HIDROLÓGICAS
Tipo 3 troço em que predomina a sedimentação
F. Composição dos Estratos Vegetais
8. LEVANTAMENTO HIDROGEOLÓGICO
8.5. PONTOS DE RISCO DE CONTAMINAÇÃO/VULNERABILIDADE DOS AQUÍFEROS
Neste item foram identificados os locais onde a probabilidade de contaminação, de forma não controlada, derivada do derramamento de substâncias é elevada. Contaminação, essa, que pode derivar de actividades industriais, agro-pecuárias ou domésticas. Tal como foi referido anteriormente, nesta região abundam as rochas com porosidades e permeabilidades reduzidas, dificultando a percolação da água e obrigando a que a circulação
da mesma ocorra quase sempre à superfície. A excepção acontece nas zonas de fracturação e de falha, em que facilmente ocorre a infiltração das águas pluviais e das superficiais e onde a velocidade de infiltração é elevada, reduzindo o poder de filtração do meio. Deste modo, as zonas de maior vulnerabilidade para os aquíferos situam-se nestes locais, quando estes se encontram junto de fontes poluidoras, ou se as linhas de água superficiais se encontrarem contaminadas.
Na REVISÃO DO PLANO DE ORDENAMENTO DA ALBUFEIRA DE Castelo do Bode (2002) foi realizado o levantamento das principais fontes de poluentes da Albufeira tendo em conta as descargas directas ou indirectas de efluentes industriais e domésticos, as escorrências de águas de solos agrícolas, os locais de deposição não controlada de resíduos sólidos e a poluição criada pelas actividades de recreio náutico.
No que diz respeito à poluição industrial, verifica-se a existência de unidades fabris na região, das quais, as alimentares, nomeadamente o sector do azeite, representam a maior fonte de poluição. As unidades agro-pecuárias também são um factor relevante, em especial, as suiniculturas. É importante salientar que muitas destas unidades não se encontram licenciadas, o que dificulta a obtenção de dados completos, motivo pelo qual apenas se podem considerar estas unidades como fontes de poluição, não havendo ainda registo dessas fontes poluidoras, a sua localização, informação sobre os locais e caracterização quer qualitativa, quer quantitativa, das descargas e consequentemente carga poluente originada.
De acordo com o publicado na RPOACB em 2002 as linhas de água com potencial apetência para o transporte de efluentes industriais são as Ribeiras de Alge, de Alqueidão, da Lapa, e do Souto. A Ribeira da Lapa embora fora da área de estudo é afluente do Rio Zêzere, podendo prejudicar a qualidade da água do mesmo e consequentemente a da albufeira de Castelo do Bode. Cruzando esta informação com a carta da geologia, verifica-se que estas linhas de água atravessam zonas de falha, potenciando o risco de contaminação dos pequenos aquíferos existentes nesses locais.
A prática agrícola, nesta região, assume um papel de alguma relevância como actividade complementar, sendo que as predominantes são as culturas de olival e vinha, e ainda, de referir, a existência de hortas familiares. Dado que não há explorações de grandes dimensões, nem sistemas de cultivo do tipo intensivo, tudo aponta para que não haja contaminação a nível de nitratos.
A poluição doméstica torna-se particularmente relevante em áreas densamente povoadas e nas zonas rurais. É método corrente, em determinadas zonas do País as águas residuais e dos esgotos serem lançadas sem qualquer tipo de tratamento para o ambiente. As próprias lixeiras também podem constituir um problema, se não estiverem devidamente impermeabilizadas.
Na ausência de dados mais recentes relativos à localização das fontes de poluição, foram usados os disponibilizados pelo SNIRH, datados de 1994, onde estão individualizados
elaborada a Carta 25 – anexo I, apenas para dar uma ideia geral da distribuição dos pontos de descarga da área em estudo, em 1994.
Um dos principais problemas da região, em relação à poluição das águas superficiais e subsuperficiais, prende-se com os sistemas de tratamento de efluentes domésticos. É importante salientar que, para além destes evidenciados na Carta 25, existem muitos outros locais de colecta, como as fossas sépticas individuais, sobre as quais não existe qualquer tipo de controlo no que diz respeito ao tratamento das lamas residuais e posterior local de deposição das mesmas. Dados da RPOACB de 2002 revelam a existência de uma fossa séptica colectiva para tratamento de efluentes domésticos junto à povoação do Souto, que não aparece nos dados do SNIRH de 1994. Cruzando esta informação com a dos pontos de água verifica-se ser um local onde abundam poços, motivo pelo qual se deve ter especial atenção à qualidade da água dos mesmos.
O facto de não haver controlo sob o tratamento de lamas residuais e sua deposição pode contribuir para a poluição difusa de solos, de águas superficiais, aquíferos e dos próprios pontos de abastecimento. Deste modo, destaca-se a hipótese de poder existir drenagem das mesmas, quer directa quer indirectamente para as linhas de água e, consequentemente, a sua percolação pelas formações rochosas, através dos sistemas de falhas e fracturas existentes.
Apesar de nenhuma das fossas colectivas se situar em zona de falha, existem fossas perto de linhas de água, que drenam para zonas de falha, havendo a possibilidade de contaminação dos pequenos aquíferos existentes. Consequentemente, as ribeiras que estejam mais próximas de aglomerados populacionais, também apresentam maior vulnerabilidade e poderão transportar cargas poluentes de maior dimensão. De acordo com o descrito, é de ter especial atenção para as seguintes ribeiras: Alge, Entre-Águas, Cerdeira, Bráz, Sertã, Isna, Trutas, Codes, Souto e Brunheta, dado que estas também atravessam zonas de falha, a vulnerabilidade dos aquíferos existentes na envolvência das mesmas é elevada e o mesmo acontece em relação às captações, cuja probabilidade de estarem contaminadas também é elevada.
Outro aspecto a salientar é o facto dos pontos de água se situarem nas imediações das linhas de água que atravessam zonas de descarga ou junto de sistemas de falhas, podendo haver contribuição para a existência de poluição nos pequenos aquíferos existentes nas imediações.
Em resumo, os aquíferos da área de estudo apresentam uma vulnerabilidade à poluição elevada, em primeiro lugar porque as linhas de água superficiais apresentam uma tendência notória para transportarem carga poluente industrial e, principalmente, de origem doméstica, porque a infiltração das águas pluviais e superficiais no meio rochoso é feita, quase exclusivamente, pelo sistema de falhas e fracturação. Este método ocorre a grande velocidade reduzindo o poder de filtração que os maciços poderiam ter.