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Factores condicionantes de implementação do e-learning

4. Caracterização da Instituição e População Alvo

4.3 Importância da implementação do e-learning no ISCTE – a visão institucional

4.3.6 Factores condicionantes de implementação do e-learning

Os factores de resistência ao e-learning abrangem diversos níveis e intervenientes, entre os quais a instituição, os alunos, os docentes e outras estruturas e actores administrativos e cientifico – pedagógicos; bem como factores sócio-culturais associados à instituição universitária e à sua inclusão na Sociedade de Informação e do Conhecimento, como refere um dos elementos dos órgãos de gestão:

“Pensou-se que face a esta situação da democracia cibernética, as universidades poderiam fechar, podendo lançar conteúdos de super professores, que fazem coisas maravilhosas, de acordo com as dimensões da globalização, e que as universidades tradicionais iriam encerrar. Seria impossível pensar-se que podem existir saberes universais ou transversais a todas as sociedades, que se impõem através do pensamento universitário, deixando de haver diversidade”.

Na perspectiva dos nossos entrevistados estas resistências relacionam-se com o modelo de ensino ainda centrado no docente e na mudança do seu papel no processo de ensino, estando em causa a sua profissão, pois a ideia que transcorre é a de que serão necessários menos docentes para processos de ensino baseados em e-learning considerando que existem equipas docentes que dão resposta a turmas com uma dimensão entre 100 e 400 alunos.

Ainda no que respeita aos docentes a possibilidade de as suas actividades serem monitorizadas através do sistema, no que respeita a cumprimento do programa, qualidade dos conteúdos, interacção com os alunos, a necessidade de uma maior disponibilidade, maior nível de actualização e a falta de formação em tecnologias, são apontados como factores de resistência. Citando um dos docentes entrevistados: “As novas metodologias colocam determinado tipo de

resistências que são provenientes da geração do papel. Essas resistências estão relacionadas com rupturas civilizacionais, profissionais e organizacionais.”

(…) ”O ensino à distância tem duas características: o problema da acessibilidade de outros públicos ao saber e como tornar o ensino mais interactivo a partir das novas tecnologias, sem que o papel do professor seja diminuído.”.

No que se refere aos alunos, a experiência dos docentes entrevistados revela que a assiduidade é um problema existente, em especial no turno da noite, pois são indivíduos que após um dia de

trabalho têm dificuldades em deslocar-se ao ISCTE e manter um nível de atenção adequado, reflectindo-se no seu aproveitamento. Neste aspecto assiste-se a um facto interessante: a diminuição gradual dos trabalhadores estudantes inscritos no turno da noite, e quando só já existem vagas para esse turno, solicitam de uma forma informal ao docente a sua frequência no turno de dia, o que conduz a turmas de 50 a 60 alunos de dia e turmas extremamente reduzidas de noite.

Os alunos, em geral não são vistos como um factor de resistência à introdução do e-learning, pelo contrário são considerados impulsionadores da sua utilização.

No caso de alunos de licenciaturas colocam-se em causa a autonomia, motivação, participação, interacção, capacidade de trabalho em grupo, e de pesquisa de informação. Nos alunos de pós- graduações estes factores são menos preocupantes pela maturidade, faixa etária, interesses e perspectivas que possuem face ao ensino ou formação.

Do ponto de vista pedagógico e metodológico poderão existir resistências pela falta de adequação ao público-alvo, nomeadamente na produção e utilização dos conteúdos e na forma como os alunos interagem com os docentes, pois a imposição de metodologias, independentemente de quem vai aprender, pode ser um passo para o insucesso. Igualmente há que considerar se o tipo de ensino ou área científica tem um carácter mais reflexivo ou laboratorial (teórico-prático) e do modo como a tecnologia pode ser integrada nos mesmos.

Nas palavras de um dos docentes entrevistados, é manifestada a problemática da mudança de metodologias:

“O campus virtual será uma coisa bem feita, onde eu coloco as minhas aulas desde que se possa utilizar sem fazer grandes alterações nas nossas cadeiras, desde que esse mecanismo não obrigue a reestruturar a perspectiva pedagógica, se a maneira como eu funciono tiver de ser muito alterada por usar o e-learning, não acredito que seja pelo facto de ter este recurso disponível que vou mudar a minha estratégia pedagógica, que dá tanto trabalho.”

“Preparar uma cadeira dá imenso trabalho e se isto funciona no método presencial, porque é que eu hei-de mudar a minha cadeira para me adaptar a alguma coisa que alguém fez como modelo ideal de universidade? Não faço!”

Por outro lado a relação comunicacional influencia a relação pedagógica, e processando-se através de um meio electrónico, as reacções dos intervenientes, o interface, a estruturação da informação e dos conteúdos, poderão originar dificuldades de adaptação.

Numa perspectiva institucional, existe alguma inquietação sobre o e-learning e as mudanças organizacionais que implica, pelo que a transição não pode ser abrupta, devendo ser negociada com os responsáveis científicos e pedagógicos das cadeiras, caso contrário a imposição resultará em pouca ou nenhuma utilização.

Em termos técnicos e operacionais torna-se difícil implementar uma solução de e-learning, quando existem dificuldades em integrar os dados académicos, por questões técnicas ou administrativas, nomeadamente quando os próprios docentes têm alguma renitência em colocar dados ou conteúdos on-line, como o sumário, o programa da cadeira, informação básica para os alunos.

As questões financeiras surgem também como eventuais obstáculos à introdução do e-learning, pelos investimentos iniciais em tecnologia e respectiva manutenção.

Um dos factores mais referenciado refere-se à componente tecnológica, especialmente na enorme dependência da estrutura técnica, acessibilidade, segurança de dados e utilizadores, manutenção informática, sobre a qual se lançam algumas reservas se não existir uma resposta atempada dos problemas técnicos que possam surgir.