Data da entrevista: dezembro de 2015 Duração aproximada: 41m 12s
Grupo de Questões
I – Caracterização do entrevistado
Dados biográficos do entrevistado
1.1. Começo por pedir-lhe que indique o seu género.
A1: Masculino.
1.2. Qual é a sua idade?
A1: Dezasseis anos.
1.3. Em que concelho reside?
A1: Distrito da Guarda, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.
1.3.1. Com quem reside?
A1: Com a minha mãe, com a minha irmã e com a minha avó.
Dados académicos do entrevistado
1.4. Quais são as suas habilitações académicas?
A1: Neste momento estou a tirar o nono ano.
1.5. Ficou retido alguma vez ao longo do seu percurso académico?
A1: Sim, duas vezes.
a) Em que ano(s) de escolaridade?
A1: Fiquei uma vez no primeiro ano.
b) Primeiro ano do primeiro ciclo?
A1: Sim, primeiro ano do primeiro ciclo. E a segunda vez foi no oitavo ano.
c) Qual(is) o(s) motivo(s) da(s) retenção(ões) e em que disciplina(s) reprovou?
A1: No primeiro ano foi mais por “baldar-me”, não queria saber da escola. Andava lá só mesmo por andar. No oitavo ano foi mais ou menos o mesmo, mas já tinha mais uma noção do que tinha de passar, da necessidade e também por falta de estudo.
d) Quais foram as disciplinas em que reprovou no oitavo ano?
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1.6. Em que ano de escolaridade se encontra atualmente matriculado?
A1: No nono ano.
a) Portanto, quando o questionei sobre as suas habilitações académicas, queria dizer que efetivamente só tem o oitavo ano, por ainda se encontrar a frequentar o nono ano?
A1: Sim.
1.7. Qual é a disciplina que mais aprecia e por que razão?
A1: Matemática, porque não é preciso muita leitura. É uma coisa direta. Basta saber as equações ou as fórmulas e, basicamente, conseguimos logo resolver o problema. E Educação Física porque gosto de estar sempre em atividade física.
a) São duas áreas com algumas diferenças.
A1: Uma é mais pensar e a outra é mais executar a atividade física.
1.8. Realiza alguma atividade extracurricular? Qual (Quais)?
A1: Sim. Pratico atletismo no Clube de Almeida.
a) O clube chama-se mesmo Clube de Almeida?
A1: Clube Estrela de Almeida.
1.9. Por que razão continua a estudar?
A1: Para tentar ter um futuro melhor.
a) Para ter um futuro melhor ou por a lei o obrigar a frequentar a escola até aos dezoito anos?
A1: É para ter um futuro melhor, mas já que a lei obriga tenho de aproveitar a oportunidade.
b) De que forma é que a escola pode proporcionar esse “futuro melhor”?
A1: Dando educação, dando os estudos necessários para a área de cada um, que cada pessoa quer seguir. A quem quiser seguir medicina a escola dá essa preparação. Quem quiser ser polícia ou ter outro trabalho qualquer a escola dá essa ajuda.
c) Pretende prosseguir estudos no ensino superior?
A1: Sim.
d) No que respeita à escolaridade não superior, se tudo correr bem transitará para o décimo ano. Pretende fazer o seu percurso no ensino regular ou está a pensar em algum percurso alternativo, como um Curso de Educação e Formação (CEF), um curso profissional ou outra modalidade de ensino?
A1: Eu estou a pensar seguir um curso profissional, porque dizem que se temos tido muitas dificuldades até agora, até chegar ao nono ano, teremos mais apoio no décimo, décimo primeiro e décimo segundo. É também a área que quero seguir acho que não há no ensino regular.
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A1: Informática.
f) E se fizer o curso profissional na área da informática, depois pretende seguir para o ensino superior, para a universidade, ou não?
A1: Fico por aí.
g) Pelo menos é o que pensa agora, não é?
A1: É!
Grupo de Questões
II – Sobre o sistema educativo e a prática educativa em geral.
2.1. Qual é a sua opinião sobre o sistema educativo?
A1: A escola tem muitas coisas boas e muitas coisas más. Uma das coisas más, na minha opinião, é o excesso de peso que levamos na mochila, por causa do excesso de livros. Mas, ter, também, o método de estudo tradicional ajuda, pois melhora os apontamentos que o aluno pode fazer. Num computador é muito mais difícil de fazer apontamentos do que num livro. Há muitas coisas boas e muitas coisas más.
a) Uma das coisas más é o excesso de peso. Portanto, os alunos têm de levar muito material, manuais e cadernos para a escola. Disse também o ensino tradicional que facilita na anotação de apontamentos e a acompanhar a matéria. E além disso, considera que o sistema de ensino está a “funcionar” bem, ou não?
A1: Na minha opinião está a funcionar bem, depois há aqueles alunos que aproveitam melhor e outros que não querem saber; por isso, fica sempre aquela dúvida sobre se está a funcionar bem ou mal.
b) Questiona se o problema é da escola ou se o problema é dos alunos, ou da família dos alunos?
A1: É isso!
2.1.1. O sistema educativo corresponde, ou não, às suas expetativas?
A1: A escola é como esperava que fosse, mas podia ser um bocado melhor.
a) Em que sentido?
A1: O peso da mochila. Como ainda somos muito novos, somos obrigados a andar com muito peso nas costas e depois chegamos a uma certa altura em que começamos a andar com as costas corcundas.
b) Então o problema da escola está no peso dos livros?
A1: É!
c) Como pensa que deveria de ser o sistema educativo?
A1: As matérias, por exemplo, podem ser dadas na sala de aula, mas para as finalizarmos podíamos pôr a matéria em prática, numa aula prática.
d) Como numa aula de campo?
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e) Como uma visita de estudo?
A1:Sim! Devia de haver sempre alguma coisa a complementar.
f) Aquilo que é feito no dia, na sala de aula?
A1:Na sala de aula, sim!
g) Para terem oportunidade de ver na prática aquilo que é dito em teoria, isto é, como se processam as coisas?
A1: Sim!
h) A sua escola não tem laboratórios onde os alunos possam fazer experiências?
A1: Tem.
i) Em que disciplinas é que utilizam esses laboratórios?
A1: Ciências e Físico-química.
j) Na sua turma costuma fazer atividades de laboratório, ou não?
A1: Uma por período, mais ou menos. Depende da disciplina.
k) Há disciplinas que deveriam de utilizar com mais frequência esses laboratórios?
A1: Sim.
l) Quais são essas disciplinas?
A1: Físico-química. Devíamos de utilizar bastante o laboratório e a Ciências Naturais, também.
m) E só utilizam, em cada disciplina, uma vez por período?
A1: Sim!
2.2. No que respeita aos programas e respetivas matérias das diversas disciplinas, considera que estão ajustadas às necessidades dos alunos, ou não?
A1: São!
2.2.1. São adequadas ao desenvolvimento das capacidades e/ou competências necessárias ao mundo fora do contexto escolar, ou não?
A1: Sim!
a) Pode dar um exemplo?
A1: No caso da física, as pessoas que conduzem os carros ou qualquer veículo, a velocidade, a distância, a reação, a distância de segurança, sabemos essas coisas todas.
b) Portanto, dá para perceber qual é o sentido da matéria e a sua importância?
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c) E na Matemática, o que aprendem é útil?
A1: É! Podem seguir contabilidade.
d) E para quem não quiser seguir contabilidade e preferir algo relacionado com as “letras”, a Matemática não é útil?
A1: Não digo que não, mas não tem tanta utilidade como para uma pessoa que queira ter um império na agricultura ou na construção civil. Claro que tem sempre diferenças.
e) Mas é sempre útil?
A1: É!
2.3. Na sua opinião, a escola prepara-o para memorizar e reproduzir matérias, ou prepara- o para pensar de forma crítica e autónoma sobre realidade?
A1: Muitos alunos pensam que na escola o professor dá só “aquilo” e é só aquilo que temos de saber. Como vai calhar no teste temos de saber aquilo para o teste. Se o “stor” disser “essa matéria não calha”, o aluno já não estuda. Se o professor vai perguntar depois ao aluno, já não sabe. Agora, há outro tipo de alunos que podem não ser daquele tipo de alunos mais estudiosos, mas o professor pode fazer qualquer tipo de pergunta que ele arranja sempre maneira de conseguir responder. Pode não ser a forma mais correta, mas sempre consegue responder melhor que aquele aluno que está sempre a estudar aquilo que o “stor” manda.
a) Por que razão há alunos que têm essas competências e são capazes, mesmo não sendo os melhores nas avaliações feitas pelo professor? A escola, o sistema está a preparar bem os alunos? Qual é a preocupação da escola, os resultados ou as competências reais dos alunos?
A1: Neste momento eu acho que a escola está a preocupar-se mais com os resultados dos alunos, do que com as competências que podem vir a ganhar.
2.3.1. A cultura educativa estabelecida/instituída nas escolas limita ou promove a adoção de uma atitude crítica e reflexiva face ao real?
A1: Eu acho que a escola, como está feita agora, está a limitar muito a promoção dos estudos dos seus alunos.
a) Dos estudos. E as capacidades dos alunos?
A1: Sim.
2.3.2. O sistema de ensino e as práticas educativas que lhe estão subjacentes devem de vocacionar-se para preparar os jovens para serem reprodutores ou produtores de informação e conhecimento?
A1: As escolas deviam de ajudar os alunos a produzir a informação ou o conhecimento e não a reproduzir. Para reproduzir basta uma fotocopiadora.
2.3.3. Durante as aulas, são criadas condições para que reflita criticamente sobre a realidade e se expresse de forma livre, ou não?
A1: Em algumas é possível fazer isso.
a) Em quais?
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b) É nas disciplinas de Cidadania e de História que vos dão mais oportunidades para expressarem a vossa opinião sobre as situações e os problemas que são levantados na sala de aula?
A1: É.
c) Mas a cidadania é diferente das restantes, ou não é?
A1: É. É uma disciplina que tem como base mostrar os direitos do ser humano, do cidadão.
d) Leva os alunos a refletir?
A1: A refletir e a mostrar o que o ser humano é capaz de fazer, tanto para o bem, como para o mal.
e) Leva os alunos a posicionar-se perante os problemas?
A1: Sim.
f) Gosta de cidadania? É uma disciplina útil ou não?
A1: Não gosto, nem desgosto. Tanto faz falta como não faz.
g) Depende da forma como a disciplina é orientada? Qual é o problema da cidadania?
A1: A cidadania é uma daquelas disciplinas em que temos de fazer um trabalho até ao final do período, se não acabarmos apresentamos o que temos, mas ao mesmo tempo é uma das disciplinas em que podemos estar uma aula inteira a discutir e a ganhar conhecimentos.
h) O que é que mais gosta na disciplina? É quando discutem problemas ou quando fazem os trabalhos?
A1: Quando estamos a discutir. Em todas as disciplinas temos uma matéria e um trabalho para entregar “até este dia”. Isso, como se torna tão repetitivo, chegamos a um ponto em que começa a enjoar.
i) Deveria de existir uma disciplina onde os alunos pudessem falar sobre os assuntos, discutir e debatê-los?
A1: É!
j) Não é dada essa oportunidade aos alunos com a frequência que desejaria?
A1: Mais ou menos.
2.3.4. Quando os professores o questionam, sente-se pressionado a responder o que eles pretendem, reproduzindo corretamente os conteúdos, ou não?
A1: Sim, o que estão à espera.
a) Como é que reage, como é que se sente?
A1: Nervoso. Ah…
b) Tem medo de falhar?
A1: Com medo de falhar em alguma coisa.
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A1: Sim, um bocado, de me sentir humilhado, pois falhamos em alguma coisa que o professor estava à espera que acertássemos.
d) E os colegas?
A1: Também não ajudam
e) Porquê? Riem-se da situação?
A1: É, riem-se, começam a mandar “boquinhas”.
f) A gozar com a situação?
A1: É.
g) Esse momento é um pouco aflitivo?
A1: Sim.
h) Quando estão na disciplina de Cidadania isso também acontece?
A1: Não! Na Cidadania ao darmos a nossa opinião estamos a ser livres. Estamos a dizer o que pensamos e a explicar.
i) Não sentem a pressão da avaliação?
A1: Não!
2.4. De acordo com a sua perspetiva, há, ou não, necessidade de alterar o modelo educativo atual?
A1: Há!
2.4.1. Se pudesse sugerir alterações no sistema educativo e nas práticas educativas que lhe estão subjacentes, quais seriam?
A1: Primeiro, era o peso das malas, mas também fazer com que as aulas não fossem tão teóricas. Obrigar os professores a darem aulas mais práticas. No caso de Físico-química devíamos de fazer mais vezes atividades na rua, a Ciências irmos ao laboratório, a cidadania em vez de só fazermos trabalhos, criticarmos a sociedade, tanto criticar como discutir.
a) Critica positiva? É no sentido construtivo?
A1: Sim. A Matemática fazer exercícios que tenham que ver com a vida do dia-a-dia, quotidiana.
b) As matérias lecionadas estão distantes da vossa realidade?
A1: Muito distantes não estão. Se são obrigados a dar é porque estão ligadas à realidade. Mas nós ficamos na dúvida sobre onde é que temos de por “isto”, onde é que “isto” se enquadra? Ficamos sempre com a dúvida.
c) Os alunos sabem que faz parte da realidade, mas não percebem qual é o sentido no momento em que estão na vida e de que modo o vão aplicar?
A1: É! Sim!
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III – Sobre a Supervisão Pedagógica
3.1. Sabe o que significa supervisão?
A1: O que me ocorre é um pai, os pais têm de supervisionar a criança. Têm de estar sempre a tomar conta da criança, ver o que ela faz ou não faz, se se porta bem. Estão sempre com o olho nela.
a) Supervisionar é observar alguém com menos autonomia, com menos competências?
A1: É!
b) É só o observar?
A1: É observar, cuidar, orientar.
c) Mandar? Também é mandar, ou não é?
A1: Mandam.
3.1.1. O conceito de “supervisão” nem sempre assumiu a mesma significação. Refira com qual das duas conceções que irei mencionar mais se identifica:
A “supervisão” entendida enquanto atitude de superioridade, de autoritarismo, de chefia, de inspeção. Ou, a supervisão enquanto atitude colaborativa, de diálogo, de partilha de experiências.
A1: Acho que é a segunda que disse.
a) Na sua resposta às questões anteriores fez menção aos pais que olham pelos filhos e que cuidam deles. É nesse sentido que se identifica com a segunda conceção?
A1: Sim. Os pais para educarem os filhos têm de dialogar com eles e têm de partilhar o que eles passaram com os filhos. Um bom pai não quer que o filho passe pelo que ele passou.
3.2. Sabe o que é a Supervisão Pedagógica? Já ouviu falar?
A1: Que eu me lembre não.
a) Tem uma ideia do que é a pedagogia, do que é o ensino?
A1: Sim.
b) As questões que se seguem dizem respeito à supervisão aplicada no contexto educativo, no ensino, à sua relação com a educação. Dito isto, consegue formular uma ideia sobre o que poderá ser a Supervisão Pedagógica?
A1: Supervisão Pedagógica é o que os funcionários fazem sobre os alunos, o que os professores fazem dentro da aula sobre os alunos e o que os diretores da escola fazem sobre os professores e os funcionários. Todos são observados por um mais “poderoso”, digamos assim.
c) Por alguém que tem um estatuto ou uma responsabilidade superior?
A1: Sim.
3.2.1. Qual é a sua opinião sobre o papel da Supervisão Pedagógica no sistema de ensino?
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3.2.2. A supervisão pedagógica, do modo que a entende, poderá contribuir para a melhoria qualitativa do seu desempenho, ou não?
A1: Tem, porque se não houvesse alguém a vigiar os alunos, o que é que adiantava fazerem a construção de escolas, que o Estado paga, e os alunos estarem sempre a partir coisas.
a) É necessário que alguém dê uma orientação e vigie os alunos para que saibam o que é certo e o que é errado?
A1: Sim. É!
3.2.3. Considera que pode contribuir para melhorar o desempenho dos seus professores, ou não?
A1: Pode, ao tentar manter os alunos sossegados dentro da sala de aula e ao facilitar para dar a matéria.
a) Em relação ao que referiu sobre os professores serem supervisionados por alguém superior, essa supervisão pode contribuir para que os professores melhorem o seu desempenho ou não?
A1: Sim, porque assim sentem-se pressionados e têm de dar o seu melhor. Se não derem o seu melhor podem ir “embora”.
b) A supervisão é necessária no sistema de ensino?
A1: Sim.
3.2.4. Considera que pode contribuir para melhorar o sistema de ensino e as práticas educativas?
A1: Sim, contribui. Pode.
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IV – Sobre a Filosofia e o seu ensino.
4.1. Sabe o que é a Filosofia?
A1: A Filosofia, de acordo com o que eu penso, é um método de responder a alguma pergunta que tenha sido feita, usando pensamentos, teorias.
a) Implica reflexão, é isso?
A1: Sim.
b) E em relação às questões, quer dizer que implica problematizar, analisar os problemas e colocar as questões, é isso?
A1: Sim.
4.1.1. Sabe que no próximo ano, se transitar para o décimo ano irá frequentar a Filosofia, se for para o ensino regular, mas se se matricular no ensino profissional não terá a disciplina de filosofia, mas outras disciplinas. A questão que vou colocar, consciente de que nunca teve Filosofia, é se na sua opinião, existem diferenças entre a Filosofia e a disciplina de Filosofia lecionada no ensino secundário?
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a) Que diferenças é que poderão existir?
A1: Facilitar o método de estudo do aluno não pondo tudo “lá para cima”.
b) Sem refletir?
A1: Sim.
c) A Filosofia e a disciplina de Filosofia são a mesma coisa, ou são coisas diferentes?
A1: Serão a mesma coisa, mas a disciplina é mais fácil que a própria Filosofia.
d) É preciso ser filósofo para filosofar?
A1: Não!
e) Se não estudar Filosofia pode ou não filosofar?
A1: Posso! Qualquer um pode. Basta pensar um pouco.
f) É preciso pensar para filosofar?
A1: É.
g) Só é preciso pensar? Todos pensamos, mas será que todos os que pensam filosofam?
A1: Não! Pensar, pôr perguntas, responder a essas perguntas.
h) É um pensamento “mais profundo”?
A1: Sim. É!
4.2. De acordo com Murcho (2008, p. 83) as escolas substituíram o ensino da Filosofia pelo ensino da “história da Filosofia, pelo ensaísmo literário ou pela especulação de carácter mais ou menos sociológico ou psicológico”. Concorda com esta afirmação?
4.3. A Filosofia é uma disciplina académica de relevo, ou não?
a) A Filosofia tem utilidade?
A1: Na vida quotidiana acho que não!
b) Alguma vez participou em algum projeto ou em alguma atividade na escola que estivesse relacionada com a Filosofia?
A1: Não!
c) Gostava de ter a disciplina de Filosofia?
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4.3.1. Como pensa que deveria de ser lecionada a disciplina? Deveria de ser lecionada como é lecionada a Matemática, a Físico-química, a História, ou deveria de ser diferente?
A1: Deveria de ser diferente. Devia de ser mais ou menos como a Cidadania.
a) Um espaço onde tivessem oportunidade de debater os problemas e de falar sobre os problemas?
A1: Sim!
b) Com avaliação, ou sem avaliação formal? Isto é, com testes e trabalhos, por exemplo?
A1: Sem testes e trabalhos, porque os testes e trabalhos são o que provoca mais nervos nos alunos, pois têm de estar sempre a estudar e depois os professores, a maioria deles, pensam que os melhores alunos são aqueles que tiram as melhores notas nos testes e trabalhos. Por exemplo, um aluno que tire a melhor nota no teste pode não ser o melhor aluno a dialogar.\
c) Considera-se um bom aluno, ou não?
A1: Mediano.
d) Considera que tem mais competências que aquelas que lhe são reconhecidas?
A1: Acho que sim.
e) Os testes não evidenciam as suas reais competências?
A1: Não.
f) Porque é que diz isso?
A1: Porque tive um professor que disse que os melhores alunos não são aqueles que estudam para os testes, mas sim aqueles que conseguem pôr a matéria dada na prática, numa atividade do dia-a-dia, ou numa atividade que seja feita na escola, mas que não seja em testes, nem fichas, uma atividade diferente.
4.4. O que pensa da possibilidade de tornar a Filosofia ou de constituir a Filosofia como uma disciplina que permita aos jovens terem as suas ideias, defenderem as suas ideias, ou invés de os levar a repetirem as ideias dos outros? O que pensa de ter uma disciplina que vos permite ter essa liberdade de pensamento?
A1: Acho que seria melhor.
a) Gostava de ter uma disciplina assim?
A1: Gostava!
4.4.1. A Filosofia pode contribuir para compreensão da sociedade e da realidade?
A1: Pode!
4.5. Considera que a Filosofia é uma disciplina académica relevante e útil para o percurso formativo dos alunos?
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4.6. Qual é a idade ideal para começar a problematizar a realidade, através do exercício efetivo do pensar crítico, criativo e livre? Há uma idade ideal?
A1: Idade ideal não há. O que é necessário é ter o pensamento certo e os motivos que levem esse pensamento a ser o mais correto.
a) É preciso ser capaz de pensar, é isso?
A1: Sim! De pensar e de saber bem o que pensa. Agora se for um aluno do primeiro ciclo acho que não.
b) Disse que tem uma irmã mais nova. Que idade é que ela tem?
A1: Sete anos.
c) Considera que a sua irmã não é capaz de questionar a realidade?
A1: É. Mas acho que não é capaz de arranjar as respostas mais corretas de todas.
d) Há respostas corretas?
A1: Não.
e) O que é mais importante, encontrar as respostas ou questionar a realidade e tentar compreendê-la?
A1: Tentar compreender a realidade.
f) Então podemos considerar que a sua irmã, mesmo sendo pequenina, poderia iniciar-se numa disciplina como a Filosofia, enquanto “espaço” livre para as pessoas abordarem problemas como a amizade ou o amor?
A1: Acho que sim.
4.6.1. O que pensa da possibilidade de constituir a Filosofia como uma proposta curricular extensível a todos os ciclos de ensino? Faz sentido pensar em algo assim?
A1: Fazer sentido, fazer sentido não faz muito, mas as crianças também conseguem pensar. Por isso até seria uma coisa a experimentar.
a) Pelo menos é algo a tentar?
A1: Sim.
4.6.2. Suponha que essa possibilidade se institui. Considera que deve