CAPÍTULO 4 ANÁLISE DO MATERIAL
4.1 História contada Atividade de leitura e conversas como contexto para propostas de
Observando o quadro de situações de produção de textos escritos, a primeira categoria que nos chama atenção, pela sua cotidianidade, é a História Contada. Marcando a presença da leitura literária em todas as aulas da turma no momento da roda de conversa, as histórias fazem parte de atividades rotineiras na sala.
O contato com a linguagem literária tem se mostrado importante para a inserção das crianças no mundo da cultura letrada. Para Antônio Candido (2000, p. 20) a literatura é a “manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação [...]”. Por meio da literatura, a criança tem a possibilidade de ver o mundo através de outros caminhos, de se colocar em diferentes papéis, mais amplos, que se alternam de um outro lugar que não está ligado à busca de instruir, moralizar, educar ou fazer a criança aprender a ler e escrever a palavra, a frase ou escrever um pequeno texto acartilhado. Mas, sim, discursos que fazem sentido e significado para a criança. Bartolomeu Campos de Queirós (2009) fala que “liberdade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância”. Esse espaço se materializa na sala de aula, na escola que tem papel social e político de relevância na vida de muitas famílias que têm pouco ou nenhum acesso aos livros como leitoras.
As histórias são contadas pela professora ou algum aluno traz, por iniciativa própria, alguma sugestão de leitura ou outro gênero para ser lido e conversado, como: um jornal que é feito na comunidade, um poema, ou uma música que está na moda.
Na aula do dia 18/03/19, a história contada cujo título era Tudo bem ser diferente foi trazida para a roda por sugestão de um aluno. Inspirado por uma conversa de uma aula anterior em que a professora trouxe a história Ler é uma gostosura do mesmo autor Todd Parr, o aluno reconheceu que tinha um livro da coleção de que ele gostava muito em casa. Nesse dia a professora leu a história e aproveitou para conversar sobre os outros livros desse autor e perguntou ao aluno por que ele gostava dessa história. Nesse momento, a criança responde: “Eu gosto porque tem um menino como eu, ele usa a cadeira para andar como eu3”.
Na hora da contação, Simone, atenta à fala do aluno, leva o grupo a pensar e ver como as personagens da história podem ter algumas características parecidas com as deles ou com alguém que eles conheçam. Os alunos começam a ver e a identificar que existem personagens que podem ter características parecidas com as deles.
Outra aula observada no campo, em que um aluno tem a possibilidade de sugerir uma história, foi no dia 11/03/19. Nessa aula, a professora fala sobre um livro com trava-línguas que era dela desde criança e que era lido por seu pai. Seu trava-língua preferido fazia graça com a nacionalidade portuguesa, justamente porque seu pai era português. O aluno diz nessa hora que também tem um trava-língua que sua mãe sempre lê para ele:
Cr:- Minha mãe conta essa da Porca Morta. “Atrás da porta torta tem uma porca morta”.
P:- Essa eu não conhecia. (Disse a professora.)
Todos os alunos gostaram muito de ouvir o trava-língua. A professora sugere que o texto do trava-língua apresentado pelo aluno passe a fazer parte do repertório da turma para opção de trabalho com a leitura e escrita. Nesse mesmo dia a professora propõe que os grupos escolham e escrevam um trava-língua conhecido por eles. O grupo do menino que trouxe o trava-língua da Porca escolhe escrevê-lo. Como podemos ver abaixo:
Figura 7: Cópia da atividade das crianças
Fonte: Acervo da pesquisadora.
O momento de escolha dos livros é livre. As crianças têm total liberdade de pegar suas leituras preferidas para levarem para ler em casa ou na sala. Elas conversam sobre o livro já lido, do que mais gostaram, trocam informações com colegas e com a professora, e
começam a perceber informações do tipo: obras do mesmo autor, histórias repetidas e escritas de forma diferente.
Em seus estudos Sobral (2009) deixa claro que, a interação é um conceito bakhtiniano que envolve vários níveis e que vai além da relação face a face entre sujeitos sendo “condicionada pela situação pessoal, social e histórica dos participantes e pelas condições materiais e institucionais imediatas e mediatas em que ocorre o intercâmbio verbal” (p. 44). A interação se constitui como categoria básica e realidade fundamental da língua em que a dinamicidade do universo social é representada pelo diálogo. Nesse universo da sala de aula, as crianças demostram muitos conhecimentos, curiosidade e aprendem na interação entre todos da turma.
Após a conversa da professora sobre o livro 100 Animais ameaçados de extinção que trazia informações a respeito do tema que a turma estava estudando, eles foram para o momento livre de consulta aos livros. A cena a seguir foi registrada no caderno de campo no dia 18/09/18.
Cr: - Oh, tia, eu e ele pegamos o mesmo livro. (Diz um aluno apontando para o livro do colega que está ao seu lado)
P: - Mas é o mesmo livro? [Silêncio]
P: - Vê aí se é o mesmo livro? (Nesse momento as crianças começam a comparar e olhar as histórias.)
C: - Eu peguei a do Saci. (O livro a que o aluno se referia era 13 Lendas Brasileiras, que tinha a figura do Saci na capa e que foi escrito pelo Mario Bag.)
C: - Eu tô vendo do Papa-Figo.
P: - O Mário Bag fez esse daqui. É o mesmo autor. Olha lá na frente. (Nesse momento, a professora aponta para a informação no livro mostrando aos alunos.)
P- Ele também fez esse aí do Papa-Figo. (Nesse momento, a professora pega todos os livros do mesmo autor e os coloca junto para que os alunos possam ver e comparar as histórias).
A todo o momento nas conversas que a professora faz com as crianças nos grupos, ela encaminha os alunos para pensar, refletir e reelaborar seus conhecimentos e rever suas
escolhas para a escrita. A sala é encharcada de muitas conversas e as crianças têm a oportunidade de mergulhar em vários materiais escritos para aprender.
Esse movimento nos parece se aproximar do que afirma Smolka (2012, p. 48), ressaltando que o diálogo que a criança estabelece na relação com adultos, no fluxo de seu desenvolvimento, permite a “possibilidade de elaboração do pensamento e de construção conjunta do conhecimento, o que, por sua vez, conduz a um nível cada vez maior de conscientização e participação efetiva na sociedade”.
Em outro momento da aula do dia 06/09/18, a professora traz uma reportagem falando do educador Paulo Freire, que dá nome à Escola de Formação de Professores do Município do Rio de Janeiro. Esse grande educador brasileiro é internacionalmente conhecido, e via a educação como prática da liberdade dos oprimidos; um nome emblemático que representa a luta por uma educação de qualidade para todos os filhos e trabalhadores desse País. Nessa escola os professores da rede vão eventualmente para participar de cursos. Os alunos já sabem que existe este espaço, onde a professora vez ou outra comparece. E quando a professora está envolvida em algum evento na Escola de Formação, sempre conversa com os alunos, para informar que em determinado dia estará estudando, informando do mesmo modo quem foi Paulo Freire e sua importância para a educação. Como podemos conferir, na conversa a seguir:
P: - Hoje eu trouxe essa reportagem, uma entrevista. Nessa parte aqui do caderno, que é a parte da sociedade. Olha, está escrito: “Paulo estaria de cabelos em pé com esses horrores”. Fala um pouco sobre a Educação de Jovens e Adultos, porque no Brasil existem escolas de Jovens e Adultos. Quando a pessoa cresce, e não aprende a ler e escrever, ela procura, depois que passou a infância, uma escola para aprender a ler e escrever.
Cr:- Eu sei ler e escrever, tia.
Cr:- Minha vó lá do Ceará não sabe.
P:- Mas tem adulto que não aprendeu quando era criança, não tinha escola onde ele morava, não teve a oportunidade de estudar como vocês têm hoje. Paulo Freire, gente, era professor de pessoas assim. Ele ensinava os adultos a ler e escrever. Então, aqui tem uma foto antiga (gesto com o dedo representando tempo passado) dos alunos do Paulo Freire. Olha que legal! Olha como a foto ainda é em preto em branco.
P:- Muito antigo. Tem vinte anos que Paulo Freire morreu. Há vinte anos que a Ana Maria Araújo Freire ficou viúva. Então ela deu essa entrevista falando que tem muitas escolas de jovens e adultos fechando no Brasil, será que isso é certo? Um adulto querendo estudar e não tem escola para ele estudar.
Cr:- Não! (Respondem as crianças com expressão de preocupação sobre as indagações da professora.)
Cr:- Mas você não disse que o professor Paulo Freire morreu? (Indaga um aluno.)
P:- Mas tem muitos professores que trabalham com jovens e adultos.
Cr:- Muitos? P:- Sim, muitos.
Cr:- Minha mãe estuda lá no Timbau.
P:- Sim, é o Centro de Educação de Jovens e adultos que tem aqui na Maré. (Então a professora segue mostrando a foto da viúva de Paulo Freire e termina de ler a entrevista.)
Simone, ao abrir suas aulas com leitura literária ou algum outro gênero, traz a possibilidade de pensar em uma formação discente sobre uma dimensão sensível, ética e estética que leva em consideração o ponto de vista dos alunos envolvidos, sua criatividade. E os faz pensar sobre si, sobre o outro e sua comunidade, num movimento dialógico sobre os conhecimentos que permeiam a escola e a vida.
Em conversa com a professora, ela fala sobre a importância da literatura no seu trabalho e sua opção por trabalhar com os gêneros literários, que não podem faltar no seu trabalho pedagógico: “acredito no potencial real que a magia literária tem para encantar os alunos na descoberta de um mundo que ela ainda não conhece ou que ainda está tateando em sua vida”.
A professora, costura suas conversas com os alunos, fazendo hiperligações que conectam e redirecionam os alunos aos seus conhecimentos do mundo social vivido por eles.
O trabalho de linguagem que envolve sua prática, não se limita a só informar, descrever as coisas, mas é também uma linguagem revestida de afeto, de um lado estético,
provocador, ousado, que amplia os referenciais do mundo, indo além da informação para o encantamento do imaginário e para a percepção do lugar que o aluno ocupa naquela sala de aula, naquela comunidade. Uma linguagem que inunda as vivências dos alunos auxilia e orienta suas produções escritas.
As observações feitas e a compreensão que o quadro no Apêndice B aponta nos possibilita verificar que não há uma relação direta entre as categorias História contada e Atividade de texto. E por que esse destaque? A literatura que a professora proporciona para as crianças não é direcionada para “lançar” determinado conteúdo ou marcar ensinamentos morais sobre como agir e se comportar socialmente. Seu trabalho de leitura e escrita com as crianças vai sendo marcado por uma concepção de atividade com a literatura que a professora expressa do seguinte modo: “os livros fazem parte do dia-a-dia como prática social para a fruição, para o conhecimento e o desenvolvimento do pensamento humano”.
As leituras literárias que estão à mão das crianças na sala de aula geram diversas interpretações. Suas experiências são mexidas, remexidas e reelaboradas, dando suportes às suas escritas. Na sala a criança pega o livro e lê, trazendo elementos que ouviu de memória ou inventando outros, a partir das ilustrações que vê ao folhear as páginas. A escuta é aberta ao diverso e ao imprevisível na interlocução com a professora e com as crianças da turma. Mesmo antes de lerem e escreverem convencionalmente, os alunos são vistos como sujeitos que leem e escrevem. Eles têm a possibilidade de ler com os olhos e ouvidos e escrever com a boca e as mãos.
Trazer a literatura para a vida das crianças como essencial, ou seja, aquilo que não pode faltar na sala de aula de alfabetização, é fomentar a literatura como forma de expressão do indivíduo, sentido através das ilustrações, das diferentes emoções, sensações e variedade de pensamentos.
Para Bakhtin (2003, p. 74) “a arte me dá a possibilidade de vivenciar em vez de uma, várias vidas, e assim enriquecer a experiência de minha vida real [...]”. Nesse contexto, o espaço da linguagem verbal, o espaço da interação entre eu e o outro, da pedagogia cotidiana mediada pelo outro na apropriação das práticas sociais que envolvem o conhecimento da língua escrita, se desdobra em emergentes questões para a compreensão dos sentidos das ações dos sujeitos em sua passagem pela esfera escolar.
Em direção ao trabalho que a professora faz com o texto escrito, apresentamos a aula de 17/10/18. Aí se evidenciam os sentidos que as crianças revelam que se cruzam com sentidos que passam a compartilhar no processo de trabalho com a literatura literária em sala de aula.
Uma parte longa do episódio se faz necessária para se apreciar a conversa que é travada. Neste dia os alunos fizeram a avaliação da instituição, promovida pela SME, que chega para todas as escolas municipais. O cenário da sala de aula muda de disposições, as cadeiras em grupos dão lugar para as mesas e cadeiras em fileiras. Essa organização, só é válida em dias de prova e os alunos já sabem desse combinado que foi conversado e construído por eles. Isso não impede de o trabalho continuar alicerçado na conversa e na coletividade do grupo. As crianças, em sua maioria, não têm dificuldades em fazer com êxito as provas. A professora lê os enunciados das questões. E logo que vão percebendo a lógica dos exercícios, vão falando suas impressões como:
Cr:- Caramba!! Eu sei fazer, tia!! Cr:- Tá muito fácil!!
Cr:- Essa é muitoooo fácil!!
Nesse momento, as crianças se colocam num lugar de saber daquele conhecimento. O fluxo da avaliação continua sem que a professora interrompa suas falas dizendo que “na hora da prova não se pode falar ou na hora da prova não se olha para o lado”, como é comum na tradição escolar. A avaliação nessa turma é mais um espaço de elaboração e construção dos assuntos aprendidos na turma.
Assim que as crianças vão terminando suas provas, se dirigem para o final da sala, para o momento livre de escolha de livros. O acervo de livros fica disponível na sala para consulta dos alunos e da professora. Simone acompanha os alunos, auxiliando e orientando. Ela tem uma tabela em que registra o nome de cada aluno e o livro emprestado. Caso queira, o aluno pode utilizar a tabela para verificar os livros que já foram lidos. Geralmente eles escolhem seus livros sozinhos e se quiserem repetir a leitura de um livro, não tem problema. Essa tabela é mais para organização do trabalho da professora, porém os alunos podem consultá-la sempre que acharem necessário. Segue a transcrição:
[Barulho das crianças sentadas ao fundo da sala conversando sobre seus livros, no momento livre de escolha...]
A professora caminha em direção a um aluno que está em outro espaço da sala com um livro na mão lendo uma frase em alto tom.
P: - O que você está lendo?
Cr:- Se não!!!!!! O quê? (Fala em voz alta um aluno com o livro na mão)
Cr:- Esse daqui, ó. Do cachorro. (o aluno responde mostrando o livro para a professora. E logo se aproxima um amigo que também reconhece a leitura.)
P: - Que história é essa daí?
Cr: - Não lembro o nome (Um aluno) P: - Não lembra o nome?
Cr:- Se não!!!!.,( Diz um outro aluno para ajudar.)
Cr:- Se não!!! O quê...? O cachorro. - Quero uma bomba de chocolate? (Lê o aluno, apontando a fala da personagem cachorro.)
Cr:- Se não!!!O quê? (Chega outro aluno e com voz grossa repete a frase, como se estivesse lembrando a história)
P:- Por que você gostou dessa história, Lucas?
Cr:- Porque eu gosto dessa hora que ele fica triste. (Aponta para o lobo na história.)
P:- Do lobo ficando triste você gosta? (Pergunta a professora.)
Cr:- Éééé (Responde o aluno balançado a cabeça.) P:- Você gosta que o lobo se dê mal?
Cr:- Sim, porque ele é muito mal-educado (Responde o aluno.)
P:- Aaaaah, que horror!!!!
Cr:- Isso é muita falta de educação. (Diz uma aluna.) P:- Por que que é falta de educação?
Cr:- Xingar a pessoa (Responde a aluna.) P:- Mas ele xingava?
P: - Gritava como?
Cr:- Me passa uma bomba de chocolate!!!! Se nãooooo (falou um aluno antes da aluna também falar)
P:- Mas ele só falava “se não”. “Se não” é ameaçar?
Nesse momento, a aluna fica atenta à indagação da professora, olhando para o amigo. Chega outro aluno e repete a frase alto “Se não!” fazendo expressões com o corpo como se estivesse intimidando alguém.
Cr:- Aí o cachorro falava “se não o quê? Se não o quê?” (Um aluno.)
P:- Mas o cachorro gritou também? Cr:- Gritou! (Disse a aluna.)
P:- Ué! Mas você não falou que era mal-educado gritar? O cachorro também gritou. E aí?
Nesse momento a aluna continua participando da conversa com ar reflexivo.
Cr: - Eu não vou botar a culpa nele, eu só vou botar a culpa no lobo. (Diz a aluna.)
P:- Ahh!! Entendi.
Cr: - Porque se o lobo é mau, porque o cachorro não é com ele. (Fala a aluna olhando para a professora como se estivesse defendendo o cachorro.)
Cr:- Eu vou ver de novo. (Diz outro aluno e pega a história para ler junto com os amigos e a conversa continua ...).
A literatura nessa sala de aula convive e é muito próxima dos alunos. Percebemos uma rede de sentidos que vão se construindo na conversa dessa leitura literária. O que é ser mal-educado? Ele é culpado por que é mau? Gritar é xingar? O que é ameaçar alguém?
O sentido é produzido na relação de dois sujeitos professor e aluno e é o sentido que leva à aprendizagem. Esse espaço vai ao encontro com que Goulart (2017, p. 22) fala: “o ponto de partida de qualquer conhecimento é o sentido, é a construção de sentidos sociais, coletivos, as formas de produzir sentidos, as necessidades e as vontades de produzir sentidos”. A professora, por via da literatura, convida as crianças a entrarem no espaço da escrita de
forma criativa, livre, formativa e humanizadora. Possibilita os alunos criarem e recriarem suas escritas, seus sentidos. Nesse percurso a professora dispõe o texto escrito de forma organizada e ampliada. As crianças vão alargando seu vocabulário de forma diversa dentro de um contexto amplo de muitas possibilidades, se colocando no lugar de leitor.
Não existe a primeira nem a última palavra e um ponto final. A prática pedagógica da professora vai penetrando num fluxo ininterrupto da corrente verbal, onde ouvir e falar são faces da mesma moeda no processo interlocutivo que vai em direção à resposta responsiva e responsável na relação da leitura escrita, ampliando o repertório de referência das crianças. “Todo texto é muito maior do que a soma de suas partes” (GOULART, 2011). Conforme Goulart, percebemos que os textos que estão sendo gerados pela via da conversa e mergulhados na literatura são muito maiores do que podemos formatar em uma folha de papel. É vital que “as letras se tornem elementos da vida das crianças, da mesma maneira como, por exemplo, a fala” (VIGOTSKI, 1989, p. 134). Essa letra ganha corpo nos enunciados de cada texto dos diferentes gêneros que circulam na sala de aula.
A leitura de um texto depende dos conhecimentos do leitor, adquiridos ao longo da vida, nas interações. O que o outro fala importa e isso cria coletividade, respeito e fortalece o grupo, pois “não há uma palavra que seja a primeira ou a última, e não há limites para o contexto dialógico” (BAKHTIN, 2003, p. 413).
Na perspectiva do mundo da leitura e da escrita, os conhecimentos devem vir das interlocuções de textos. É de suma importância ler, desde sempre nas aulas, para as crianças que estão se apropriando da escrita. Não aprendemos a ler e a escrever por parte, mas sim lendo, registrando contando histórias. É assim, que aprendemos para que serve a escrita no mundo. Depois que se lê, cria-se outras possibilidades de ver o mundo e de se colocar perante ele.
4.2 Gênero motivador e proposta para a escrita. O trabalho com diferentes gêneros