CONGRECAÇÃO DE S BENTO DE PORTUGAL
FR TOMÁS DO SACRAMENTO, PPG (1740-43) – N.º
Tomás da Costa, nasceu na Rua das Flores, Porto, 1/IX/1671, †Rendufe 17VI/1747. Baptizado na Sé a 7/IX/1671, criou-se em Santa Maria da Válega, perto de S. João da Madeira. Filho do licenciado Manuel da Costa Neves e de Maria Barbosa de Barros, neto
paterno de Manuel António, do lugar de Costamá, S. Roque de Vila Chã, e neto materno de Maria Correa, do Porto. Tinha um irmão beneditino, Fr. Bartolomeu de S. Jerónimo, PP (ADB – Inquirições, CSB 40, 134), e foi admitido pelo Geral Fr. Vicente dos Santos a 24/III/1688 com Hábito em Tibães a 8/V/1688 (Livro Noviciado, ADB – CSB 25,92). Depois de corista, ouviu Artes em Santo Tirso com Fr. António de S. Miguel (1693), e Teologia, sendo elevado a Pregador Geral. Esteve em São Bento da Saúde, Lisboa (SBSLisboa) e SBVPorto, onde jubilou. Em 1713, era Procurador no Porto, em 1716 Secretário do Geral Fr. Pedro dos Mártires, em 1719 Abade SBSLisboa. Recolhido a Ren- dufe, foi Abade de Rendufe em 1728, onde fez o dormitório novo, que corre pelo terreiro da Igreja. Em 1731 era conventual em Rendufe, cultivava um pequeno Jericó, junto à Capela-mor, e fez à sua custa, à volta da horta, as capelas com os 7 Passos da Paixão. Em 1737 tinha sido apontado pelo Papa Clemente XII como elegível, quando foi eleito Fr. João Baptista. Eleito Geral em 1740, deitou ao mosteiro do Porto o maior impulso; quis mandar monges para estudo na Congregação de S. Mauro em França, o que não conse- guiu. Em 1743 mandou vir de Roma um Motu próprio nomeando o Pe. M. Fr Sebastião para Geral e ainda os mais vogais do definitório, coisa de que depois se arrependeu dizendo «pequei, pequei». Recolheu-se a Rendufe e ali faleceu a 1/VI/1747, sendo sepul- tado no cruzeiro da igreja.
Escreveu: Ms: Apologia em favor da Religião Benedictina; As vidas do M. Fr. Jerónimo de Santiago, Arcebispo nomeado de Cranganor, e de Fr. João da Soledade, ambos benedictinos (Memórias da Secretaria). Cfr. Fr. Francisco de S. Luís – Apontamentos beneditinos, Ms Sin- geverga, 3, 49v, 84v; 148v; Fr. Thomaz de Aquino – Elogios. Porto, 1767, 344.
Está publicado um soneto em sua honra em Folheto de Lisboa, 4 de Junho de 1740, in MATTOZO, Luiz Montez – Ano noticioso e Histórico, T. I, 1740. Reedição da BNL. Lisboa, 1934, 172-173:
Ao Rm. P. Fr. Thomaz do Sacramento, novamente eleyto Abbade Geral da Congregaçam de S. Bento, fez o erudito Gaspar Leitam, natural de Thomar, o seguinte:
Soneto Gratulatório
Nunca se viu com tanta propriedade Na mão de Bento o Globo Soberano, Como nesta eleyção; pois mais que humano Espírito por justa a persuade.
Nas voltas que moveu a adversidade, Bom globo pareceu, com cego engano O escrutínio, que agora tam ufano Com vosso nome he esfera á eternidade.
Sois Thomaz, e Thomaz o sol no peito Por divisa tomou; e assim a esfera De Bento por seu Sol vos tem eleito. Se o discurso inda bem o não pondera, O parabém me sirva de conceito; Pois tal globo a tal Sol devido era.
FR. SEBASTIÃO DE S. PLÁCIDO, PMDr (1743-48) – N.º 62
Sebastião da Silva Vieira, natural de Fontarcada, Póvoa de Lanhoso, Baptizado a 24/I/1683 (ADB – Fontarcada, L. Mixto 2, fl. 46) e não em Junho (como diz Fr. Tomás de Aquino em «Elogios»), †Coimbra 19/III/1749. Filho do Capitão Bento da Silva e de Cata- rina Vieira. Frequentou os primeiros estudos em Braga e Lisboa para onde os pais se muda- ram. Era tio de Fr. Sebastião de S. Plácido (Inquirições, ADB-UM – CSB 49, 297-303). Admi- tido pelo Geral Fr. José de S. Boaventura, Hábito em Tibães 5/X/1702 (Livro do Noviciado, ADB-UM – CSB, 25, fl. 124; Fr. Francisco de S. Luís – Apontamentos beneditinos, fl.1, 46). Ouviu Artes em Pombeiro, Teologia no Colégio de Coimbra. Eleito Mestre, doutorou-se em Teologia na Universidade. De 1716 a 1719 foi Lente de Filosofia em Rendufe, Lente de Teo- logia em Coimbra. Em 1725 foi eleito Abade de Coimbra, obrigado a aceitar (BPMP – Cód. 871), 2.ª vez Abade Coimbra 1737, Visitador mor 1740, cargo em que experimentou desas- sossego. A 25/IX/1742 era Lente de Véspera de Escritura na Universidade. Nomeado Geral 1743 por «Motu proprio» de Bento XIV (1/III/1743) a pedido do Geral anterior pelo seu zelo de observância regular. No Arquivo Geral da Universidade de Coimbra – Colégio de S. Bento, Maço 2, 35 existe cópia a 6/VII/1746 do Breve papal. Tomou posse como Geral a 24/VI/1743 e concebeu um famoso projecto de reforma da disciplina monástica, com um Breve do Núncio Cardial Odi a 16/III/1744. Uma carta do Secretário de Estado, Pedro da Mota e Silva, lhe recomendava em nome de D. João V que executasse o dito Breve. Alguns contra- disseram o dito projecto por fidelidade às leis beneditinas de há quase duzentos anos. Então o Geral viu-se forçado a mudar a conventualidade a alguns monges, inclusive o ex-Geral, Fr. Manuel da Graça, que foi transferido para Arnoia (Fr. Francisco de S. Luís – Apontamentos, fl. 99. Por isso, o Capítulo Geral foi adiado e o mandato prolongou-se por mais dois anos e meio, só se celebrando Capítulo Geral a 4/VII/1748. A 2/VI/1748 tinha subido à cadeira de Durando e, assim, regressou a Coimbra, onde faleceu.
Tentou a reforma das Constituições, mas o projecto não foi aprovado por Roma, cer- tamente por causa do rigorismo das ideias jacobeias com que o Geral concordava, e isso causava resistência de muitos monges, que manobraram junto do Procurador beneditino em Roma. Os resistentes com Fr. Manuel da Trindade mandaram ao Núncio um libelo acu- satório (Petição), o que levou o Geral a defender-se. Como Geral reformador, teve muitas complicações e desassossego. Era «monge reformado, virtuoso e letrado, com grande vas-
tidão em as Filosofias e Teologias Escolásticas e Morais, por cujo motivo é consultado de muitas partes do Reino» (BPMP – Códice 871; ver também BPMP – Códice 173).
Escreveu: Manifesto e apologia sobre a reforma dos hábitos do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra. Em que se descobre, e manifeste ao Mundo o engano, e ignorância, em que ate agora tem estado as contradictoras; e se mostrão nullos, e de nenhum vigor certo breve, e sen- tença fundada Nelle. Author o P.M. D. Fr. SEBASTIÃO DE S. PLÁCIDO, Hoje segunda vez Dom Abbade do Collegio de S. Bento de Coimbra. Barcelona, 1738; Privilegia Congrega- tionis, 1745.
Manuscritos: Censura à «Satisfação apologética», 1729, (BUC – Códice 1544); Sobre o uso da Cruz peitoral pelos Abades Beneditinos, c. 1734; Reparos críticos ao Pontifical Monástico que compôs o P. M. Fr. Manuel de Santo António. O Pontifical foi publicado em Coimbra, 1734. Máxima do vulgo, convencida e refutada; «Nova Statuta Ordinis Sancti Benedicti Portugalliae notatis expurgata» (BUC – Cod. 1003); Resposta a uma petição gravemente caluniosa (BNL – Códice Miscelânea 1581, com o título Vários manuscritos do século XVII e XVIII; ADE – Apo- logia. Resposta a uma petição gravemente caluniosa, 1745, Cod. CVIII 2-17) onde responde às críticas de Fr. Manuel da Trindade, abade da Estrela, Santo Tirso e S. Bento da Vitória, Porto, o qual foi «desnaturalizado do Reino» por D. João V, por Decreto de 20/II/1745.
Fr. Thomaz de Aquino – Elogios, 348-352; Fr. Marceliano da Ascensão – Coronica… de Tibães, Ms. Singeverga, 579-589; Fr. Francisco de S. Luís – Apontamentos beneditinos, Ms. Singeverga, 1, 46; OLIVEIRA MOUTA – Camilo e os Frades. «Mensageiro de S. Bento», 1941, 316-320 e 345-351 com retrato. Cfr. Biblioteca de Évora – Apologia de Fr. Sebastião de S. Plácido, Códice, CVIII-2-17. Havia vários exemplares desta Apologia. Camilo Castelo Branco conheceu um exemplar e em carta a Inocêncio (2/XI/1866) diz conhecer «precio- sos manuscritos» no Minho «em poder de quem quer vende-los». Das insinuações dum desses manuscritos parte para os Os Galopins eleitorais. Aquela carta a Inocêncio foi publi- cada por CABRAL, António – Camilo de perfil. 2.ª ed. 1922, 127-132, sob o número 28 e contem «Resposta a uma petição gravemente caluniosa feita ao exm.º Núncio contra o Geral de S. Bento etc. fol. 217 p.».
FR. JOÃO BAPTISTA, «Rio Covo», PMDr (1737-40; 1748-52) – N.º 60, 63
Cfr. N.º 60.