• Nenhum resultado encontrado

Tecnologia e Normalização de Conteúdos para e-learning

2. Enquadramento Conceptual

2.7 Tecnologia e Normalização de Conteúdos para e-learning

Considerando que o e-learning se baseia em suportes em meio electrónico on-line e off-line, recorrendo a diversas aplicações de acordo com as funcionalidades e objectivos pretendidos, torna-se relevante uma breve análise às tecnologias disponíveis para suportar actividades não presenciais de carácter assíncrono ou síncrono, bem como as funcionalidades de gestão de alunos e conteúdos, denominando-se estas aplicações de plataformas de gestão da aprendizagem (LMS – Learning Management Systems) ou mais recentemente plataformas de aprendizagem e gestão de conteúdos (LCMS – Learning Content Management Systems)

Simultaneamente a diversidade de soluções tecnológicas e sistemas informáticos de apoio à aprendizagem e produção de conteúdos e objectos de aprendizagem (LO – Learning Objects) carecem de normalização, no sentido de poderem ser distribuídos reutilizados (RLO´s – Reusable

Learning Objects) em plataformas ou tecnologias distintas.

2.7.1 Sistemas de Gestão de Ensino e Aprendizagem

Os suportes tecnológicos em que se baseia o e-learning são aplicações específicas, com características e funcionalidades que visam corresponder às necessidades das instituições, dos alunos e dos professores.

Estes sistemas fundamentam-se em tecnologias da Internet e web que permitem de uma forma geral a gestão de alunos, do ponto de vista didáctico e administrativo, disponibilização conteúdos, ferramentas de comunicação, planeamento de actividades, avaliação, registos de desempenho e de participação/interacção (HALL, 2004).

Actualmente distinguem-se dois tipos de sistemas de gestão de aprendizagem (DONELLO, 2002):

• os Sistemas de Gestão de Aprendizagem (LMS – Learning Management System), permitem principalmente a gestão dos alunos, realizar registos do seu progresso e desempenho, de acordo com as diversas actividades, disponibilizando conteúdos e ferramentas de comunicação síncronas e assíncronas (Fig. 2.1), (HALL, 2004) e (NISHANI, 2001):

Figura 2.1 - Learning Management System (Adaptado de LCMS=LMS+CMS [RLOs], Nishani, 2001)

• os Sistemas de Gestão de Conteúdos e Aprendizagem (LCMS – Learning Content

Management System), são sistemas que descendem dos LMS, resultando da interligação entre

LMS e CMS (Content Management System), ilustrados pelas Fig. 2.2 e 2.3 (Nishani, 2001):

Figuras 2.2 e 2.3 - Content Management System (CMS)e Learning Content Management System (LCMS) (Adaptado de LCMS=LMS+CMS [RLOs], Nishani, 2001)

Os LCMS permitem outras funcionalidades como a criação, classificação, arquivo, reutilização e distribuição de conteúdos personalizados a partir de repositórios de objectos de aprendizagem (RLO – Reusable Learning Object) e na sua maioria possuem interoperabilidade com outros LMS ou LCMS (DONELLO, 2002), (HALL, 2004) e (NISHANI, 2001).

- a integração de ferramentas de autor (authorware); com aplicações dirigidas para o utilizador;

- um interface que permite a distribuição de conteúdos de acordo com o perfil do aluno e com tecnologias on-line e off-line;

- um repositório de conteúdos ou objectos de aprendizagem, com capacidade de arquivar, gerir e reutilizar conteúdos de aprendizagem distribuindo-os em diversos formatos electrónicos ou impressos, de modo a criar módulos de conteúdos ou cursos;

- uma aplicação para gestão institucional e administrativa, que permite o registo, acompanhamento e avaliação dos alunos.

A selecção de um sistema de gestão de aprendizagem, seja um LMS ou LCMS, torna-se particularmente complexa, em especial quando se trata de uma instituição de ensino superior, pela diversidade de necessidades que possui e pela heterogeneidade do público-alvo e das respectivas áreas de ensino.

Igualmente, a selecção e adequação das diferentes tecnologias (on-line e off-line) torna-se particularmente difícil, quando não estão identificadas questões como o acesso dos alunos, que tipo ou formato de conteúdos serão distribuídos, se as metodologias exigem tecnologias síncronas ou assíncronas, a infra-estrutura de comunicação, etc.. Cada tecnologia possui igualmente maiores e menores capacidades, de acordo com as suas características síncronas, assíncronas, comunicação unidireccional ou bidireccional, ensino individualizado ou em grupo (MANTYLA, 2001).

A título exemplificativo mencionam-se o telefone, a televisão por cabo, por satélite ou em circuito interno, vídeo e áudio conferência, manuais impressos, suportes magnéticos de imagem e som, suportes ópticos como o CD e o DVD, correio electrónico, ensino baseado no computador, em recursos web, entre outros.

Embora a componente tecnológica de um sistema de gestão de aprendizagem seja importante, a sua implementação ou simples aquisição por si só não significa a capacidade de introduzir metodologias de e-learning ou blended learning e integrá-las nos processos de ensino e aprendizagem (CHUTE, et al., 1999).

2.7.2 Normalização de Conteúdos e Objectos de Aprendizagem

A normalização de conteúdos é ainda uma área recente, baseando-se até ao momento num conjunto de princípios e orientações, que não estão inteiramente reconhecidas e aprovadas

Objectivamente o princípio é de que, qualquer conteúdo ou objecto de aprendizagem (LO´s –

Learning Objects) produzidos possam ser integrados num LMS ou LCMS possuindo

características de interoperabilidade e reutilização entre sistemas ou plataformas diferentes.

A normalização em meio electrónico é uma questão efémera e complexa, considerado a evolução tecnológica e as influências do mercado, pelo que a sua definição e aceitação nem sempre é tranquila.

Com o crescimento e divulgação da web a necessidade de normalização tem estimulado a investigação nesta área, originando normas de mercado e normas de organizações internacionais ligadas à normalização.

A normalização de conteúdos envolve duas características principais (CLARK, 2003):

- a interoperabilidade, que se refere à capacidade de integrar conteúdos em plataformas de gestão de aprendizagem diferenciadas;

- a reutilização, ou seja, a capacidade de os mesmos conteúdos ou objectos serem arquivados, integrados e utilizados em cursos ou ambientes de aprendizagem diferentes.

Actualmente existem quatro normas ou standards para o e-learning (MACROMEDIA, 2001), que interagem entre si, conduzindo a normas aprovadas e que resultam da interligação entre os requisitos do mercado e de utilização, designadamente:

• AICC – esta norma foi desenvolvida pela Aviation Industry CBT Committee1

e consiste numa unidade simples de conteúdos baseados na web, que serve de referência para a implementação ou realização de conteúdos para e-learning, especificando de que modo os conteúdos ou as aplicações de authorware são compatíveis com a gestão de conteúdos nas plataformas.

• IMS – desenvolvida pela IMS Global Learning Consortium2

, é uma norma que constituída por especificações relacionadas com a acessibilidade, localização e compactação de conteúdos, meta-dados, e interoperabilidade entre plataformas.

• ADL SCORM – a ADL3

(Advanced Distributed Learning) é uma organização que integra as orientações de outras organizações como a IMS, numa norma denominada SCORM (Sharable Content Object Reference Model). De uma forma geral esta norma implementa um modelo de dados, com a capacidade de os objectos serem integrados e recombinados entre

1 http://www.aicc.org 2 http://www.imsglobal.org 3 http://www.adlnet.org

si de forma a formarem conteúdos que possam ser integrados nas plataformas de aprendizagem.

• IEEE LTSC – esta entidade designada por Institute of Electrical and Electronics Engineers4 – Learning Technology Standards Committee intervêm na normalização, coligindo as normas e especificações divulgadas por outras organizações, promovendo o reconhecimento oficial a nível internacional.

Estas normas referem-se fundamentalmente: à arquitectura de informação e tecnologias para suporte de aprendizagem; direitos de autor para documentos digitais; formas de descrição, organização e comunicação e gestão de unidades de aprendizagem; categorização e classificação de conteúdos ou objectos de aprendizagem através de meta-dados e a referência de competências ou objectivos interligados com o tipo de objecto de aprendizagem (ANIDO, 2002).

A importância da normalização das tecnologias de aprendizagem abrange os intervenientes e utilizadores dessas mesmas tecnologias, nomeadamente as instituições de ensino, professores, alunos, empresas que comercializem plataformas ou produzam conteúdos (CETIS, 2003), traduzindo-se em vantagens que passam pela interligação de diversos sistemas de informação académicos e de aprendizagem, escalabilidade dos sistemas, produção e partilha de materiais didácticos, compatibilidade entre conteúdos e plataformas, facilidade de produção, acesso a informação pessoal e recursos, criação e desenvolvimento de novos ambientes de aprendizagem baseados na web de acordo com as especificações e normas.

A inexistência de normas ou especificações conduziria a uma proliferação de sistemas próprios, incompatibilidades tecnológicas reduzindo a capacidade de acesso e de escolha dos utilizadores, contrariamente ao que o e-learning preconiza (CLARK, 2003).