para uma discussão sobre as opressões e métodos de governo adotadas no estado de São Paulo contra os prefeitos da oposição. A reunião de Matão havia sido precedida de encontros pre liminares, em que grupos de prefeitos se preocupavam com o seu papel no Estado, com a valori-zação do homem, com a evolução dos princípios político-partidários e com o avanço democrático da nação. Tudo isso eclodiu em Matão, re sultando numa força política nova e plena de caráter. As reuniões da Frente foram se sucedendo com a troca de experiências e aprimoramen-to do objetivo de levar o povo a participar de governos realmente demo-cráticos, através de programas de ação comunitária, em que os bens e serviços fossem determinados e fiscalizados pela popu lação, e a técnica fosse colocada à disposição do po vo. Inverteu-se a ordem estabelecida pelo sistema que primou – e prima – por colocar o povo a serviço da técnica e do interesse econômico.
A partir dessa concepção, programas essenciais foram estabeleci-dos, com a população e para serem diferenciados por ela. Piracicaba, talvez pelas condições peculiares e grupos de trabalho que surgiram, assumiu o compromis so de fazer surgir na prática um governo alternati-vo consubstanciado nos objetialternati-vos políticos do PMDB. Re produzidos os programas e criada sua difusão de forma didática, a Frente de Prefeitos levou adiante, pela sua maioria, uma mensagem objetiva, e o PMDB deixou de ser, contrariando os demais partidos de oposição, um partido apenas teórico.
Foi na prática que a mensagem da Frente se consolidou e os governos de ação comuni tária surgiram como expressão maior de esperança de um povo e de vitória das urnas. Não teorizando, mas sim partindo do concre-to do povo, embasado na sabedoria popular e no saber ouvir e agasalhar as aspirações e frustrações, alegrias e lamentos do dia a dia da popu lação de centenas de cidades, a missão do governador Montoro – bem como de suas equipes de trabalho – é árdua e não se fixa no convencionalismo de um bem administrar. Não passa simplesmente pelo fa zer, mas pelo fazer com o povo, que deve ser o grande idealizador deste governo estadual, direcionando os bens e serviços, reproduzindo sua força numa época das mais difíceis, quando nos vemos cercados pelo fantasma dos in teresses, dos desempregos, das pressões do FMI, das fal sas promessas e acenos de divisão de responsabilidades impostas pelo sistema.
Mais do que isso, cabe a esse go verno assumir o compromisso de criar fórmulas alterna tivas que o povo brasileiro deseja e de transformar o PMDB não no partido da esperança, mas no partido que mudou e que realizou na prática o que consubstanciou no seu programa de governo.
É o governo que deve pra ticar democracia, não só com os políticos, mas com a própria população, que a sente, mas desaprendeu como fazê-la.
A esta recente história de resistência democrática no estado de São Paulo, as eleições de 15 de novembro são uma resposta: o PMDB elegeu 311 dos 565 prefeitos, com exceção das seis cidades onde arbitrariamente não houve eleições para o Executivo municipal. Mirando-se nos exem-plos corretos das prefeituras de oposição, a po pulação foi vendo serem reproduzidas as suas expectati vas e anseios, expulsando, na sua imensa maioria – 54,6% –, a prática municipal então governista para ins taurar juntamente com o governo Montoro e com o povo um proces so de hu-mildade, em substituição ao gover no da arrogância e longe do povo.
É preciso interpretar essa nova e típica face eleitoral. Essa massa de votos que desaguou no PMDB de São Paulo, acreditando na proposta Montoro e no exemplo das administrações peemedebistas, deve ser res-peitada. A responsabilidade compete hoje ao novo governo: dar respos-tas aos desejos dos cidadãos de tal maneira que cada município se sinta um pequeno Brasil no encami nhamento de seus problemas e soluções.
A parceria mu nicípio-estado se inaugura e se transfere aos cidadãos e ao local de reprodução de seus desejos o direito de governar. Se a partici-pação do povo na decisão e no encaminha mento de seus bens e serviços não resultasse em adminis trações vitoriosas nas urnas, talvez tudo o que se tentou não passasse de uma experiência arquivada. Mas a res posta consagradora da população nas urnas reafirma, desafia e encoraja que se continuem as administrações populares do PMDB em conjunto, ago-ra, com a proposta Montoro, que avaliza o encaminhamento das deci-sões pela sociedade organizada.
A vitória do PMDB nas prefeituras e câmaras munici pais, dá a cer-teza de que as administrações municipais trarão de volta aos cidadãos a dignidade perdida. A crença nesta nova geração que surge com as elei-ções de 1982 é imensa, e preparamo-nos para assistir ao apareci mento de novas lideranças de prefeitos e vereadores, agora não mais soltos ou futuros caciques, mas com promissados com a população que se organi-za e marcha solidária na construção de seu próprio destino.
E o governador Montoro se propôs a realizar este em preendimento.
Os programas que divulgou procuram fórmulas ideais para dar ao povo esse poder. O encontro que realizou em dezembro, na cidade de Campinas, com os prefeitos eleitos, foi justamente o primeiro contato para o estabelecimento de fórmulas que darão praticida de aos progra-mas projetados, com os quais São Paulo es pera iniciar a revolução pela dignidade do povo paulista.
Era o que tínhamos a dizer.