• Nenhum resultado encontrado

3. ADOÇÃO E DIFUSÃO DE TECNOLOGIAS

3.7 MODELO CONCEITUAL DA TESE

3.7.1 Hipóteses da pesquisa

A investigação da presente pesquisa implica em testar hipóteses a respeito da influência das características dos produtores e suas propriedades rurais na adoção de PIS, considerando o marco teórico-conceitual desenvolvido. As hipóteses a serem testadas foram delineadas a partir dos dados obtidos na revisão de literatura, sobre a influência das capacidades e recursos na adoção e difusão de tecnologias. Utilizando-se das variáveis apresentadas nos Quadros 3 e 4, elaborou-se as hipóteses apresentadas na sequência. Essas hipóteses serão testadas por meio das variáveis independentes que serão apresentadas adiante. Os métodos estatísticos utilizados para o teste encontram-se descritos no próximo capítulo.

O acesso à informação e a aprendizagem têm sido considerados fatores determinantes da adoção de tecnologias na agricultura. Vários estudos na literatura tradicional de adoção e difusão de tecnologias atestam essa importância. Entre os meios para a obtenção de informação e aprendizagem destacam-se: a participação em programas de treinamento (JENSEN et al., 2014), a participação em cooperativas e associações (VIDOGBÉNA et al., 2015), os serviços de assistência técnica e extensão (NAZLI; SMALE, 2016), a proximidade com outros usuários (GENIUS et al., 2014), entre outros.

Sob a ótica da VBR, o acesso à informação e a aprendizagem podem explicar a formação de capacidades, essas permitem uma melhor alocação dos recursos e consequentemente aumento no uso de tecnologias. Nesse sentido, relatos foram encontrados, por exemplo, sobre a influência da aquisição de conhecimento na formação de capacidades de inovação, que propiciaram a adoção de novas tecnologias em várias áreas, incluindo: inovação em práticas de gestão (LIN, SUN, HIGGINS, 2016; DRIES et al., 2014), inovação em práticas de cultivo (ALLAIRE et al., 2015), inovação em processos (PIENING; SALGE, 2014), entre outros. Hervas-Oliver, Sempere-Ripoll, Boronat-Moll, (2014) salientaram que tais inovações estão ligadas diretamente às práticas que interferem no desempenho da produção, situação que se assemelha com os olericultores da região em estudo, uma vez que a adoção de práticas sustentáveis pode alterar os processos e, possivelmente interferir nas formas de cultivo e na gestão da propriedade. Embasando-se nesse cenário emerge a primeira hipótese da pesquisa.

Hipótese 1 – O acesso à informação aumenta a probabilidade de adoção de PIS pelos olericultores da região serrana fluminense.

Outro fator constantemente presente nas análises realizadas sobre a adoção e difusão de tecnologias é a escolaridade dos indivíduos (JENSEN, et al., 2014; MANDA et al., 2016). O nível de instrução mais elevado pode servir como instrumento na busca do conhecimento necessário para a adoção de uma inovação nas práticas de produção. Sob o ponto de vista da VBR, esse conhecimento pode propiciar escolhas aos produtores, que podem ampliar o leque de opções para uma melhor alocação dos recursos. Isso poderia possibilitar maior adoção de PIS. Nesse sentido, delineia-se a próxima hipótese da presente pesquisa.

Hipótese 2 – O nível de escolaridade mais elevado aumenta a probabilidade de adoção de PIS por olericultores da região serrana fluminense.

A influência da idade dos produtores na adoção e difusão de tecnologias tem sido detalhada por pesquisas anteriores, que estudaram os mecanismos de adoção sob a ótica da teoria tradicional de adoção e difusão (KASSIE et al., 2015; JENSEN et al., 2014; GENIUS et al., 2014). Todavia, alguns autores analisaram essas questões propondo um quadro teórico, baseado na VBR, com a finalidade de estudar a adoção de práticas de inovação em gestão (DRIES et al., 2014; LIN, SUN, HIGGINS, 2016). Assim, supõe-se que quando os produtores têm mais anos de prática na olericultura, podem tomar melhores decisões em virtude do acúmulo de experiências. Assim, surge a próxima hipótese da presente pesquisa.

Hipótese 3 – A idade maior dos produtores aumenta a probabilidade de adoção de PIS por olericultores da região serrana fluminense.

O porte da propriedade e a condição do produtor em relação a condição de trabalho do produtor (conta própria/parceria) tem se apresentado como importantes determinantes para adoção de tecnologias na agricultura. Cabe ressaltar que, embora outras alternativas de resposta estivessem presente no questionário utilizado (ver questão 24 no Apêndice A), somente duas condições de trabalho foram mencionadas pelos entrevistados: conta própria e parceria. Nesse sentido, estudos têm abordado, por exemplo, questões relacionadas ao tamanho da propriedade (GIL; SIEBOLD; BERGER, 2015) e se a área utilizada cultivada é própria ou em parceria (KASSIE et al., 2015). Alguns estudos abordaram essas questões sob o ponto de vista da VBR, e identificaram que o maior porte da empresa pode ser determinante, por exemplo, para a adoção de inovação em tecnologia de informação (WU; CHIU, 2015), inovação em cultivo agroflorestal (BROCKINGTON; HARRIS; BROOK, 2015) e inovação em produtos ecológicos (HUNAG; YANG; WONG, 2014). Nesse sentido, delineiam-se as próximas hipóteses da presente pesquisa.

Hipótese 4 – O maior porte da propriedade aumenta a probabilidade de adoção de PIS entre os olericultores da região serrana fluminense.

Hipótese 5 – O produtor que tem como condição o trabalho por conta própria, possui maior probabilidade de adoção de PIS.

As características das relações de mercado, a qual os produtores estão inseridos, têm sido apontadas na literatura tradicional como um determinante para a adoção de tecnologias. Entre essas características incluem-se: a distância dos mercados (MANDA et al., 2016) e o tipo de relação com os consumidores (GENIUS et al., 2014). A luz da VBR, alguns estudos analisaram a influência do acesso e manutenção de mercados consumidores na adoção de inovação. Nesse sentido, identificou-se que, o papel das demandas dos clientes pode influenciar a adoção de inovações. Essa constatação foi identificada, por exemplo, na utilização de técnicas de cultivo orgânico por pequenos produtores franceses (ALLAIRE et al., 2015), na adoção de inovação em cadeias de suprimentos, em empresas japonesas (TODO; MATOUS; INOUE, 2016) e na inovação em gestão entre produtores de vinho da Hungria (DRIES et al., 2014). Assim, supõe-se que a forma de comercialização e as relações com os compradores e clientes podem interferir na adoção de PIS. Espera-se que produtores que comercializam com intermediários teriam mais difícil acesso a informações de mercado e de alternativas tecnológicas, reduzindo as chances de adoção. Por outro lado, produtores com acesso a formas mais diretas de comercialização teriam maior probabilidade de adoção, emergindo assim a próxima hipótese da presente pesquisa.

Hipótese 6 – Produtores que comercializam com outros agentes, distintos dos intermediários, tem maior probabilidade de adoção de PIS.

A percepção dos produtores em relação aos riscos da tecnologia tem sido considerada um importante determinante da adoção de tecnologias na agricultura (WOSSEN; BERGER; Di FALCO, 2015), dentre esses, pode-se destacar o custo e a expectativa relacionados à adoção (GIL; SIEBOLD; BERGER, 2015; DERWISCH et al., 2016). Essa situação também foi retratada em estudos que verificaram a adoção de tecnologias sob a ótica da VBR, exemplos são encontrados na adoção de inovação em TI (WU; CHIU, 2015) e de inovação em gestão (D`SOUZA; KULKARNI, 2015). Assim, supõe-se que a confiança em relação à viabilidade da tecnologia, bem como a perspectiva positiva em relação à atividade, poderia facilitar o processo de adoção. Nesse sentido, a presente pesquisa visa avaliar a confiança e a perspectiva quanto a rentabilidade da produção olerícola, pelo nível de investimento na atividade e pelo valor do patrimônio produtivo, representado por máquinas e equipamentos ligados a produção. Nesse sentido, delineiam-se as próximas hipóteses para a presente tese.

Hipótese 7 – O maior nível de investimento aumenta a probabilidade de adoção de PIS entre os olericultores da região serrana fluminense.

Hipótese 8 – O maior patrimônio produtivo total aumenta a probabilidade de adoção de PIS entre os olericultores da região serrana fluminense.

Hipótese 9 – O controle das despesas relacionadas à produção aumenta a probabilidade de adoção de PIS entre os olericultores da região serrana fluminense.

Aspectos relacionados a questões financeiras têm sido apontados na literatura tradicional de adoção e difusão de tecnologias como importantes determinantes de adoção. Entre esses fatores encontram-se os subsídios (CHATZIMICHAEL; GENIUS; TZOUVELEKAS, 2014), o acesso a crédito (WOSSEN; BERGER; Di FALCO, 2015), e a renda agrícola (ABDULAI; HUFFMAN, 2005) e não agrícola (MANDA et al., 2016). Tal relação também foi apontada em estudos que abordaram a adoção de tecnologias utilizando a abordagem baseada em recursos, que identificaram a relação do crédito com a adoção de inovação em gestão (SILVESTRE; SILVA NETO, 2014) e a inovação em cultivo agloflorestal (BROCKINGTON; HARRIS; BROOK, 2015). Nesse sentido, surgem as últimas hipóteses da presente pesquisa.

Hipótese 10 – O acesso a crédito aumenta a probabilidade de adoção de PIS entre os olericultores da região serrana fluminense.

Hipótese 11 – A maior renda dos produtores aumenta a probabilidade de adoção de PIS entre os olericultores da região serrana fluminense.