5 VAMOS PREPARAR UM CALDO? (APROXIMAÇÕES E AÇÕES
5.1 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
5.1.1 Episódio Um: Nova Iorque (Estados Unidos), abril de 2013
Nova Iorque é conhecida como a cidade que nunca dorme. É a cidade mais populosa dos Estados Unidos, com mais de oito milhões de habitantes e também é um dos destinos turísticos mais populares do mundo. Há cinco distritos que compõe Nova Iorque: Manhattan, Staten Island, Brooklyn, Queens e Bronx (NYC TOURIST, 2019).
Figura 12 – Nova Iorque
Fonte: Mapa desenvolvido pela autora (2018). Registro da autora (2013).
Primeira viagem sozinha e eu estava na grande cidade. Estava eu com um celular velho e sem acesso a internet. Os recursos que eu tinha eram um mapa impresso e um papel em que eu havia anotado os números e nomes de metrôs e ônibus, que eu precisava para chegar ao hostel. Assim fui, perguntando informações para algumas pessoas e, confirmando, com outras, se estava no caminho certo. No total, da rodoviária para o hostel, utilizei um metrô e mais um ônibus.
O motorista do ônibus me auxiliou quanto à parada que eu deveria descer. Quando desci, avistei o hostel do outro lado da rua, que alívio! Era uma rua movimentada. Então percebi que teria que atravessar a rua por uma passarela escura. Já eram 10 da noite. Comecei a subir na passarela e, com o canto do olho, avistei que, no meu lado direito, estava completamente escuro. A curiosidade não me impediu, e olhei para minha direita: um cemitério. Não há como não ter medo numa situação dessas! Sem outra alternativa, continuei subindo e atravessei a passarela, muito rapidamente, cheia de medo, até chegar ao hostel.
Esta foi minha primeira experiência em hostel e foi quando descobri muitas coisas que não sabia. Foi ali que aprendi como funciona a cozinha, que cada um lava a louça que sujar e, neste caso, até mesmo depois do café da manhã, que a própria hospedagem oferece. Nos armários da cozinha ou na geladeira, podem ser deixados alimentos, e estes ficam identificados com o nome do hóspede. Havia um cartaz, solicitando que fosse colocado o nome e a data do check-out nesses alimentos. Deixei meus biscoitos lá, identificados, e no dia seguinte lá estavam, no mesmíssimo lugar. Sim, eu tinha certo medo que sumissem! Havia apenas uma mesa na cozinha, mas bem longa. Num espaço logo ao lado, havia televisão, jogos e espaço de leitura, tudo integrado. Durante os dias que ali estive, conversei com algumas pessoas, no quarto e na cozinha, mas não mantive contato depois.
Eu já havia ido para Nova Iorque antes, mas não conhecia os lugares turísticos e, por isso, queria fazer turismo. Para tanto, comprei um tour, pela internet, ainda quando estava em Boston. O tour era bem barato – 10 dólares que, na época, seriam 23 reais. Para ter acesso ao ônibus desse tour, eu precisava chegar ao centro de Manhattan, em endereço específico, que era o local de partida. Parecia descomplicado, uma vez que tinha as direções anotadas em um papel. Depois de pegar ônibus e metrô, me vi completamente perdida. O plano de emergência, em meus pensamentos, sempre foi: “Em último caso, desço e procuro um táxi”. Foi o que eu fiz. Escolhi uma estação qualquer do metrô e desci. Quando saí para a rua, percebi que estava bem deserto naquela região. Era domingo de manhã, não havia carros passando, muito menos táxis. Andei um pouco e comecei a perceber uma movimentação de homens nas ruas. Homens com grandes casacos e chapéus pretos, barbas e uns cabelos estranhos. Muitos deles. O que era aquilo? Depois de um tempo, percebi que estava no meio de um bairro de judeus e que eles estavam se deslocando para um mesmo local, provavelmente uma cerimônia religiosa. Mesmo depois de constatar o que era, a situação ainda me levava a ter medo, pois eu continuava perdida e sozinha. A solução que encontrei foi entrar novamente no metrô e tentar descer em outra parada, à procura de um táxi. Nesse momento, recebi uma ligação, em meu celular, e percebi que o número era da empresa do tour, pois já era hora de partir. A língua inglesa não era algo que eu dominava ainda, então eu bloqueei e, pelo medo de não conseguir me comunicar, não atendi a ligação. Desci do metrô em outra estação e consegui um ‘amarelinho’, que me levou até uma área central, que eu já conhecia um pouco. É claro que, nesse momento, eu já havia perdido o tour. Então, em praticamente todas as esquinas, havia pessoas vendendo passeios turísticos, naqueles ônibus vermelhos de dois andares e, claro, bem mais caro do que previamente eu havia comprado. Comprei o tour que, dava direito a 48 horas de passeios e, assim, passei dois dias conhecendo a cidade.
Figura 13 – Nova Iorque: cenas
Foi interessante, mas também sofrida, a maneira que eu me localizava nas ruas de Manhatan, para chegar nos locais que queria. A maioria das ruas lá tem números como nomenclatura. Então, por exemplo, digamos que eu precisasse ir para a rua 20 e que eu saísse do metrô e encontrasse a rua 18. Nesse momento, sabia que estava perto, mas não sabia para qual lado eu deveria ir, direita ou esquerda. Então eu escolhia um dos lados. Se encontrasse a rua 19, sabia que estava no caminho certo, se visse a 17 sabia que era o lado errado e retornava. Fazia isso tudo me localizando pelas placas de rua. O problema era que cada quadra era uma longa caminhada até encontrar a próxima placa. Às vezes acertava. Na maioria das vezes, não.