Foto 20: Outro empreendimento privado com vários galpões para aluguel 2019
3 REGIÃO METROPOLITANA DE FEIRA DE SANTANA: URBANIZAÇÃO,
3.3 INDICADORES DE INTEGRAÇÃO REGIONAL
3.3.4 Espacialidade institucional e dinâmica funcional
Nesta seção será explicitada a análise realizada na RMFS a partir da composição baseada nas interações socioespaciais e funcionais entre e dos municípios, composta pelas três variáveis já demonstradas: rede de influência e intensidade de relacionamento empresarial de Feira de Santana, segundo IBGE (2008), e o nível de integração à dinâmica da metropolização, segundo Observatório das Metrópoles (2012), exposta no Quadro 8 e na Figura 11.
Quadro 8: Composição entre três variáveis: a rede de influência e intensidade de relacionamento empresarial de Feira de Santana e o nível de integração à dinâmica da
metropolização dos municípios da RMFS
Variável Município Município Município Município Município Amélia Rodrigues Conceição da feira Conceição do Jacuípe São Gonçalo dos Campos Tanquinho Rede de Influência Relacionamento Empresarial Metropolização nos municípios
Fonte: IBGE (2008); Observatório das Metrópoles (2012); Pesquisa de campo realizada entre 2017-2018 Elaboração: LOPES, Keilla P. S. (2019)
Os dados permitiram concluir que ocorrem práticas de articulações intermunicipais recorrentes no cotidiano dos municípios; e, com um olhar mais criterioso, também que a dinâmica da metropolização ainda não prevalece em toda a região, nem em intensidade similar em todos os municípios.
Além disso, em nenhuma das três bases de dados utilizadas se assemelham os resultados; a maior proximidade encontra-se entre o relacionamento empresarial e a rede de influência, ambos de Feira de Santana para com os outros municípios. No primeiro, encontram- se três municípios dos cinco que, juntamente com o polo, compõem a região: Conceição da Feira, Conceição do Jacuípe e São Gonçalo. Já na segunda, encontram-se os mesmos municípios da primeira, e se acrescenta Tanquinho. Uma justificativa a esta aproximação pode ser que ambos estão na mesma pesquisa, IBGE (2008), além de partirem do mesmo eixo base (Feira de Santana).
Outra conclusão possível é que os municípios de Conceição do Jacuípe e São Gonçalo apresentaram maiores relações com Feira de Santana. Depois, Conceição da Feira, e,
por fim, Amélia Rodrigues e Tanquinho, que se apresentaram na mesma posição em apenas uma das três bases de dados utilizadas. Diante deste resultado, identifica-se que entre Feira de Santana, Conceição do Jacuípe e São Gonçalo dos Campos ocorre um fenômeno de aglomeração urbana (AU) com base no que afirmam Moura, Libardi e Barion (2006, p. 132) quanto à diferença entre AU, metrópole e RM, baseando-se em Observatório das Metrópoles (2004), no qual esses fenômenos são “todos derivados da mesma lógica, distinguindo-se pela natureza e grau de relações funcionais.” Assim, os autores definem aglomeração urbana como uma mancha contínua de ocupação composta por variados municípios, “envolvendo intensos fluxos intermunicipais com comutação diária, complementaridade funcional, agregadas por integração socioeconômica decorrente de especialização, complementação e/ou suplementação funcional” (MOURA; LIBARDI e BARION, 2006, p. 133).
Embora partindo de uma análise diferente da apresentada, Santos (2020, p. 31) coaduna com o mesmo resultado apresentado nesta pesquisa ao apontar que áreas avaliadas como “aglomerados rurais” no Censo de 2010 passaram por forte expansão, imobiliária e especulativa, e contraíram dinâmicas urbanas bastante consolidadas e “isso tende a diluir os traços rurais de antigos aglomerados e conforma possibilidades de futuras de conurbações, algo mais evidente entre Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos e Conceição do Jacuípe.”
O autor segue sua pesquisa com análises sobre o PIB de 2002 e 2016 nos municípios do Território Identidade Portal do Sertão e expõe uma redução na participação de Feira de Santana no PIB desta região e acréscimo na participação dos municípios São Gonçalo dos Campos e Conceição do Jacuípe. Explica: “não é um paradoxo. Apenas indica que, pari passo, teve maior dinamismo em outros municípios e isso, relativamente, reduziu a participação dessa cidade no contexto regional.” Ressalta ainda: “que esses dados não iludam os pesquisadores, pois, fora do eixo dos municípios diretamente envolvidos na dinâmica de Feira de Santana, a tendência principal foi de redução nas esferas regional e estadual” (SANTOS, 2020, p. 23). Uma reflexão é imperativa: “mesmo que a urbanização como tendência seja um fato, esse processo é dialético, contraditório, e ocorre entrelaçado às atividades vinculadas ao campo, mormente, nos pequenos municípios” (SANTOS, 2020, p. 24).
Percorrendo a reflexão desenvolvida, a partir das variáveis analisadas nesta seção e somadas a pesquisa de Santos (2020), é possível afirmar que a dinâmica e a interação de Feira de Santana, Conceição do Jacuípe e São Gonçalo dos Campos, guardada cada particularidade, especialmente destes dois últimos municípios, difere dos demais da RMFS.
A Figura 11 demonstra o resultado encontrado com base nas três variáveis analisadas nesta pesquisa.
Figura 11: RMFS - Mapa da composição entre três variáveis: a rede de influência e intensidade de relacionamento empresarial de Feira de Santana e o nível de integração à
A dinâmica desvelada e demonstrada na Figura 11 sobre a RMFS é um fato que deve ser considerado na organização de uma estrutura de gestão na região, como defendem Moura, Libardi e Barion (2006, p. 132): “o reconhecimento da diferença entre a porção aglomerada e as suas relações com um entorno imediato contribui para a definição de mecanismos de gestão apropriados à heterogeneidade das funções e intervenções a serem executadas.”
Diante do resultado revelado para a RMFS pelo Observatório das Metrópoles (2012), caráter não metropolitano, e das outras variáveis expostas neste estudo, comprova-se que, embora estejam os municípios envolvidos legalmente em uma RM, não se identifica a necessidade de arranjos metropolitanos para a viabilização das FPIC. Essa pode ser uma razão ou mesmo um dificultador à organização da gestão na região, visto que se apresenta desde a institucionalização (2011) até o presente momento sem aprovação pelo Estado de um órgão gestor institucional e conta com a passividade entre os municípios que a compõem. Para casos similares no Paraná, Moura, Libardi e Barion (2006 p. 135) declaram que “para o conjunto como um todo, justificam-se ações na direção da gestão regional para o desenvolvimento. Ações estas que devem emanar de uma política de desenvolvimento regional para o Estado.”
Cumpre salientar, então, que a forma como fora definida a configuração territorial da RMFS, diante da inobservância dos parâmetros geográficos de relações socioespaciais e funcionais, além do nível de integração à dinâmica da metropolização brasileira, que são necessários para caracterizar um recorte de associativismo territorial, permitiu a institucionalização de uma região que permanece inoperante, mesmo anos após a sua criação. Observa-se que, embora existam relações expressas entre os municípios, não há um território metropolitano, ou seja, comprova-se que questões políticas foram utilizadas como fundamento para institucionalizar a região, como já fora demonstrado em outras reflexões deste estudo. Enfim, analisar a gestão da RMFS permitiu corroborar Moura, Libardi e Barion (2006, p. 134), quando afirmam que “sem uma finalidade predefinida o recorte institucional perde o sentido, criando uma embalagem sem conteúdo.”
4 DESAFIOS À GESTÃO DE UMA REGIÃO METROPOLITANA SEM