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Galeria ripícola – é o conjunto da vegetação que se desenvolve longitudinalmente,

HIDROLÓGICAS

TOTAL 5.124,27 100,0 Solos Litólicos + Solos Argiluviados

3. Galeria ripícola – é o conjunto da vegetação que se desenvolve longitudinalmente,

acompanhando o curso de água11. Este subsistema é muito diverso em habitats e

comunidades e, em muitos casos, ocupa parcialmente o leito, com especial incidência nas margens, podendo ocupar uma faixa mais ou menos estreita. De acordo com o INAG (2001), as suas principais funções são:

a) Fonte de alimento e abrigo para a fauna terrestre e anfíbia;

b) Redução do teor de nutrientes dissolvidos e em suspensão, pela capacidade de filtração e remoção de nutrientes;

c) Diminuição da luminosidade; d) Diminuição da temperatura da água; e) Estruturação do vale;

f) Função paisagística;

g) Consolidação das margens, protecção da erosão.

O elenco florístico, a estrutura e a disposição das galerias ripícolas são, principalmente, determinadas por factores hidrológicos, clima, relevo e características do solo. De uma

que as comunidades vegetais das áreas envolventes, e são frequentemente dominadas por árvores e arbustos de grande porte, sendo bastante férteis e produtivas em termos de biomassa, característica que resulta, entre outros factores menos visíveis, da deposição no solo dos sedimentos transportados pela água quando esta invade as margens (FABIÃO & FABIÃO, 2006). A densidade da vegetação ripícola, a sua composição florística, o estado de desenvolvimento das plantas nela existentes e a época do ano, são determinantes para o grau de eficiência da galeria ripícola como filtro de nutrientes e de micro-poluentes.

Como se já se referiu, a vegetação ripícola ao ocupar as margens do leito, cumpre, também, funções de consolidação, pelo que se assiste a uma relação muito estreita entre estes dois subsistemas, na medida em que quando a galeria ripícola está bem desenvolvida, a capacidade erosiva dos caudais de ponta de cheia não é suficiente para alterar o traçado do leito e das margens de forma significativa. Por outro lado, em zonas onde a galeria ripícola não está bem desenvolvida ou estruturada, os caudais de ponta de cheia, ao extravasarem as margens, podem destruir as margens do curso de água, comprometendo o equilíbrio do ecossistema ribeirinho (FABIÃO & FABIÃO, 2006). As margens de um curso de água estabelecem uma transição entre os meios terrestre e aquático, no qual os processos fluviais de inundação periódica, sedimentação e erosão, desempenham um papel determinante na génese dos ecossistemas. As margens podem ser mais ou menos declivosas ou estáveis, sendo que, é a instabilidade das margens que, possivelmente, limita a secção do leito e afecta negativamente o escoamento.

4.Sistema antrópico – a acção humana é, muitas vezes, considerada como um dos

factores responsáveis por mudanças na distribuição de matéria e energia dentro dos sistemas, modificando o seu equilíbrio. O sistema antrópico, que se desenvolve ao longo dos cursos de água, é caracterizado pela maior ou menor intervenção humana. No caso das actividades agrícolas com recurso a técnicas mais modernas e maquinaria pesada, bem como as práticas de agricultura intensiva (monocultura e exóticas), têm, naturalmente, impactes negativos no sistema ribeirinho e na qualidade da água, quer por poluição difusa, quer por efluentes industriais, urbanos e agrícolas. Porém, estes agrosistemas contribuem, muitas vezes, para a diversidade da fauna que encontra nestes habitats locais de alimentação, refúgio e de reprodução (INAG, 2001). De acordo com GONZALÉZ et al. (s.d.), o estado de conservação da zona marginal de um rio é um elemento chave no funcionamento do ecossistema fluvial e na qualidade da água. No âmbito da avaliação das linhas de água da área de estudo, realizaram-se dois estudos distintos que englobam uma avaliação de cariz mais geral, com incidência no conjunto das linhas de água da área de estudo, e outra de carácter mais particular, cuja avaliação recaiu sobre cinco linhas de água: Ribeira de Alge, Ribeira da Sertã, Ribeira de Codes, Ribeira da Brunheta e Ribeira da Aldeia do Mato. A inclusão de um estudo mais

generalizado prende-se com o facto de se ter considerado que todo o estudo avaliativo poderia ficar mais consistente e, consequentemente, mais completo, ao analisar-se o conjunto das linhas de água da área de estudo e não apenas as cinco ribeiras.

O estudo geral das linhas de água baseou-se numa avaliação da vegetação ripícola, especificamente ao nível da Estrutura e que foi realizada através de análises cuidadas sobre fotografia de satélite. A estrutura da vegetação ripícola define-se, genericamente, pelo número de estratos existentes na galeria, mas, através de fotointerpretações essa identificação torna-se, muitas vezes, difícil, pelo que neste caso, a estrutura foi analisada tendo apenas em conta o coberto arbóreo/arbustivo. Assim, foram definidas classes de Estrutura da Vegetação Ripícola, de acordo, com a realidade existente: Boa, Razoável, Fragmentada e Inexistente. Naturalmente que, para cada uma classes definidas, as razões que conduzem para que tal situação se verifique são variadas e, nalgumas situações, detectáveis sobre fotografia satélite, sendo entwão possível, subdividir as classes em:

Classes de Estrutura da Vegetação Ripícola

Boa Presença de canaviais Presença de acácias Razoável Presença de canaviais Fragmentada Devido ao substrato rochoso Inexistente

Devido ao substrato rochoso

Terraços adjacentes com culturas agrícolas Zona de foz

Quadro 23. Classes de Estrutura da Vegetação Ripícola.

Como se referiu, a análise da estrutura tem em consideração, apenas, o coberto árboreo/arbustivo, independentemente da espécie vegetal existente, daí a existência de canaviais ou acácias, poder-se incluir na classe “Boa”, o que poderá contribuir, também, que esta análise represente, ainda a que a um nível um pouco superficial, a qualidade da vegetação ripícola.

Apresentam-se no Anexo II imagens tipo de cada uma das classes e sub-classes que auxiliaram o processo avaliativo da Estrutura da Vegetação Ripícola.

Desta forma e com o apoio destas imagens tipo, foi possível classificar a vegetação ripícola das linhas de água que coincidem com os principais afluentes da albufeira de Castelo do Bode e que são as que assumem alguma expressão como elemento diferenciador e dinamizador da paisagem: Ribeira de Alge, Sertã, Codes, Brunheta, Aldeia do Mato, entre Aldeia do Mato e Carreira do Mato, Cidreira, São Brás, Isna, Alcaim, Vale do Castro, Trutas, Cains, Alqueidão, Ferraria, Vale de Tábuas e Porto do Carro.

Para a avaliação das cinco linhas de água, alvo do estudo mais pormenorizado, nomeadamente, Ribeira de Alge, Ribeira da Sertã, Ribeira de Codes, Ribeira da Brunheta

constituintes do ecossistema ribeirinho, anteriormente descritos, procurando-se que esta avaliação respondesse de forma mais completa, sintética, célere e científica possível aos objectivos que se pretendem ver cumpridos neste estudo.

Pretendeu-se com a caracterização particular das linhas de águas e identificação dos seus pontos críticos, detectar os locais que devem ser alvo de intervenção, numa fase posterior a esta tarefa, bem como determinar o maior ou menor afastamento do ecossistema do estado natural.

Estes tipos de avaliação do valor e estado e ecológico destes ecossistemas é uma ferramenta de extrema importância e cada vez mais considerada na gestão dos recursos naturais. Esta valorização tem consequências directas no planeamento e gestão dos recursos, uma vez que o conhecimento das potencialidades de um determinado local permite, não apenas atribuir usos, como também realizar o seu aproveitamento de forma mais eficiente e sustentável.

Assim, para o processo de avaliação das linhas de água elaborou-se uma ficha de campo, baseada em diferentes critérios, cada um dos quais focalizado num dos subsistemas anteriormente descritos e, na qual, também foram incluídos descritores que pudessem complementar e auxiliar a apreciação final das referidas linhas de água.

Atendendo à extensão das Ribeiras que foram alvo deste estudo avaliativo, adoptou- se uma metodologia de divisão das linhas de água em troços de amostragem com um comprimento de 100m, de acordo com estudos realizados na bacia do Tejo, nos quais se apuraram que as variações na riqueza específica estabilizam a partir deste comprimento (GONZALÉZ et al., s.d.). Assim, procurou-se seleccionar os troços que pudessem caracterizar cada um estádios de um curso de água, ou seja, um troço junto à nascente (fase de erosão), outro na parte média (fase de transporte) e, por fim, um troço localizado mais junto à foz (fase de deposição), neste caso, à Albufeira de Castelo do Bode.

Devido às características particulares de cada ribeira, nem sempre foi possível aplicar esta metodologia, quer pela extensão das ribeiras quer pela existência de acessos difíceis (vegetação extremamente densa), como será descrito mais adiante, aquando da exposição individual dos resultados obtidos para cada uma das ribeiras.

Finalmente, convém referir que uma Ribeira é um sistema lótico de características torrenciais que apresenta, eventualmente, seca natural durante o período estival, embora a sua secura ou permanências hídricas, no presente, poderem ser determinadas por actividades humanas no leito ou a montante (FERREIRA, 1992 in GONZALÉZ et al., s.d.).

De acordo com o exposto anteriormente, no quadro seguinte apresenta-se a ficha de campo desenvolvida.

A. Características Gerais

Nome da Ribeira: Concelho:

Coord. GPS Montante: Jusante:

Altitude: Data: Acessibilidades: Regime Hidrológico: Obstáculos (vegetação densa, instabilidade de terreno, veda- ções…):

Presença/Ausência de descar- gas poluentes visíveis: Presença/Ausência de pessoas, animais:

Estimativa de coberto arbóreo (%):

Composição percentual do substrato nos três transeptos realizados

% afloramento rochoso % blocos % elementos menores (<20cm)

1º: 1º: 1º: 2º: 2º: 2º: 3º: 3º: 3º: Observações: B. Forma do Vale Plano/Raso Côncavo

Fundo Forma U Assimétrico

Encaixado (desfiladeiro) Sem margens definidas