3. METODOLOGIA
3.6 DESCRIÇÃO DAS ETAPAS
3.6.1 Etapa 1: Escolha das telas de Joseph Wright
As escolhas das telas se deram após a construção do referencial teórico e estudos sobre Joseph Wright. A opção pelo artista se deu principalmente devido a sua proximidade com a Ciência e pelo caráter cientifico de suas obras, fato que foi extremamente importante para atingir o objetivo de propiciar o conhecimento cientifico em nosso estudo.
Além disso, a fidelidade com o qual Wright representava o mundo real e a natureza utilizando jogos de luz, como no caso das telas observadas, nos permitiu através de sua leitura inúmeras possibilidades para o abordar conteúdos de Ciências e fazer uma ponte interdisciplinar com outras disciplinas por meio da Arte. A escolha pela utilização dessa gruta especificamente, sucedeu-se devido a semelhança deste local com a Gruta das Encantadas localizada na Ilha do Mel no litoral paranaense.
3.6.1.1 Tela 1
Tendo em vista essas finalidades, a primeira tela escolhida representada pela figura 2, é a tela “Caverna, perto de Nápoles”.
Figura 2. Joseph Wright de Derby; Caverna, perto de Nápoles; c. 1774; 101,6 x 127 cm; óleo sobre tela; Yale Center for British Art, Florença. Estados Unidos.
Fonte: https://collections.britishart.yale.edu/vufind/Record/1665288
Na tela tem-se a representação da vista do interior de uma gruta a qual está localizada próximo a Nápoles região da Itália. Sendo uma obra característica do período Romancista, tratando-se desse período artístico ocorrido entre o século XVIII e XIX, é possível perceber a tendência do artista pelo escapismo, que é entendido como a fuga do mundo real, principalmente da própria rotina para a busca de uma distração mental, o que ocorria de modo geral por meio da procura pela natureza.
Nesta primeira tela ao centro, com mais luminosidade temos o espaço entre as rochas que do acesso ao interior e exterior da gruta, ao fundo desse espaço observa-se o mar em condições normais, o céu uma formação montanhosa. O aspecto mais importante e que foram levados em consideração em nosso estudo foi luz, que entra através desse espaço revelando as formações rochosas existentes como também a fauna típica deste ambiente como os líquens sob as rochas e as samambaias que nascem entre elas.
3.6.1.2 Tela 2
A segunda tela a ser trabalhada foi representada pela figura 3 denominada
“A caverna, manhã”.
Figura 3. Joseph Wright de Derby; A Caverna, manhã; c. 1774; 101,6 x 127 cm; óleo sobre tela; Smith College, Museu de Arte de Northampton, Massachusett. Estados Unidos.
Fonte: WIKIMEDIA COMMONS
Nesta segunda tela assim como a primeira, temos representado o interior da gruta. Os mesmos elementos podem ser observados, porém, o período do dia em que ela foi pintada revela aspectos que serão relevantes para o estudo. Diferente da primeira, a luz que adentra a caverna adquiriu outros tons, cores quentes as quais ganham maior contraste e luminosidade nas bordas dessa abertura.
Esse pequeno detalhe em combinação com a maneira como o Artista representou essas cores refletindo-as também no mar no canto inferior direito, dão a sensação de nascer do sol revelando-nos que se trata do período da manhã, um pouco mais cedo que na imagem anterior.
3.6.1.3 Tela 3
A terceira tela a ser observada é representada pela figura 4 e é chamada
“A caverna, noite”.
Figura 4. Joseph Wright de Derby; A Caverna,noite; c. 1774; 101,6 x 127 cm; óleo sobre tela; Yale Center for British Art, Florença. Estados Unidos
Fonte: https://collections.britishart.yale.edu/vufind/Record/1665288
A terceira tela também representa a mesma gruta perto de Nápoles. Nesta especificamente, assim com as duas anteriores mostra o interior da caverna, porém, em uma perspectiva diferente. Ao centro da obra podemos novamente observar a abertura de entrada e saída da gruta, que está representada com maior luminosidade que os demais elementos. Na descrição dada pelo Deerfield Museum no site da Museum Five Colleges:
Nesta pintura, o espectador está posicionado como se estivesse em uma saliência dentro do recesso escuro da caverna, com uma vista de luz brilhante fora da caverna. Wright oferece uma vista através das rochas que revestem o interior e formam a abertura da gruta para a água parada e o céu lá fora.
Outro ponto de destaque que se torna extremamente essencial para o jogo de luz que é destaque na descrição dada pelo museu é a água. O mar, que antes
estava distante da entrada da caverna, dessa vez já toma conta de todo o espaço indicando a maré alta e refletindo a luz que toma conta de praticamente todo o ambiente. Em seu livro Egerton (1990, p.160) traz descrições de outros artistas, encontradas sobre a obra de Wright:
Ficamos surpresos com a limpidez da água que preenche o interior da caverna, de modo que os misteriosos reflexos que ela produz aumentam a riqueza dos tons que a natureza embelezou desde os séculos. Sentir que um efeito que se liga, em grande parte, à magia da cor, só pode ser apresentado de maneira muito imperfeita nos desenhos e, especialmente, por gravuras que não são coloridas.
Percebe-se nesta descrição, o quanto a tela do artista assemelhava-se ao real através das cores e do trabalho com as luzes. A água que entra no interior da caverna, descrita no trecho acima, na visão de outros artistas também é um dos pontos chaves dessa obra. Embora a água pareça só mais um elemento para dar mais beleza a obra, neste caso ela também serve em conjunto com a luz que dessa vez é representada por cores frias, para demonstrar-nos que se trata do anoitecer.
3.6.1.4 Tela 4
A última tela a ser analisada representada pela figura 5 será a tela, “Uma
gruta no golfo de Salernum, com a figura de Julia banida de Roma”
Figura 5. Joseph Wright de Derby Uma gruta no golfo de Salernum, com a figura de Julia banida de Roma.c. 1780; 101,6 x 127 cm; óleo sobre tela; Yale Center for British Art, Florença. Estados
Unidos
A tela acima faz ligação com todas as telas anteriores. Assemelhando-se muito na questão dos elementos com a pintura de Wright “A caverna, noite”, esta obra, no entanto possui alguns diferenciais. O primeiro é novamente a questão da luz refletida na água do mar, que indica também que a maré está alta, porém, como a luz que entra na caverna e reflete na água, adquiri levemente tons mais puxados para as cores quentes, e nas bordas de toda a tela (que representa as rochas do interior da caverna) tem-se as cores escuras, puxadas para o preto, combinação de contraste e sombreamento que revela a presença do sol.
Assim como na tela 3 nas bordas da abertura de entrada e saída da caverna, é perceptível que o Artista intensificou ainda mais a luminosidade na primeira com o intuito de mostrar que o sol estava nascendo, já nesta com a intenção de mostrar que o sol está se pondo, nos revelando que é um final de tarde, todavia, um período mais cedo que na tela 4 onde não é possível encontrar resquícios da presença do sol.
Outro elemento que não está presente em nenhuma outra tela é a figura feminina5 sentada sob as pedras. A mulher representada por Joseph Wright neste quesito, terá papel importante para discussões de cunho social, histórico, cultural e que envolvem a temática grutas.