Quando uma indústria globaliza-se, a tarefa enfrentada pelas empresas participan- tes torna-se mais complexa a partir do ponto de vista da gestão do conhecimento. Por um lado, as corporações multinacionais com operações mundiais podem compartilhar e transmitir informações e conhecimentos globalmente através das pessoas, independente da organização. Isso geralmente tem sido considerado a vantagem das operações globais e denominado de “alcance global” em ação. Por outro lado, a distância física pode ferir a conversão do conhecimento.
Aplicando o conceito dos dois tipos de conhecimento, vemos que, por sua própria natureza, o conhecimento tácito necessita ser “gerado” e transmitido a partir de locais geográfi cos específi cos. A importância da proximidade física ou da vantagem “local” de um cluster é enfatizada quando pensamos sobre a neces- sidade que as pessoas e as organizações têm de proximidade física íntima para gerar conhecimento tácito. O que desencadeia a criação do conhecimento – par- ticularmente a do conhecimento tácito – é a interação informal e aberta entre os indivíduos que estão fi sicamente próximos. O conhecimento tácito que existe no mundo geralmente não está sujeito à documentação e à comunicação mundial usando a tecnologia da informação. Não é possível padronizar e documentar palpites e sintomas menores do mercado para transferência para arquivos. Ao contrário, os fragmentos de informação e a “percepção” do mercado são troca- dos quase inconscientemente pelas pessoas em grande proximidade e resultam na imagem clara do que está por vir. De certa forma, o conhecimento tácito que é conhecido apenas pelos mestres da arte no mundo exige um ba físico para ser utilizado.
Observe, por exemplo, os sinais emergentes de mudanças no mercado. Como a empresa pode detectar esses sinais quando os pequenos fenômenos e mudanças nos mercados locais, não os do mercado “líder” ou do cluster, var- rem o mundo quase instantaneamente? Uma pequena onda pode tornar-se uma maré gigante que engolfa rapidamente o mundo. Como essas ondas tendem a ser “sentidas” e o sentimento do mercado “percebido” pelos indivíduos fi sicamente próximos a ele, é difícil estocar sistematicamente e transmitir o conhecimento sobre o mercado. As empresas necessitam ser capazes de identifi car incontáveis sinais que indicam as mudanças nas necessidades de vários mercados e compar-
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tilhar esse conhecimento tácito na atividade de marketing de sua cadeia de valor (que está, por defi nição, dispersa pelo mundo).
A conversão do conhecimento através das atividades da cadeia de valor, como o desenvolvimento e o marketing, torna-se ainda mais desafi adora. A proximidade física enfatizada pela teoria do cluster é particularmente importante na parte inicial do desenvolvimento do mercado. Tanto quanto a experimentação e a exploração são indispensáveis em relação às necessidades do mercado e às especifi cações dos produtos que respondam a elas, a informação deve ser coletada continuamente do mercado e compartilhada através das atividades da cadeia de valor. Não apenas o conhecimento das condições da demanda, mas também o conhecimento acumu- lado nas empresas da indústria e das indústrias relacionadas ou de apoio, necessi- ta ser usado extensivamente. O constante trabalho e retrabalho do conhecimento – tentativa e erro – é tanto importante quanto necessário. O conhecimento deve ser acumulado e convertido para servir como condição de fator signifi cativa na manutenção da competitividade do cluster. Se todas as atividades se encontrarem fi sicamente juntas, isso é relativamente fácil.
À medida que a indústria desenvolve-se e se globaliza, no entanto, como ela deveria acomodar a necessidade de conversão do conhecimento entre as atividades da cadeia de valor que estão dispersas pelo mundo? Quando a dis- seminação global da informação é quase instantânea, como a empresa deveria garantir a conversão rápida de conhecimento para tomar as decisões oportunas visando à competição no mercado global? Por exemplo, o conhecimento relativo às novas soluções de tecnologia e engenharia necessita ser convertido e com- partilhado com as atividades de produção e de marketing, para dar a elas uma vantagem competitiva. Sob tais circunstâncias, o contexto ou ba da conversão do conhecimento é provavelmente virtual e não limitado à localização física. Dada a rapidez da mudança atual, o que as empresas deveriam fazer para administrar o conhecimento através das atividades e mercados geografi camente dispersos na velocidade exigida pelo mercado global?
Na gestão do conhecimento para a competição global, devem ser conside- rados o tipo de conhecimento exigido, os mecanismos e os contextos da partilha de conhecimentos e da conversão de conhecimentos, juntamente com a fase do desenvolvimento do mercado da indústria e a localização das atividades da ca- deia de valor da empresa.
Abordarei a seguir a questão da gestão do conhecimento e do contexto do ba para a indústria global, usando o caso do desenvolvimento da câmera foto- gráfi ca digital da Olympus Co., Ltd.
I
NDÚSTRIA DASCÂMERAS FOTOGRÁFICASDIGITAIS(CFD
S)
O QUE É UMA CFD?
O mercado das CFDs consiste em duas categorias: o mercado amador e o mer- cado profi ssional. A categoria do mercado amador ainda está dividida em VGA
(video graphics array) simples, também chamada de VGA de entrada de nível e câmeras compactas. Aqui, o mercado de CFDs referir-se-á somente ao segmento de “mirar e bater”. As câmeras compactas existem com vários conjuntos de ca- racterísticas e níveis de resolução. A resolução varia de VGA (Mavica da Sony) até 5 milhões de pixels (MP). Todos esses modelos vêm com visor de cristal líqui- do (LCD) e memória removível.
As CFDs usam um sensor de imagem, como um CCD (dispositivo de car- ga acoplada), para converter os sinais luminosos da lente em sinais elétricos. Um conversor digital-analógico digitaliza esses sinais, que são então proces- sados eletronicamente em uma foto. Os componentes críticos de uma CFD são suas unidades ópticas (lentes), CCD e ASIC (circuito integrado de aplicação específi ca).
As unidades ópticas da CFD são as mesmas de uma câmera de halóide de prata. Atingir a precisão exigida com menos componentes é um desafi o de en- genharia. O desafi o tem sido como equilibrar a qualidade da fotografi a com o tamanho da lente. O progresso admirável recente na tecnologia do dispositivo de carga acoplada possibilitou CFDs com resolução mais alta.