6.2. ALGUMAS METODOLOGIAS ATIVAS
6.2.16 Flipped Classoroon (Sala de aula invertida)
O Flipped Classoron (sala de aula invertida), é uma outra metodologia ativa, bastante comum nos dias atuais, que pode ser facilmente utilizado em qualquer ambiente de ensino que possua uma internet de boa qualidade. Através dos aplicativos de comunicações acessíveis em qualquer aparelho, seja um computador ou um telefone celular, o professor antecipa o conteúdo a ser visto aos alunos, através de textos ou vídeos previamente organizados, como forma de motiva-los a entrar em contato com o assunto a ser visto na aula seguinte. Durante a aula, uma vez que o conteúdo já é conhecido por parte dos alunos, o professor deixa de ser aquele professor tradicional, ou seja, um palestrante, que repassa um determinado conteúdo contido em livros ou de artigos científicos e, passa a ser um orientador e a dar um feedback aos alunos sobre determinados aspectos do conteúdo que ainda não forma totalmente internalizado pelos alunos. Ao mesmo tempo, o professor passa a ser um incentivador do debate em sala de aula, sobre o conteúdo já assimilado pelos alunos, incentivando-os a efetuarem uma
pesquisa mais aprofundada sobre o conteúdo abordado. Esta metodologia teve início nos anos de 1990, porém somente em 2007 que de fato tornou-se mundialmente difundida, principalmente pela facilidade de acesso à internet por parte dos alunos. O uso desta metodologia tornou-se comum nos cursos de EAD, sendo esta uma poderosa ferramenta a ser utilizada em sala de aula presencial, em que o tempo disponível torna se melhor aproveitado pelos alunos para realização de exercícios e pesquisas mais aprofundadas.
6.3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As metodologias ativas aplicadas ao ensino demonstram uma nova possibilidade de envolver os alunos no processo de aprendizagem, diferente da maneira tradicional de ensinar, as metodologias levam ao aluno a procurar diferentes formas de aprender. São diferentes metodologias utilizadas atualmente que se interligam e se complementam. O aluno passa a ser o maior envolvido e interessado, mudança essa, passa também por uma nova forma de ensinar do professor, que deixa de ser o centro das atenções, onde é o único detentor do conhecimento para tornar-se um incentivador.
O PBL aplicado a problemas quanto a projetos possui bases educacionais mais favoráveis ao desempenho dos alunos, em especial aos alunos dos cursos das engenharias que utilizam problemas reais no seu aprendizado. Ambas as metodologias contribuem para a formação de engenheiros, com perfil profissional que se destaca pela aprendizagem significativa e pela capacidade para o trabalho cooperativo. Também pela predisposição para análise e solução de diferentes problemas, pelo desenvolvimento da capacidade de planejamento e gestão de projetos, dentre outras habilidades e competências profissionais que são desenvolvidas aos alunos.
Na sua essência, a metodologia PBL aplicada a problemas ou a projetos são recursos pedagógicos para o aluno aprender fazendo. Entretanto, não se trata apenas de fazer coisas, independente de critérios e objetivos de aprendizagem bem definidos ou de orientação pedagógica com acompanhamento criterioso. É necessário pensar no que vai fazer, fazer o que se pensou e, pensar no que foi feito, completando assim o ciclo de aprendizagem contextualizada e significativa.
As demais metodologias apresentadas como o fórum de discussão, Just-in-Time, Collaborative Learning entre outras, são tidas como uma opção para o aprendizado, visto que permitem ampliar a discussão entre diversos assuntos, e desenvolve entre os alunos o
aprendizado colaborativo. Através das discussões em grupo, envio de material e de pesquisas conjuntas o aprendizado é solidificado. Entretanto muitos que ingressam nessas novas metodologias necessitam apreender a se organizarem com o tempo, em função que, muitas dessas atividades ocorrem fora do horário de aula, exigindo do aluno uma dedicação maior, para poder participar e acompanhar sem prejuízos às outras atividades diárias.
O uso de laboratórios remotos como uma metodologia de apoio às práticas de ensino, tem sido muito bem aceito por grande parte dos alunos, entretanto é necessário fazer algumas ressalvas quanto o uso indiscriminado do mesmo. Quando se analisa a facilidade de acesso no ensino fundamental e médio, ou no ensino superior e para a pesquisa para a disseminação do conhecimento, da ciência e da tecnologia, este necessita observar rigorosamente a sua finalidade e utilização.
Ao passo que, quando se trata de repetir um experimento já universalmente conhecido e aceito, ele é de grande utilidade, como por exemplo, para uso no ensino médio e fundamental como enriquecimento didático a uma determinada aula prática.
Porém quando se está desenvolvendo uma pesquisa no nível superior ou mesmo na pós-graduação em que o aluno desconhece os equipamentos e, o experimento fica sujeito a interferências do ambiente, esta metodologia necessita de adaptações em situações de não conformidade.
Logo, acreditamos que o uso de laboratórios remotos, para apoio as atividades práticas são de vital importância para o aprendizado. Esta possibilidade surge como uma opção, ao invés de implantar um laboratório didático em cada estabelecimento de ensino, em que o alto custo de implantação e manutenção tornar-se-ia inviável.
O Role-Playing é uma valiosa ferramenta didática, para ser utilizada em diferentes cursos em sala de aula, pode ser implementada em qualquer curso desde o ensino fundamental até o superior. No modelo tradicional de ensino em sala de aula é pouco utilizada, entretanto para as metodologias ativas, esta ferramenta pode ser utilizada dentro e fora de sala de aula, como por exemplo utilizando-se da facilidade com que os alunos têm acesso à internet, eles podem realizar sua apresentação através de um vídeo e disponibilizá-lo a todos via rede. Ao mesmo tempo que os alunos disponibilizam seus vídeos, podem estar recebendo uma realimentação dos demais alunos e do professor sobre o assunto apresentado.
Já o Peer Instruction apresenta-se como sendo uma inovação ao ensino superior, difundida recentemente por Eric Mazur em Harvard nas suas disciplinas de física, entretanto essa metodologia tem sido há muito tempo utilizada no ensino fundamental nas primeiras séries, onde os alunos desenvolvem suas atividades sempre em pequenos grupos para aprenderem a se
socializarem. Considera-se como inovação o fato de ser utilizado no nível superior, em que em função do grande número de alunos por sala optou-se por utilizar como melhor metodologia a muito tempo, a aula expositiva em forma de palestra para atender a esta demanda.
Atualmente com a disponibilidade de acesso aos meios de comunicação e informação, torna-se muito mais atrativo utilizar determinadas metodologias que envolvam os alunos em uma pesquisa do que repassar simplesmente um conteúdo de uma ementa. Logo o professor deixa de ser a única fonte de conhecimento, os livros não são mais os únicos instrumentos de pesquisa.
Portanto, se o aluno de nível superior se encontra cada vez mais conectado nas mídias sociais, o uso racional destas tecnologias e suas implicações são fundamentais para resolver problemas globais. Torna-se então muito mais útil o uso destas novas metodologias ativas em sala de aula, em que o professor passa a ser o grande mentor, responsável por motivar ao aluno a aprender do que simplesmente reproduzir um conteúdo já sistematizado.
Ao fazer uso de tais metodologias ativas em sala de aula, estaremos propiciando ao aluno uma nova forma de aprendizado, em que ele passa a ser o principal interessado em aprender. Utilizando-se de diferentes problemas cotidianos, em que o aluno já tenha conhecimento, observa-se um esforço maior por parte deste aluno em querer resolver esses problemas.
As metodologias ativas seguem um princípio que, para o aluno poder saber como resolver diferentes problemas, é necessário relacionar o conhecimento já internalizado ao longo de seu processo de aprendizado, com a nova postura que se deseja alcançar. Ou seja, o que o aluno/engenheiro, necessita saber fazer.
Conseguir reproduzir mentalmente um conhecimento já absorvido e, saber analisar as possíveis formas de como solucionar um determinado problema, nada mais do que aplicar a teoria de Bloom no ensino de engenharia, através de uma forma mais agradável que as metodologias tradicionais.
A aplicação da teoria de Bloom nessas novas metodologias ativas, facilitam a compreensão de determinado assunto e fazem com os alunos aprendam melhor num estágio mais elevado, fazendo com eles internalizem mais rapidamente determinados conteúdos, partindo do pressuposto que para saber resolver uma situação problema, Bloom define que é necessário percorrer algumas etapas, assim definidas: 1) Lembrar de determinadas informações ou conteúdos; 2) Entender os significados destes conteúdos; 3) Saber aplicar esses conteúdos em diferentes e novas situações; 4) Conseguir analisá-los em diferentes níveis de complexidade, a fim de: 5) Poder sintetizá-los tornando esse novo conhecimento, um conhecimento possível
de ser transmitido; 6) Por fim Bloom concluiu que nesse processo de aprendizagem, a última etapa encerra-se quando o aluno é capaz de criar uma nova solução para solucionar um determinado problema (FERRAZ, BELHOT, 2010).
A aplicação eficaz destas metodologias ativas em sala de aula, pressupõem que o professor esteja perfeitamente habilitado a executar e implantar tais metodologias, e principalmente deve estar envolvido em fazer com que o aluno aprenda.
Conclui-se então, que o sucesso na aplicação destas metodologias ativas, encontra- se no próprio professor, que além do domínio da metodologia a ser aplicada, necessita saber estruturar perfeitamente um planejamento de ensino, ao conteúdo a ser apresentado. Ou seja, ele deve ser capaz de saber aplicar em sala de aula de teoria ou de prática de laboratório, onde se pretende alcançar como resultado a aprendizagem ao aluno, caso contrário, essas metodologias não atingirão o resultado esperado.
CAPÍTULO VII
A EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA PARA OS CURSOS DAS
ENGENHARIAS NO BRASIL
7.1. INTRODUÇÃO
Um fato vem preocupando as principais lideranças empresariais e governamentais indistintamente nessas últimas duas décadas, refere-se à concentração da produção de bens e produtos industrializados por determinados grupos empresárias. A inovação e a automação dos processos industriais têm inviabilizados pequenas empresas competirem nesse novo mercado globalizado.
Sobreviveram apenas grandes empresas ditas transnacionais, ou seja, empresas que durante a sua história de vida conseguiram adequar-se as grandes mudanças políticas, econômicas e tecnológicas. Permaneceram ativas e atuantes empresas que investiram fortemente em inovação, um fator diferencial de sucesso, o espirito empreendedor de seu fundador ou de seu atual presidente, que fez e continua a exercer influência sobre toda a organização para enfrentar e ultrapassar as dificuldades do seu dia a dia (CANDIDO et al, 2017).
Por outro lado, vem surgindo uma reação no mercado global por produtos industrializados, em especial para empresas que estão investindo no desenvolvimento da ciência e aplicação de novas tecnologias. Há um novo processo de crescimento econômico, rápido e sustentável, uma vez que estas empresas estão disponibilizando novos produtos e serviços inovadores a sociedade.
Nesta lógica em oferecer novos produtos e, produtos inovadores para a sociedade, o empreendedorismo vem ganhando maior atenção e importância em todos os segmentos pelo mundo, é crescente o interesse pela sociedade organizada em despertar o espirito empreendedor entre os jovens engenheiros. Fato este, que faz crescer a importância em desenvolver a educação empreendedora nas universidades. Em uma economia desenvolvida e globalizada, as atividades empreendedoras propiciam a criação de novas empresas que reoxigenam a economia existente ora decadente.
Em uma economia globalizada, existe um interesse crescente no papel que a educação empreendedora possa a vir exercer, podendo desempenhar uma função de catalisador do desenvolvimento econômico e social, incluindo o crescimento, a inovação, o emprego e a equidade (SZIRMAI et al, 2011).
Logo, investir no empreendedorismo pode ser a fronteira para o crescimento sustentável de qualquer nação, o empreendedorismo pode manifestar-se de várias maneiras na sociedade, incluindo a economia formal quanto a informal, sendo esta uma das atividades fundamentais para a criação de riquezas.
É sabido também que, o empreendedorismo pode contribuir para o desenvolvimento econômico através de empresas de elevado crescimento “Startups”, ou para o empreendedorismo orientado para as necessidades, através de empresas que constituem uma importante fonte de rendimento e emprego para as populações mais vulneráveis.
Diante destas circunstâncias o empreendedorismo pode também ser visto como uma "oportunidade de emprego" para engenheiros, que em muitos casos vem auxiliando jovens engenheiros a conquistarem seu espaço profissional na sociedade. O benefício que o empreendedorismo oferece aos individuos, concentra-se nas diferentes intervenções que estimulam a tomada de descisão como empreendedor. Neste contexto um dos objetivos da educação empreendedora é treinar indivíduos para reconhecer e capitalizar oportunidades empresariais.
Uma pergunta que se solidifica cada vez mais no Brasil, em função de sua relevância para o desenvolvimento sustentável nacional, em virtude de um debate que se inicia simultaneamente com a proposta para a reformulação das DCNs para as engenharias é: como se deve investir na educação empreendedora nos cursos superiores (ARANHA et al, 2017).
São intensas as discussões a respeito do futuro das engenharia no Brasil, uma nova indagação se apresenta. Será que é possvel ínserir dentro das atuais matrizes curriculares, estratégias pedagógicas, que sejam capazes formar um novo engenheiro com caracterísiticas empreendedoras, capazes de inovar, gerar empregos, produzir grandes inpactos tecnológicos que resultem em benefício a população e da mesma forma, retorno econômico para o país?
7.2. O DESAFIO DE ENSINAR EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
O ensino do empreendedorismo deverá fazer parte da cultura universitária, e deve estar presente em todos os cursos superiores. No entanto, ainda se adota o modelo de ensino