O objetivo deste estudo é compreender quais são os efeitos causados pelo tratamento farmacológico em casos de transtorno de personalidade Borderline. A paciente pesquisada fez uso de Lítio, Quetiapina, Depakene e Sertralina, desde que teve sintomas de oscilação de humor, depressão e ideação suicida, procurando atendimento no CAPS de um município da região oeste de Santa Catarina. Neste serviço o médico psiquiatra receitou os medicamentos e psicoterapia aliada ao tratamento, porém já no início do tratamento, devido a não vinculação com a terapeuta, a paciente acabou não dando continuidade ao acompanhamento psicológico, mas continuou fazendo o uso da medicação.
A farmacoterapia, pode ser eficaz na diminuição do comportamento compulsivo, sendo útil para as intervenções psicossociais, possibilitando a chance de interromper a medicação quando os pacientes apresentam melhora do quadro (CARNEIRO, 2004). Dentre os remédios mais utilizados, os neurolépticos costumam controlar os sintomas cognitivos-perceptuais; os antidepressivos e estabilizadores de humor, regulam as alterações bruscas de humor, ansiedade e raiva.
A paciente fez uso das medicações por aproximadamente seis meses e acabou parando com o tratamento farmacológico devido a alguns efeitos colaterais que começou a ter, como aumento de peso, tremores, náuseas. A paciente relata que não desejava mais ingerir medicamentos e optou por
não continuar, segundo ela colocava o medicamento na boca e não conseguia deglutir. Decorrente da interrupção do tratamento a paciente começou a ter efeitos colaterais derivado dos sintomas de abstinência, como oscilações de humor decorrentes, semanas depressivas com choros e sentimentos de desamparo e raiva constantes e semanas maníacas com sentimentos impulsivos de fazer uso de cigarros e mutilar-se, sendo que antes a paciente não fazia uso do cigarro.
Mesmo com todos esses sintomas que causam prejuízo psicológico, afetivo e social a paciente possui resistência para a adesão ao tratamento medicamentoso e sofre com sintomas ainda maiores devido à abstinência, como tremores, inquietação, insônia, além das oscilações de humor, nota-se que quanto mais resiste em parar, mas sente que o corpo tem necessidade de continuar com a medicação devido aos efeitos rebotes em interromper o tratamento.
Em geral a não adesão a um tratamento envolve muitos comportamentos, como relutância em procurar ajuda, rejeição a procedimentos laboratoriais, consultas e sessões irregulares, interrupções prematuras no acompanhamento, não cumprimento das orientações, uso de dose inadequada e irregular de medicações (TANESI et al., 2007).
Além desses sintomas e aqueles citados anteriormente, a paciente possui uma recorrência gradativa de sintomas de medo de abandono constante, onde sente-se sozinha, padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização onde possui comportamentos agressivos com ações e verbalizações que afastou seus amigos e pessoas próximas e no momento sente-se sozinha, sendo que a única amiga que ainda têm precisa estar sempre presente e ser exclusiva, tanto que manifesta ciúmes exagerados em relação à essa amizade, e exige atenção preocupação e perfeccionismo tanto nas palavras, como na vida e nas ações desta amiga em questão. Possui também instabilidade acentuada percepção de si mesma, onde se vê como fracassada, sem planos para o futuro e sem perspectivas, percebe que com suas dificuldades não vai conseguir alcançar seus objetivos. Relatou estar tendo dificuldades também na concentração para conseguir estudar, ela conta que há tempos atrás estudava horas sem parar e atualmente não consegue mais.
Possui também raiva intensa e dificuldade em controlar essa raiva, se irrita com muita facilidade, com reações desproporcionais ao estímulo, o típico “tudo ou nada”; e impulsividade em áreas potencialmente autodestrutivas como, por exemplo, gastos com compras de forma compulsiva, que segundo o DSM-V comprovam o diagnóstico do transtorno e afirma ainda que esses indivíduos são muito sensíveis às circunstâncias ambientais (AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION, 2014). Possui também desapego por animais e crianças sendo que relata não suportar. Teve alguns relacionamentos amorosos fracassados, ou pelo parceiro desistir devido aos comportamentos ou por ela desistir por não possuir sentimentos.
Recentemente teve fortes crises de ansiedade, e foi encaminhada novamente ao serviço da qual havia se desligado, onde foi receitado Clonazepan 2 mg faixa preta, o qual também pode ser conhecido comercialmente como Rivotril, e é um composto que pertence à classe dos benzodiazepínicos, os quais possuem seu potencial de ação com a abertura dos canais de cloro, por menos tempo e mais vezes, promovendo a hiperpolarização das células, ocasionando, uma leve sedação e inibição do sistema nervoso central, sendo um tranquilizante. Os benzodiazepínicos são um dos medicamento
mais novos, considerados um dos mais seguros da classe dos ansiolíticos, sendo muito utilizado para o uso dos problemas de ansiedade . Segundo a paciente, ao passar usar este medicamento, sente-se mais tranquila, mais paciente, melhorando muito seus sintomas de impulsividade, entretanto sente-se desligada, com falta de concentração, quando está dirigindo parece que tem dificuldades na noção espacial e temporal, também diz sentir-se rebaixado sua libido sexual, tais sintomas interferindo nas suas atividades do dia a dia, principalmente nas atividades do trabalho, em função desses sintomas parou de tomar o rivotril e agora está só fazendo o uso de Carbonato de Lítio.
O lítio tem desempenhado um papel importante na psiquiatria desde 1950, pois é capaz de diminuir crises maníacas e depressivas, bem como a freqüência e intensidade das mesmas, além de auxiliar episódios de crises suicidas, ajudando a prevenir internações hospitalares prolongadas (HANEMANN, 2010).
Há muitos anos, surgiu a proposta do uso de lítio para o tratamento do comportamento agressivo e da impulsividade aumentada, John Cade, em seu famoso artigo de 1949, foi o primeiro a sugerir que o lítio poderia ter efeitos anti agressivos (PRADO-LIMA, 2009).
A administração do lítio é conforme cada caso variando de dois a seis comprimidos ao dia, sendo ajustado conforme cada paciente, este produto exige o chamado controle de litemia, que é um exame feito para verificar o conteúdo plasmático de lítio no sangue, é através desse exame que é feito a dosagem do tratamento, estando em geral entre 0,8 e 1,4 mEq/l, para fase aguda, 0,6 e 1,0 na prevenção da doença maníaco-depressiva. O uso do lítio precisa ser administrado com auxílio médico, respeitando rigorosamente seus horários, doses e duração do tratamento, pois conforme avaliado, exigindo o controle da litemia. No caso de ter esquecido-se de tomar a medicação, nunca se deve dobrar a dose seguinte, pois pode elevar o grau de lítio no sangue, levando a efeitos colaterais graves. São os efeitos colaterais do lítio, diarreia, vômitos, náuseas persistentes, ganho de peso, visão prejudicada, fraqueza generalizada, tremores, câimbras, tontura, sudoreses. Se no uso do lítio ocorrer ganho anormal de peso, aumento exagerado da urina, insônia, cansaço, alterações menstruais, frio intenso, dor de cabeça e dores musculares, precisa avisar imediatamente seu médico (BULÁRIO ELETRÔNICO.COM, 2013).
No caso de uma superdosagem, é necessário de um tratamento de apoio em medida de urgência, se a função renal estiver adequada, o medicamento será eliminado através da urina, com solução de sódio intravenoso, sendo a diálise o meio mais eficaz de remover o composto do organismo. Na administração do uso do lítio se faz de extrema necessidade uma avaliação da função renal, o uso do medicamento pode provocar alterações significativas na função dos rins, pois o lítio é eliminado pela urina, também é importante uma avaliação da tireóide, uma vez que uma glândula hiper ou hipoativada, causa sintomas semelhantes a mania ou a depressão, e também porque o lítio causa anormalidade no funcionamento desta glândula.