g 4 preocupou a Maria
6.6. Esquema geral da estrutura do sintagma verbal
De acordo com o que vimos acima, sintagmas verbais podem, em princípio, organizar-se em torno de duas camadas: uma camada nucleada por um verbo semanticamente pleno e uma camada nucleada por um verbo leve, como representado em (122) abaixo. A realização de cada camada bem como dos argumentos a elas associados vai depender da informação temática lexicalmente defi nida para cada verbo.
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Nos próximos capítulos veremos como as informações encapsuladas em (122) interagem com domínios maiores da sentença.
Sugestões de leitura
Para um panorama da distribuição dos complementos verbais no PB falado, ver Dillinger, Galves, Pagotto e Cerqueira (1996).
Para a distinção argumento externo/argumento interno, ver Williams (1981) e Marantz (1984). Sobre a posição do argumento externo dentro de SV, ver Koopman e Sportiche (1991) e McKloskey (1997).
Para a distinção entre verbos inacusativos e inergativos, ver Perlmutter (1978) e Burzio (1986). Para uma discussão dessa distinção com base nos dados do português, ver Eliseu (1984) e Whitaker-Franchi (1989).
Para construções de alçamento em geral, incluindo verbos auxiliares, ver Postal (1974).
Sobre verbos leves em diversas línguas, ver Hale e Keyser (1993), Chomsky (1995) e Baker (1997); sobre verbos leves no PB, ver Neves (2002), Avelar (2004) e Scher (2004).
Para estudos sobre clíticos no PB, ver, entre outros, Pagotto (1992, 1993), Cyrino (1996), Galves (2001), Kato (2002b) e, comparando o PB com o por-tuguês europeu, ver Galves, Torres Morais e Ribeiro (2005).
Sobre elipse de SV, complementos nulos e objetos nulos em outras línguas, ver Huang (1984, 1989, 1991), Campos (1986), Raposo (1986), Rizzi (1986) Chao (1987), Cole (1987), Landa (1991), Matos (1992) e Lobeck (1999).
Sobre o objeto nulo no PB, ver Duarte (1986), Galves (1987, 1989a, b), Farrell (1990), Correa (1992), Nunes (1993), Kato (1994), Creus e
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nuzzi (2005), Cyrino e Lopes (2005), Kato e Raposo (2005, 2007), Lopes e Cyri no (2005).
Para estudos sobre os complementos nulos no português, ver Cyrino (1996, 1997, 1999, 2000, 2002, 2004, 2006), Cyrino, Duarte e Kato (2000), Cyrino e Matos (2002, 2005, 2006).
Para a formulação original da organização do sintagma verbal em duas camadas, ver Larson (1988). Para sua posterior reformulação em termos de uma camada nucleada por um verbo leve, ver Chomsky (1995). Sobre verbos psicológicos, ver Belletti e Rizzi (1988); para uma discussão sobre o português, ver Cançado (1995).
Notas
1 A maioria das gramáticas pedagógicas brasileiras ainda se pauta pela Nomenclatura Gramatical Brasi-leira (NGB), publicada pelo Ministério da Educação e Cultura por meio da Portaria no 36, de 28 de janeiro de 1959. A NGB distingue somente dois tipos de complemento — objeto direto e indireto —, não levando em conta complementos de natureza mais adverbial, chamados por Rocha Lima (1972) de complementos circunstanciais. Para uma explicação da nomenclatura sistematizada pela NGB, ver Kury, 1964.
2 Os resultados desta seção baseiam-se em Abaurre e Galves (1996).
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1. Introdução ...101 1.1. A noção de sujeito nas gramáticas tradicionais ...102 1.2. A noção de sujeito a ser adotada neste volume ...105 2. Ordem dos constituintes sentenciais e concordância verbal ...111 2.1. Verbos transitivos e inergativos ...112 2.2. Verbos inacusativos ...114 3. O sujeito pronominal e suas realizações ...120 3.1. O sujeito referencial nas sentenças finitas ...123 3.1.1. O sujeito de referência determinada ...123 3.1.2. O sujeito de “referência estendida” ...131 3.1.3. O sujeito de referência indeterminada ...132 Nota ...138 3.2. O sujeito referencial nas sentenças não-finitas ...139 3.2.1. A posição do sujeito em sentenças infinitivas ...139 3.2.2. A posição do sujeito em sentenças reduzidas de gerúndio ...141 3.3. O sujeito não-referencial (as sentenças impessoais) ...143 3.3.1. As sentenças com verbos “climáticos” ...143 3.3.2. As sentenças com verbos de alçamento...144 Nota ...147 3.3.3. As sentenças existenciais com ter/haver...148 Nota ...151 4. Construções de tópico marcado ...151 4.1. O anacoluto ou tópico pendente ...152 4.2. O Deslocamento à Esquerda ...153 4.3. A topicalização ...156 4.4. O tópico-sujeito ...160 4.5. O antitópico ...161 4.6. A interface sintaxe–prosódia: construções de tópico/comentário vs sujeito/predicado...163
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5.1. Os verbos auxiliares ser, estar e ter/haver ...165 5.2. Os verbos transitivos e inergativos (intransitivos) ...167 5.3. Os verbos de ligação “ser” e “estar” ...169 5.4. Verbos impessoais ...171 5.5. Os verbos inacusativos ...174 5.6. As construções de tópico marcado ...178 5.7. Esquema geral da estrutura do sintagma flexional ...182 Nota geral...183 Sugestões de leitura ...184 Notas ...186
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PREDICAÇÃO
Rosane de Andrade Berlinck*
Maria Eugênia Lamoglia Duarte**
Marilza de Oliveira***
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. Introdução
Como vimos na Introdução ao capítulo 2, a distinção clássica entre o sujeito e os complementos numa sentença, embora seja ponto pacífi co nos estudos linguísticos, fi ca obliterada numa perspectiva fregeana, uma vez que cada argumento (sujeito e complementos) tem uma relação direta com seu predicador. A seção 3 do referido capítulo, entretanto, mostra que esses argu-mentos não interagem com o predicador ou entre si da mesma maneira. Ficou claro que a relação semântica entre um predicador e seu argumento interno é muito mais estreita do que a que se estabelece entre o predicador e seu argu-mento externo, espelhando uma assimetria sintática entre esses arguargu-mentos.
Enquanto os argumentos internos se encontram em relação sintática com o predicador no interior de V’, o argumento externo aparece imediatamente dominado por SV, estabelecendo uma conexão sintática com V’.
Este capítulo discute a relação sujeito–predicado, o que signifi ca caminhar por um terreno movediço, uma vez que o termo a que nos referimos como sujeito nem sempre coincide com o argumento externo da sentença. Na se-ção 1.1, discutiremos brevemente a noção de sujeito na tradição gramatical e levantaremos algumas questões que podem advir de tal noção, particular-mente as relativas à distinção entre sujeito sintático e tópico marcado. Em 1.2, estabelecemos a noção de sujeito adotada neste volume. A seção 2 discorre sobre a ordem dos constituintes sentenciais e sobre a variação na concordância
* Universidade Estadual Paulista — Araraquara/CNPq (Proc. no 305.837/07-9).
** Universidade Federal do Rio de Janeiro/CNPq (Proc. no 350.731/99-3).
***Universidade de São Paulo.
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entre sujeito e verbo na amostra analisada. A seção 3 é dedicada à tipologia de sujeito, com especial atenção à representação do sujeito pronominal na amos-tra analisada, mosamos-trando a preferência dos falantes pelo sujeito pronominal expresso, em detrimento do sujeito “oculto”. Na seção 4 faz-se uma análise das construções de tópico marcado encontradas na amostra e, fi nalmente, a 5 traz uma sistematização formal do conteúdo do capítulo, em continuação à apresentada no capítulo 2.