tem. 17.7, 18.7.
Que diferença… o que tem aí?
Novela. Novela mexicana. Red Uno: 4.6, 4.5. Bolivisión eu te disse ou ainda não?
Ainda não.
Bolivisión 4.4, 4.1. Se bem... é um público similar de Cochabamba e de La Paz. Em La Paz ... É uma média do mês, não? O mais próximo da realidade possível. E passamos a Santa Cruz, onde a Unitel tem 13.4 e 13.2.
Muito bom.
Ah, sim. Bolivisión tem 1.8, 1.0. ATB tem 1.8, 2.4. Há uma diferença. O mesmo programa, hã? E Red Uno... Aí, aquí, gostam da outra novela mexicana. 11.5, 11.6. Se pode dizer de um empate? Sim, se pode dizer. Porque realmente há que ver no final do ano todo, mas.. .se pode dizer que é um empate pois os ratings são muito...
Como se pode caracterizar os telespectadores de cada um destes canais?
Ah, não... Infelizmente nós não temos.. Eu não posso te dar isso aí pois não tenho esse dado. Mas o que eu sei é que dominamos a classe média, média alta. E a gente que vê, como você disse, as telenovelas mexicanas, é a gente da classe média baixa e baixa e de extrema pobreza, não? Que é a maioria aqui, não? Por isso os ratings altos. Mas no rating médio nacional das
três cidades, temos a Unitel com 9.7, 9.5. É nacional. Ou seja, me refiro à média das três cidades. Nada mais. Não é Bolívia. Mas a média das três cidades onde... As únicas cidades onde se mede. Que há uma medição de audiência. Temos a Unitel com 9.7 e 9.5, a Bolivisión com 2.8 e 3.2. ATB com 5.5 e 6.2. Baixa muito a média em Santa Cruz. e Red Uno 8.2 e 8.5. Este é o mais próximo de junho. De todo o mês e o que terá uma pauta do comportamento de uma novela que não é um boom, que não é um uau.
Que é Belíssima.
Que é Belíssima.
O Clone gerava quanto, mais ou menos?
O Clone superava os dois dígitos. Sempre, sempre a dois dígitos. Era fantástico. Até inclusive a repetição que demos do Clone também foi fantástico.
Há alguma temática, algo que se goste. Qual o critério que se segue quando vai comprar uma telenovela?
Ah, bem, sim. Isto eu lhe posso dizer. A gente briga para ser uma novela central da Glboo porque tem um caráter mais cosmopolita. Ou seja, é a mais universal, digamos. As outras não, de outros horários. Vão dirigidas a outros públicos específicos: à juventude... Em troca, a temática é realmente de uma grande cidade, ou da cidade. E onde há gente jovem, gente adulta, há de tudo. Bem, esta diversidade é o que interessa, não? Talvez os produtos Globo e sua exposição que estão mais cimentados agora numa determinada audiência podem ter êxito porque, bem, refletem a problemática deste segmento que é o Brasil. Estas novelas não têm conseguido êxito aqui, não? Algumas sim, como Chocolate...
Chocolate com Pimenta.
Não.
Mulheres apaixonadas?
Esta passamos nós. Bem. Havia outra que bem, que a concorrência transmitiu. A passavam meio-dia e fez bastante força nas novelas do meio dia, que são as novelas colombianas.
Não. Nós fechamos acordo por outra companhia por três anos. E dois anos desta vez e a anterior foi de três anos. Digamos que era um acordo com Globo que tínhamos a opção de comprar todos os produtos que quiséssemos da Globo.
Qualquer?
Claro. A novela que nós quisermos. Uma. Sim, mas sempre escolhemos a novela central que é a que adapta a todo mercado. Não somente ao boliviano. É isso. Assim que estas características que eu te disse da novela central, acontecem coisas que estão representadas nas distintas classes sociais, inclusive sociais, que podem ser as distintas classes de qualquer cidade.
Na sua opinião, por exemplo, são mulheres, homens, qual o tipo e telespectador?
Não, não.. A atitude que tem a telenovela brasileira, ainda que hoje em dia acontece com as colombianas também. Mas acho que foi a novela brasileira a primeira que os homens começaram a gostar também. Que os homens também as vêem.
Assistem também?
Sim, sim, sim. Eu acho que sim. Lamentablemente, não posso te dar estes dados estatísticos porque não me dão a medição. Estes são os ratings dos domicílios. Domicílios. Assim que não é rating individual. Os homens também.. Em todos lugares se dá.. Que a novela, a princípio, a novela brasileira, dava ao homem vergonha de vê-la. Mas hoje em dia todo mundo vê.
Hoje em dia, creio que se haja perdido a vergonha dos homens de ver telenovelas. Outro dia eu estava num restaurante e havia um jovem e haviam meninos de diferentes idades e estavam com duas senhoritas. Estavam mais perto dos trinta que dos vinte. E estavam justamente passando neste restaurante uma novela nossa, das duas da tarde. Eu estava almoçando. E o rapaz explicava às meninas a história da novela. Ele olhava e dizia do que gostava. Esse rapaz estava entusiasmado porque conhecia a história da novela. Me surpreendeu e me surpreende, naturalmente. Assim, eu escutei atentamente o que este rapaz dizia. Assim, hoje em dia é nivelado e vocês estão dominando o mundo agora. Mas que o presidente dos Estados Unidos.
Aqui na Bolívia, não sei se acontece o mesmo que no Brasil. Os jornais, as revistas, tudo fala sobre a telenovela. Aqui também? Ou seja, a televisão falando da televisão, falando das telenovelas...
Lamentavelmente não há uma vida artística como há no Brasil, como há na Argentina, onde qualquer quantidade de revistas sobre a televisão, de fofocas, de tudo isso. Fofoca, os atores que saem com fulano, que saem com beltrano... Aqui não tem isso. Não há uma vida artística. Não se produz ficção. Os jornais tem um espaço pequeno onde se faz algumas críticas pequenas de televisão. Às vezes, quando o evento é importante, dedicam um pouco mais: meia página. Ou quando temos concurso de beleza que é o que realmente fazemos aqui. Então dedicam fotografia e tudo isso. E, realmente, é isso o que há também nas revistas que se entregam nos retaurantes, onde mais se informa sobre a vida social da cidade. Viu?
Sim, vi.
Bom, estes se multiplicam por todos os lados aqui e há mias revistas deste tipo. Não há sobre as novelas, de outras revistas que falem sobre novelas ou sobre atores. Pois aqui não tem. Não tem. Esta é uma indústria incipiente. Nem sequer tem característica de indústria.
Mesmo que a novela ocupe um espaço tão importante na grade de programação, não?
Sim, mas nos outros países isto funciona pois os atores e atrizes são locais. Então tem um atrativo fundamental. Isso... Querem saber as histórias de seus atores e atrizes, que bonito que é, que operou... Todos estes tipos de coisas que aparecem nestas revistas. Mas aqui não tem nada disso. Não tem. Há pequenas críticas nos jornais. Nada mais.
O que se pode dizer da importância da telenovela na programação da Unitel? Que espaço ocupa?
Nós transmitimos 24 horas. Supostamente, à noite, já à partir das dez da noite, transmitimos filme ou fazemos resumos esportivos e das jornadas quando há eventos esportivos como neste momento, da Copa América. Mas nós transmitimos às nove da manhã uma novela colombiana, às duas da tarde outra novela colombiana, às sete outra novela colombiana. Não temos, não trabalhamos com a Televisa. E às nove, a novela da Globo. Se pode dizer que, em comparação com outros canais, temos poucas novelas. Nosso forte é mais o cinema.
Há alguma comparação entre os gêneros? Qual tem obtido mais sucesso?
Depende do filme. O filme às vezes oscila no rating por... Os filmes gostam tanto em La Paz como em Santa Cruz. E gostam muito. A concorrência também briga com a gente com os filmes.
Então o gênero mais importante da Unitel é o filme?
Eu diria que sim, pela quantidade de horas que nós transmitimos programas. A concorrência transmite mais novelas por dia por obrigação de seu contrato com a Televisa e além disso, compra algumas novelas colombianas. Tem tentado com as novelas brasileiras da Globo que também tem comprado. Sim, mas creio que para o canal o que é notícia e o que é filme é... Supostamente, eu não dou maior importância a um ou ao outro. Um canal deve ter novelas, deve ter filme, deve ter notícias e deve ter eventos.
Mas o que atrai mais público?
Mais público? Depende... Pode ser um bom filme que tenha alto rating ou pode ser um evento que fazemos que também tenha um alto rating. Não se pode dizer do que tem mais público. Pela quantidade de filmes que passamos, posso te dizer que os filmes têm ma is ratings, em comparação com as novelas, mas há novelas de manhã e à tarde. E isso praticamente vê a mulher, a dona de casa. A novela da Globo já é para toda a família. É outra coisa, pelo horário que está posta, às nove da noite. Assim, eu não posso dizer que eu interfiro na programação. A concorrência se arrisca e coloca mais novelas, mais novelas.. Eu não. Não sou de acordo com isso, de colocar mais novelas ou mais filmes ou mais notícias. Tem que tentar fazer, dentro do possível, que é muito difícil, e os custos são muito altos, é um mercado muito pobre... É muito difícil. Então, tinha que estar navegando na coisa equilibradamente e dar a cada target o seu programa. Temos um programa infantil também à tarde que vêm e sem passar desenhos animados, simplesmente. Produção, sorteios e jogos para as crianças. E se assiste! No fim de semana passamos séries e se vê bem, pois trazemos boas séries. As pessoas vêm. Ou seja, tratamos de chegar a todo o público. A produção da televisão aberta deve chegar desde ao menino de 6 anos até a avó de 90. A mulher e o homem. Ainda que, com a aparição do cabo, as classes sociais altas que podem ter o cabo, têm deixado a televisão aberta e se mandado para o cabo. E, teoricamente, bem, se pode rever este tema no futuro na Bolívia. Mas até agora muito pouca gente tem TV a cabo.
É muito cara?
É cara, mas além disso, há o problema do nível de pobreza que vive o país. Tem que pensar que 20% tem para viver. E que 80% não tem para viver. Assim, é drástica a coisa.
Red Uno, Bolivisión também transmite.
Brasileira, não?
Às vezes transmitem brasileiras. Acho que transmitiu uma, mas argentina. Red Uno, Bolivisión, ATB. PAT também transmite novelas, ou seja, estão mudando. Bolivisió n, por exemplo, foi comprada por um empresário mexicano como este Ángel Gonzáles que tem canais por toda América Latina. Assim, sua meta vai ser a compra de todos seus canales e, bem... Há um excesso de canais. O mercado não dá para tantos canais.
Unitel é um canal novo, não? São mais ou menos 10 anos?
Antes a Unitel estava junto com a gente da ATB. Ou seja, não existia Unitel. O que te digo... Te digo que este é o meu oitavo ano aqui nesta empresa. Faz 10 anos que separou a gente que era dona no momento da ATB e que criou a Unitel. E começou a trabalhar independentemente. Comrpou o canal de La Paz, tinha este aqui em Santa Cruz. E muito mais recentemente, coisa de dois ou três anos, comprou o de Cochabamba. Estes são os únicos canais da Rede Unitel que a família Monastério é dona. Os outros canais, ao longo do país, são retransmissoras do sinal.
E como está a Unitel em comparação com outros canais, nos aspectos técnicos?
É o mais avançado. Nós temos equipamentos que não tem na Bolívia. Disso estou certo. E quisemos avançar mais, realmente.
ENTREVISTA DE MARCO TAPIA PEÑA – CHEFE DE VENDAS DA RED UNO TRADUÇÃO DA AUTORA
Por que, quando se compram as telenovelas brasileiras, se coloca no horário nobre? Ou seja, às nove, às sete...
Aqui na Bolívia há três horários nobres. De 2 a 3 da tarde, de 7 a 8 da noite e de 9 a 10. É um horário que as pessoas estão acostumadas. É como no Brasil que às nove da noite, às 10 da noite vão ver novelas, não? Estes são horários já pré-estabelecidos aqui no costume boliviano. Agora, porque se compram as novelas brasileiras... Primeiro. A televisão boliviano entrou recentemente num nível competitivo já aceitável onde estão nascendo as primeiras tentativas de produzir, de gerar produção própria, programas que geram audiência. É este o nosso caso. É o caso da outra empresa que você entrevistou. E, por que as novelas da Rede Globo? Porque, bem, eles têm todo o know-how e o comportamento das novelas no Brasil é similar, digamos, ao comportamento da audiência aqui na Bolívia. O que quero dizer com isso? Que já conhecemos. Me lembro, há muitos anos atrás, quando traziam as novelas como Dancing Days, como Sasá Mutema, O Bem Amado, não? Ou seja, todas estas novelas já foram criando uma cultura e estabelecendo horários onde as pessoas já estão acostumadas a ver este tipo de novelas, não? Por que compramos as novelas da Globo? Por que se compra da Rede Globo? Porque, bem, nos garantem que as novelas que vamos comprar nos darão os bons resultados que esperamos em relação à audiência. E por aí entendemos que o anunciante tem uma opção onde investir e o investimento retorna imediatamente.
Vocês têm obtido mais sucesso com as telenovelas da Televisa ou com as colombianas?
Têm acontecido casos especiais como O Clone. Não transmitimos. Quem emitiu foi a outra empresa. Foi um caso especial. Não havia outra. Há muito tempo atrás, neste canal, se difundiu uma novela. Como se chamava?
O rei do gado?
Não, O rei do Gado foi outra novela, mas não tanto como O Clone. Que era às nove da manhã, que era filmada no Pantanal...
Pantanal. Isso. Pantanal. Então, tem havido novelas bem marcadas, que têm dado bons resultados à companhia. Nós com A casa das Sete Mulheres fomos bem. Chocolate com Pimenta também foi bastante bem. A cor do Pecado também foi bastante bem. Temos também Televisa. Si você vê aqui [apontando para os murais] isto é produção da Televisa. Várias novelas como Salomé. Qual novela estava dando na Unitel quando passamos Salomé? Estávamos competindo com uma novela da Televisa versus com uma novela da Globo que estavam dando na Unitel e a nossa teve maior aceitação. É como tinha O clone, O rei do Gado. Nós esperamos que se acabe...
Há uma diferença de comportamento entre os telespectadores da Televisa e da Rede Globo?