4. Investimento Directo Estrangeiro nos Países da Europa Central e Oriental
4.5 Estudo econométrico das determinantes do IDE
Nesta parte do trabalho elaboraremos uma regressão que pretende averiguar a significância estatística das motivações e determinantes do IDE para os países Polónia, República Checa, Bulgária, Hungria e Roménia. A regressão tem por base dados de 1993 a 2001 que poderão ser consultados em anexo. Uma vez queos dados disponíveis para cada país são insuficientes para estabelecermos regressões com um nível de
IDE no Leste Europeu: o caso português
significância adequado, optamos por utilizar as observações para todos os países realizando um único ajustamento. Assim sendo, cada conjunto de valores observados do IDE e das variáveis explicativas, para um país, para um dado ano, é tomado como uma observação. Os resultados obtidos caracterizarão o conjunto dos cinco países como um todo.
O modelo econométrico por nós escolhido foi o modelo potência, o qual permite através do uso de logaritmos suavizar os valores extremos de algumas observações.
Modelo potência: IDE = α1 * PIBα2 * Salα3 * Eduα4 * INFα5 Forma linear do modelo:
Log(IDE) = α1log(PIB) + α2log(Sal) + α3log(Edu) +α4log(Inf) Definição das variáveis:
IDE – Valor das entradas de IDE, para a observação n, em milhões de dólares. PIB – Valor do PIB no ano anterior, para a observação n, em milhões de dólares. Sal – Valor do salário mensal médio da indústria manufactureira, em dólares, para a observação n.
Edu – Percentagem bruta de inscrições no ensino superior, para a observação n. Inf – Taxa de inflação em pontos percentuais com base nos preços no consumidor, para a observação n.
Razão de ser das variáveis explicativas:
Log(PIB) – Pretende-se com esta variável traduzir a dimensão do mercado por forma a testar a hipótese de esta estar positivamente correlacionada com os fluxos de entrada de IDE. Isto mesmo está previsto em Dunning (1993) como uma das motivações do IDE, a procura de mercados.
Log(Sal) – Esta variável foi considerada por forma a testarmos a significância que os custos salariais terão como determinantes dos fluxos de IDE. Dunning (1993) refere que uma das motivações do IDE será a procura de mão-de-obra a baixo custo, pelo que se espera que os salários estejam inversamente correlacionados com o IDE.
Log(Edu) – Esta variável traduzirá o facto de uma das motivações do IDE ser a procura de mão-de-obra qualificada, pelo que se espera que quanto maior o nível de educação maior o fluxo de entrada de IDE. A escolha deste indicador permitirá uma maior diferenciação entre países face a indicadores como a taxa de alfabetização que nos daria valores altos e uniformes para os cinco países em análise.
IDE no Leste Europeu: o caso português
Log(Inf) –Utilizamos a inflação como indicador de estabilidade política e económica. Será de esperar uma correlação negativa entre fluxos de entrada de IDE e a taxa de inflação.
Modelo Estimado (pelo método dos mínimos quadrados):
IDE = e-10.81467* PIB1.171996 * Sal0.28689 * Edu1.424294 * INF0.293726 * eu
Log(IDE) = -10.81467 + 1.171996log(PIB) + 0.28689log(Sal) + 1.424294log(Edu) -0.293726log(Inf) + u R2 = 0.760564 F = 31.76481 Interpretação das estimativas dos coeficientes:
-10.81467 – Este coeficiente não tem significado económico.
1.171996 – Este coeficiente corresponde à estimativa da elasticidade dos fluxos de entrada de IDE face ao PIB, ou seja, quando o PIB aumenta em 1% espera-se que o fluxo de entrada de IDE aumente 1.17%, aproximadamente. A variável é estatisticamente significativa. Os resultados estatísticos revelam que o nível do PIB é uma determinante do fluxo de entrada de IDE, sendo que se confirma a relação esperada entre estas variáveis, isto é, quanto maior o PIB maiores serão as entradas de IDE.
0.28689 - Estimativa da elasticidade dos fluxos de entrada de IDE face aos salários médios mensais na indústria manufactureira. Quando os salários aumentam 1% espera-se que o fluxo de entrada de IDE aumente 0.287%, aproximadamente. A correlação esperada entre salários e entradas de IDE seria negativa, ou seja, o coeficiente estimado teria sinal negativo. Embora seja lógico que baixos custos salariais tenham efeitos de atracção de IDE, poderá existir um efeito que se sobrepõe a este. O aumento do IDE traz um aumento da produtividade e consequentemente um aumento dos salários, pelo que a relação entre salários e entradas de IDE poderá ser melhor descrita tomando o IDE como variável explicativa dos salários, o que originaria uma relação positiva entre as duas variáveis. Contudo nenhum dos dois efeitos é comprovado estatisticamente pela regressão estimada, o que poderá ser reflexo do facto de as diferenças salariais entre estes cinco países não serem relevantes na decisão do destino dos investimentos, na medida em que haverá diferenças institucionais e estruturais, essas sim, determinantes na escolha. De acordo com a nossa regressão os baixos custos salariais não serão determinantes dos fluxos de entrada de IDE.
1.424294 – Estima-se que a elasticidade dos fluxos de entrada de IDE face à percentagem bruta de inscrições no ensino superior seja de 1.424, aproximadamente.
IDE no Leste Europeu: o caso português
Mais uma vez esta variável é estatisticamente significativa. Segundo a regressão estimada a hipótese de a boa qualidade da mão-de-obra ser determinante dos fluxos de IDE sai comprovada.
-0.293726 - Este coeficiente corresponde à estimativa da elasticidade dos fluxos de entrada de IDE face à taxa de inflação. Assim sendo, estima-se que quando a taxa de inflação crescer 1%, os fluxos de entrada de IDE decresçam 0.294%, aproximadamente. Esta quarta variável é também estatisticamente significativa. O risco país, medido pela
proxy taxa de inflação será também um dos determinantes do fluxo de IDE.
De facto, os resultados da regressão no que diz respeito à importância da procura de mercados como determinante dos fluxos de IDE estão de acordo com os resultados dos trabalhos realizados por Carstensen e Toubal (2003)e por Buch et al. (2002). A evidência estatística resultante da regressão aponta também para a importância da estabilidade económica e política no intuito de fomentar a atracção de IDE, esta mesma conclusão foi obtida nos estudos econométricos realizados por Ekholm e Markusen (2002), por Picciotto (2003) e por Carstensen e Toubal (2003). No entanto, a regressão realizada não aponta, tal como os trabalhos de Barry (2001), de Carstensen e Toubal (2003) e de Buch et al. (2002), para a importância dos baixos custos da mão-de-obra como determinante dos fluxos de entrada de IDE nos países em causa.
Avaliação da qualidade global do ajustamento:
O coeficiente de determinação da regressão permite afirmar que, aproximadamente, 76% da variação da variável log(IDE), em torno da sua média, é explicada pela variação das variáveis explicativas (log(PIB), log(Sal), log(Edu) e log(Inf)) em torno da sua média. Este valor de 76% é, em nosso entender, significativo tendo em conta o reduzido número de observações disponíveis. Por outro lado o facto de a regressão ser globalmente significativa confirma a qualidade da mesma.