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Bases metodológicas do programa família guardiã

3. Metodologia do programa Família Guardiã

3.3. Grupo multifamiliar, passeios e subsídio financeiro

Para apoiar as famílias no desenvolvimento de sua autonomia, somam-se à visita domiciliar outras estratégias, como o grupo multifamiliar, os passeios e o subsídio financeiro.

O grupo multifamiliar promove o senso de pertencimento, e a troca de expe- riências ajuda a reconhecer comportamentos inadequados e a acessar novas formas de atuar nos conflitos familiares. Uma rede de apoio é estabelecida entre os participantes, que compartilham experiências similares. Cada grupo, de 20 a 25 pessoas, é composto pelos guardiões acompanhados por um mesmo profissional e se reúne mensalmente.

O passeio é entendido pela ACER Brasil como uma oportunidade para os membros da família se relacionarem e se divertirem juntos fora do ambiente doméstico. Os locais escolhidos para o passeio são os parques públicos. O ofe- recimento de experiências de lazer possibilita às famílias repeti-las e aumenta seu repertório social.

É ofertado ainda um subsídio para os gastos iniciais de instalação e manuten- ção da criança ou do adolescente no domicílio da família guardiã. A ACER Brasil identificou a necessidade de suporte financeiro a partir das seguintes descobertas: a) os programas de transferência de renda excluem as famílias extensas quando sua renda per capita é superior ao limite estabelecido ou por- que as guardiãs são avós sem idade para serem pensionistas; b) muitas crianças têm necessidades especiais relativas à saúde e à educação (como nos casos em que há trauma e/ou abuso de drogas pelas mães durante a gravidez), assim, os guardiões precisam reduzir sua carga horária de trabalho ou até mesmo deixar de trabalhar para cuidar da criança6. Além disso, a chegada de uma criança na

6 O mesmo foi identificado em uma pesquisa feita nos Estados Unidos: Stepping up for Kids, da Funda- ção Annie E. Casey (2012).

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família gera necessidades e aumenta os gastos. A ajuda financeira inicial7 e o

complemento mensal viabilizam a redução do estresse financeiro.

Conclusão

Frequentemente, crianças e adolescentes acolhidos em instituições vivem em famílias que repetem um ciclo intergeracional de pobreza, exclusão social e violência. É difícil uma família superar sozinha o sofrimento ético-político (Sawaia, 2003), uma dor causada pela condição social e que se repete em sua história há gerações.

Os dez anos do programa Família Guardiã apontam que, quando a violência está nas relações familiares, é fundamental garantir a convivência familiar e comuni- tária a partir do apoio na elaboração das experiências traumáticas intergeracio- nais. Isso é possível com um diagnóstico dos impactos das relações violentas no cotidiano de cada família; a elaboração de um plano de ação claro, monitorado e semestralmente reformulado; e o estabelecimento da confiança entre o profis- sional e o adulto guardião. Pelas experiências de confiança, segurança e amparo, cada membro da família poderá se relacionar com base no afeto.

Com relação a crianças e adolescentes sem cuidados parentais, mantê-los com um adulto de sua família extensa ou socioafetiva em quem já confiam preserva sensações de amparo, segurança, proteção e previsibilidade, primordiais para sua saúde psíquica. Como muitas vezes essa família é da mesma comunidade da criança ou do adolescente, conservam-se também as relações afetivas co- munitárias (com professores, pares na escola e na igreja etc.). Tal manutenção traz estabilidade ao cotidiano da criança ou do adolescente, essencial para seu desenvolvimento integral e para reparar danos causados por violência ou outra violação de direitos.

Quando as famílias extensas ou socioafetivas contam com o apoio de profissio- nais, conseguem restaurar seus laços de pertencimento, desenvolver habilida- des e competências de cuidado e garantir as bases para a proteção integral da criança e do adolescente.

7 Para sua adequada instalação assim que a criança é recebida na casa da família, o valor deve ser de pelo menos meio salário mínimo. Já o valor mensal deve ser equivalente ao de uma cesta básica.

Pelas experiências de confiança, segurança

e amparo, cada membro da família poderá se relacionar

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SAWAIA, Bader. Família e afetividade: a configuração de uma práxis ético-política, perigos e oportunidades. In: ACOSTA, Ana Rojas; VITALE, Maria Amália (Orgs).

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Kelly Lima

Jonathan Hannay

Psicóloga pela Universidade Bandeirante de São Paulo, com expe- riência e prática no atendimento de crianças, adolescentes e famílias em situações de violência e vulnerabilidade social; Coordenação e Gestão organizacional e de equipe em programa de guarda subsi- diada e reintegração familiar – Família Guardiã na ACER Brasil – Desenvolvimento Humano e Comunitário em Santo André – SP.

É formado em antropologia, magna cum laude, pela Universidade de Columbia em Nova Iorque. Posgraduado em Direitos Internacionais da Criança pela Universidade de Genebra. Em 2012 foi feito cidadão Diademense e foi condecorado pela Rainha do Reino Unido com um MBE em reconhecimento de 20 anos de- dicados à Infância Brasileira. Trabalha desde 1990 com crianças e jovens e com desenvolvimento humano e comunitário e hoje se dedica às ques- tões vinculadas à Família Extensa (Kinship Care) no Brasil. Internacionalmente tem palestrado em Viena, Genebra e Puebla no México. Atualmente está co- laborando com o governo federal brasileiro no desenvolvimento do Programa Guarda Subsidiada na Família Extensa (Família Guardiã), dentro dos marcos legais e regulatórios nacionais para que o programa possa ser desenvolvido em todo território nacional. 

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Veruska Galdini

psicóloga e mestre em psicologia social pela PUC-SP. Atua na Política de Assistência Social, especialmente na área da vigilância socioassistencial, com execução de diagnósticos socioterritoriais e criação de programas e serviços e no atendimento às famílias, pessoas idosas, crianças e adolescentes em situação de violência ou outra violação de direito.

O programa

de guarda subsidiada