A importância da interação é percebida por Echeita e Martin (1995, apud MAÇADA,
et al., 1998) no sentido que “...o conhecimento é gerado, construído ou melhor dito, co-
construído, construído conjuntamente, exatamente porque se produz interatividade entre duas ou mais pessoa que participam dele”.
O processo de interação entre indivíduos possibilita trocar pontos de vistas, conhecer e refletir sobre diferentes questionamentos, refletir sobre seu próprio pensar, ampliar sua auto- nomia com tomada de consciência, buscando novos rumos. (MAÇADA, et al., 1998)
Especificamente falando da interação social em rede de computadores podem-se dife- renciar, pelo menos, dois aspectos: (i) quanto à temporalidade, (ii) quanto ao direcionamento e número de interlocutores (MAÇADA, et al., 1998).
(i) Quanto à temporalidade, têm-se interações síncronas (Figura 7) e assíncronas (Figura
8).
(i.1) A interação síncrona ocorre ao mesmo tempo, isto é, os interlocutores encon-
tram-se ligados simultaneamente em rede e utilizam recursos que permitem aos envolvidos acompanharem o que o(s) outro(s) deseja(m) comunicar.
Figura 7. Interação síncrona (MAÇADA, et al., 1998).
(i.2) Na interação assíncrona os interlocutores se comunicam sem estabelecer liga-
ção direta. A interação não é intermediada por recursos que permitem aos inter- locutores acompanharem o que o(s) outro(s) deseja(m) comunicar no momento em que a comunicação é emitida. Podem ou não os usuários estar ligados em rede simultaneamente.
Figura 8. Interação assíncrona (MAÇADA, et al., 1998).
(ii) Quanto ao direcionamento e número de interlocutores as interações podem ser do tipo: (ii1) um-para-um (Figura 9), (ii.2) um-para-todos (Figura 10), (ii.3) todos-para-todos
(Figura 11).
(ii.1) Um-para-um: A comunicação ocorre apenas entre dois indivíduos, podendo ser
síncrona ou assíncrona.
Figura 9. Interação do tipo “um para um” (MAÇADA, et al., 1998).
(ii.2) Um-para-todos: Um usuário se comunica com vários outros, emitindo sua co-
comunicando-se com quem emitiu a comunicação. Esta comunicação pode ser síncrona ou assíncrona.
Figura 10. Interação do tipo “um para todos” (MAÇADA, et al., 1998).
(ii.3) Todos-para-todos: Comunicação entre múltiplos usuários, aqui todos interagem
entre si, podendo ocorrer de forma síncrona ou assíncrona.
Figura 11. Interação do tipo “todos para todos” (MAÇADA, et al., 1998).
A interação entre pessoas pode apenas ser eventual, isolada e interrompida. Mas pode também possibilitar uma relação colaborativa e/ou cooperativa, que pressupõe alguns requisi- tos que vão além da mera interação, como a construção de um entendimento comum ou do conhecimento compartilhado (MAÇADA, et al., 1998).
3.1.1 Caracterizando colaboração assíncrona
Colaboração assíncrona é tipicamente categorizada como colaboração em “lugar dife- rente/momento diferente”. Entretanto, esta caracterização é freqüentemente muito simplista. Para muitos sistemas assíncronos, a característica que os define não é o fato de que a colabo- ração não acontece ao mesmo tempo, mas sim que ela não precisa necessariamente acontecer ao mesmo tempo (EDWARDS, et al., 1997).
fra-estrutura. Em cenário assíncrono, a razão pela qual a colaboração pode acontecer em dife- rentes momentos é porque os usuários não precisam se coordenar interativamente e não preci- sam ser notificados no momento das modificações dos artefatos que eles estão compartilhan- do (EDWARDS, et al., 1997).
Certas atividades podem levar a esse estilo de interação devido à natureza das suas próprias tarefas, das práticas de trabalho dos participantes ou do estado da tecnologia ao seu alcance. Tipicamente, colaboradores podem trabalhar independentemente por períodos de tempo e há pouca necessidade de divulgação instantânea de resultados. Práticas de trabalho que favorecem o assíncrono são caracterizadas por pessoas explorando tempo e espaço para trabalhar conforme sua conveniência e com interrupções programadas (EDWARDS, et al., 1997).
Talvez seja a independência a característica chave do trabalho assíncrono. Em intera- ções assíncronas, colaboradores, enquanto operando algum conjunto compartilhado de dados, contexto, informações ou artefatos podem fazê-lo independentemente um do outro. Por exem- plo, na confecção colaborativa de um documento (texto), autores trabalham de forma muito independente, sincronizando-se quando é necessário colaborar para obter resultados ou para reafirmar metas e planos (EDWARDS, et al., 1997).
Além do mais, tarefas assíncronas que são centradas em algum artefato compartilhado, dependendo da atividade, não requerem que todos os participantes saibam imediatamente so- bre suas mudanças. De fato, em alguns casos, tal conhecimento pode prejudicar esforços indi- viduais e pode causar atividades de coordenação que poderiam ser mais proveitosas se adiadas para depois (EDWARDS, et al., 1997).
3.1.2 Infra-estrutura de apoio à colaboração assíncrona
As propriedades das tarefas, práticas de trabalho e tecnologia que se prestam à intera- ção assíncrona, apontam para as características de infra-estrutura que podem apoiar aplicações em tarefas assíncronas (EDWARDS, et al., 1997).
A independência aponta para a necessidade de isolar colaboradores da ação de outros – colaboradores devem poder operar com limitada interferência ou coordenação com outros. Em particular, eles devem continuar trabalhando independente das ações tomadas pelos cola- boradores. Replicação de dados é freqüentemente um meio útil de adquirir independência do
trabalho. Replicações podem separar as ações dos usuários de seus colegas, fornecendo de- sempenho, tolerância à falha e a habilidade para integrar mudanças antes de divulgá-las para o mundo em geral (EDWARDS, et al., 1997).
Uma das formas mais fortes de independência é a habilidade para trabalhar completa- mente desconectado da rede e, por implicação, de outros usuários. Trabalhando desconectados os usuários devem ser capazes de visualizar, atualizar e gerar suas próprias cópias de dados, mesmo quando eles não estão conectados à rede (EDWARDS, et al., 1997).
Essa restrição requer que aceitemos cópias de dados que não são consistentes umas com as outras. Caso contrário todas as partes deveriam ser conectadas todo o tempo e usuários perderiam o grau de independência um do outro (EDWARDS, et al., 1997).
Quando uma eventual consistência de cópias é desejável, usuários necessitam contro- lar as informações que são compartilhadas com outros usuários, bem como suas modificações. Por exemplo, no caso de desenvolvimento colaborativo de software, usuários freqüentemente precisam assegurar que atualizações sejam mantidas seguras até que um quadro completo, coerente e estável do código esteja disponível (EDWARDS, et al., 1997).
Sendo assim, pode-se dizer que o princípio geral para a colaboração firma-se numa base de dados, que é compartilhada, visando estabelecer a colaboração entre os usuários. Con- siderando-se as aplicações assíncronas, podem-se categorizar aquelas voltadas para as ativi- dades de geração e organização de idéias e informações. Neste sentido encontramos o sistema de fórum.
3.1.3 Sistemas de fórum
Sistema de fórum é um ambiente de trabalho colaborativo que permite interações sín- cronas e assíncronas, aonde indivíduos de um grupo de pesquisa possam se reunir (FAHRA- EUS, 2001).
Segundo Fahraeus (2001) os principais fatores que influenciam na eficácia da aprendi- zagem colaborativa por meio dos sistemas de fórum são:
(i) Possibilidades para que os aprendizes se comuniquem de forma eficaz, possam se com-
preender, construam sua confiança e um entendimento comum;
perante todo o grupo;
(iii) Acesso eficiente à informação e a outros recursos para que a aprendizagem ocorra.
As características importantes em uma comunicação assíncrona apoiada por computa- dor, em relação à situação de aprendizagem, são a independência do lugar e do momento da comunicação e a dependência na tecnologia e na tarefa (FAHRAEUS, 2001).
Sendo assim, sistemas de fórum se apresentam como um ambiente que pode contribuir para a colaboração e a cooperação entre os membros de um grupo de pesquisa. Nesse traba- lho, utilizamos o sistema de fórum para a colaboração assíncrona entre grupos de pesquisa, para colaboração e cooperação de informações e artefatos gerados pela pesquisa, e na cons- trução de um consenso comum sobre um dado tema.