• Nenhum resultado encontrado

FRENTE dim (m) %

No documento Desenho de uma poiesis (páginas 53-73)

Processo de construção

FRENTE dim (m) %

<6,0 15 6,0-6,5 4 6,5-7,0 19 7,0-7,5 23 7,5-8,0 31 >8,0 8 PROPORÇÃO Lt/Ft % 1,25 65 1,50 8 1,75 23 2,00 4 <40 4 40-50 4 50-60 30 60-70 11 70-80 27 80-90 12 100-110 8 >110 4 ÁREA dim. (m2) % Tabela 005. Freqüências

Fonte: Tabela organizada pelo autor a partir de pesquisa de campo

Figura 022. Diagrama relação entre frente, proporção e área do corpo Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa de campo

6.o 6.5 7.o 7.5 8.o

Frente 4o 5o 6o 7o 8o 9o 1oo 11o Área 2.oo Lt/Ft 1.oo 1.25 1.5o 1.75 Id.:050 - 1950 Id.:051 - 1956 Id.:049 - 1945 Id.:075 - 1946 Id.:053 - 1966 Id.:064 - 1960 Id.:098 - 1956 Id.:005 - 1953 Id.:079 - 1946 Id.:099 - 1950

Relacionando as três características do corpo, foi verificado a existência de cin- co grupos de casas que têm simultaneamente as mesmas propriedades. O grupo maior é composto por seis casas, aquelas que têm a frente entre 7,5 e 8 metros e possuem o corpo

com proporção próxima a 1,25 e área entre 70 e 80m2. Observa-se que todas as casas deste

grupo foram construídas até a década de trinta. Assim, dado que outras características se mantêm neste grupo, seria razoável inferir que até o início do século XX parece ter se con- solidado o tipo. Atentando ainda para as datas de construção dos outros grupos e o número apresentado de variações isoladas, seria como se o pensamento constituído até 1930, fosse perdendo força ao longo dos anos seguintes. No entanto, constata-se que são derivações que mantêm alguns elementos e regras de formação estabelecidas anteriormente, mas que especulam sobre novas soluções e formas, estas que terminam por reconfigurar o tipo.

Id.:003 - 1926 Id.:056 - 1925 Id.:062 - 1937 Id.:063 - 1906 Id.:076 - 1893 Id.:087 - 1931

Ainda em busca da compreensão da forma, foi verificada uma alta correlação59

entre área do retângulo e sua lateral, ou seja, há uma tendência em quanto maior a área mais alongado se torna o corpo da casa. É como se existisse algo, algum fator que deve restringir o crescimento da frente da casa na mesma proporção que a lateral.

Seguindo na análise da forma do corpo da casa a partir de Ft , agora relacionando-a

com a altura interna da casa60, constatou-se inicialmente nos relatos de Luiz de Meu Chico,

que é comum 3m ou 3,20m ou 3,30m61. Verifica-se, no entanto, após compilação de dados

da pesquisa de campo, que se trata de um intervalo maior, efetivamente; vê-se essa variável flutuar num intervalo entre 2,20m (Id.:101) e 3,30m (Id.:003 e Id.:077), de maneira a se encontrar a média num valor menor que os ditos pelo mestre-carpinteiro.

Relacionando em seguida os valores da frente (Ft ) com a altura (Hi), mostra-se

que há uma relação direta entre essas duas variáveis62. Característica indiciada abaixo.

Traduzindo a relação de outro modo, tem-se em média a dimensão da frente da

casa duas vezes e meia a altura, ou seja Ft /Hi varia entorno de 2,5m. Verifica-se ainda uma

grande ocorrência de valores próximo à média. Recompondo geometricamente essa rela- ção ter-se-ia a Figura 024, em que o contorno preto indica um retângulo de valor médio.

59. A correlação entre a área e a lateral é 0,94; entre a área e a frente do retângulo é de 0,68; entre a proporção e a lateral é igual a 0,87 enquanto entre a proporção e a frente é -0,07.

60. Índice identificado no dossiê como Hi, é a distância tomada do piso da casa ao topo do frechal – ou gato. 61. Cf. Anexo II.

62. Coeficiente de correlação r(Ft,Hi) = 0,77.

2.2o 2.85 3.5o

5.5 7.o 8.5

Figura 023. Regressão linear da frente (Ft) e altura Hi)

Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa de campo

Figura 024. Proporção dos retângulos e retângulo médio

Ora passando a análise das dimensões do alpendre, vê-se que de fato este fica com

dimensões próximas aos sete palmos ditos por João Borges Neto63. Os valores máximo e

mínimo encontrados foram 2,07m e 1,07m, medidas tomadas da parede do corpo ao eixo

do esteio do alpendre64. Vê-se também uma relação direta entre a dimensão do alpendre e

da frente do corpo da casa. Verifica-se que se mantém constante a dimensão do alpendre

próxima a um quinto da frente da casa65. Seguindo essa regularidade, a coberta do alpendre

se mantém, de um modo geral, com inclinações concentradas entre os ângulos 14º e 17º, ou seja ângulos mais suaves que aqueles encontrados no corpo da casa.

A partir da percepção de certos indicadores comuns, constrói-se com linhas gerais a forma da frente de cada casa, para em seguida deixar de lado os valores individuais e se- guir na busca pelo que há de geral, aquilo que lhe confere identidade, ou seja, a proporção. Para revelar as relações entre os elementos, ignoram-se as escalas e ajusta-se cada desenho de modo a se ter uma única dimensão como largura de base. Revela-se assim a proporção das 26 casas consideradas, chegando-se à imagem da Figura 025, abaixo.

63. Cf. Anexo II.

64. Índice identificado no dossiê como Al

65. Verificou-se que Al/Ft mantém-se próximo a 0,2 em todas as unidades analisadas. Figura 025. Reconstrução individual dos perfis em escala e sem escala, justos na base Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa de campo Tabela 006. Ângulo de inclinação da coberta do alpendre

Fonte: Tabela organizada pelo autor a partir de pesquisa de campo iAlpendre α % <13 4% 13-14 12% 14-15 42% 15-16 8% 16-17 12% 17-18 4% 18-19 12% >19 8%

Sobre a imagem encontrada, constrói-se uma linha – mesmo que certa maneira arbitrária – que fale das características formais comuns às casas. Busca-se com isso, uma linha que se aproxime adequadamente da forma da frente das casas de taipa. Traçadas sobre aquelas mais escuras e comparando-as com os índices encontrados no dossiê – vê-se assim que não são linhas tão arbitrárias – chega-se às seguintes linhas de formação:

Pode ser verificado desse modo que as outras dimensões da casa encontram-se em

função de Ft. Assim, como dito pelo mestre-carpinteiro em entrevista, a altura da empena é

a quarta parte da frente da casa (He = Ft /4); a dimensão do alpendre é igual a quinta parte

da frente (Al = Ft /5) e a altura do corpo é dois quintos da frente, ou ainda pode-se também

dizer que a frente é duas vezes e meia a altura da parede externa (Ft=2.5Hi). Reconstruindo

a partir dessas relações encontradas, assim como considerando a lateral da casa igual a

frente mais um quarto(Lt=1.25 Ft ) e a orientação de Luiz de Meu Chico66 para colocação

dos esteios, tem-se a forma geral da casa de Mutamba e Cajuais:

66. Cf. Anexo II.

26.90º

linha de eixo do esteio

linha de eixo do esteio

15.50º

Figura 026. Linhas gerais de formação da frente da casa de Mutamba e Cajuais Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa de campo

Figura 027. Reconstrução a partir das diretrizes de formação encontrada

Fonte: Ilustração elaborada pelo autor a partir dos índices encontrados na pesquisa

Lt=Ft +Ft /4 Al=Ft /5 Hi=Ft /2.5 He=Ft /4 iCp=26.90º iAl=15.50º 3 ≤ De ≤ 4 iAl iCp Hi Al Al Hi He Ft Lt

Continuando na estratégia de aproximação às casas de taipa de Mutamba e Cajuais, após a formação do dossiê, um novo recorte foi estabelecido. Selecionaram-se 12, das 26 casas até agora consideradas, para o levantamento arquitetônico. Os critérios para definição desta nova amostragem foram:

estado de conservação e/ou originalidade; • a data de construção; • dimensão da casa; • mestre-carpinteiro. •

Por não ser a intenção da pesquisa tratar do modo de trabalho específico de um mestre e por se pretender a uma abordagem sobre todo o período considerado na tese, procurou-se selecionar as unidades que apresentassem diferentes mestres, dimensões e ida- des. Assim procedendo, procurou-se definir uma amostra representativa dos vários pontos no espectro social, de períodos construtivos distintos e ainda casas que tiveram a partici- pação de mestres diferentes. Não obstante, deu-se preferência por aquelas que os morado- res fossem os proprietários, que tivessem participado da construção e pudessem informar sobre as reformas e alterações submetidas. Dessa maneira, formou-se para levantamento arquitetônico, identificação do uso e ocupação dos espaços da habitação uma amostra com quatro edificações construídas até 1930, três até 1960 e cinco nas últimas décadas do século XX. De um modo geral as casas escolhidas apresentavam um razoável estado de conserva- ção – a exceção da casa do senhor José Pereira de Oliveira (Id.:001), com data de constru- ção atribuída à 1905 – mas com boas informações sobre alterações e reformas realizadas. As casas selecionadas para este fim, foram:

Tabela 007. Unidades selecionadas para levantamento arquitetônico LEVANTAMENTO AQUITETÔNICO

ID Latitude Longitude data Proprietário Idade Fonte de Renda Mestres OBS.:

001 04º 41’ 12.9” 37º 23’ 42.3” 1905 José Pereira de Oliveira >80 Pecuária - ruína 004 04º 41’ 19.9” 37º 23’ 29.3” 1975 Paulo Simão da Costa 36 - - decadente 005 04º 41’ 11.2” 37º 23’ 49.2” 1953 Francisca Bezerra 84 Aposentadoria RU bom estado 010 04º 41’ 21.5” 37º 23’ 22.0” 1975 Maria Zumira dos Reis 63 Agricultura/Comércio RC ótimo estado 028 04º 42’ 17.18” 37º 21’ 39.1” 1970 Ivanilde Ma. da Costa 68 Aposentadoria LMC ótimo estado 041 04º 41’ 21.8” 37º 23’ 19.6” 1956 Joaquim Lourenço Soares 77 - - ótimo estado 042 04º 41’ 26.6” 37º 23’ 15.1” 1925 Anaides Borges de Carvalho 74 Aposentadoria - ótimo estado 059 04º 41’ 37.2” 37º 22’ 52.4” 1970 João Borges Neto 77 Aposentadoria/Agricultura LMC bom estado 062 04º 41’ 37.5” 37º 22’ 51.3” 1934 Maria Borges do Nascimento 72 Aposentadoria/Agricultura JB bom estado 063 04º 41’ 37.5” 37º 22’ 50.0” 1890 José Jerônimo Reis de Sousa 47 Comércio/Confecção AF decadente 064 04º 41’ 38.5” 37º 22’ 48.5” 1960 Gerarda da Costa Borges 76 Aposentadoria NP bom estado 076 04º 41’ 46.1” 37º 22’ 31.9” 1898 João Eleutério Rebouças 78 Aposentadoria LMC bom estado

Figura 028. Foto da casa Id.:001 Fonte: Acervo do autor

Figura 029. Foto do Sr. José Oceliano de Oliveira Fonte: Acervo do autor

1905

Figura 030. Foto da casa Id.:004 Fonte: Acervo do autor

Figura 031. Foto Sr. Paulo Simão da Costa Fonte: Acervo do autor

1926

Figura 032. Foto da casa Id.:005

Fonte: Acervo do autor Figura 033.Fonte: Acervo do autor Foto Sra. Francisca Bezerra 1953

Figura 034. Foto da casa Id.:010 Fonte: Acervo do autor

Figura 035. Foto Sra. Maria Rita dos Reis Fonte: Acervo do autor

1975

Figura 036. Foto da casa Id.:028 Fonte: Acervo do autor

Figura 037. Foto Sra. Ivanilde Maria da Costa Fonte: Acervo do autor

1970

Figura 038. Foto da casa Id.:041 Fonte: Acervo do autor

Figura 039. Foto Sr. Joaquim Lourenço Soares Fonte: Acervo do autor

Figura 040. Foto da casa Id.:042 Fonte: Acervo do autor

Figura 041. Foto Sra. Anaides Borges de Carvalho Fonte: Acervo do autor

1925

Figura 042. Foto da casa Id.:059 Fonte: Acervo do autor

Figura 043. Foto Sr. João Borges Neto Fonte: Acervo do autor

1970

Figura 044. Foto da casa Id.:062 Fonte: Acervo do autor

Figura 045. Foto Sra. Maria Borges do Nascimento Fonte: Acervo do autor

Figura 046. Foto da casa Id.:063 Fonte: Acervo do autor

Figura 047. Foto Sr. José Jerônimo Reis de Souza Fonte: Acervo do autor

1890

Figura 048. Foto da casa Id.:064 Fonte: Acervo do autor

Figura 049. Foto Sra. Gerarda da Costa Borges Fonte: Acervo do autor

1960

Figura 050. Foto da casa Id.:076 Fonte: Acervo do autor

Figura 051. Foto Sra. Francisca Holanda Rebouças Fonte: Acervo do autor

Quais são os ambientes que compõem as casas de Mutamba e Cajuais? Como os espaços se articulam em cada uma delas? Na última fase da pesquisa de campo, procurou- se conhecer os usos e os modos de organização dos espaços internos à casa da região. Ao que se apresenta, essas também são características que dizem sobre o tipo da arquitetura. De modo geral, para essa aproximação foram realizados desenhos, registros fotográficos

dos espaços internos, todos incorporados e organizados no dossiê67.

A partir de novas visitas e entrevistas com os moradores e proprietários, pôde- se identificar os ambientes, atribuindo-lhes nomes em coerência com o uso do dia-a-dia. Tão logo foram denominados em acordo com os usos da região, buscou-se encontrar a forma como eles se inter-relacionam. Através da reprodução em uma planta-baixa foram registradas as posições e as dimensões de cada ambiente do corpo, dos alpendres, varandas e do copiar. Ainda, nos desenhos de fachadas e paredes, indicou-se a existência de abertu- ras, a posição e dimensões dos vãos, de portas e janelas, conforme exemplo da Figura 052, que se refere ao levantamento da casa da Sra. Francisca Bezerra (Id.:005).

Com as informações de campo das 12 casas, construiu-se de cada uma delas uma matriz valorada, ou seja uma matriz cuja as relações entre os ambientes têm pesos diferen- tes. A partir desta matriz, para melhor percepção da relação topológica dos usos, criou-se

um grafo68, conforme exemplo da Figura 053 que se refere à casa Id.: 005. No grafo des-

pojam-se os objetos analisados – os ambientes – de suas características visíveis, tratando- os como pontos. A abstração exigida tem o propósito de revelar as relações entre os nós,

67.Cf. Anexo III.

68. Um grafo G=(X,E) é um objeto abstrato constituído por um conjunto X de pontos (sem propriedades), denominados nós ou vértices, e por um conjunto E de linhas entre estes pontos, denominadas arestas. Cf. ROSENSTIEHL, 1988, p.196).

Figura 052. Levantamento referente à casa 005. Fonte: Desenho do autor

representadas por linhas. A elas se atribui valor, sinal e direção. Assim se revela a estrutura, ou seja a cardinalidade das relações estabelecidas entre os ambientes. A princípio, foram representados graficamente os níveis das conexões estabelecidas através da atribuição de pesos distintos para as linhas conforme a existência ou ausência de vãos e esquadrias.

Figura 053. Grafo valorado dos ambientes

Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir do levantamento dos usos da casa Id.:005

A partir da análise dos grafos gerados, foi constatado um certo hábito no uso e na organização dos espaços internos às habitações daquela região. Em vista disso e das etapas do processo de construção, pode-se agrupar os ambientes numa classe denominada Zona Funcional e esta num macrozoneamento, aqui denominado Zona de Locação.

Evidenciou-se na etapa inicial de construção, a partir dos relatos do mestre Luiz de Meu Chico, a existência de duas macrozonas que se diferenciam desde sua origem, ou seja, desde a fase da marcação da casa na terra. A Zona de Locação é constituída pela Zona do Corpo (zC) e Zona de Alpendre (zA) e a Zona Funcional é composta pela Zona de Estar (zE), Zona de Dormir (zD), Zona de Preparo (zP) e Zona de Troca (zX).

A primeira macrozona, a Zona do Corpo, apresenta uma certa regularidade em seu uso e modo de organizar-se, enquanto a última mostra-se à guisa de curinga, uma área vol- tada para a função de preparos e serviços, mas com uma variedade de usos e articulações possíveis entre os espaços. A área do corpo é destinada, normalmente, às funções de estar e dormir da moradia, porém ainda percebe-se o hábito de sempre dispor as salas na posição

valor atribuído na matriz = 0 conexão inexistente: paredes sem aberturas ou ambientes afastados.

conexão indireta ou parcial:

existência somente de janelas ou vãos. valor atribuído na matriz = 1

conexão direta ou imediata: existência de portas, portais etc.

valor atribuído matriz = 2

b p d q q s a v v S r

14 ambientes

21 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-S-r-p

16 ambientes

1 desconectado (varanda) 20 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

S-s-r-p

12 ambientes

1 desconectado (varanda) 14 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

S-r-p

15 ambientes

14 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-S-r-p

ID042

ID064

10 ambientes

11 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-S-r-p

ID010 13 ambientes

16 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

S-s-S-r-p

ID028 Figura 054. Grafos

Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir do levantamento arquitetônico, atra- vés do sistema Agna 2.1

ID059 ID076 ID041 b ID001 ID041 a 14 ambientes 17 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-t-r-p s-v-r-p

11 ambientes

12 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-t-r-p s-v-r-p

13 ambientes

16 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-t-r-p

8 ambientes

8 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

S-t-p

11 ambientes 13 conexões simétricas menor caminho alpendre/preparo:

s-t-r-p s-v-r-p

14 ambientes

1 desconectado (varanda) 16 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

s-t-r-p s-v2-c-p

11 ambientes

1 desconectado (depósito) 12 conexões simétricas

menor caminho alpendre/preparo:

S-t-r-p

Figura 055. Grafos

Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir do levantamento arquitetônico, atra- vés do sistema Agna 2.1

mais ao nascente, enquanto os quartos localizam-se mais a poente. Colocando em outras palavras, imaginando-se um eixo que passe pelo meio do corpo da casa no sentido de mar à serra, parece sempre se encontrar disposta mais a leste a Zona de Estar e mais a oeste a Zona de Dormir. Porém, como num estado seguinte da evolução na organização e especia- lização dos ambientes, constata-se em algumas casas, a presença de um único quarto na Zona de Estar – normalmente sendo resultado da transformação de uso e de dimensão da sala mais afastada da via. Evento que ocorre como adequação às transformações das ne- cessidades programáticas – por exemplo, como atendimento ao crescimento da família – e provoca sempre o surgimento de um ambiente de transição, uma área que resguarda a pri- vacidade do novo quarto e estabelece a ligação entre a sala e a Zona de Preparo. Trata-se de uma espécie de corredor que em situações eventuais pode ser usada como área de dormir, uso que se constata por sua dimensão e existência de armadores para rede.

A Zona de Preparo, hoje uma especialização de parte da Zona de Troca, agrupa os ambientes com usos voltados para preparos leves e pesados, área de refeições, depósito e banheiro. A exceção deste último, um equipamento incorporado recentemente à casa, todos os outros usos deviam fazer parte do corpo da casa ou estar ligados ao copiar.

A Zona de Alpendre, que circunda o corpo da casa, adquire vocações diferentes na região em estudo. A parte mais à frente, aquela mais próxima à rodovia, tem caracterís-

tica particular no modo de uso e, ainda hoje, mantem-se em muitas casas fora da caiçara69

para fechamento do terreno. Como uma parte da casa que se deixa ao compartilhamento da cidade, ali naquela parte da Zona de Alpendre, cria-se um espaço de acolhimento e pro- teção a quem chega. Forma-se um espaço híbrido, de uso privado mas aberto. Com efeito, constitui-se numa área específica, uma membrana onde ocorrem as trocas entre a casa e a

cidade70.

As outras partes da Zona de Alpendre podem ser divididas em acordo com modo e o uso que se viu adquirir. A faixa mais atrás destina-se normalmente à Zona de Preparo. Contudo, há uma grande diversificação na maneira de organizá-la. Vê-se que ela não se

69. Hoje percebe-se que em algumas casas a cerca de talos da palha do coqueiro e esteios de pau-ferro já foram substitu- ídos por muros, mas estes mantêm a altura da antiga caiçara.

limita à largura normal do alpendre, habitualmente são necessárias duas ou três vezes a largura do alpendre para conformação de todas as funções do preparo.

As laterais da Zona de Alpendre, tanto a poente como aquela do lado nascente, ficam em estado de latência a espera de novas solicitações internas para se especializar. Um espaço que se adequará às transformações de necessidades e se conformará às particu- laridades de uso de cada casa. Nota-se que elas, a princípio, ganham a função de varanda privada. Pode-se, no entanto, já se constatar algumas maneiras de ocupá-las; são modos

que variam desde uma área para lavagem de roupas71, para depósito ou uma área que se

incorpora à Zona de Dormir na construção72, ou ainda que será incorporada para a criação

de um novo quarto73, como solução encontrada na casa (Id.:059) do Sr. João Borges Neto.

Pondo numa tabela as etapas da classificação, tem-se a Tabela 008.

Tabela 008. Quadro com a classificação dos ambientes por seus usos

Ressalta-se o modo de organizar os ambientes em zonas funcionais e estas em duas macrozonas – como aqui proposto; é uma organização que também fala dos estados de formação da casa durante o período de construção. Com efeito, ainda se pode notar que são etapas que contam não só sobre a poiesis de uma casa, como no exemplo apresentado da casa Id.:005 na Figura 056, mas parecem falar no processo, parecem carregar, toda a história de formação da tipologia das casas alpendradas de Mutamba e Cajuais. É como se ali, durante a construção de uma única casa, seja pelas estratégias de divisão dos espaços

71. Cf. Figura 033.

72. Na construção da casa Id.:028 e da casa Id.:059 a varanda mais a poente fora incorporada aos quartos, por iniciativa do proprietário, em etapa posterior a marcação do corpo.

73. Parte da varanda mais ao nascente fora incorporada, em reforma, como quarto. Cf. Anexo III, p. ??? (João Cambota)

No documento Desenho de uma poiesis (páginas 53-73)