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Episódio 14: Brumadinho (Brasil), dezembro de 2017

5 VAMOS PREPARAR UM CALDO? (APROXIMAÇÕES E AÇÕES

5.1 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS

5.1.14 Episódio 14: Brumadinho (Brasil), dezembro de 2017

Brumadinho é um município do Estado de Minas Gerais. Possui cerca de 35 mil habitantes e muitas características de cidade pequena. Fica a 60 km de Belo Horizonte e é sede do maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo: Inhotim (CIDADE BRASIL, 2019).

Figura 32 – Brumadinho

Fonte: Mapa desenvolvido pela autora (2018). Imagem de Brumadinho (INSTITUTO INHOTIM, 2019).

Eu e meu esposo embarcamos em um avião de Porto Alegre a Belo Horizonte. Planejamos tudo por conta própria. Chegando lá, alugamos um carro para conhecer algumas cidades em Minas Gerais. Os próximos quatro episódios, portanto, aconteceram nessa condição. Do total de seis hospedagens, quatro foram em hostels e todas as reservas foram feitas pelo Booking.com.

Antes da ida a Brumadinho, confirmei a reserva do hostel por um número de WhatsApp que encontrei na internet. Quando enviei o comprovante de depósito de 50% do valor, uma mulher respondeu algumas horas depois, com o pedido de desculpas por ter demorado a responder. Ela, muito atenciosa, confirmou a reserva, respondeu minhas dúvidas e disse que qualquer dúvida poderia chamar por ali.

Quando estávamos a caminho do hostel, recebi uma mensagem dela, perguntando que horas iríamos chegar. Respondi que próximo das 16h. Na chegada, tocamos a campainha. Veio um homem atender, se apresentou, cumprimentou com aperto de mãos. Logo atrás veio a mulher dele e nos recebeu com um abraço caloroso. Ela disse que eles não estavam no hostel e por isso perguntaram que horas chegaríamos, para garantir que estivessem ali na nossa chegada. Pagamos o restante do valor em dinheiro, pois eles não aceitavam cartão. Eles conversaram bastante conosco e nos mostraram todo o hostel.

O hostel era uma casa. Havia espaço externo com sofás, puffs, redes, televisão e uma mesa grande. Na parte de dentro, havia sofá de pallets, alguns livros, lembrancinhas artesanais para venda. Uma cozinha, três quartos privativos e um compartilhado, além dos banheiros. Tudo muito colorido e com elementos místicos pendurados, como filtro dos sonhos e mandalas. Nosso quarto era privativo, com banheiro compartilhado. O café da manhã estava incluso, para os dois dias.

No lado externo, perto da mesa, havia um grande quadro – na parede, pintado de preto para escrita com giz – com ideias de locais próximos para visitar e havia também um cartaz de PubCrawl, para a noite seguinte. Logo perguntei se havia aquele passeio. Eles responderam que sim e que era muito legal.

Figura 33 – Brumadinho: cenas no hostel

Fonte: Registros da autora (2017).

A proprietária do hostel nos disse também que, no momento, só tinha uma hóspede, mas que iriam chegar mais pessoas naquele dia. Quando falamos que estávamos de carro e que poderíamos dar carona para até três pessoas para algum passeio, ela disse que isso acontece frequentemente e acrescentou: “Aqui no hostel é legal que as pessoas fazem amizade, assim, na hora”.

Os donos não moravam ali. Ficavam até o horário que sabiam que iria chegar gente para o check-in. Depois, cada hóspede teria sua chave. Então eles iam para sua casa e retornavam de manhã para fazer o café. Eles nos contaram que faz oito meses que eles assumiram o estabelecimento, que já era um hostel antes, e nesse mesmo modelo. A hospitalidade do casal era impressionante.

Então chegou uma mulher paulistana que estava hospedada lá e conversamos um pouco com ela. Ela perguntou se pretendíamos ir a Inhotim e respondemos que no dia seguinte. Como ela já havia ido naquele dia e iria novamente no outro dia, começou a nos dar dicas de como otimizar o tempo do passeio, pois havia muita coisa para ser vista.

Nós dois saímos para conhecer a cidade e jantamos em um local que a dona do hostel havia indicado. Na volta, sentamos na área externa e ficamos ali conversando. Então chegou um casal de São Paulo, que também ficaria no hostel naquela noite. O casal sentou-se conosco e começamos a conversar. Perguntaram de Inhotim, pois eles também iriam no dia seguinte. Ela perguntou como iríamos, respondemos que estávamos de carro e que eles poderiam ir conosco.

No dia seguinte, na hora do café, estávamos todos sentados na mesa externa, incluindo o casal dono do hostel. Quando o assunto voltou a ser Inhotim a mulher paulistana perguntou como iríamos. Logo respondi: “De carro, e você vai com a gente também”. Todos riram, e ela concordou.

Na volta desse passeio, era final da tarde, chegaram mais três paulistas no hostel (duas mulheres e um homem). Quando conversamos sobre as cidades que já tínhamos passado e aonde iríamos depois, descobrimos que os três também iriam a Capitólio depois. Combinamos de nos encontrar lá. Os proprietários passaram café para nós, com muito carinho.

Aquela era a noite do PubCrawl em Brumadinho, que envolvia nosso hostel e mais um outro. No horário combinado, chegaram dois táxis para buscar as oito pessoas do nosso hostel. Foi uma noite muito divertida. Fiquei observando, durante a ida aos bares, as conversas e os assuntos que predominavam, que envolviam relacionamento, filhos, religião, comportamento das novas gerações, entre outros. Quando voltamos ao hostel, cada um se direcionando aos seus quartos e eu ouvi: “Vamos nos ver amanhã para dar tchau?”. “Sim”. “Ah, então, boa noite”.

Na hora do café da manhã, todos saltaram da cama com o cheiro bom de bolo quentinho, que se espalhava pelo hostel. Após o café do segundo dia, o pessoal foi para seu passeio e nós estávamos arrumando as coisas para ir embora. Um a um, vieram dar abraços de despedida, sendo que um dos três paulistas disse: “Nos vemos em Capitólio!”. Anotamos os contatos. O tchau para os donos também foi com abraço. Enquanto saíamos com o carro da garagem, eles nos olhavam partir, como se fôssemos amigos de longa data. Partimos para Capitólio.