BREVE NOTA SOBRE OS ANEXOS
9.1.1 GENERALIDADES Aplicação
A melhoria do desempenho ambiental e a eficácia do SGA são alcançados na medi- da em que a Organização alcança os objetivos ambientais definidos, cumpre as obrigações de conformidade, e assegura o cumprimento dos requisitos do seu SGA e da ISO 14001:2015, incluindo a melhoria contínua.
A monitorização, a medição e as subsequentes análises e avaliação permitem determinar o estado em relação à melhoria do desempenho ambiental e à eficácia do SGA. A secção 9 define os requisitos da fase Verificar (Check) e, em parte, da fase Atuar (Act) do ciclo PDCA. Na secção 9.1.1 o enfoque é nos requisitos relacionados com a medição, monitorização, análise e avaliação do desempenho ambiental e do SGA. A avaliação do cumprimento das obrigações de conformidade é tratada na secção 9.1.2. O enfoque de 9.2, auditorias internas, é a avaliação da pertinência e conformidade do sistema. Finalmente, os resultados da análise e avaliação de toda a informação gerada são considerados na revisão pela gestão (9.3), para que se possa atuar.
Embora a eficiência do SGA deva ser importante para qualquer Organização, é a avaliação da sua eficácia que é um requisito da ISO 14001:2015, ou seja, a “medida em que as atividades planeadas foram realizadas e conseguidos os resultados pla- neados” (3.4.6).
A avaliação do desempenho ambiental e da eficácia do SGA só podem ser realiza- das com confiança se os dados que lhe estão subjacentes forem válidos e represen- tarem bem as características a avaliar. A aplicação desta secção orienta as Organiza- ções no sentido de recolherem a informação com a qualidade necessária.
Neste sentido, e com este fim, pretende-se que a Organização determine: “ a) o que necessita ser monitorizado e medido;
b) os métodos de monitorização, medição, análise e avaliação necessários para assegurar resultados válidos;
c) os critérios que vão ser usados para a avaliação do desempenho ambiental e os indicadores apropriados;
d) quando se deve proceder à monitorização e à medição;
e) quando se deve proceder à análise e à avaliação dos resultados da monitorização e da medição.”
A primeira decisão recai sobre o que necessita ser monitorizado e medido. A este respeito, a norma fornece pistas relevantes em diversas secções e no seu anexo, das quais destacamos:
O estabelecimento e monitorização de objetivos ambientais, se possível mensu- ráveis, tendo em conta os seus aspetos ambientais significativos e as obrigações de conformidade associadas, e considerando os seus R&O. Ao planear como irá atingir os objetivos ambientais, a Organização deve determinar como os resulta- dos serão avaliados, incluindo indicadores para monitorizar o progresso relativa- mente aos seus objetivos ambientais mensuráveis (6.2.2);
Os métodos de controlo operacional selecionados podem incluir a medição e monitorização dos processos para verificar os resultados (A.8.1);
Com base no pensamento baseado no risco, assume-se que os pontos de moni- torização e medição necessários para o controlo são associados aos aspetos ambientais significativos e variam em função dos riscos determinados;
O Anexo A.9.1.1 esclarece que, para além de assegurar a monitorização e a medi- ção do progresso dos objetivos ambientais (6.2) ao determinar o que monitorizar e medir, a Organização deve ter em conta os aspetos ambientais significativos, as obrigações de conformidade e os controlos operacionais necessários para asse- gurar o desempenho pretendido.
A determinação do que monitorizar e medir está também intimamente associada ao requerido na alínea c), relativo à necessidade da Organização determinar os critérios segundo os quais vai avaliar o seu desempenho de definir indicadores apropriados. É importante relembrar que o desempenho ambiental (3.4.10 e 3.4.11, ISO 14001:2015) é um resultado mensurável, quantitativo ou qualitativo, relacionado com a gestão dos aspetos ambientais, devendo ser reportado através de indicado- res. Um indicador, no contexto da ISO 14001 (3.4.7), é uma representação mensurá- vel da condição ou estado das operações, da gestão ou das condições.
A seleção dos parâmetros a monitorizar e medir deverá possibilitar a avaliação de tendências que permitam verificar se há ou não melhoria. São, de seguida, apresen- tados alguns exemplos:
i) Uma Organização determina, como aspeto significativo do seu processo produ- tivo, o consumo de água, sendo que este já foi bastante otimizado para eliminar desperdícios, não sendo estabelecido um objetivo de melhoria do consumo. Sendo significativo, deverá medir continua ou periodicamente este consumo para verificar se a situação otimizada se mantém. Como existem variações de produção, a Organização poderá analisar o consumo por peça produzida ou hora trabalhada, garantindo que os resultados obtidos desta monitorização são comparáveis e permitem a tomada de ações. O indicador deve ser estabe-
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9.1 MONITORIZAÇÃO, MEDIÇÃO, ANÁLISE E AVALIAÇÃOlecido e revisto, se necessário, de modo a que variáveis utilizadas e a sua relação permitam analisar efetivamente o cumprimento do objetivo e a evolução do desempenho.
ii) Uma Organização pretende reduzir a produção de um resíduo e para isso alte- rou o processo produtivo, introduzindo uma nova tecnologia, estabelecendo um objetivo de melhoria de desempenho ambiental. Para medir a eficácia desta alteração poderão ser monitorizados diversos parâmetros ao nível de consumos, resíduos, emissões ou outros dados operacionais, e comparar com a situação anterior. Esta monitorização pode ocorrer num determinado período de tempo, considerado como representativo da alteração e da verificação do alcance do objetivo pretendido. Os parâmetros selecionados podem constituir-se como indicadores para a sua medição e monitorização. Para se verificar o alcance do objetivo são necessários dados relevantes da situação anterior.
Os controlos implementados devem ser monitorizados periodicamente relativa- mente às condições de operação e de manutenção. São exemplos: rotinas de veri- ficação periódica no terreno para avaliar o estado de limpeza de caleiras, operacio- nalidade de separadores de água e gorduras, recolha seletiva de resíduos, estado das redes de drenagem pluviais, etc., verificando a eficácia dos controlos operacio- nais implementados (8.1).
A segunda decisão recai sobre a seleção dos métodos de monitorização, medição, análise e avaliação para assegurar resultados válidos, ou seja, resultados que sejam fiáveis, reprodutíveis e rastreáveis (A.9.1.1). Um método que assegure resultados fiáveis pode ser entendido como um método que proporciona dados de modo está- vel, repetível e preciso, gerando confiança. Reprodutibilidade significa que o méto- do pode ser repetido assegurando a precisão continuada dos dados. Finalmente, um método que assegure resultados rastreáveis é um método que permite traçar a história do valor medido até à sua origem, isto é, na medida relevante, o que foi medido, com quê, quando, por quem e onde está registado.
Na definição dos métodos deve atender-se que os mesmos devem ocorrer em con- dições controladas, que podem passar pela seleção de equipamentos, sua calibra- ção e verificação, qualificação de pessoal, uso de métodos de controlo adequados, instruções para medição, definição de registos, entre outros.
A ISO 14001 requer que os equipamentos usados na monitorização e medição este- jam calibrados ou verificados, conforme adequado, e sejam mantidos em estado apropriado, o que implica a realização destas ações periodicamente.
Neste âmbito, e para selecionar os equipamentos, a Organização deve ter em conta a existência de requisitos determinados pelas suas obrigações de conformidade. Do mesmo modo, as Organizações que determinaram como obrigação de confor- midade o reporte de informação ambiental de acordo com determinadas iniciativas ou normas, devem ter em conta os requisitos determinados sobre a qualidade da informação a reportar.
Quando a Organização recorre a laboratórios externos ou outros prestadores de serviço (exemplo: caracterização das emissões gasosas, de águas residuais, ruído, etc.) deverá dar preferência àqueles cujos métodos estão acreditados ou aprovados pelas entidades reguladoras. Nos outros casos, deverá usar algum método para confirmar a qualidade dos ensaios. Estes resultados devem ser analisados e valida- dos internamente após a sua obtenção, e verificada a sua conformidade.
Os métodos de monitorização e medição devem determinar quando se realizam as medições. Para o fazer, deverão garantir que a periodicidade ou calendarização assegura a obtenção da informação para análise, avaliação ou reporte no momento adequado.
Os métodos devem definir o modo como são analisados e tratados, incluindo a análise de tendências e como vão ser reportados, atendendo ao fim a que se desti- nam e a quem vão ser reportados.
A análise dos dados pode incluir a avaliação da qualidade e adequabilidade dos dados necessários para produzir informação válida. Podem ser utilizadas técnicas estatísticas para aumentar a fiabilidade da conclusão sobre se um resultado preten- dido foi ou não atingido.
A informação relevante relacionada com o desempenho ambiental deve ser comu- nicada, interna e externamente, tal como a Organização determinou nos seus pro- cessos de comunicação e exigido pelas suas obrigações de conformidade (7.4). Os resultados da análise e avaliação são tomados em conta pela gestão de topo para efeitos de revisão e tomadas de decisão. Também deverão ser reportados às pessoas com autoridade e responsabilidade, para desencadear as ações apropria- das. Deverá ser evidenciado o registo de tomada de ações, caso se verifique um incumprimento. Esta avaliação pode ser formalizada, por exemplo, por uma rúbrica do responsável pela análise e respetiva data, ou pelo registo de não conformidade e ação corretiva.
Sobre este tema, a ISO 14001:2015 recomenda a consulta da norma ISO 14031 - Ges- tão ambiental - Avaliação de desempenho ambiental - Linhas de orientação. Os resultados de monitorização, medição, análise e avaliação devem estar suporta- dos em registos que devem ser retidos.