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5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

5.1 POLÍTICAS CLIMÁTICAS

5.1.7 Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.114, de 9

2009 e Decreto no 7.343, de 26 de outubro de 2010)

O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) configura-se em

um dos principais instrumentos de fomento a atividades relacionadas à Política

Nacional sobre Mudança do Clima. Foi criado pela Lei nº 12.114, de 9 de dezembro

de 2009 e regulamentado pelo Decreto nº 7.343, de 26 de outubro de 2010. Este

Fundo tem por finalidade assegurar recursos para apoio a estudos e financiamento

de empreendimentos que visem à mitigação e a adaptação aos efeitos da mudança

do clima.

O Fundo Clima tem natureza contábil, sendo vinculado ao Ministério do Meio

Ambiente. Entre os recursos destinados ao Fundo, a partir do decreto no. 7.343, de

26 de outubro de 2010, 60% do total da participação especial66, destinada ao

Ministério do Meio Ambiente, comporá o Fundo Clima. Além destes recursos, o

Fundo contará também com outras fontes de financiamento, como doações

nacionais e internacionais, sendo que os recursos do Fundo são passíveis de serem

reembolsáveis. Há uma previsão de dotação orçamentária, para 2011, de 200

milhões de reais para empréstimos voltados para a área produtiva e outros 26

milhões de reais, não reembolsáveis, serão investidos em pesquisa, mobilização e

avaliações de impacto das mudanças do clima.

66

Participação especial são recursos destinados à União sobre os ganhos da exploração de petróleo.

10% desta participação são destinados ao Ministério do Meio Ambiente para serem utilizados apenas

para minimizar os danos ambientais de eventuais acidentes ocorridos na exploração e produção de

gás e petróleo.

Este Fundo conta com um Comitê Gestor, composto por representantes do

Governo Federal e do setor não-governamental. Entre as atividades elegíveis aos

recursos do Fundo, definidas na Lei 12.114/2009, citam-se: apoio a ações de

educação e capacitação, desenvolvimento e difusão de tecnologias, apoio às

cadeias sustentáveis, análise de impactos e vulnerabilidade, adaptação da

sociedade e dos ecossistemas, projetos de redução de emissões de gases de efeito

estufa, projetos de redução de emissões de carbono pelo desmatamento e

degradação florestal, com prioridade a áreas naturais ameaçadas de destruição e

relevantes para estratégias de conservação da biodiversidade, pagamentos por

serviços ambientais às comunidades e aos indivíduos cujas atividades

comprovadamente contribuam para a estocagem de carbono, entre outros.

Os recursos reembolsáveis do Fundo Clima serão geridos pelo BNDES, que

poderá habilitar outros agentes financeiros públicos para atuar nas operações de

financiamento. Já os recursos não reembolsáveis, serão aplicados diretamente pelo

Ministério do Meio Ambiente, podendo, inclusive, transferir esses recursos para

Estados, Municípios, entidades de pesquisa e outros órgãos, mediante convênios,

termos de parceria e acordos, entre outras modalidades.

5.1.7.1 Análise do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima

O Fundo Clima é um importante instrumento potencial de fomento a

atividades que podem contribuir com a mitigação e adaptação à mudança climática,

além de conter elementos que indicam a promoção de cadeias produtivas

sustentáveis, pagamento pela manutenção de ecossistemas florestais íntegros,

entre outros.

Santilli (2011) observa que o fato do Fundo existir é um dado importante,

todavia há muito mais recursos destinados a empréstimos do que investimentos a

fundo perdido, sendo assim, ele tem dúvidas sobre sua eficácia no sentido de poder

promover uma mudança de qualidade e de escala no enfrentamento da questão

climática no país. Em relação à quantidade de recursos destinados ao Fundo,

Miguez (2011) argumenta que esta é muito pequena, e que pela sua experiência,

isto é muito pouco para ações de mitigação. Maluf (2011) traz à discussão a

necessidade de se aumentar o montante de recursos para a parte não-reembolsável

de forma a ampliar a gama de atores que poderiam utilizar o Fundo. Além destas

avaliações, uma questão importante a ser colocada é a demora na seleção de

propostas e liberação de recursos para que o Fundo de fato comece a ser

operacionalizado (MOUTINHO, 2011; RIBEIRO, 2011).

O Fundo tem abrangência territorial nacional (critério 1 – abrangência

territorial: nota 3), com tempo de execução longo (critério 2 – abrangência temporal:

nota 3), porém, seus efeitos poderão ser percebidos já no curto prazo, caso

efetivamente implementados. O impacto das ações do Fundo nas atividades

relacionadas à mudança climática no país ainda é incerto, mas pelo volume de

recursos destinado em 2011 (cerca de 200 milhões de reais reembolsáveis e 30

milhões de reais não reembolsáveis), argumenta-se aqui que este fundo tem

pequena potencialidade de contribuir com os esforços de mitigação e adaptação à

mudança climática. Em setembro de 2011 já estava em fase final de aprovação uma

lista de projetos que seriam contemplados com os recursos não reembolsáveis do

Fundo (Chamada pública MMA/FNMC n. 1/2011), que se distribuíam entre projetos

de mitigação e adaptação, tais como desenvolvimento tecnológico, combate à

desertificação, prevenção de desastres, entre outros, totalizando vinte e nove

milhões de reais (critério 3 – impacto setorial: nota 1). As ações de monitoramento

parecem estar bem definidas, já que haverá um comitê gestor do plano, presidido

pelo secretário executivo do MMA e composto por representantes de diversos

ministérios e sociedade civil organizada, que gerenciará os recursos e atividades do

Fundo. Sendo assim, o MMA é responsável pela elaboração da proposta

orçamentária anual e do plano anual de aplicação dos recursos do Fundo, que

devem ser submetidos à aprovação do Comitê Gestor (critério 4 - monitoramento:

nota 3). Portanto, na Lei e no Decreto que cria e regulamenta o Fundo, evidencia-se

a existência de objetivos claros e de fontes de recursos estabelecidas, como parte

da participação especial pela exploração de petróleo, o que deve contribuir para que

o Fundo seja, de fato, executado (critério 5 - exequibilidade: nota 3) (TABELA 5.8).

Com relação aos critérios ecológicos, econômicos e sociais, observa-se que

este Fundo tem a potencialidade de contribuir com a redução das emissões de

gases de efeito estufa, já que as atividades que podem pleitear recursos devem

estar relacionadas diretamente ou secundariamente com a mitigação. Porém, isto

dependerá do aporte de recursos e de projetos que se habilitem a reduzir emissões.

Na primeira chamada pública do Fundo, há uma linha de atuação que trata

especificamente da mitigação – sistema de monitoramento de GEE para florestas e

agricultura, que tem abrangência nacional, e indica que este Fundo está

contemplando este tema. Além disto, na linha de adaptação há um tema específico

para o desenvolvimento de tecnologias em adaptação e mitigação à mudança

climática (critério 6 – emissão de GEE: nota 2). O mesmo argumento se aplica para

a redução das taxas de desmatamento. Para a primeira Chamada Pública há linhas

específicas para o tratamento do desmatamento e de suas emissões, como por

exemplo, na linha de combate à desertificação por meio do manejo florestal

comunitário (critério 7 – cobertura vegetal: nota 2).

TABELA 5.8. RESULTADO DA ANÁLISE DOS CRITÉRIOS PARA O FUNDO CLIMA

NOTA: Escala de variação dos critérios analíticos: critérios 1 a 5 variam de 1 a 3; critérios 6 a 12

variam de -1 a 2.

Fundo Clima

1 Abrangência territorial 3

2 Abrangência temporal 3

3 Impacto setorial 1

4 Monitoramento 3

5 Exequibilidade 3

6 Proposta sobre emissão

de GEE 2

7 Cobertura vegetal 2

8 Proposta de geração de

emprego e renda 1

9 Desigualdade social 0

10 Ações de adaptação 2

11 Estímulo/ desestímulo ao

crescimento econômico 0

12 Investimento/

desinvestimento 2

Critérios

Este Fundo pode contribuir para geração de emprego e renda, na medida

em que estabelece que entre as atividades passíveis de receber recursos estão o

apoio às cadeias produtivas sustentáveis, o pagamento por serviços ambientais às

comunidades e aos indivíduos que comprovadamente contribuam para a estocagem

de carbono e outros serviços ambientais, o apoio a sistemas agroflorestais que

contribuam para a redução do desmatamento e absorção de carbono por

sumidouros e para a geração de renda. Na primeira Chamada Pública há linhas de

atuação que contemplam estes temas (critério 8 – geração de emprego e renda:

nota 1).

O Fundo clima contempla atividades que potencialmente podem contribuir

com a geração de renda, mas não há elementos que indiquem a intenção de

contribuir com a redução da desigualdade social no país (critério 9 – desigualdade

social: nota 0).

A lei que criou o Fundo elenca a adaptação da sociedade e dos

ecossistemas como umas das atividades passíveis de receber recursos. Neste

sentido, há a potencialidade de que a adaptação receba recursos importantes deste

Fundo, desde que sejam apresentados projetos com este fim. Na primeira Chamada

Pública este foi o tema com maior tratamento, sendo definidas várias linhas de

atuação, como combate à desertificação, desenvolvimento tecnológico e prevenção

de desastres (critério 10 - adaptação: nota 2).

Quanto ao critério crescimento econômico, este não é um dos objetivos do

Fundo, podendo até ser alcançado por meio de projetos submetidos que tenham

também este fim. Todavia, não há elementos que incentivem diretamente o

crescimento econômico (critério 11 – crescimento econômico: nota 0).

Por fim, em relação ao critério investimento, o Fundo indica um montante de

recursos a serem destinados a determinadas atividades no ano de 2011 (cerca de

230 milhões de reais entre recursos reembolsáveis e a fundo perdido), a saber:

apoio às cadeias produtivas sustentáveis, pagamento por serviços ambientais às

comunidades e aos indivíduos que comprovadamente contribuam para a estocagem

de carbono e outros serviços ambientais, o apoio a sistemas agroflorestais que

contribuam para a redução do desmatamento e absorção de carbono por

sumidouros e para a geração de renda, além das atividades que visam reduzir as

emissões de gases de efeito estufa, adaptação, entre outras (critério 12 -

investimento: nota 2).