4.2. Referentes linguísticos
4.2.8. Propriedade intelectual
A importância da comunidade Open source do processo de democratização de conteúdos encontra-se em franca expansão e tem consequências directas na interacção directa de artistas de áudio e imagem na arte contemporânea, produ-zida em formato digital, e partilhada na internet. Na última década foram criados algumas formas de licenciamento de forma a estimular o livre acesso e a manipu-lação de conteúdos e obras para fi ns artísticos.
A creative commons, também conhecida como cc77, denomina um conjunto de licenças padronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informação (copyleft). A primeira proposta de licenças cc foi publicada em 16 de Dezembro de 2002. As licenças foram idealizadas para permitir a padronização de declarações de vontade do criador ao licenciamento e distribuição de conteúdos culturais em geral (textos, músicas, imagens, fi lmes e outros), de modo a facilitar a partilha, sob a égide de uma fi losofi a copyleft. O copyleft é a melhor maneira de obter lucros na publicação de conteúdos quando o autor não é tão conhe-cido como para obter as receber vantagens do copyright fechado. [MANCHÓN, EDUARDO;2003]
As licenças criadas pela organização permitem que detentores de copyright (isto é, autores de conteúdos ou detentores de direitos sobre estes) possam ab-dicar em favor do público de alguns dos seus direitos inerentes às suas criações, ainda que retenham outros desses direitos. A operacionalidade surge por meio de um sortimento de módulos standard de licenças, que resultam em licenças pron-tas para serem agregadas aos conteúdos que se deseje licenciar. [WIKIPEDIA]
Os módulos oferecidos podem resultar em licenças que vão desde uma ab-dicação quase total, pelo licenciante, dos seus direitos patrimoniais, até opções mais restritivas, que vedam a possibilidade de criação de obras derivadas ou o uso comercial dos materiais licenciados. [MANCHÓN, EDUARDO; 2003]
As principais licenças cc foram redigidas levando em consideração o mode-lo legal norte americano, o que leva a concluir que as licenças podem, eventual-mente, não se integram perfeitamente com a legislação de outros países. Ainda que se considere que as licenças são meros contratos standard entre o autor e o público, usar tais modelos sem levar em consideração as leis locais poderia tornar as licenças inutilizáveis. Por essa razão, a entidade desenvolveu o projecto iCom-mons (International ComiCom-mons), visando uniformizar a redacção das licenças por ela disponibilizadas, de acordo com as especifi cidades normativas de cada país.
Portugal foi recentemente integrado no licenciamento das Creative Commons78.
[WIKIPEDIA]
Desde o lançamento do projecto, o crescimento do catálogo de obras audio-visuais e textuais licenciados por um ou outro tipo de licença cc, foi exponencial.
78(http://creativecommons.
org/international/pt/)
76O Second Life (também abreviado por SL[1]) é um ambiente virtual e tridi-mensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Foi desenvolvido em 2003 e é mantido pela em-presa Liden Lab[2] Depen-dendo do tipo de uso pode ser encarado[3] como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social
FIGURA 60: Imagem de marca referente á Creative Commons.
Assim, o intercâmbio de projectos, linguagens é estimulado e é sem dúvida um elemento importante da democratização de produção de conteúdos e metodo-logias artísticas contemporâneas, e em particular da reutilização de conteúdos uti-lizados por digitais jockeys em performances.
O espirito de partilha de conteúdos é uma marca fundamental, e recentemen-te a cadeia de recentemen-televisão BBC anunciou a liberação de arquivo de fi lmes e documen-tários, que podem ser reutilizados de forma livre sem qualquer direitos de autor.
Sites como www.vjimagebank.com, www.archive.org refl ectem exactamente este processo, onde muitas vezes existem métodos de troca e partilha de conteúdos audiovisuais através de processos de troca directa. Por exemplo, ao realizarmos um upload de um clip original nosso, temos direito a fazer o download de outro clip.
“Num mundo que permite a reprodução infi nita, faz sentido que as imagens não tenham dono. Por outro lado, nesse terreno devassado, é a afi rmação pontual de estéticas pessoais que gera algum diferencial.” [BAMBOZZI, LUCAS;2007]
Este espírito de partilha refl ecte-se também na apropriação e reinterpretação da obra, que é a remistura de obras – remix. Este processo é “reciclagem” da músi-ca, vídeo e imagens ou outros formatos de media gravado numa obra autónoma e nova. O séc. XX gerou um nova era de sistemas de gravação que permite arqui-var e partilhar estes conteúdos, como foi analisado, e o espectador é encorajado a criar novas relações subjectivas, através exactamente destes direitos legais que regulam processos legais, afastado do mercado comercial.
Este processo de partilha e complementaridade de diferentes medias para fi ns artísticos é, na nossa prespectiva, também um dos aspectos culturais e so-ciais mais relevantes à performance audiovisual. Este espírito de partilha não está presente apenas na partilha de conteúdos mas também em outros aspectos da performance audiovisual como, por exemplo, a partilha de códigos e outros meios que permitam aos artistas complementar projectos e performances, que de outra forma e noutra altura da história. A comunidade OpenSource tem difundido a de-mocratização da inovação.
5.1. Objectivos
A componente prática deste estudo passa pela criação de um portal virtual alojado no domínio www.portal-av.net. O portal reúne uma componente infor-mativa em língua portuguesa sobre estas manifestações, agenda e manifesto. O portal consiste essencialmente como fonte de informação, devidamente catego-rizada segundo tipologias úteis e aspectos nativos a estes fenómenos e práticas, através da criação de um fórum e de um jornal (jornal AV).
O espaço virtual é assim o ponto de encontro dos intervenientes e curiosos destas matérias, local privilegiado à propagação de ideias e partilha de experiên-cias e dúvidas em língua Portuguesa.
A opção pelo dialecto Português no lançamento de uma primeira versão do portal, surge exactamente da falta de informação e pontos de apoio de proveni-ência nacional que encontrei ao realizar este projecto. Esta falta de informação contrasta também depois com a manifesta falta de conhecimento e interesse que muitas vezes se encontra em projectos na performance audiovisual, em particular em Portugal. Parece-nos neste momento mais relevante criar este diálogo e po-tenciá-lo localmente, para expandir a curto prazo projectos e artistas para a língua Inglesa, e ultrapassar fronteiras. Assim, o objectivo é a integração de dois dialectos, o Português e o Inglês.
Este meio é sem dúvida o meio privilegiado de intercâmbio e promoção des-tes fenómenos. É a possibilidade de contactar directamente com os intervenien-tes, e estabelecer um diálogo sinérgico. Através deste processo, esta investigação preenche um espaço importante na promoção e sustentação conceptual dos
5. PORTAL VIRTUAL – WWW.PORTAL-AV.NET
princípios de comunicação audiovisual analisados.
Fomentar o espírito crítico e uma análise concreta destes fenómenos é um dos aspectos fundamentais do portal. Existem diversos sites e fóruns de promoção e divulgação ligados a diferentes áreas de conhecimentos como a programação, performance, tecnologia, design, arte multimédia, música electrónica, cinema, entre outros. O objectivo deste portal é fundir estes interesses numa plataforma informativa que promova a discussão e apresentação de conceitos, tecnologias, obras, artistas e eventos. Fundir uma comunidade que procure referências de composição em tempo real e que reúna as diferentes tipologias analisadas, o que permite também o cruzamento de artistas e a integração de novos projectos. As várias secções do fórum devem ser uma mais valia de complementaridade de co-nhecimentos dos diferentes teóricos e práticos dos intervenientes.
A linguagem performativa do live cinema pode emergir directamente dos la-boratórios do digital jockey (local privilegiado de experimentação e investigação ) através da manipulação directa das ferramentas e tecnologias. Criar este movi-mento com enunciados teóricos rígidos, através da formalização de uma sintaxe universal dos meios não me parece tão relevante como criar pequenas plataformas de apoio e partilha de ideias que permitam uma interacção directa do espectador e da comunidade. O facto de reunir e abranger esta vasto universo de tipologias da performance digital, permite uma abrangência artística, cultural e técnica bas-tante maior, e a possibilidade de cruzamento de projectos, obras e tecnologias para surgirem formatos de espectáculo que permitam a junção destas arestas: o live cinema.