4.3 DORMINDO COM O INIMIGO DECLARADO
4.3.2 Filhos rebeldes de Hebert Marcuse
“Eros e Civilização” é uma obra de leitura obrigatória para melhor compreensão do Marxismo Cultural. Ela foi escrita por Hebert Marcuse, psiquiatra e membro da Escola de Frankfurt. Realizando um sincretismo de Freud com o Marxismo, Marcuse pôde arquitetar a “libertação” sexual. “Eros e Civilização” foi um embrião socialista que influenciou significativamente a guerra cultural da qual a Real anuncia combater.
Freud chamava a atenção para o “princípio de realidade”, onde determinados instintos humanos, incluso os sexuais, deveriam ser reprimidos em benefício de uma ordem social; Marcuse, porém, não quis saber disso. A repressão sexual seria vista como um ardil do malvado capitalismo para escravizar e frustrar os inocentes dos proletários. Porque explorados, a energia desprendida no trabalho fragmentaria o desejo sexual. Não basta o coitado do trabalhador ser explorado, o lazer – isso mesmo o lazer – também é vítima do opressor capitalismo, já que estaria atrelado ao consumo. Sendo assim o cheat code de conciliar o racionado tempo de lazer com pornografia e sexo só produziria um falso sentimento de liberdade sexual. Falso porque, veja bem, você continuaria mais preocupado com o que precisa produzir no trabalho.
Esta alienação malvada do capitalismo de controlar lazer através do consumo e a repressão moral da sexualidade exercida pela classe opressora produz, segundo o terrorismo de Marcuse, efeitos catastróficos na psique humana. Tomemos nota a respeito do desastroso mega-recalque causado pela opressão contra a libido: ela gera o “princípio de destruição”, onde a falta de prazer sexual consegue justificar sistema tirânicos como nazismo e fascismo, além das guerras. Não apenas isso, na opinião de Marcuse, o comunismo não deu certo porque “foi mal interpretado” ou porque “traíram Marx”, segundo ele a justificativa para o fracasso das revoluções está na repressão sexual, que conferiria uma auto-sabotagem uma vez que estivessem no poder. Sem se livrar dessa repressão moral burguesa, portanto, não há como fazer valer a tão sonhada revolução socialista.
Não podemos parar por aí. O que seria analisar uma idéia esquerdista sem o elemento da inveja? Marcuse também discorda de Freud quanto a abrangência do “principio de realidade”. Na cabeça do comunista, o burguês não trabalha, seu hobby é ficar maquinando em como aumentar a exploração contra o pobre coitado do trabalhador. Como o rico lucra em cima da exploração do pobre, Marcuse afirma que a repressão sexual só age neste, enquanto aquele pode copular livremente. Livre da repressão sexual, os favorecidos pelo capitalismo lucram psicologicamente ao preço de manter os trabalhadores alienados. Essa alienação, já vimos, fomentaria a agressividade que geraria guerra e esta, por sua vez, beneficiaria os ricos.
Enfim, Marcuse é um dos principais promotores da revolução sexual. Poucos sabem disso, pois, como foi comentado, quanto mais a revolução cultural avança, maior o esquecimento sobre sua origem. O “faça amor, não faça guerra” é, como mostra a realidade, uma empulhação. Não vemos mais hippies por aí, a moda não vingou. Não vingou, mas a contribuição cultural deles permanece. Cumpriram seu papel. Estamos sendo governados, como bem observa o Pe. Paulo Ricardo, pelos filhos de Woodstock.
A libertação dos instintos sexuais é uma pseudo-ciência marxista. Seja para fomentar a luta de classe ou demonizar o capitalismo, a libertinagem sexual foi propositadamente promovida pela revolução cultural marxista. Se existem „realistas‟ que desconhecem ou desconsideram tal informação, não é certamente papel de um conservador esclarecido assinar embaixo da ignorância.
5 CONCLUSÃO
Do ponto de vista conservador, acreditamos que a Real deva ser encarada como uma das máximas de São Paulo: analisar tudo e reter o que é bom. Não se pode catalogá-la como uma simples estupidez, ignorando por completo a teoria 'realista' a respeito dos relacionamentos modernos (quando o que está presente no mass media é o viés feminista da mulher ser a vítima social do homem, culminando, em casos mais extremos, mas já em fase de divulgação, na ideologia do gênero), uma vez que ela pode ser aferida no dia a dia, na mera observação em barzinhos, baladas e/ou shoppings.
Não apenas isso, a atual juventude de colégio, já com valores afetados pela mistura de imaturidade, canalhice e doutrinação, oferecem também um ótimo cenário de análise do fenômeno amoroso pós-moderno. Neste sentido, a Real não apenas confirma que o "bonzinho só se ferra", como também ajuda explicar por que os destacados e "bullies" conseguem ficar com as menininhas. A inversão cultural erra propositadamente quando diz que os jovens são os modelos a serem seguidos, mas isso não indica que eles não devem ser analisados. Trata-se de uma geração e, queiramos ou não, estarão eles a espalhar os valores a geração seguinte, tal é o ciclo do decaimento moral. Pais pior que avós, filhos piores que os pais. Neste aspecto, vale a observação de que a geração no poder são os filhos de Woodstock, isto é, filhos criados pelas máximas libertinas: sexo, drogas e rock‟n‟roll. Os dois primeiros continuam firmes e fortes, o último está em concorrência com o funk.
A Real, em suma, acerta em seu diagnóstico ao esboçar a dinâmica de um relacionamento pautado no individualismo egoísta. Esta leitura da realidade pode ser de grande valor para reconhecer a realidade, ainda mais em um ambiente pós-moderno que, contaminado pela hegemonia feminista, é modelado por um campo de percepção histérico e fraudulento.
Dentro de uma guerra cultural, o desmascaramento da visão do oponente é fundamental. Ao apresentar uma boa leitura dos relacionamentos pós-modernos, a Real contribui em termos de dados. Por outro lado, seria um tiro no pé usar esses dados em termos de contribuir com a agenda do inimigo. É esta contribuição, que acreditamos não ser proposital, que o conservador deve se contrapor.
O ardil feminista é colocar o homem contra a mulher. Fazendo o homem ter vergonha de ter homem e fazendo a mulher sofrer de egolatria em relação a si. Isso simplesmente mina a possibilidade de relacionamentos duradouros e desestrutura o importante núcleo da família.
É a clássica estratégia de dividir para conquistar. O caminho oposto, então, passa pela união e respeito mútuo.
A conclusão deste trabalho é que a Real apresenta ferramentas importantes para o combate ao subversivo marxismo cultural, mas que, infelizmente, observando de modo geral, não está fazendo bom uso deles.
6 DISCUSSÃO ABERTA: CONTATO
Este trabalho teve como objetivo tecer críticas a Real. Não se limitou a isso, porém. Na realidade, a Real foi um pretexto. Este trabalho teve antes o objetivo de organizar e registrar certos pensamentos que vinham ocupando um setor de minhas reflexões, por isso ele não está fechado, o estudo continua.
Não sei se os conservadores de fora da Real continuarão exagerando na dose da crítica ou se conservadores de dentro continuarão defendendo a Real apesar dos pesares dentro do que aqui chamei de “estratégia sabão”. De minha parte, registrei meus pensamentos e fundamentei minhas opiniões.
Não estou fechado a críticas. Deixo meu contato aberto para que se possa abrir um canal de diálogo, permitindo que este trabalho e minhas reflexões sejam acrescidos. Meu email para contato é [email protected]. Que uma nova edição possa ser feita.