1 INTRODUÇÃO
2.2 AUDITORIA
2.3.1 Auditoria de Gestão de Pessoas
2.3.1.2 Processamento da Folha de Pagamento
2.3.1.2.7 Férias
Segundo Rocha (2012) todo colaborador quando atingir o período aquisitivo de 12 meses de tempo de serviço tem direito ao gozo de férias, sem prejuízo de seu salário, com a proporção de 30 dias corridos, quando o colaborador não tiver faltado mais de cinco dias ao trabalho, 24 dias corridos quando houver faltas de 6 a 14 dias, 18 dias corridos quando houver de 15 a 23 dias de faltas no ano e 12 dias corridos quando houver 24 a 32 dias de faltas no ano. Cabe salientar que as faltas consideradas para redução do direito a férias são as faltas injustificadas.
De acordo com o Decreto-Lei nº 1.535, de 15 de abril de 1977, o colaborador não terá direito ao período de gozo de férias quando deixar o emprego e não for readmitido sessenta dias após, permanecer em licença remunerada por mais de trinta dias, em virtude de paralisação parcial ou total da empresa por mais de trinta dias remunerados, quando receber auxilio doença ou prestações de acidente de trabalho por mais de seis meses, mesmo se forem descontínuos.
Conforme Rocha (2012) quando a organização for conceder as férias ao colaborador, a mesma deverá comunicar, por escrito, trinta dias antes do seu período de gozo. O aviso das férias deverá ser feito em duas vias, mencionando o período aquisitivo, sendo que, as vias devem ser assinadas pelo colaborador indicando estar
ciente do período. O período de gozo das férias deverá ser anotado na Carteira de Trabalho do colaborador e o seu pagamento, deverá ocorrer dois dias antes do dia inicial do período de gozo.
Ainda conforme Rocha (2012) é concedido o direito ao colaborador em converter suas férias em abono pecuniário, sendo assim, o colaborador que tiver direito aos trinta dias de gozo das férias, poderá requerer um terço de abono nas mesmas, gozando de apenas vinte dias, trabalhando os outros dez dias, o qual irá receber em dobro, sobre as férias e salário pelos dias trabalhados.
Em conformidade com a Consolidação das Leis Trabalhistas (1943), artigo 137, sempre que as férias forem concedidas após o período de doze meses, ou seja, em atraso, o empregador deverá pagar em dobro as férias, onde o colaborador irá gozar trinta dias de férias e receberá sessenta dias. Caso o empregador, mesmo após vencido o período de doze meses, não conceda as férias ao colaborador, o mesmo poderá ajuizar reclamatória trabalhista exigindo seus direitos perante a lei.
De acordo com Rocha (2012) o cálculo das férias considera os adicionais sobre a folha de pagamento do colaborador, como também, possui descontos, sendo estes autorizados por lei ou convenção coletiva, os quais serão abordados a seguir.
2.3.1.3 Descontos
De acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas (1943), artigo 462, é proibido que a organização realize qualquer tipo de desconto sobre o salário do colaborador, salvo, quando acordado entre ambas as partes, leis ou convenção coletiva. Os principais descontos nas folhas de pagamento dos colaboradores são o INSS, Contribuição Sindical, adiantamentos salariais, Imposto de Renda, quando for o caso, dentre outros descontos, quando acordados entre a organização e o colaborador.
2.3.1.3.1 Previdência Social
Segundo Rocha (2012) o recolhimento previdenciário é obrigatório por parte de todas as organizações, tanto para empregados, como para empresários, autônomos, avulsos, equiparados e facultativos. As organizações as quais recolhem a guia de INSS tem a obrigação de manter sua contabilidade em dia, não podendo
exceder seis meses de atraso, bem como, manter toda a documentação como folha de pagamento, documentação dos colaboradores e guias organizadas.
Quadro 1: Quadro de desconto do INSS 2018.
Salário de Contribuição (R$) Alíquota
Até R$ 1.693,72 8%
De R$ 1.693,73 a R$ 2.822,90 9%
De R$ 2.822,91 até R$ 5.645,80 11%
Fonte: Site da Previdência Social (2018).
Quadro 2: Quadro de desconto do INSS 2019.
Salário de Contribuição (R$) Alíquota
Até R$ 1.751,81 8%
De R$ 1.751,82 a R$ 2.919,72 9%
De R$ 2.919,73 até R$ 5.839,45 11%
Fonte: Site da Previdência Social (2019).
Conforme site da Previdência Social 2018 e 2019, a guia de INSS deverá ser recolhida até o dia 15 do mês subsequente ao apurado. A tabela mensal de contribuição será utilizada para consultar os enquadramentos de cada colaborador sobre as respectivas alíquotas a serem descontadas. Acima, apresenta-se o quadro da Previdência Social com as alíquotas vigentes para o ano de 2018.
De acordo com o site Jornal Contábil (2019) o colaborador, além do desconto do INSS, pode ter outros descontos, como por exemplo, o adiantamento salarial, o qual incide INSS sobre a remuneração total do colaborador. Para que seja possível um entendimento maior, o assunto será abordado a seguir.
2.3.1.3.2 Adiantamento Salarial
Conforme a Consolidação das Leis Trabalhistas (1943), artigo 462, é vedado ao empregador efetuar qualquer tipo de desconto na folha de pagamento do colaborador, salvo, quando resultar em adiantamento, disposto em lei ou convenção coletiva. Portanto, não há legislação especifica que indique obrigação quanto ao adiantamento salarial, muito menos, a valores fixados, ficando a critério da organização.
De acordo com o site Jornal Contábil (2019) o empregador não tem a obrigação de conceder adiantamento salarial, porém, se conceder, não poderá ultrapassar 40% da remuneração total do colaborador. A dedução da parcela do adiantamento salarial do colaborador é realizada após o cálculo do Imposto de Renda, assunto abordado a seguir.
2.3.1.3.3 Imposto de Renda
De acordo com a Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, o Imposto de Renda de pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, ou seja, irá incidir imposto de renda sobre os valores recebidos pelo colaborador no mês, o qual deverá ser pago pela organização até a primeira quinzena do mês subsequente da apuração.
Conforme site da Receita Federal (2018), para determinar se é necessário e obrigatório o descontar o imposto de renda da folha de pagamento é preciso observar o quadro 2, que trata sobre o IRRF.
Quadro 3: Tabela IRRF 2015.
Base de Cálculo Mensal em R$ Alíquota % Parcela a deduzir do Imposto em R$
De 1.903,99 até 2.826,65 7,5 142,80
De 2.826,66 até 3.751,05 15 354,80
De 3.751,06 até 4.664,68 22,5 636,16
Acima de 4.664,68 27,5 869,36
Dedução por dependente: R$ 189,59 (cento e oitenta e nove reais e cinquenta e nove centavos)
Fonte: Site Receita Federal (2018).
De acordo com Rocha (2012) o imposto de renda também é descontado no momento de desligamento do colaborador, sendo uma das deduções que constam na rescisão, como será abordado a seguir.
2.3.1.4 Desligamento de Colaboradores
Em conformidade com Rocha (2012) o desligamento de colaboradores retrata a rescisão do contrato de trabalho entre a organização e o colaborador. A rescisão pode acontecer por pedido de dispensa, por conta do próprio colaborador, também
como acordo, porém para colaboradores não contribuintes de FGTS, dispensa sem justa causa, dispensa por justa causa e por término de contrato de trabalho.
Ainda para Rocha (2012), para iniciar o processo de rescisão é necessária a emissão de aviso prévio, ou por parte do colaborador, quando por sua vontade, ou da organização, com o devido motivo.
2.3.1.4.1 Aviso Prévio
Conforme a Consolidação das Leis Trabalhistas (1943), artigo 487, não havendo prazo estipulado, tanto o colaborador quanto a organização, sem devida justa causa, deverá avisar a outra parte com antecedência mínima de oito dias, se o pagamento for efetuado por semana, ou, trinta dias aos que recebem por quinzena ou mês.
Segundo Rocha (2012, p. 44):
O empregador, de acordo com a Lei n° 12.506, a partir de 13 de outubro de 2011, que decide rescindir o contrato de trabalho com o empregado que tenha até um ano de serviço na mesma empresa prevê o pagamento de aviso- prévio de 30 dias. Acima deste prazo, deverá ser adicionado 3 (três) dias, por ano de serviço na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo até 90 (noventa) dias.
Ainda em conformidade com a Consolidação das Leis Trabalhistas (1943), artigo 487, a falta de aviso prévio por parte da organização dá ao colaborador o direito aos salários correspondentes ao prazo de aviso, assim como, a falta de aviso prévio por parte do colaborador dá o direito a organização descontar os salários desse período.
De acordo com Rocha (2012) depois de entregue o aviso prévio, tanto pela organização, como pelo próprio colaborador, e passado os dias do mesmo, caso não for indenizado, é obrigatória a realização do atestado médico demissional o qual será abordado a seguir.