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11 O FATO DE SER NORMAL

No documento Arthur Janov - o Grito Primal (páginas 120-133)

O único objetivo da Terapia Primal é fazer com que os indivíduos se tornem reais. As pessoas normais são reais por definição. Os pacientes que passaram pela Terapia Primal são reais por causa disso, mas ainda trazem consigo as cicatrizes. Foram bastante feridas durante suas vidas e não é fácil apagar as lembranças. Só o que podemos fazer é torná-las inofensivas para que não tenham mais a força que obriga os neuróticos a atos simbólicos. Depois de tantas privações por que passam os neuróticos, é óbvio que depois da Primal eles não podem ser mais uns indivíduos plenamente realizados. Como neuróticos eles viviam lutando para se realizarem e a terapia agora liberta-os para satisfazerem suas necessidades no presente.

Quando me refiro a um ser humano normal, eu quero significar uma pessoa livre de defesas, sem tensões ou lutas. A minha opinião a respeito de normalidade nada tem a ver com normas estatísticas, médias, tabelas de ajustamentos sociais, conformismo ou não conformismo. Quando a pessoa é ela mesma a maneira como se comporta pode ser tão variada e infinita como o número de pessoas neste mundo. O normal é sempre ele mesmo. A Terapia Primal faz com que alguns considerem o seu íntimo em lugar do que existe em torno deles.

Passarei a discutir o normal em contraste com o neurótico. Mais adiante farei um retrato de um paciente pós-Primal mostrando como ele se sente, o que faz e as espécies de relações que mantém.

Já que se sente satisfeito, o ser normal relaxa-se. O neurótico insatisfeito por não haver conseguido o que queria sente-se obrigado a procurar a origem verdadeira de sua insatisfação. Com isso ele deixa de saber quais são as verdadeiras origens de sua infelicidade. Então começa a sonhar para conseguir um novo emprego, para tentar um novo grau universitário, para morar noutro lugar ou para arranjar outra namorada. Ele acredita que o seu descontentamento básico seja solucionado desde que faça qualquer daquelas coisa.

Lembro-me de um paciente que começou com a terapia reclamando contra os acontecimentos políticos do país. Era um obcecado e queria se mudar para outro país. Tudo que dizia sobre a política estava certo. Não obstante, quando checou ao seu verdadeiro descontentamento, isso não fez com que ele modificasse suas ideias sobre a situação política mas conseguiu resolver a questão de mudar-se para o estrangeiro. Sentia que "não havia um bom lar para ele." Nunca tivera um bom lar. Um lar ruim é igual a uma pátria ruim. O seu sonho era encontrar aquele bom lar em algum lugar.

O neurótico nunca se satisfaz por muito tempo porque não está nunca onde está. Ele usa o presente para fazer funcionar o passado. Assim, comprará uma casa que arrumará direitinho, e quando tiver feito isso já estará querendo uma outra casa. Ou então encontrará uma namorada que logo abandonará depois de conquistá-la.

Para o neurótico, o importante é a luta e não os resultados. Por isso é comum não conseguir terminar o que começa. Justifica os trabalhos insatisfatórios na base de exigirem muito dele. Mas isso é porque ele nunca termina. Terminar sem sentir-se realizado é o mesmo que ferir-se. É por isso que tanta gente encontra tantas dificuldades nos últimos meses de estudo para conseguir um grau superior. É também a razão por que muita gente não se dá por satisfeita só com dinheiro no banco. Logo depois que pagou todos os seus compromissos, ele terá que assumir outros para poder continuar a luta. É intolerável sentir-se realizado, ter dinheiro no banco e ainda assim sentir-se infeliz. A luta é o paliativo para isso. Algumas mulheres neuróticas raramente levantam-se cedo para logo terminar o serviço da casa. Se isso acontecer logo se verão diante do vazio de suas vidas. Em lugar disso preferem manter um ou dois quartos constantemente desarrumados para que possam manter a luta. Podem antegozar, para quando a casa já estiver arrumada ou limpa, sem aquele sentimento de não ter mais nada a fazer desde que liquide suas obrigações caseiras.

A pessoa normal, que não precisa lutar, que não precisa de obstáculos em seu caminho para justificar a luta, sempre pode atender às coisas. O neurótico, retardando o sentimento de sua Dor, retarda também muito todo o resto de sua vida. Aliás, o sentir aquela Dor representa, para o neurótico, o princípio da vida. Até que a sinta ele deve mostrar-se arredio, não somente em termos de fugir apenas ao que fere como também a tudo que é desagradável. Desde que está sempre tentando fugir de si mesmo, ele tem a tendência para a fuga, se não a física, pelo menos mentalmente. Tem o espírito sempre cheio das coisas que vai fazer. Nunca pode parar. Movimenta-se até mesmo em sonhos, virando-se na cama ou suando muito. Pode ser tão ativado que nem mesmo consiga dormir sempre obcecado por pensamentos desagradáveis ou por negócios sem solução ainda.

O ser normal pode estar conosco completamente. Nunca precisa manter uma parte sua separada, "de reserva", e portanto, pode mostrar um interesse completo. O neurótico é geralmente um remoinho de distrações. Seus olhos, da mesma forma que a mente, estão sempre girando de uma coisa para outra sem nunca se deter por algum tempo.

É claro que a pessoa normal não é dividida. Isso significa que quando lhe aperta a mão nunca seus olhos estão olhando para o além. Sabe ouvir com atenção, e isso é raro numa sociedade neurótica. O neurótico, na realidade, só consegue ouvir o que quer. A maior parte do tempo está pensando no que vai dizer a seguir. Tudo o que ouve, em geral, só tem valor quando se refere a alguma coisa que lhe diga

respeito de alguma forma. Não pode ser objetivo nem aprecia devidamente o que não lhe diz respeito, e isso aplica-se também aos seus filhos. As conversas neuróticas raramente transcendem assuntos pessoais e o "eu" está sempre presente, porque o interesse do neurótico encontra-se no "eu" não realizado. A pessoa normal interessa- se por si mesma de forma diferente. Não é preciso que tudo no mundo se relacione com ela, mas, ainda assim, está sempre pronta a relacionar-se com o mundo. Nunca usa o seu mundo externo para cobrir o interno.

O indivíduo normal nunca se sente solitário. Ele pode sentir-se só, mas é de forma muito diferente daquela que sentia antes. É uma sensação diferente em que não entra o pânico nem o medo. A solidão do neurótico não permite ficar só pois tem necessidade de companhia para fugir ao catastrófico sentimento Primal de ser rejeitado e solitário durante toda a sua vida. Os inventores do rádio no automóvel compreendiam a solidão neurótica. Isso é quase como um remédio para a Dor. É uma defesa fornecida de graça para que o neurótico não sinta a sua solidão. Para o normal esse rádio pode ser considerado como uma invasão de sua intimidade.

O normal é direto e podemos sentir isso pela forma como reage. A vida do neurótico é sempre exagerada para mais ou para menos. Desde que percebe o repúdio por suas reações verdadeiras ele é obrigado a agir de forma falsa ou então de não reagir de forma alguma. Por exemplo, uma paciente convidou uma amiga neurótica para vir ver seu novo apartamento. Perguntou-lhe o que achava da decoração e a outra disse que bem desejaria que o seu tapete fosse tão bonito quando o dela. Ela só via o aposento em termos de suas próprias necessidades e a sua reação foi tipicamente neurótica. Sempre que ouvem alguma anedota, os neuróticos procuram sempre abafá-la com uma outra melhor.

Sempre que alguém sente necessidade de "identificar-se" em lugar de sentir, nós presenciamos essa reação imprópria. Assim, o normal reage de forma apropriada, não porque esteja procurando produzir efeito ou porque tenha lido em algum livro de etiqueta, mas sim porque ele sente o que é apropriado. Isso significa que para ser um bom pai ele não precisa andar às voltas com o Manual dos Bons Pais. Ele será sempre uma pessoa natural e permitirá que seus filhos sejam também naturais.

Uma vez que já não precisa esconder o sentimento da falta de importância, ele não precisa também lutar para ser tratado como alguém muito especial em toda a parte onde vai. Para o neurótico isso é geralmente uma ocupação de tempo integral. Parte da necessidade do neurótico é verse sempre rodeado de gente, para não sentir-se solitário, ou então entrar para clubes para esconder o sentimento de nunca haver pertencido a uma verdadeira família. Para o normal toda essa luta incessante já acabou.

As lutas dos neuróticos são todas elas fabricadas. Assim uma mulher pode passar anos fazendo compras sem jamais sentir-se satisfeita com o que comprou. E é

bem provável que seja assim mesmo. Se ela tivesse conseguido o amor dos pais sem lutas, então talvez aquelas compras não fossem assim tão importantes. As compras de ocasião são a neurose de todos os norte-americanos. É muito parecida com a pílula mágica para não engordar, e conseguir alguma coisa boa com pouco esforço. O que torna as compras de ocasião especialmente deliciosas é a luta. Quanto maior for ela mais valor terá o prêmio, só que esse não é o verdadeiro prêmio para a grande luta da vida. É apenas um insignificante substituto porque os anos de luta pelo amor dos pais simplesmente resultaram em nada. As compras de ocasião são bem parecidas com a vida dos neuróticos com apenas a pequena diferença que eles finalmente conseguem o que, na maioria das vezes, não desejam.

O neurótico não gosta de entrar numa loja para pagar o preço marcado porque, com isso, ele já não está recebendo um tratamento "especial". Qualquer um pode pagar o preço fixado, e quem fizer isso está passando a ser como qualquer outro. Já o normal é diferente, pois ele sempre tenta tornar a vida o mais fácil possível.

Muito parecido com as compras de ocasião é a forma como o neurótico trata o dinheiro. Um paciente disse-me que nunca conseguia ter dinheiro no banco antes da terapia, porque se tivesse já não precisaria mais lutar. Ele estava lutando constantemente para tentar fugir a um sentimento primitivo em que ele nada valia. Esperara, inconscientemente, que o dinheiro ia lhe dar importância, mas claro que nunca havia dinheiro bastante para isso. Desde que tinha algum dinheiro sentia que ainda não chegava para lhe dar importância e assim estava sempre lutando para ter mais. A pessoa normal não usa o dinheiro simbolicamente para satisfazer antigos desejos. Sente-se importante porque seus pais normais sempre lhe deram o valor que merecia. O dinheiro é a preocupação natural de muitos neuróticos porque eles, por definição, devem sentir-se desprovidos de valor pois nunca lhe reconheceram mérito algum. Já que não consegue satisfazer suas verdadeiras necessidades, ele estará sempre desejando ter mais do que tem.

Há outros neuróticos que não conseguem gastar dinheiro. Talvez a sua luta tenha sido para se sentirem sempre seguros. Mas, ainda assim, o dinheiro sozinho não consegue a segurança para alguém que não a tem. Essa espécie de neurótico está sempre adiando a vida esperando que algum dia as coisas estarão melhores e ele poderá então tirar umas férias. Nunca vive, e em lugar disso, está sempre se agarrando a alguma fantasia do que será a sua vida algum dia. Essa fantasia tem uma íntima ligação com a Dor e ajuda a explicar por que tanta gente está sempre adiando tanta coisa em suas vidas. A pessoa normal, por outro lado, faz as coisas agora. Não tem velhas dores que estão sempre arrastando-a para trás obrigando-a a constantes adiamentos. Os seus verdadeiros sentimentos eliminam a necessidade de fantasias fora da realidade.

precisa imaginar coisas. Houve uma mulher que me contou o seguinte: "Eu costumava olhar no espelho e ficava horrorizada com minhas rugas. Corria por todos os salões de beleza e quando nada disso funcionou recorri à plástica. Sentia-me desesperada procurando fugir da sensação que estava desperdiçando minha mocidade sem jamais ter a oportunidade de possuir aquilo que aquela menininha dentro de mim tanto desejava. Quando via aquelas rugas e alguns cabelos brancos ficava desesperada por não poder ser pequenina outra vez, e então corria para todos os lados. Ia a todas as festas, tentava mostrar-me atraente, mas estava sempre correndo. Não podia parar."

Já a pessoa normal sabe aceitar a sua idade porque está vivendo no presente e já teve a sua mocidade. Não passa todos os dias de sua vida tentando recapturar o que perdeu já fazem décadas. Não se preocupa demais com o futuro nem está sempre pensando no passado porque não está vivendo num tempo que simplesmente não existe.

Com o neurótico, "a personalidade é a mensagem", pedindo eu aqui permissão para usar as palavras de McLuhan. A personalidade curva-se para a mensagem que tem de transmitir. Assim, a pessoa lacônica pode simplesmente dizer "papai fale comigo. Tire-me daqui." A outra mais desorganizada dirá, "mamãe, eu estou ferido. Oriente-me." O do olhar lamuriento, "mamãe, pergunte-me onde está doendo." O depressivo dirá, "não me chute quando estou por baixo."

Uma vez que o normal não está mais tentando dizer alguma coisa indiretamente, a sua personalidade não está retorcida. Desde que não tenha velhas necessidades, as pessoas são apenas o que são. Não sei bem como explicar isso de outra forma senão dizendo que sem um frontispício psicológico a pessoa normal apenas vive e deixa os outros viverem.

Como já disse aqui, o corpo faz parte da personalidade geral de modo que os neuróticos geralmente mostram o que são. É fácil notar neles todas as características que já apontei aqui. Todo o organismo do neurótico exprime a mensagem inconsciente. Já que não têm mensagem alguma para transmitir, nós podemos esperar um corpo bem proporcionado nos normais desde que tudo mais seja igual. As transformações físicas que notei em pacientes, depois de passarem pela Primal, levam-me a concluir que alguma coisa daquilo que acreditamos ser herdado pode realmente ser o resultado de neuroses.

O indivíduo normal sabe gozar a vida. É surpreendente o pequeno número de neuróticos que consegue fazer isso sem uma ajuda artificial como a bebida, por exemplo. Um paciente explicou: "Os divertimentos prejudicam as esperanças. Eu sempre conseguia transformar tudo em coisas desagradáveis. Se tudo corria bem durante o dia, eu ficava irritado, de repente, e ia procurar uma briga. Não conseguia aguentar quando tudo corria bem. Sentia-me inconfortável como se esperasse que alguma coisa ia desabar em cima de mim. Quando olho em retrospecto penso que a

aceitação de tudo aquilo que era bom significava desistir da luta para que meus pais fossem gente boa. Se aceitasse tudo aquilo abertamente e realmente gozasse a vida, eu teria que desistir de ver a minha infelicidade reconhecida. O neurótico não procura o prazer agora. Só deseja que ele venha quando ... O mesmo pode ser dito a respeito de afeição. O normal aprecia a afeição sem reservas, mas o neurótico para fazer isso poderá estar dizendo que não precisa mais dos pais, pois já encontrou alguém para amá-lo. É terrivelmente difícil fazer o neurótico sentir que ele nunca vai ser o pequerrucho que consegue tudo que quer de seus pais.

Estamos sempre ouvindo que as crianças precisam ter obrigações ou empregos para aprenderem o que é responsabilidade. As crianças são levadas a serviços para ganhar dinheiro mesmo quando não há necessidade para isso. Assim, quando a criança pede licença para ir brincar com o vizinho, a primeira coisa que os pais perguntam é se ela já fez as suas obrigações ou deveres. Os pais sempre têm medo que se deixarem as crianças fazerem tudo o que querem elas nunca farão o que devem. Assim colocam obstáculos diante de cada coisa desejada até que a criança sinta-se apreensiva a respeito de qualquer coisa que queira e procure então evitá-las. Mais tarde, na vida, essa pessoa nunca conseguirá fazer ou agir espontânea mente sem surgir logo a pergunta desagradável, "o que será que devo fazer primeiro?" Um paciente disse-me que quando ele brincava muito num dia e pediam que ele voltasse no dia seguinte, minha mãe sempre reclamava achando que era "muita excitação". Certamente ficava preocupada por eu estar gastando a minha quota de prazeres sem pagar o que era devido.

A vida do indivíduo normal é muito diferente nesse caso. Ele não foge a viver o presente nem obriga os filhos a participarem da luta.

Nada está certo para o neurótico porque ele nunca andou certo com os pais. Inúmeros pacientes sempre me contavam que não se lembravam de terem ouvido uma única palavra de elogio ou encorajamento de parte de seus pais. Em lugar disso, o pai neurótico sente a necessidade de deixar transparecer a sua Dor em tudo que diz ou faz porque ela está sempre com ele.

O resultado de ser criticado a vida inteira assume muitas formas. Uma delas é que se dermos um presente a um neurótico ele nunca o achará a seu gosto, como também está sempre reclamando de tudo que encontra na vida. Quando lê os jornais somente as más notícias lhe interessam já que quer saber quem mais é infeliz ou está sofrendo. Numa sociedade neurótica onde as pessoas sentem necessidade de projetar para fora todas as suas misérias para que a vida lhes seja tolerável, a notícia é sempre sinônimo de tudo que é mau. O homem normal nunca se regozija com a desgraça alheia. Partilha do sofrimento alheio e procura sempre ajudar.

Sempre que tentarmos encher algum vazio do neurótico devemos nos lembrar que ele é um poço sem fundo.

Nem mesmo a conquista de alguma coisa desde muito desejada satisfaz o neurótico. Um paciente meu conseguiu finalmente o seu Ph. D. e entrou numa séria crise de depressão. Pensava que depois de oito anos de uma luta terrível ele ia afinal conseguir alguma coisa com o seu diploma, mas mesmo com ele na mão ainda não se sentia amado ou importante. Disse-me que aquele diploma era para ele um milagre, mas ainda assim não conseguia senti-lo. O mesmo não acontece com o normal que nunca espera alguma coisa externa em seu favor e portanto deixa as coisas correrem naturalmente.

Para o neurótico, o desapontamento anda sempre de mãos dadas com a esperança. O neurótico, por exemplo, sente-se desapontado com as festas de Natal quando, de certa forma, elas têm por fim fazer-lhe sentir o quanto é desejado e querido.

O normal é uma pessoa saudável que não precisa estar sempre correndo atrás de médicos, porque também nunca correu atrás dos pais. Ele é mais saudável e tem mais energias e usa-as para realizar coisas verdadeiras e nunca para tentar conseguir o impossível. E sabe também quando está passando bem. Um paciente disse-me que nunca sabia se estava bom porque estava sempre muito longe dele mesmo. Quando alguém lhe perguntava como se sentia e ele não estava se sentindo mal, deduzia então que só poderia estar se sentindo bem.

O normal nunca obriga os outros a participarem de seus problemas. Compreende que deve amar os filhos sem que eles tenham que pagar por isso. E portanto ele não obriga os filhos a lutarem por coisa alguma. Paradoxalmente, essas crianças são bem sucedidas na vida o que contraria a opinião que a luta no começo da vida prepara as pessoas para as outras que virão depois. Muitos neuróticos nem chegam a perceber que nunca foram obrigados a fazerem alguma coisa para serem amados pelos pais. Lutaram tantos anos para serem amados que não podem nem imaginar que isso aconteça naturalmente. O processo de condicionamento para obrigar a fazer coisas que agradem começa desde que a criança nasce quando todos tentam as artimanhas mais ridículas para fazerem uma, criança rir. Mais tarde querem que ela acene um adeus ou então dance, que faça uma gracinha para agradar aos avós sem levar em conta a sua disposição de momento. Quase todos os

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