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4 P3TECH: ABORDAGEM DE PROCESSOS

FLUXO DE VALORES

como insumos em transição de valores.

Referência (reference). Relaciona elementos de comunicação (artefatos,

documentos e mensagens) usados como referência à transição dos valores.

Associação (association). Relaciona um recurso de infra-estrutura a uma

transição. CONECTORES DE

FLUXO DE VALORES

Entrada_E (input_AND). Permite a conexão de vários fluxos de dados.

Entrada_OU (input_OR). Permite a conexão de vários fluxos de dados.

Saída_E (output_AND). Permite a união de vários fluxos de saída quando

todos os caminhos têm seqüência a cada execução de uma atividade.

Saída_OU (output_OR). Permite a união de vários fluxos de saída quando

apenas um caminho é Seguido. Quadro 4 - Exemplos de Elementos Utilizados pela VPML. Fonte: Adaptado de Antonaccio (2007); Gattaz Sobrinho (2001).

A Figura 18 exemplifica a utilização da Linguagem Visual para Representação de Processos (VPML). O que determina o tipo de elemento do processo não é sua posição ou atribuição, mas sim o tipo de protocolo que com ele se relaciona. O Protocolo é o conjunto de regras de comunicação que possibilita o relacionamento entre os demais elementos do processo (GATTAZ SOBRINHO, 2001). Os valores adicionados gerados no exemplo podem ser Desktops, Impressoras ou Monitores, conforme a probabilidade de ocorrência. O Conector OR ligado a esses valores indica que o tipo de relação desses com a transição é do tipo lógico

OR, com as referidas probabilidades. Os Valores a Adicionar são as Conexões, as Placas e Circuitos e os Gabinetes, ligados a um Conector do tipo AND. Isso indica que é necessário que os três Valores a Adicionar estejam disponíveis para que a Transição Processo de Montagem de Equipamentos possa gerar seus produtos. Contexto de Negócio, Projetos e Normas Internas e Contratos são as referências, as regras que orientam os recursos Máquinas, Recursos Humanos e Instalações na adição de valor aos insumos.

Com base no que foi apresentado até aqui neste trabalho de pesquisa, havia a noção que a Teoria Geral dos Sistemas era a base para entendermos as organizações como sistemas abertos, e ainda, que seus subsistemas ou processos podem ter a capacidade de evoluir e mudar (adaptação), conforme o conceito visto sobre SAC – Sistemas Adaptativos Complexos.

Todavia, a Teoria Geral dos Sistemas não é capaz de lidar com a co-evolução da realidade, pelo simples motivo de não trabalhar com o princípio do paralelismo. Pois para ela, os processos são independentes, mas não tem vida própria, sendo componentes funcionais de uma estrutura fixa definida apenas pelo eixo de sua atividade, ignorando o eixo das regras e o da infra-estrutura (GATTAZ SOBRINHO, 2001).

Figura 18 - Exemplo de Componente de Processo utilizando a VPML. Fonte: Gattaz Sobrinho (2001); Antonaccio (2007).

Gattaz Sobrinho (2001), no sentido de fundamentar sua proposta de modelo de representação da realidade e direcionar a construção da modelagem de processos, apresentou inicialmente quinze princípios do P3tech. Porém, esse número não é fixo e pode ser alterado de acordo com o reconhecimento de novos princípios em estudos realizados. Os princípios

descritos a seguir são utilizados para promover o descolamento de qualquer tentativa de abstração, fragmentação, simplificação ou redução da realidade:

1) Co-evolução: a solução redefine o problema e dá um novo contexto à realidade. O

todo do problema ou o contexto ao qual pertence se refaz não necessariamente com as mesmas partes que o levaram à solução. Quando um conjunto de funções interage para produzir um objetivo, o próprio objetivo provoca mudança nas funções estabelecidas, que, por sua vez, já não são as mesmas. A nova compreensão da realidade modifica o próprio ser humano que a está pesquisando. É aprender com o erro para controlar o risco, através da observação e comparação entre o modelo e o real, buscando as possibilidades de constante aperfeiçoamento do modelo. Por exemplo, uma pesquisa desenvolvida gera um conhecimento adquirido pelo pesquisador que, em uma próxima pesquisa, poderá modificar sua atividade utilizando-se dos conhecimentos adquiridos anteriormente, promovendo, desta forma, a co-evolução de seu processo de pesquisa. O ser humano não deve permitir que o processo não evolua, e sim tratá-lo como algo em evolução;

2) Proto-interação: um dos princípios que torna confortável a visão de processo é a

possibilidade de errar, perfazendo o conceito da proto-interação. Pode-se errar sem inibição. A incerteza traz riqueza imaginativa, a qual estimula a elaboração de protótipos, de emulações, que são exercitados de forma interativa para visualizar melhor o problema. Cria-se uma imitação da realidade para melhor compreendê-la, reduzindo drasticamente os riscos na implantação de uma solução para o problema em estudo. É a possibilidade de errar, verificar as causas do erro e co-evoluir o processo a partir da experiência adquirida com o erro. É a interação com a realidade. A interação pode surgir da imaginação, modelo, simulador ou emulador. Qualquer interação com a realidade leva a uma mudança para geração de nova abstração. O uso da proto-interação faz com que ocorra a inovação no processo;

3) Inclusão: consiste em admitir que todas as formas possíveis de expressão da realidade

podem ser vistas como uma única realidade. Os caminhos que levam a diferentes conflitos ou a diferentes inconsistências geram diferentes realidades no contexto de uma representação abstrata, formando uma única realidade. Para percebê-la, é necessário incluir várias visões e diferentes maneiras de ver o mundo. É fazer com que todas as visões de todos os participantes do processo sejam incluídas no modelo.

Quanto mais visões estão representadas, mais robusto se torna o modelo e mais densa será a inteligência embutida no processo. A diversidade de percepção que cada indivíduo tem da realidade contribui com a diversidade de processos alternativos para se gerar o valor adicionado. Tratamento do senso comum no lugar do consenso, pois o senso comum considera e trata algo novo vislumbrado por alguém, enquanto o consenso exclui aquilo que destoa do pensamento da maioria;

4) Fracamente Estruturado: a estrutura flexível confere ao observador, que possui a

visão de processo, uma posição confortável. Pode-se adicionar ou mudar o valor que se quer adicionar sem que se esteja limitado pela estrutura existente. Esse princípio recomenda que a estrutura deva ser vista como uma variável a ser monitorada conforme o valor que se quer adicionar. A infra-estrutura não define a atividade. A infra-estrutura torna inflexíveis as regras, independentemente do valor a adicionar. Assim, não é a infra-estrutura que deve determinar o tipo de organização do contexto/ processo, mas sim o valor a adicionar. Não se deve deixar que o valor adicionado seja adaptado à estrutura, pelo contrário, ele deve conduzir o processo. O negócio surge do contexto e este determina a infra-estrutura necessária segundo a visão futura da organização. Não se pode adicionar o valor idealizado começando-se pela estrutura, este só deve ser considerado na contextualização. O valor determina a estrutura que muda durante o tempo, sendo estímulos no processo e não coisas;

5) Paralelismo: busca reconhecer o caráter recorrente dos processos e, também, o efeito

colateral dos processos duais. Os efeitos colaterais dos processos duais são paralelos e cooperam entre si, mas não são auto-suficientes. Com o paralelismo, satisfaz-se, ainda, o princípio da co-evolução; percebem-se os efeitos colaterais de um processo sobre outro, conforme o contexto estabelecido. Esse contexto novo, ou antigo, define o comportamento dos processos. Estes, sendo paralelos, podem comunicar-se entre si por meio do contexto. Perceber um novo contexto é ver uma comunicação entre eles e, portanto compreender a sua co-evolução. Quando se desconsidera um processo ou, apesar de existir, se deixa de explicitá-lo no contexto, sua co-evolução gera comportamentos inesperados, que estimulam o reconhecimento do paralelismo. O processo deve ser tratado de forma independente não somente no eixo tradicional (operação), mas também no eixo da gestão e infra-estrutura. As ligações entre os processos surgem do contexto e não de atribuições. Deve-se procurar o máximo de independência dos processos e atender ao maior número de possibilidades para que a

organização possa ganhar em produtividade e qualidade, trabalhando com referências e estruturas. Um processo pode conter atividades que, apesar de não pertencerem ao contexto, interferem nele disputando a alocação de suas infra-estruturas (recursos). É a dinâmica da realidade. O momento de geração de um valor adicionado é ditado pela realidade, que impõe ao processo sua dinâmica e aleatoriedade, fazendo com que eles sejam independentes e sujeitos às dependências criadas pela realidade. Portanto é desejável que a modelagem produza componentes paralelos que se integrem com energia zero e confiram ao processo maior proximidade da realidade que se propõe a expressar;

6) Unidade: a unidade é o ser humano. Nada mais é unidade. Qualquer outra coisa é

coisa. O processo existe para servir ao ser humano, auxiliando-o na busca incessante pelo bem-estar, resultante de sua atuação pessoal e profissional junto à comunidade onde vive. O ser humano é o próprio contexto, que gera outro contexto que o descreve. O ser humano é uma possibilidade infinita de modos contextuais de existir, de estabelecer novas pontes de acesso à realidade. É a unidade que lhe permite reconhecer-se nas diferenças entre esses modos de existir. Todo valor modelado que adiciona algo ao ser humano está em conformidade com o princípio da unidade. Todo valor deve adicionar algo ao ser humano, caso contrário torna-se desnecessário e se colocados no processo passa-se a tratar coisas e não valores. O ser humano é a fonte das máquinas contextuais e determina, sobretudo, os valores a serem adicionados;

7) Mudança: um processo deve representar a transição de valores de um contexto da

realidade. Enunciar o princípio da mudança é estabelecer que tudo é contextual. A isso se opõe a lógica, formada pelo conjunto de regras válidas, apenas, em situações livres de contexto, ou seja, inexistentes na vida real. As abstrações da lógica não mudam, porque ligam proposições a proposições e não estados de mudança a estados de mudança. Já uma pessoa em contato com outra pessoa co-evolui, porque é fruto de um estado de mudança. O valor a ser adicionado é a própria mudança, a qual tem condições de co-evoluir. Se não pensar no valor, surgirão produtos (coisas) no processo, as quais não co-evoluem na realidade, sendo algo fixo. Quando se considera que tudo é contextual, se lida com a mudança. É aquilo que motiva a busca por um valor adicionado. Considerando-se que o valor adicionado é um estado que muda a cada auto-recorrência do processo, pode-se afirmar que uma nova diferença (entre o estado inicial e final) é gerada e incorporada ao valor adicionado (estado final) a cada

iteração. Quando esta diferença tende a zero, significa que os estados iniciais e finais tendem a ser o mesmo. Assim, o foco da modelagem volta-se para os estados e suas mudanças e não para coisas fixas, imutáveis. E quando se percebe a mudança, os objetos não têm o menor valor, porque não é ao objeto que o ser humano se subordina, mas à mudança da mudança da mudança...;

8) Reconhecimento: a independência entre um ser e outro, requerida pelo princípio do

reconhecimento, satisfaz ao princípio do paralelismo: um indivíduo A em relação ao sujeito B é independente do indivíduo A em relação ao indivíduo C, mas esses indivíduos apresentam efeitos colaterais uns sobre os outros. O princípio do reconhecimento distingue-se do princípio da inclusão, que opera na direção oposta, levando o sujeito a incluir na sua própria visão a visão de outro, enquanto o princípio do reconhecimento leva o sujeito a instalar-se na visão de outro, abstraindo tanto quanto possível a própria visão. Reconhecer o processo no contexto. Colocar os olhos de outras visões para que o processo surja com naturalidade. O valor não deve ser requerido pelo processo, mas pelo contexto. Deve-se enxergar o processo no contexto e não o contrário. Para compreender um contexto é preciso vivenciar, ver e sentir o mesmo que os envolvidos no processo, de modo que seus motivos possam ser entendidos. É a identidade entre o pesquisador e o problema em estudo e que possibilita a construção de soluções reais, factíveis e úteis. Sem o reconhecimento, o resultado da modelagem, provavelmente, não passará de uma abstração dissociada de qualquer realidade;

9) Integração com Energia Zero: um processo não despende energia para integrar seus

elementos e valores em transição. Todas as variáveis estão inclusas no entendimento da realidade, são elas que a constituem. Não estão separadas, nem podem ser separadas. Se for necessário despender esforços para integrá-las, não é a realidade. Na maioria, o que se apresenta como variáveis carentes de integração são artifícios, ao invés da realidade. O processo surge do contexto, sendo assim quando definimos o processo este representa a própria realidade. Quem define a integração é o contexto, portanto para isto não se gasta energia nenhuma. O valor é definido pelo contexto, caso contrário não estará adicionando valor ao ser humano. Dado que um valor adicionado é gerado a partir de valores de referência, infra-estrutura e insumo, e que, por sua vez, cada um destes valores também possui seu próprio processo de geração,

diz-se que o processo se integra com energia zero através de seus valores (adicionado, de referência, de infra-estrutura e de insumo);

10)Tempo Zero: o contexto define o problema. O problema e a sua solução devem se

encontrar no mesmo contexto. A solução de um problema surge no instante em que ele é compreendido. Daí resulta um ganho de tempo não somente no entendimento do problema, mas também no intervalo entre a tentativa de solução e colocação da solução na prática. É o estado de melhoria contínua. Adicionando-se o valor, tem-se um problema e vive-se a solução, e isto ocorre em tempo zero. Não se ganha tempo apenas identificando um problema, mas sim solucionando este problema. Ao sonhar com o futuro passa-se a viver a solução, conseguindo-a no tempo zero devido ao processo que surgirá deste contexto. É enxergar a solução do problema enquanto ele está sendo definido. Na abordagem P3Tech, ao final da identificação e caracterização do problema, obtém-se o mapa da inteligência da realidade, o qual descreve a solução do problema em estudo;

11)Dualidade: um processo deve representar não apenas os resultados desejados, mas

também os indesejados (duais). Auxilia na visualização do valor a adicionar gerado pelo processo; possibilita perceber a inadequação da visão funcionalista e a riqueza da visão de mundo em processo. O mundo funcionalista pressupõe a linearidade das relações de causa e efeito. Corresponde à ilusão de que toda transformação é orientada por leis causais, que levariam a um futuro predeterminado, no qual tudo estaria previsto desde o momento inicial. Sua variante probabilística, supostamente atenuante da onisciente visão divina, não escapa ao mesmo modelo: a verdade de caráter estatístico é tomada como sinônimo da realidade conhecida; como tal, é utilizada para antecipar o reconhecimento de eventos futuros. Se ocorrer a falta de algum estímulo de referência ou infra-estrutura o valor adicionado gerado não será, provavelmente, o valor esperado; se o processo estiver preparado para enfrentar esta possibilidade, o valor adicionado desejado poderá ser gerado através de processos alternativos previstos. Permite a consistência do valor a ser adicionado. O contexto todo deve ser avaliado para que não ocorram efeitos indesejados. Quanto mais aplicado o princípio da dualidade, melhor será conhecido o problema e conseqüentemente sua solução, adicionando o valor de forma mais rápida, produtiva e com qualidade. O custo deve tratar as possibilidades para que não haja desperdício;

12)Autodefesa: um processo deve permitir que se visualizem situações nas quais não é

necessária “defesa”, pois já foram vislumbradas e evitadas as situações de “ataque”. Na linguagem corrente, entende-se defesa como a agressão da defesa, o contra-ataque. Na visão de mundo em processo, estar em estado de autodefesa é está numa situação de não precisar se defender. O militar aprende que a construção da defesa é necessária para inibir o ataque. A inibição ao ataque é um processo que está em busca da autodefesa. Quando se considera em estado de autodefesa, não há necessidade de nenhum processo para se defender, porque o ataque não consegue atingir o estado de autodefesa. É assegurar a geração do valor adicionado, procurando ter o controle sobre a geração dos estímulos de referência e de infra-estrutura (o estímulo de insumos é garantido pelo processo que o gera). É mais barato prevenir um erro do que consertá-lo quando ocorrer; portanto, quanto maior for o controle sobre todas as gerações de valores, maior será a autodefesa do processo. Princípios que auxiliam a autodefesa: inclusão e dualidade. É a identificação da não ocorrência do valor, difere da dualidade que trata o caso inverso do valor. Estimulando a não ocorrência de um valor, identificam-se novos valores que tornam o processo mais consistente de acordo com a realidade. Não se deve pensar em fluxo, mas em representação de contexto, estimulando-se efeitos colaterais existentes na realidade em qualquer um dos três eixos;

13)Reconstrução: um processo pode ser dividido em partes desde que não se perca o

entendimento do todo e do relacionamento entre suas partes. A realidade não pode ser fragmentada, por isso não basta, simplesmente, desmembrar um problema em subproblemas para estudá-lo. É preciso dividi-lo, mas sem deixar de perceber as frações que interagem no contexto. Para reconhecer a que contexto pertence cada fração, é necessário imaginar a unidade de integração, o ser humano. Assim, consegue-se conquistar o todo, porque, ao dividir o problema em subproblemas, contempla-se, ao mesmo tempo, a referência una e múltipla. Logo, as soluções dos subproblemas estão naturalmente integradas à solução do problema maior. As identificações dos valores a serem adicionados são compostas no contexto, existindo assim outros valores. Para estas identificações devem ser utilizados outros contextos ou processos já construídos para que possam ser reconstruídos e não reutilizados, pois senão adapta-se a realidade no processo fixo. As referências do processo atuam para que a reconstrução possa ser efetuada;

14)Exponenciação: a existência de um processo pressupõe a existência de pelo menos

outros dois processos: o de geração de referências e o de preparação das infra-estruturas (recursos). É garantir que cada valor adicionado seja gerado a partir de, no mínimo, outros três valores – referência, infra-estrutura e insumo – que, por sua vez, também são gerados por, pelo menos, outros três valores e assim sucessivamente até que a modelagem atinja os limites do contexto de interesse. A realidade não é linear, é exponencial, portanto o processo deve ser exponencial. Na Matemática, exponencial é x elevado a y. Na visão tridimensional, qualquer elemento novo da produção é base de exponenciação para os elementos que não se conhecem e qualquer expoente pode converter-se em base. A referência do contexto é uma base cuja atividade é um expoente. Cada eixo é identificado pelos três eixos, sendo assim tornam-se também exponenciais. Identificando-se um valor, provoca-se a existência de outros valores e assim por diante, tal problema só pode obter estabilidade no momento em que todo o problema é identificado exponencialmente e não de forma linear, como comumente é tratado; e

15)Contextualização: um processo deve representar a realidade de um contexto. A

aplicação de qualquer um dos princípios já conhecidos não garante aderência à realidade, ou seja, não impede que se esteja deslocado da realidade. O princípio da contextualização existe para evitar o risco de não perceber a riqueza da inteligência da realidade, ao ressaltar a diferença recorrente entre a abstração e a realidade. É a explicação detalhada da realidade na qual o problema em estudo existe, fornecendo as diretrizes para a geração do modelo adaptado àquela realidade (e não a realidade adaptada ao modelo abstrato). Um mapa da inteligência da realidade somente representará a realidade se representar o seu contexto. O processo depende do contexto. Se for tratado de forma independente, a abstração impedirá que o processo exista e represente a realidade. Não se adapta a realidade ao processo, mas o processo à realidade. O valor só pode ser adicionado levando-se em consideração o contexto, enquanto a independência do contexto impede a existência do valor, o qual neste caso não será adicionado ao ser humano.

O método utilizado pela abordagem P3Tech para representação e análise de processos é o Primethod. Segundo Bonfim (2005, p. 17), “o método PriMethod apresenta o framework conceitual que rege as etapas de concepção, desenvolvimento e simulação de processos

contextuais, com o objetivo de gerar o mapa da inteligência da realidade”. A Figura 19 apresenta este método que possui como premissa básica que os processos e sistemas são dinâmicos, mutantes e evolutivos. O Primethod é composto por quatro passos (GATTAZ SOBRINHO, 2001; ANTONACCIO, 2007), descritos a seguir:

Identificação e caracterização: é a representação por meio da linguagem

visual VPML do processo atual, exatamente como ele se apresenta na realidade. Busca-se ao máximo não recorrer à redução ou simplificação de qualquer tipo, com base no conjunto de princípios da abordagem de processos. A caracterização se refere à documentação do processo, como forma de tornar ainda mais rica sua representação. É realizada ainda a parametrização do

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