PARTE I – REVISÃO DA LITERATURA E ESTADO DA ARTE 33
2. CONTEXTUALIZAÇÃO 33
2.3 O Estado de Arte na Manutenção de Aeronaves A tarefa do profissional do
2.3.4 Gerenciamento do ciclo de vida dos ativos 52
equipamentos, prédios e bens duráveis que não sofrem movimentação constante na organização. No caso das companhias aéreas seriam as aeronaves, prédios e veículos. Há melhorias significativas em termos de custos e eficiência que podem ser feitas através da prática de aplicação de gestão de ativos, ou seja, dos
equipamentos que fazem parte dos bens da empresa e de sistemas de
manutenção. É fundamental que os ativos da empresa devem estar aptos para a sua finalidade, seguros para executar sua função e ter a sua integridade
ambiental e acima de tudo, atender às necessidades dos usuários. Assim como uma locomotiva tem que estar apta para transportar passageiros e cargas, na aviação não é diferente se tratando de uma aeronave. Este equipamento tem que estar preparado o maior tempo possível para o transporte de cargas e
passageiros a fim de atender sua finalidade e com todas as condições de segurança necessárias para voar. Neste trabalho consideramos ativos da organização apenas as aeronaves.
O ciclo de vida do ativo de uma organização através do seu gerenciamento, tem como objetivo maximizar o retorno do investimento, fornecendo informações completas sobre a sua condição e valor ao longo de sua vida. A ênfase não está sobre os custos de curto prazo de um ativo, mas sim sobre o valor total
(desempenho) através de sua vida operacional, ainda mais se tratando de
aeronaves que tem a vida útil de décadas. O valor ideal de um ativo é dependente de um nível ótimo de investimento. Tanto o valor do ativo, quanto os níveis de investimento disponíveis são em função do tempo, uma variável que assume grande importância no ciclo de vida de gerenciamento de ativos. Quanto maior for o valor do ativo em função do seu tempo de atividade, mais rápido o investimento retronará para organização.
A pressão para tomar decisões rápidas durante crises econômicas ou mesmo numa situação normal de mercado nunca são priorizadas quando falamos de manutenção. O principal desafio para os gestores de manutenção é garantir que os recursos disponíveis, normalmente escassos, sejam aplicados de forma otimizada para atender aos requisitos de manutenção e manter o ativo operacional. O gerenciamento de ciclo de vida dos ativos pode ter um longo caminho para fornecer soluções para este desafio, visto que quanto melhor e mais bem aplicado for o recurso destinado à manutenção, maior será o ciclo de vida destes ativos. Ele pode ser usado para justificar o orçamento da
manutenção, priorizar as despesas de manutenção e prever a necessidade de adquirir novos ativos. Segundo Coullahan and Siegfried (1996), o gerenciamento
‘ do ciclo de vida dos ativos centra-se sobre a aplicação das ferramentas de gerenciamento de três instalações básicas: custo do ciclo de vida, condições de avaliação e priorização. Para explanar melhor estes pontos iremos detalhar cada um dos itens logo abaixo.
2.3.4(i) Avaliação de Condição dos Processos
Um elemento importante do ciclo de vida do ativo é o gerenciamento
sistemático através Avaliação da Condição dos Processos (Condition Assessment Surveys - CAS). O objetivo do CAS é fornecer informações completas sobre a condição de um ativo. Esta informação é imprescindível para prever os requisitos de manutenção de médio e longo prazo, projetando ou estimando vida útil
remanescente, desenvolvimento de substituição e manutenção em longo prazo. O CAS também determina estratégias, planejamento futuro uso, tempo disponível de reação a danos, uma vez que em caso de reparos emergenciais, é possivel determinar por quanto tempo este equipamento ficará fora dos meios produtivos e assim irá aumentar seu tempo de retorno do investimento (ROI) por sua
inatividade.
O CAS é em um sistema de gerenciamento de curto prazo, utilizado normalmente para manutenção corretiva como uma estratégia de "corrigir" defeitos graves, de acordo como eles são encontrados. Como mencionado anteriormente, tais estratégias são muitas vezes míopes, em última análise não são rentáveis e não irão fornecer o valor patrimonial ideal e de uso em longo prazo. Os autores Coullahan e Siegfried (1996), incluem três etapas básicas para implementação e operação do CAS:
Dividir os seus sistemas, componentes e subcomponentes, formando uma estrutura de divisão de trabalho - Work Breakdown Structure
(WBS), que facilita a divisão de custos e tarefa de cada área envolvida. Identificar através do desenvolvimento de normas as deficiências que
afetam cada componente da WBS e a medida destas deficiências; Avaliar cada componente de uma WBS em relação ao padrão
estabelecido pelo fabricante do equipamento que esta sofrendo a atuação do CAS.
O CAS permite que os gestores de manutenção tenham informações analíticas sólidas necessárias para otimizar a alocação dos recursos financeiros para
reparação, manutenção e substituição dos ativos. Através de um programa bem executado dentro da modelo CAS, as informações estarão disponíveis sobre as
‘ deficiências específicas da instalação de um sistema ou componente, a extensão e cobertura dessas deficiências, e a urgência de correção.
2.3.4 (ii) Priorização
Priorizar as atividades de manutenção é fundamental para um modelo a ser aplicado, operacionalizado e estruturado nos temas que a manutenção deve abordar, em contraste para questões de manutenção quando meramente trabalham de forma reativa, ou seja quando atuam na forma de manutenção corretiva, que normalmente trabalham a curto prazo. Deve ficar claro que o gerenciamento do ciclo de vida dos ativos pode ser usado para desenvolver um esquema de priorização de acordo com os interesses operacionais e financeiros da organização, que pode ser empregado em um amplo conjunto de decisões, não apenas no financiamento da manutenção, mas principalmente nas decisões aplicadas na aviação. Podemos citar o exemplo referente ao Manual “Go–No-Go”, que pode implicar que uma aeronave poderá ficar estacionando no pátio se o problema apresentado durante uma situação de manutenção estiver relacionado neste manual operacional como item “No-Go”. Isto implica a avaliação
metodológica de uma ação contra os valores e atributos, que podem determinam que, o custo operacional ou mesmo de segurança de uma aeronave no ar sem condições mínimas podem implicar em custos muitos maiores, que tanto podem ser tangíveis como perda do ativo (financeiro) ou intangíveis (imagem da
organização). Mas numa situação onde se aplica o Manual “Go-No-Go”, o fator principal a ser considerado é a segurança de voo.
As metodologias de priorização normalmente envolvem um sistema de classificação numérica, para garantir que o trabalho mais importante receba a atenção por ser mais urgente, como fazemos quando na hora de colocar números nas nossas atividades prioritárias. A importância do equipamento é um elemento para alguns sistemas de classificação, pois a depender da função que ele exerce numa organização, ele passa a ser uma parte crítica da operação, como é o caso de uma aeronave. Tal avaliação deve ser imparcial e "insensível", que irá garantir que as decisões tomadas irão levar para o melhor desempenho geral de um sistema de engenharia, seja ela na aviação em qualquer segmento, ao invés de enfatizar uma das suas partes. Devemos sempre avaliar as situações onde a priorização atua com uma visão sistêmica, para que a decisão seja tomada de forma que a organização seja o foco principal. O trabalho de Manutenção Preventiva geralmente recebe uma classificação de alta prioridade.
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