5 VAMOS PREPARAR UM CALDO? (APROXIMAÇÕES E AÇÕES
5.1 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
5.1.13 Episódio 13: Canela RS (Brasil), novembro de 2017
A cidade de Canela dispõe de parques e atrativos turísticos em meio a cenário de belezas naturais. Com sua população de pouco mais de 40 mil
habitantes, faz parte da Região das Hortênsias, marca turística no Estado do Rio Grande do Sul. Pode ser local de tranquilidade, descanso, com muitas opções de lazer e gastronomia (PREFEITURA MUNICIPAL DE CANELA, 2019).
Figura 30 – Canela
Fonte: Mapa desenvolvido pela autora (2018). Imagens de Canela (REVISTA VIAGEM E TURISMO, 2019). O motivo dessa viagem foi novamente um congresso sobre Turismo. Fui de carro, com uma colega, até o local do evento, que ficava próximo ao hostel onde eu ficaria. Eu já estava no evento e queria ir até o hostel para conhecer e deixar minha mochila. Então, logo após o almoço, uma colega foi comigo até lá. Fomos de Uber e depois voltamos a pé. Estava um dia lindo.
Chegando no hostel, era uma casa grande, toquei a campainha. Uma mulher desceu para abrir e pediu desculpas que o interfone não estava funcionando. Subindo a escada, tinha a recepção, alguns sofás com televisão. Ela conferiu a reserva e avisou que a minha havia sido feita sem café da manhã e que, se eu quisesse, teria um valor de 15,00. Perguntei se eu tinha cadeado, eu disse que havia esquecido. Então ela abriu uma gaveta e pegou um para mim, sem cobrar. Mostrou- nos a parte de cima do hostel, incluindo a cozinha, que era bem grande, e nos levou para o andar de baixo, onde ficavam os dormitórios. Mostrou os banheiros e o quarto misto. Quando entramos no quarto feminino, onde eu iria ficar, ligou a luz e foi verificar quais camas estavam vagas. Havia quatro beliches; portanto, oito camas. Então, viu que tinha uma pessoa dormindo e logo pediu mil desculpas, por ter ligado a luz. Mostrou os armários que estavam vagos. Exteriorizou: “Hum... deixa eu ver o que tem mais...” E logo me disse a senha da internet e me mostrou que ali embaixo também tinha televisão e sofás. Antes de sair, olhou para minha colega, que estava junto, e viu que ela carregava uma mateira (porta chimarrão) e imediatamente perguntou: “Precisa de alguma coisa para o chima... água quente?”. Ela agradeceu.
A primeira impressão foi de um lugar bem calmo e tranquilo, principalmente por ter áreas verdes próximas. Este foi o primeiro hostel que estive que havia cortina na cama para fechar, já havia visto em fotos antes, mas nunca me hospedado em um que tivesse. As cortinas dão muita privacidade ao hóspede, principalmente na hora de dormir. Quando estava guardando minhas coisas no armário, a dona do hostel voltou ao quarto, com sua irmã e sócia, para mostrar a ela como tinha ficado as novas cortinas nas camas. E elas começaram a nos contar, que elas tinham visto isso em hostels na Europa. Acharam a ideia boa e quiseram fazer ali também.
Subimos para sair e, antes disso, uma das proprietárias nos perguntou o que iríamos fazer em Canela. Quando falamos do evento, ela disse que outras duas meninas que estavam no hostel também estavam nesse mesmo evento. E ainda nos disse que, na igreja, havia show de luzes à noite, caso quiséssemos ir.
À noite, quando voltei, reparei em algumas comodidades que tinha no quarto. Havia um balcão grande, com espelho e tomadas. Os armários eram grandes, de madeira. Eu estava na cama de baixo do beliche e, além das cortinas dos dois lados, havia luzinhas, como as de natal, que, no caso, quando as cortinas estão fechadas, é possível que o hóspede fique com sua luz acesa, sem incomodar os demais. Havia também um tecido, preso na cama de cima, como porta objetos. E também duas tomadas na cabeceira da cama.
Nessa mesma noite, subi para olhar o artesanato que elas tinham para vender. Uma das donas perguntou se estava tudo bem e se precisava de algo. Ofereceu um chá e eu disse que não precisava. Ela insistiu, disse que estava fazendo pra ela, que não custava nada, mas eu agradeci e desci para dormir.
Figura 31 – Canela: cenas no hostel
Fonte: Registros da autora (2017).
No outro dia, no café da manhã, havia somente eu e mais uma pessoa, tomando café. As duas irmãs estavam na cozinha, mas que era interligada com a
área onde os hóspedes se sentavam para comer. Comecei a conversar com elas e perguntei há quanto tempo estavam com o hostel. Elas responderam: um ano.
Quando perguntei sobre o público, se eram mais os jovens que vinham para se hospedar, uma delas respondeu: “Por muito tempo os hostels foram lugar de mochileiro, agora não são mais”. Ela disse também que, no hostel delas, hoje tem muitas famílias que procuram também, tanto que estão planejando fazer um espaço kids no local. A outra complementou, contando que, havia duas semanas, tinha sido feita uma reserva para um grupo. Então, elas os estavam esperando, pensaram em cardápio especial e, na cabeça delas, era um grupo de jovens. Quando o ônibus chegou, para a surpresa delas, era um grupo da terceira idade. Elas contaram que logo se olharam e pensaram como iriam acomodar as senhoras nos beliches, já que metade do número total de camas ficava na parte de cima. “Quando a gente viu, a mais velha de 80 e poucos anos já estava na parte de cima do beliche”. Contaram que, apesar da preocupação das proprietárias com esses hóspedes, que esse grupo nem ligou para a simplicidade, ficaram ali uma semana e adoraram.
As proprietárias também me disseram que elas dormem no quarto ao lado da cozinha e que, quando tem muitas reservas, elas cedem o quarto para os hóspedes e dormem no mesmo colchão, em outro quarto apertado. Disse também que algumas vezes não dormem muito, como no Natal Luz, considerado período de alta temporada. “O pessoal sai pra ver, volta pro hostel à 1h, outro grupo às 3h, outro às 6h... e 6 e pouco já levanto pra fazer o café”.
Quando terminei o café da manhã – sensacional, diga-se de passagem – desci para me arrumar e ir para o congresso. Sentada no sofá, estava uma garota, com seu computador. Começamos a conversar, e ela também estava no mesmo evento. Então, fomos juntas, de Uber, para o local. Realizei o check-out e já levei minhas coisas, pois eu não voltaria.