• Nenhum resultado encontrado

2 GESTÃO HUMANIZADA E SUSTENTABILIDADE

No documento Anais completos (páginas 158-161)

As organizações estão sob assíduo julgamento da sociedade, que com o advento da era do conhecimento e da tecnologia tornou-se gradativamente mais crítica, exigindo uma atuação que transcenda o cumprimento da obrigatoriedade. Isto posto, sua manutenção no mercado fica sujeita a imagem que a sociedade e os stakeholders possuem da mesma.

De acordo com Barros e Trevellin (2017) as empresas começaram a ser julgadas por suas ações éticas ou não, perante a sociedade, que se transformou em uma sociedade mais ética. Em outras palavras, para que as ações de responsabilidade social das empesas, não sejam vistas pela sociedade, que está cada vez mais consciente, apenas como uma forma de remediar os impactos que causam, é preciso que os gestores dediquem grande empenho, recursos e investimentos na promoção de uma gestão mais humana.

Em vista disso, surge o conceito de administração humanizada, a fim de atenuar as externalidades negativas ocasionadas pela preocupação demasiada e exclusiva das organizações com retorno financeiro, omitindo sua atenção ao ambiente em que estão inseridas e as pessoas que a compõem. De acordo com Vergara e Branco (2001, p. 21) é considerada empresa humanizada “aquela que, voltada para seus funcionários e/ou para o ambiente, agrega outros valores que não somente a maximização do retorno para os acionistas.”

A gestão humanizada busca promover a qualidade de vida e do trabalho, desenvolver a construção de relações democráticas e justas, minorar as desigualdades sociais e as diferenças raciais,

de gênero e crença, além de estimular o pleno desenvolvimento das pessoas. Portanto promover uma cultura organizacional humana e investir em práticas de gestão humanizadas podem certificar-se como um diferencial competitivo para as empresas dispostas a se destacaram perante seus concorrentes. Dado que, segundo Barros e Trevellin (2017), muitos dos consumidores costumam optar por empresas que promovam políticas de ética, preservação ambiental e promoção da comunidade e, que isso gera uma visão positiva aos stakeholders.

Ao passo que os consumidores se tornaram mais informados e exigentes, os profissionais também evoluíram tornando-se mais competentes e capacitados, consequentemente, mais seletivos em suas escolhas de atuação. Profissionais talentosos e criativos inclinam-se a integrar organizações adaptáveis, que sustentem um propósito justo. Isto significa dizer, que profissionais competentes e inovadores tendem a migrar para empresas humanizadas, que estimulem seu crescimento pessoal e profissional (BARROS; TREVELLIN, 2017).

Desta maneira, o comportamento das organizações é avaliado constantemente, seja pelos consumidores, que têm manifestado maior interesse por fornecedores que possuem comprometimento com as causas éticas, as quais defendem, seja pelos profissionais que a compõem, que da mesma forma tendem a interessarem-se por empresas com maior comprometimento social e com a valorização pessoal.

Entretanto, o desenvolvimento de posturas éticas e humanas pelas organizações, além de promover o desenvolvimento e valorização das pessoas, deve atender um dos principais objetivos das organizações, que é a obtenção da sustentabilidade empresarial.

A concepção de sustentabilidade encontra-se geralmente relacionado ao conceito de desenvolvimento sustentável. Segundo o Relatório da ONU “Nosso Futuro Comum” de 1987, “o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”. Desse modo, destaca-se o aspecto ambiental. Apesar de ambos estarem associados, existe uma definição mais literal do termo sustentabilidade, definido como, um aspecto ou condição de um processo que possibilita sua continuidade por determinado período.

De acordo com Mikhailova (2004, p. 25), “em seu sentido lógico sustentabilidade é a capacidade de se sustentar, de se manter. Uma atividade sustentável é aquela que pode ser mantida para sempre.” A sustentabilidade das empresas, consiste na competência de se manterem ativas no mercado, superando crises e desafios, por um longo período de tempo.

Segundo Araújo et al. (2006) sustentabilidade é a capacidade de se autossustentar, de se automanter. Uma atividade sustentável qualquer é aquela que pode ser mantida por um longo período indeterminado de tempo, ou seja, para sempre, de forma a não se esgotar. Sendo assim, a sustentabilidade organizacional está diretamente relacionada à sobrevivência das empresas, que apesar de quaisquer circunstâncias, são capazes de se adaptar e perdurar no mercado. Para que isso ocorra efetivamente, é fundamental a inclusão, da utilização consciente e racional dos recursos naturais, nos princípios de gestão. Neste trabalho, será abordado primordialmente o sentido literal de sustentabilidade.

De acordo com Kuzma, Doliveira e Silva (2017) o envolvimento das empresas com causas sustentáveis pode converter-se em oportunidades de negócios, contribuindo para a satisfação dos

stakeholders, pois a preocupação das empresas com a sustentabilidade pode resultar na economia de

recursos ou no incremento de receitas, além de promover uma boa imagem institucional, elevar os níveis de comprometimento dos colaboradores e o favorecimento das relações com a comunidade externa. Segundo os autores “a sustentabilidade organizacional pode ser tomada como a capacidade de as organizações alavancarem seu capital econômico, social e ambiental a fim de contribuir para o desenvolvimento sustentável em seu domínio político.” (KUZMA; DOLIVEIRA, SILVA, 2017, p. 431).

O compromisso com práticas que visem alcançar a sustentabilidade pode converter-se em vantagens para as organizações, a adoção de ações sustentáveis é capaz de representar uma redução nos custos das organizações, uma vez que os recursos passam a ser utilizados de forma consciente, além de agregar valor aos seus produtos e serviços. Dessa forma a sustentabilidade pode configurar- se como uma oportunidade de crescimento elevando os rendimentos da empresa, aumentando a participação no mercado e criando vantagem competitiva.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este trabalho caracterizou-se como uma revisão sistemática da literatura, acerca da associação da gestão humanizada, com a sustentabilidade empresarial no mercado competitivo. De acordo com Galvão e Pereira (2014) define-se como revisão sistemática da literatura, a pesquisa que se utiliza da literatura disponível sobre determinado assunto, como fonte de dados. A revisão sistemática da literatura é considerada como um estudo secundário, já que tem nos estudos primários, sua fonte de pesquisa.

Segundo Sampaio e Mancini (2007), as revisões sistemáticas são essencialmente pertinentes, para sintetizar as informações de um conjunto de estudos, realizados isoladamente, sobre determinado tema, além de contribuírem na identificação de temas que necessitam de visibilidade, orientando possíveis investigações futuras. A elaboração de revisões sistemáticas presume os seguintes métodos: elaboração da pergunta de pesquisa; busca na literatura; revisão e seleção dos artigos; análise da qualidade metodológica dos estudos; apresentação dos resultados. Para melhor compreensão, a seguir apresenta-se uma breve descrição dos passos que compuseram o processo de elaboração deste estudo:

a) Elaboração da pergunta de pesquisa: a pergunta utilizada para este estudo foi: há associação entre gestão humanizada e sustentabilidade organizacional nos estudos brasileiros?

b) Busca na literatura: certificou-se de que todos os artigos que apresentaram conteúdo relevante para a pesquisa ou que puderam influenciar na conclusão da revisão foram incluídos. A busca das evidencias partiu da definição de palavras-chaves e das bases de dados consultadas. As palavras-chave utilizadas para a busca foram: “gestão humanizada”

ou “gestão de pessoas” ou “gestão de gente” e sustentabilidade ou sustentável ou

pesquisa: busca no resumo, artigos, em português.A base de dados utilizada foi: Scientific

Periodicals Eletronic Library (SPELL), a escolha se deu devido a base ser de acesso gratuito,

oferecendo grande número de produções cientificas de distintas áreas de conhecimento, especialmente das áreas de administração pública e de empresas, contabilidade e turismo, possibilitar a realização de pesquisas utilizando vários critérios de busca combinados, a base é continuamente atualizada, sendo amplamente utilizada por estudantes de graduação e pós-graduação da área de Ciências Socias Aplicadas no Brasil, além de apresentar quantidade de resultados suficiente para a realização desta pesquisa. Não foram incluídos cortes

temporais na busca com o objetivo de incluir toda a produção possível do repositório Spell.

c) Revisão e seleção dos artigos: Nesta etapa, foi realizada a avaliação dos títulos e resumos dos artigos encontrados na busca inicial, de modo a verificar se tinham potencial de responder a pergunta da pesquisa. Nos estudos onde foram constatadas possibilidades de associação entre os temas, foi realizada a leitura do texto na íntegra.

d) Análise da qualidade metodológica dos estudos: A elaboração de uma revisão sistemática de qualidade está sujeita a validade dos estudos incluídos na pesquisa. Para garantir a qualidade metodológica, o estrato do periódico ao qual pertence o estudo foi levantado, foram utilizados somente periódicos com qualis acima de B4.

e) Apresentação dos resultados: Os artigos inclusos na revisão sistemática, que atenderam o objetivo da investigação e buscaram responder à pergunta da pesquisa foram apresentados e, os resultados interpretados.

A síntese e interpretação dos resultados, que estão previstos no método de revisão sistemática adotado para este estudo, são apresentados a seguir.

No documento Anais completos (páginas 158-161)

Outline

Documentos relacionados