educação empreendedora possa a vir exercer, podendo desempenhar uma função de catalisador do desenvolvimento econômico e social, incluindo o crescimento, a inovação, o emprego e a equidade (SZIRMAI et al, 2011).
Logo, investir no empreendedorismo pode ser a fronteira para o crescimento sustentável de qualquer nação, o empreendedorismo pode manifestar-se de várias maneiras na sociedade, incluindo a economia formal quanto a informal, sendo esta uma das atividades fundamentais para a criação de riquezas.
É sabido também que, o empreendedorismo pode contribuir para o desenvolvimento econômico através de empresas de elevado crescimento “Startups”, ou para o empreendedorismo orientado para as necessidades, através de empresas que constituem uma importante fonte de rendimento e emprego para as populações mais vulneráveis.
Diante destas circunstâncias o empreendedorismo pode também ser visto como uma "oportunidade de emprego" para engenheiros, que em muitos casos vem auxiliando jovens engenheiros a conquistarem seu espaço profissional na sociedade. O benefício que o empreendedorismo oferece aos individuos, concentra-se nas diferentes intervenções que estimulam a tomada de descisão como empreendedor. Neste contexto um dos objetivos da educação empreendedora é treinar indivíduos para reconhecer e capitalizar oportunidades empresariais.
Uma pergunta que se solidifica cada vez mais no Brasil, em função de sua relevância para o desenvolvimento sustentável nacional, em virtude de um debate que se inicia simultaneamente com a proposta para a reformulação das DCNs para as engenharias é: como se deve investir na educação empreendedora nos cursos superiores (ARANHA et al, 2017).
São intensas as discussões a respeito do futuro das engenharia no Brasil, uma nova indagação se apresenta. Será que é possvel ínserir dentro das atuais matrizes curriculares, estratégias pedagógicas, que sejam capazes formar um novo engenheiro com caracterísiticas empreendedoras, capazes de inovar, gerar empregos, produzir grandes inpactos tecnológicos que resultem em benefício a população e da mesma forma, retorno econômico para o país?
7.2. O DESAFIO DE ENSINAR EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
O ensino do empreendedorismo deverá fazer parte da cultura universitária, e deve estar presente em todos os cursos superiores. No entanto, ainda se adota o modelo de ensino
desenvolvido e aplicado desde as primeiras universidades brasileiras, que seguiam o modelo tradicional de ensino, ou seja, uma única proposta pedagógica voltada para tríade: ensino, pesquisa e extensão no que diz respeito a produção de conhecimento e formação de especialistas. (LEITE et al, 2012). O sistema de ensino superior hoje deve propor mudanças na sua forma de ensinar, deve procurar preparar os futuros egressos para tornarem-se também empreendedores, auxiliando-os a desenvolver competências que venham garantir uma maior mobilidade profissional, assim como, garantindo uma maior inserção nas diferentes áreas de negócios.
Na educação empreendedora são utilizados diferentes métodos e formas de abordagem, para ensinar pessoas a iniciarem novos negócios com sucesso, assim como, auxiliar gerenciar seus empreendimentos de forma lucrativa. A educação empreendedora pode ser definida como: " um processo de transmissão de conhecimentos e competências empresariais a estudantes, a fim de que, possam ajudar a explorar uma oportunidade de negócio". Logo a educação empreendedora tem um impacto direto na fase de estruturação e também na fase de crescimento das empresas, (ABDULWAHED, 2013).
Apesar de não se possuir ainda uma forma eficaz para o ensino do empreendedorismo aos cursos de engenharia no Brasil, é pouco provável que ações esporádicas consigam transformar um estudante de engenharia em um empreendedor de sucesso. Esse hiato na formação de engenheiros empreendedores se deve em função dos atuais cursos de engenharia serem direcionados ao desenvolvimento e aplicação de tecnologias. Além disso, há outros fatores relacionados com as características pessoais dos engenheiros, que não envolvem apenas formação tecnológica, são necessárias outras ações, para que de fato sejam criados engenheiros empreendedores, (LURYI et al, 2007).
Atualmente nos cursos de engenharias o ensino do empreendedorismo fica a cargo das faculdades ou institutos de administração, que apesar de apresentarem grande afinidade com a gestão de empresas, não estão ligados diretamente aos cursos de engenharia, por participarem muito pouco na elaboração de seus currículos. Sendo assim, os conteúdos de empreendedorismo são ministrados através de cursos complementares, ou de disciplinas isoladas e em alguns casos como uma disciplina optativa. Como consequência destas distribuições aleatórias de disciplinas, verifica-se pouco envolvimento dos docentes das áreas especificas das engenharias com o conteúdo de empreendedorismo.
Os conteúdos de empreendedorismo ministrado nestas disciplinas específicas são de responsabilidade de professores de outras faculdades, e possuem carga horária normalmente reduzida em relação as demais disciplinas especificas. Como consequência, essas disciplinas
tornam-se eminentemente teórica e os conteúdos meramente informativos, com o intuito apenas de chamar a atenção dos alunos das engenharias para a possibilidade de empreender e abrir seu próprio negócio.
Ao afirmar que professores se tornam irrelevantes quando ensinam somente o lado teórico do empreendedorismo, sem direcionar o conteúdo ministrado à solução de problemas específicos e sem encontrar soluções para problemas que os estudantes irão encontrar em suas carreiras, (FIET, 2000). Existe a necessidade de desenvolver a capacidade empreendedora no aluno por meio de técnicas e métodos ativos. Esta capacidade empreendedora a ser desenvolvida no discente, possibilita não apenas que ele atue no processo de criação de novos negócios, mas também para trabalhar em empresas existentes, de forma a promover novos impactos. Quando esta capacidade empreendedora é desenvolvida no aluno de engenharia, possibilita que este estabeleça novos caminhos profissionais e, uma carreira empreendedora de sucesso, (GIBB, 2002).
Ainda hoje são ministradas disciplinas de empreendedorismo de forma esporádica aos cursos de engenharia no Brasil, não ficando claro se está sendo atingido a necessidade em desenvolver habilidades de gestão e empreendedoras nos discentes. Normalmente nestas disciplinas ministradas, são apresentados exemplos de sucesso de empreendedores, e diferentes conceitos básicos, como: conceitos de empreendedorismo, análise de mercado, visão de marketing, estratégia de negócio, análise de oportunidades, e elaboração de um pequeno plano de negócios, conteúdos estes que muitas vezes são desconhecidos pelos demais docentes das áreas específicas dos cursos das engenharias.
O grande desafio que se apresenta às universidades brasileiras atualmente é não criar novas disciplinas, e sim, como incorporar o espírito empreendedor aos docentes e também aos discentes dos cursos superiores e da pós-graduação, (VERZAT; MICHELE, 2006). A noção de espírito empreendedor consiste no conjunto de características básicas do ser humano necessárias para captar oportunidades, ter iniciativa de solucionar problemas e implementar soluções, com uma imagem mental diferente de gerentes e inventores.
O modelo proposto por Verzat e Michele (2006) para o desenvolvimento do espírito empreendedor nos estudantes de engenharia está articulado com dois componentes básicos, o desenvolvimento das projeções profissionais empreendedoras e desenvolvimento das habilidades empreendedoras (atitudes empreendedoras, crenças empreendedoras e sentimentos de competências empreendedoras).Qualquer projeto pedagógico que se procure implantar no futuro, parte do pressuposto que haverá necessidade de efetuar também a capacitação docente
para atuar na educação empreendedora, pois é ele, quem deverá estar imbuído em realizar as mudanças necessárias na forma de ensinar.
Simultaneamente com a capacitação docente para a educação empreendedora, outra forma de despertar o espirito empreendedor entre os discentes, está na forma como são ministradas as disciplinas específicas, a interdicisplinaridade é uma forma eficiente de se conseguir despertar o espirito empreendedor, desenvolver habilidades gerenciais e interpessoais entre os alunos. Essa ação pode ser fomentada através de diferentes projetos de pesquisa e extensão, podendo ser desenvolvida em conjunto com as demais disciplinas no período letivo. Essa ação pode ter continuidade nos semestres subsequentes, assim, essa atividade pode ser desenvolvida em conjunto entre vários alunos com a interação de diferentes docentes ao mesmo tempo, somente assim os discentes terão a oportunidade de desenvolverem diferentes habilidades pessoais, dentre elas: liderança, persuasão, senso de oportunidade, senso de responsabilidade, trabalho em equipes, entre outros, (PARDINI & PAIM, 2001).