Nota introdutória
O Hospital de São Sebastião foi criado pelo Decreto-Lei n.º 218/96, de 20 de Novembro, passando cerca de um ano e meio depois a ter o seu estatuto jurídico definido com a publicação do Decreto-Lei n.º 151/98, de 5 de Junho.
O Hospital foi então classificado como um estabelecimento público dotado de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial e com natureza empresarial. Por outro lado, passou a usufruir de um modelo de gestão inovador, o qual visava uma maior agilidade na contratação de recursos humanos e materiais, ficando regulamentado o processo de contratualização anual da actividade assistencial com a Administração Regional de Saúde do Centro.
Assim, em 4 de Janeiro de 1999, o Hospital iniciou a prestação de cuidados de saúde aos utentes provenientes dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, com uma área geográfica de atracção mais ou menos alargada consoante as especialidades clínicas.
Com a publicação do Decreto-Lei n.º 296/2002, de 11 de Dezembro, o Hospital foi transformado numa sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, com efeitos a partir de 12 de Dezembro de 2002, passando a designar-se por Hospital São Sebastião, S.A., com uma dotação de capital inicial, no montante de 29.930 mil euros, integralmente subscrito e realizado pelo Estado.
Em 2005, com a publicação do Decreto-Lei n.º 233/2005, de 30 de Dezembro, teve lugar a transformação em entidade publica empresarial, com efeitos a 31 de Dezembro de 2005, alteração que foi igualmente aplicada aos 31 Hospitais que anteriormente passaram a sociedades anónimas de capitais exclusivamente públicos.
Nota 1 – Apresentação das demonstrações financeiras
Os valores indicados são expressos em euros. Foram seguidos os critérios previstos no Plano Oficial de Contabilidade do Ministério da Saúde (POCMS), criado pela Portaria n.º 898/2000, de 28 de Setembro e, subsidiariamente, o que está definido no Plano Oficial de Contabilidade (POC), aprovado pelo Decreto-lei nº 410/89, de 20 de Novembro.
Nota 2 – Comparabilidade com exercícios anteriores
Os dados a seguir apresentados respeitam a exercícios com a mesma duração, isto é reportam-se sempre ao período compreendido entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro.
Nota 3 – Bases de preparação das contas e critérios valorimétricos
As demonstrações financeiras foram preparadas segundo a convenção dos custos históricos e em conformidade com os princípios contabilísticos fundamentais da prudência, consistência, substância sobre a forma, materialidade e especialização dos exercícios. Foram utilizados os seguintes critérios valorimétricos:
(a) Existências
As existências estão valorizadas ao custo médio de aquisição, considerando-se custo de aquisição de um bem a soma do respectivo preço de compra com os gastos suportados para o colocar no armazém. Como método de custeio das saídas, ou consumos, é utilizado o custo médio ponderado.
(b) Imobilizações corpóreas
No final do exercício de 2003 foi realizada a inventariação e a avaliação dos bens do imobilizado corpóreo do hospital, com excepção dos terrenos e outros recursos naturais, e dos edifícios e outras construções, por uma empresa contratada para o efeito, a qual utilizou os seguintes métodos:
• Custo histórico – atribuição do valor contabilístico, mediante a informação
encontrada nas facturas.
• Comparativo – avaliação dos bens de acordo com o valor atribuído a outros com
as mesmas características.
• Valor do mercado – avaliação de acordo com o preço corrente no mercado.
Na sequência da inventariação realizada procederam-se a ajustamentos em algumas rubricas do imobilizado. As amortizações são calculadas pelo método das quotas constantes, de acordo com as taxas previstas nas tabelas I e II anexas à Portaria n.º 737/81, de 29 de Agosto, com as alterações que lhe foram introduzidas pelas Portarias n.º 990/84, de 29 de Dezembro, e n.º 85/88, de 9 de Fevereiro, e ainda pelo Decreto Regulamentar n.º 2/90, de 12 de Janeiro.
(c) Encargos com férias e subsídios de férias
No exercício de 2007 o Hospital contabilizou, na rubrica acréscimos e diferimentos, um montante total de 3.381 milhares de euros. Deste valor, aproximadamente 3.137 milhares de euros correspondem a encargos com férias e subsídios de férias deste ano, mas só
devidos em 2008. Em 2006, pelo mesmo motivo, foi contabilizado um montante de 3.029 milhares de euros.
Nota 7- Número de efectivos de pessoal
O número de colaboradores do Hospital, com vínculo à função pública ou com contrato individual de trabalho sem termo, em 31 de Dezembro de 2007, é apresentado no mapa abaixo. Por outro lado, na mesma data, havia ainda 167 colaboradores contratados a termo certo ou incerto.
Evolução dos efectivos de pessoal
Grupo Profissional 2005 2006 2007
Conselho de Administração / Pessoal Dirigente 9 7 7
Médico 153 160 156
Enfermagem 280 292 276
Técnico Superior 26 29 31
Técnico de Diagnóstico e Terapêutica 55 55 56
Outro Pessoal Técnico 3 3 1
Administrativo 94 97 100
Auxiliar 322 331 343
Operário 14 15 16
Total 956 989 986
Nota 10 - Movimento no activo imobilizado
Os edifícios e outras construções estão registados pelos valores comunicados em 1999 pela Direcção Regional de Instalações e Equipamentos da Saúde do Centro, não estando contabilizado o valor para os terrenos onde os mesmos estão instalados.
Alterações nas contas do imobilizado
Rubricas Saldo
Inicial Aumentos Alienações Ajustamentos Transf./abates Saldo Final
Imobilizações Incorpóreas
Despesas de instalação 121.555 0 0 0 0 121.555
Sub-total 121.555 0 0 0 0 121.555
Imobilizações Corpóreas
Terrenos e recursos naturais 560.164 0 0 0 0 560.164
Edifícios e outras construções 32.803.168 28.423 0 0 0 32.831.591
Equipamento básico 19.411.621 1.389.330 0 0 119.920 20.681.031
Equipamento de transporte 187.587 0 0 0 0 187.587
Ferramentas e utensílios 20.485 241 0 0 160 20.566
Equipamento administ./inform. 4.679.112 446.214 0 0 21.626 5.103.700
Outras imobilizações corpóreas 391.466 25.909 0 0 66 417.309
Sub-total 58.053.604 1.890.116 0 0 141.772 59.801.949
Total 58.175.159 1.890.116 0 0 141.772 59.923.504
Alterações nas contas de amortizações
Rubricas Saldo Inicial Reforços Regularizações Saldo Final
Imobilizações Incorpóreas
Despesas de instalação 121.555 0 0 121.555
Sub-total 121.555 0 0 121.555
Imobilizações Corpóreas
Terrenos e recursos naturais
Edifícios e outras construções 13.072.550 1.634.365 0 14.706.915
Equipamento básico 14.667.383 1.208.742 117.841 15.758.284
Equipamento de transporte 140.113 26.351 0 166.464
Ferramentas e utensílios 12.252 2.133 160 14.225
Equipamento administ. e informático 3.663.891 406.959 20.327 4.050.523
Outras imobilizações corpóreas 262.069 33.659 66 295.662
Sub-total 31.818.258 3.312.208 138.394 34.992.073
Total 31.939.813 3.312.208 138.394 35.113.628
Valores em euros
Nota 12 - Reavaliação do imobilizado corpóreo
Não foi feita a reavaliação do imobilizado corpóreo, nem existem reservas a este título.
Nota 14 - Imobilizações corpóreas e em curso
Todas as imobilizações estão afectas à actividade da sociedade, nada se encontrando implantado em propriedade alheia ou em poder de terceiros.
Nota 15 - Locação financeira
Não existem bens em regime de locação financeira.
Nota 19 - Diferenças entre os valores do activo circulante e os de mercado
Não existem diferenças materialmente relevantes entre os valores do activo circulante e os valores de mercado.
Nota 21 - Provisões extraordinárias para o activo circulante
Não existem razões que levem à constituição deste tipo de provisões.
Nota 23 - Dívidas de cobrança duvidosa
O valor global dos créditos de cobrança duvidosa é de 863.724 euros, inscritos na rubrica clientes de cobrança duvidosa.
Dívidas de cobrança duvidosa Entidades 2005 2006 2007 Companhias de seguros 551.751 608.996 644.475 Outros clientes 77.316 77.221 80.028 Utentes c/ corrente 130.679 132.007 139.221 Total 759.746 818.224 863.724 Valores em euros
Nota 25 - Dívidas activas e passivas com o pessoal
Nesta rubrica, em 2007 foi contabilizado um montante de 3.381 milhares de euros, dos quais cerca de 92,8% dizem respeito aos encargos com férias e subsídio de férias devidos em 2008, vencidos e não pagos em 2007 ( 3.137 milhares de euros).
Nota 28 - Dívidas em mora ao Estado e outros Entes Públicos
Em 31 de Dezembro de 2007, a sociedade não tinha quaisquer dívidas em mora ao Estado ou a outros Entes Públicos.
Nota 29 - Dívidas a terceiros a mais de cinco anos
Não há dívidas a terceiros a mais de cinco anos.
Nota 31 - Compromissos financeiros assumidos e não incluídos no balanço
Não existem compromissos financeiros assumidos e não incluídos no balanço
Nota 33 - Diferenças entre as dívidas a pagar e as quantias arrecadadas
Não existem quaisquer diferenças nas dívidas a pagar e nas quantias arrecadadas, as quais se encontram lançadas pelo seu valor exacto.
Nota 34 - Movimento das contas de provisões
Em 2007 foram constituídas provisões para cobranças duvidosas no valor de 543 milhares de euros, respeitante a dívidas com dois ou mais anos de antiguidade ou com processos em contencioso.
Movimento das contas de provisões
Contas Saldo inicial Aumentos Reduções Saldo final
Companhias de seguros 608.996 403.990 368.511 644.475 Outros clientes 77.221 12.799 9.992 80.028 Utentes c/ corrente 132.007 126.244 119.030 139.221 Total 818.224 543.033 497.533 863.724 Valores em euros
Nota 35 - Movimentos ocorrido no património
No corrente exercício não houve alterações no património inicial de 29.930.000 euros, o qual foi integralmente subscrito pelo Estado no mês de Dezembro de 2002.
Nota 40 – Variação das contas dos fundos próprios
As rubricas que compõem os fundos próprios, durante os exercícios de 2005 a 2007, apresentam os seguintes movimentos
.
Contas dos fundos próprios
Rubricas Saldo Inicial Aumentos Reduções Saldo Final
Património 29.930.000 29.930.000 Reservas de Reavaliação 0 Reservas Legais 700.500 473.998 1.174.498 Reservas Estatutárias 4.968.856 1.895.992 6.864.848 Reservas Contratuais 0 Reservas Livres 34.289.303 2.944 34.292.247 Resultados Transitados 38.259 38.259 Resultados Líquidos 2.369.989 116.364 2.486.353 Total 72.296.907 2.489.298 0 74.786.205 Valores em euros
Nota 41 - Demonstração do custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas
A evolução do custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas, entre 2005 e 2007, é apresentada no quadro seguinte.
Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas
Rubricas 2005 2006 2007 Existências iniciais 1.594.735 1.627.157 1.646.653 Compras 13.882.331 14.341.169 15.977.736 Regularização de existências -38.378 -33.726 -32.566 Existências finais 1.627.157 1.646.653 2.159.170 Custos no exercício 13.811.532 14.287.947 15.432.652
Valores em euros
Nota 43 - Remunerações atribuídas aos membros dos órgãos sociais
No exercício de 2007 as remunerações atribuídas aos membros que integram os órgãos sociais não apresentam praticamente qualquer variação em relação ao registado no ano anterior.
Remunerações dos órgãos sociais
Órgãos Sociais 2005 2006 2007
Conselho de Administração 285.964 254.216 255.615
Fiscal Único 20.160 15.261 15.261
Mesa da Assembleia Geral 1.149
Valores em euros
Nota 45 - Demonstração dos resultados financeiros
No exercício de 2007 o hospital aumentou significativamente os resultados financeiros, em grande medida à custa dos juros obtidos com a aplicação das disponibilidades. Os proveitos e ganhos financeiros e os custos e perdas financeiras apresentam a evolução demonstrada em seguida.
Proveitos e ganhos financeiros
Rubricas 2005 2006 2007
Juros obtidos 937.766 992.789 1.412.413
Diferenças de câmbio favoráveis
Descontos de pronto pagamento obtidos 161.985 242.547 276.164 Ganhos de alienação de aplicações financeiras
Outros proveitos e ganhos financeiros 16.657 10.000
Total 1.116.408 1.235.336 1.698.577
Valores em euros
Custos e perdas financeiras
Rubricas 2005 2006 2007
Juros suportados 3.544
Provisões para aplicações financeiras
Diferenças de câmbio desfavoráveis
Outros custos e perdas financeiras 3.116 3.380 3.499 Resultados financeiros 1.109.748 1.231.956 1.695.078
Total 1.116.408 1.235.336 1.698.577
Valores em euros
Nota 46 - Demonstração dos resultados extraordinários
No exercício de 2007, os resultados extraordinários são significativamente inferiores aos dos dois anos anteriores, tendo os proveitos e ganhos extraordinários e os custos e perdas extraordinárias evoluído como se apresenta nos quadros seguintes.
Proveitos e ganhos extraordinários Rubricas 2005 2006 2007 Recuperação de dívidas 747 60 36 Ganhos em existências 10.925 1.235 22.555 Ganhos em imobilizações
Beneficios e penalidades contratuais
Reduções de amortizações e provisões 174.102 190.583 229.033 Correcções relativas a exercícios anteriores 326.005 670.949 227.233 Outros proveitos e ganhos extraordinários 2.152.712 1.985.187 187.359
Total 2.664.491 2.848.014 666.216
Valores em euros
Custos e perdas extraordinárias
Rubricas 2005 2006 2007 Donativos Dividas incobráveis 57.375 48.723 72.292 Perdas em existências 49.303 34.961 55.121 Perdas em imobilizações 46.078 3.093 3.378 Multas e penalidades 67 147 30
Aumentos de amortizações e provisões 2.272 995
Correcções relativas a exercícios anteriores 74.706 1.478.730 247.702 Outros custos e perdas extraordinários 21.827 31.874 25 Resultados extraordinários 2.412.863 1.249.491 287.668
Total 2.664.491 2.848.014 666.216
Valores em euros
Nota 48 – Acréscimos e diferimentos
Contas do activo
Rubricas 2005 2006 2007
Acréscimo de Proveitos
Juros a Receber 59.456
Outros Acréscimos de Proveitos 1.112.011 986.683 1.161.984
Custos Diferidos 64.526 24.246 24.246
Contas do passivo Rubricas 2005 2006 2007 Acréscimo de Custos Remunerações a liquidar 3.184.931 3.205.312 3.381.735 Juros a liquidar
Outros acréscimos de custos
Proveitos Diferidos
Subsídios para investimento 376.164 217.719 491.554
Valores em euros
Hospital de São Sebastião, 14 de Março de 2008