4.2. Referentes linguísticos
4.2.2. Filtros e efeitos
Uma das características também fundamentais à linguagem e formas expressi-vas da articulação audiovisual performativa computorizada é a habilidade de fi ltrar os conteúdos em tempo real. Este processo remonta a processos analógicos, e a história do vídeo está repleta de equipamentos que realizam funções de cor, transparências, e outras transformações à forma da onda, consequentemente, no sinal de vídeo. Sherry Miller Hocking expandiu na história do processamento de sinal electrónico uma série de estudos, durante 1978-1980. O processo consistia basicamente em envolver um sistema que tem uma fonte, um processador e um controlador. Este processo, de uma forma simplifi cada e no contexto audiovisual, modifi ca a entrada do sinal em um sinal diferente de saída, de uma forma percep-tível.
FIGURA 45: Rhythm Science, Paul Miller 2005.
Este processo encontra-se facilitado e massifi cado através do cultura digital, em particular na manipulação da imagem em tempo real através do uso de sof-twares optimizados para o processamento dos mesmos em tempo real, como é o caso de softwares de vídeo como o Resolume, Arkaos, Motion Dive, entre outros.
Destacam-se em particular um sistema de fi ltros desenvolvidos para aplica-ções de vjing denominados de freeframes.
4.2.2.1.FreeFrames
Os freeframes67 são uma plataforma open source de efeitos de vídeo em tem-po real, através da utilização de plugins a partir de softwares que sutem-portem este formato.
O processo passa pela formatação dos plugins-efeitos- no formato .dll, o que permite uma independência técnica a várias aplicações, em vez de efeitos criados apenas para a aplicação nativa. Este processo permite a utilização dos freeframes num leque vasto de softwares nativos de vjing, como o resolume, e também de aplicações mais abrangentes, como o Max e Isadora.
Existem mais de 150 efeitos disponíveis, e um leque diverso de productores. O projecto foi inicialmente desenvolvido pelos productores de Vjamm68, Resolume e Eff ecTv69. Estes efeitos são passíveis de serem alterados e autmatizados em tempo real.
4.2.3. Compressão (codecs)
O processo de compressão permitiu a manipulação de conteúdos audiovisuais em ambientes digitais ao viabilizar parâmetros físicos dos conteúdos à capacida-des do sistema. A compressão reduz a informação através de um processo algo-rítmico. Quanto mais compressão houver, menor é a informação original. Muitas vezes, esta redução é invisível para o olho humano, e passa pela compressão de resolução da imagem, dos frames por segundo (framerate) e pela redução do nú-mero de cores. O resultado da compressão não é apenas o tamanho reduzido do fi cheiro, mas também o aceleramento do processamento de informação de efeitos e cálculos do fi cheiro.
Este processo é fundamental para actividade do digital jockey, em particular para o vj e dvj, pela utilização de técnicas como scratch e acesso rápido aos conte-údos. A utilização de conteúdos de vídeo sem compressão, como acontece com o
67 (http://freeframe.sourcefor-ge.net/)
68(http://www.vjammpro.
com/)
69(http://sourceforge.net/
projects/eff ectv)
FIGURA 46: FreeFrames.
Exemplos de alguns efeitos disponíveis.
formato HD (High Defi nition), requer tamanhos de espaço digital em disco pouco viáveis ( um minuto de vídeo equivale a um gigabyte de espaço no disco), e torna o processamento de informação demasiado exigente para as características de RAM (Rapid Access Memory) e CPU (Central Processing Unit) actuais. A optimiza-ção e compressão dos conteúdos passa pela utilizaoptimiza-ção de codecs, que funcionam como métodos ou agentes de compressão. Os mais populares e utilizados são o photojpeg, cinepack, sorenson e animation. O processo de escolha de cada codec passa pela compreensão das necessidades da utilização dos conteúdos. Assim, o photojpeg é um dos mais comuns exactamente por não remover frames do clip original, o que é importante para a utilização de processos de controlo de parâ-metros audiovisuais em tempo real como, por exemplo, o scratch. Cada software tem o seu codec de referência, e por norma o Dvjing reclama a utilização do for-mato Mpeg2, para edição em dvd, com compressão de áudio e vídeo em fi cheiros separados, mas agrupados pelas características da norma Mpeg.
A extensão e compressão SWF revolucionou a forma de manipulação de con-teúdos em tempo real, produzidos através do software Adobe Flash70. Este proces-so tem sido utilizado por muitos designers como foi analisado nas tipologias do vj, que trabalham com ferramentas vectoriais, e preparam muito dos conteúdos neste formato, de forma a serem processados de forma arrojada, sem qualquer difi culdade a nível de processamento. Assim, é possível a aplicação simultânea de efeitos sem qualquer difi culdade.
Os codecs para compressão de imagens e áudio são por norma o Jpeg e Mp3, pelo reduzido tamanho que apresentam, e fácil partilha. A compreensão é portan-to fundamental para agrupar elemenportan-tos básicos susceptíveis de serem manipula-dos em tempo real.
4.2.4. Scratch
Esta técnica de distorção sonora criada e desenvolvida pelos djs permite criar e recriar sons originalmente a partir de discos vinyl, através da movimentação fí-sica do disco sobre a agulha, e da manipulação do crossfader da mesa de mistu-ra. O scracthing está comercialmente associado ao hip hop, mas expandiu-se em diferentes áreas da música e imagem. Este processo permite recriar técnicas de samplagem e de edição de loops, e é usada como forma de composição e edição.
Este processo desenvolveu verdadeiros técnicos e profi ssionais de edição e perfor-mance de scratch, e é uma das técnicas importantes do dj.
A utilização desta técnica no vídeo foi numa primeira fase possível e utilizado através da introdução do sinal digital na manipulação do media. Assim, softwares de vjing permitiram manipular o vídeo da mesma forma que o disco vinyl, e é muito utilizado a partir de controladores midi, com a componente jog wheel, que é um simulador de disco.
O Dvj trouxe à industria audiovisual a possibilidade de manipular scratch em tempo real sobre som e imagem agrupados num mesmo elemento, desta feita di-gital. Dessa forma, também as possibilidades do scratch foram dinamizadas. Vários djs tem um domínio tal sobre a técnica que reproduzem músicas quase apenas
70(http://www.adobe.com/
br/products/fl ash/?ogn=BR-gntray_prod_fl ash_home_
br)
por esta técnica, através de quebras e contra-quebras, e colagem musicais sampler por sampler.