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CAPÍTULO III – O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO NA

3.1 EVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS TÊXTEIS

3.1.1 Histórico

A indústria têxtil é uma das mais antigas do mundo. O homem aprendeu a utilizar as fibras como o linho, a lã, os pêlos dos animais e algodão, passando a transformá-los por processo manual.

“Os dados de maior confiança nos levam a crer que o Egito (...) e a Índia, com seus famosos panos para vestimentas, constituíram o berço da Indústria Têxtil. Em épocas mais recuadas, esta atividade veio a transformar-se numa operação doméstica tão vulgarizada que chegou a ocupar metade da população da Índia” (RIBEIRO, 1984, p.2)

No início da fiação, foi utilizado o fuso manual, no qual as fibras eram desembaraçadas e estiradas manualmente, sendo o fuso girado para aplicação das fibras. Surgiria mais tarde o torno de fiar, que apesar de ter um sistema idêntico ao anterior, aumentava a velocidade da torção.

No torno de fiar de pedal, a fiandeira permanecia com as mãos livres, podendo estirar maior quantidade de fibras, sem interromper o enrolamento. Este torno viria a ser aperfeiçoado, mais tarde, por Leonardo da Vinci. “Em suma, a evolução da fiação se processou em quatro estágios, a saber: 1º)Fuso Manual, 2º) Torno de Fiar de Mão, 3º) Torno de Fiar a Pedal e 4º) Torno de Fiar de Leonardo da Vinci” (RIBEIRO, 1984, p.3)

Os teares aparecem na era Cristã com quatro ou mais liças, próprios para a fabricação de tecidos fantasias.

O t e a r d e e s t i c a r t a mb é m c o me ç o u a s e r u s a d o n o O r i e n t e P r ó x i mo , n a S í r i a e n o s a s s e n t a me n t o s c ó p t i c o s n o E g i t o , p r o v a v e l me n t e p o r v o l t a d o s é c u l o I V . N ã o p o d e h a v e r mu i t a s d ú v i d a s s o b r e a p r e d o mi n â n c i a d a s i n fl u ê n c i a s c h i n e s a s n a i n t r o d u ç ã o d o t e a r d e e s t i c a r e n o d e s e n v o l v i me n t o d e t e c i d o s c o m t e a r e s d e e s t i c a r , ma s o s c o n t a t o s c o m a C h i n a t o r n a r a m- s e ma i s fr a c o s d e p o i s d o s é c u l o I I I e , p o r v o l t a d o s é c u l o V I I , o c o n t a t o d i r e t o fo i t o t a l me n t e p e r d i d o ( U S H E R , 1 9 9 3 , 3 4 1 ) .

Nesse mesmo século, são inventados o tear de meias e de fitas, e também o tear de malhas. A primeira máquina para a fabricação de malhas é inventada em 1589 por Willian Lee.

A má q u i n a e r a o r i g i n a l me n t e p r o j e t a d a p a r a s e r t r a b a l h a d a c o m o s p é s , d e mo d o q u e e m a l g u n s a s p e c t o s e l a é a p e n a s u m e l e me n t o d e u ma g r a n d e c l a s s e d e má q u i n a s a c i o n a d a s p o r p e d a i s i n v e n t a d a s n o s é c u l o X V I ; e n t r e t a n t o , e l a e r a mu i t o ma i s a u t o má t i c a q u e a ma i o r i a d a s má q u i n a s d e s u a é p o c a e , a t r a v é s d e s u a h i s t ó r i a s u b s e q ü e n t e , e l a p a s s a a o c u p a r u m l u g a r n o t á v e l n a h i s t ó r i a d a c o mp e t i ç ã o e n t r e a s má q u i n a s e o t r a b a l h o ma n u a l . ( U S H E R , 1 9 9 3 , p . 3 6 4 ) .

Era capaz de fazer a tela para a fabricação de meia com emendas. Mais tarde foi adaptada para a fabricação de meias de seda. Já o tear de

fita7 teve início na Holanda, e no final do século XVII, seu uso foi

estendido às regiões mais importantes da Alemanha, Suíça, Inglaterra e França.

A máquina de fiar em foi criada em 1730 por John Wyatt e Lewis Paul. “No momento em que John Wyatt encontrou Lewis Paul, já concebera, segundo seu filho, Charles Wyatt, a idéia de uma máquina de fiar” (MANTOUX, 1957, p. 200).

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O funcionamento desta máquina é: o conteúdo de cada carda, após ter sido enrolado, é reunido de forma que toda a massa forme uma espécie de fio grosso. Em 1733, o tecelão John Kay inventou a lançadeira-volante (fly-shuttle). N a s c i d o e m 1 7 0 4 , p e r t o d e B u r y , n o c o n d a d o d e L a n c a s t e r , J o h n K a y c o me ç o u a t r a b a l h a r a s e r v i ç o d e u m d o s me r c a d o r e s ma n u fa t u r e i r o s d e C o l c h e s t e r . E m 1 7 3 0 , e s t a v a o c u p a d o n a fa b r i c a ç ã o d e p e n t e s p a r a t e a r e s . E l e e r a , p o r t a n t o , me i o t e c e l ã o e me i o me c â n i c o : e l e me s mo u t i l i z o u o s i n s t r u me n t o s q u e v i r i a d e p o i s a a p e r fe i ç o a r . ( … ) A i n v e n ç ã o d a l a n ç a d e i r a - v o l a n t e fo i p r o v o c a d a p o r u ma s é r i e d i fi c u l d a d e p r á t i c a [ s i c ] , e x p e r i me n t a d a n o d i a - a - d i a p e l o s fa b r i c a n t e s . ( M A N T O U X , 1 9 5 7 , p . 1 9 6 ) .

Em sua estrutura existe pente ou sarrafo que foi construído de modo a deixar espaços nas duas extremidades das caixas, e a parte frontal da estrutura do pente é alargada para fornecer um espaço para que esta possa correr. As curvas da lançadeira manual são substituídas pelas linhas retas, as extremidades são protegidas por ponteiras de metal para facilitar a passagem dos fios na urdidura que ficam no trajeto em que ela deve correr.

As pequenas tiras de madeira completam as caixas nas extremidades do pente. O “ p e g a d o r ” é fe i t o d e p e d a ç o s d e c o u r o p e s a d o , u n i d o s p o r u m p e d a ç o d e ma d e i r a . O t e c e l ã o c o l o c a a l a n ç a d e i r a e m mo v i me n t o d a n d o u m g o l p e b r u s c o n a c o r r e i a a ma r r a d a a o p e g a d o r . A l a n ç a d e i r a é s e g u r a d a e p a r a l i s a d a s u a v e me n t e , s e m r i c o c h e t e . A d e s t r e z a p a r a fa z e r i s t o c o mo s e d e v e , a t r a v é s d e u m s i mp l e s mo v i me n t o d a mã o , s ó p o d e s e r a d q u i r i d a d e p o i s d e mu i t a p r á t i c a . A l a n ç a d e i r a v o l a n t e a u me n t o u a v e l o c i d a d e d e t e c e l a g e m, p o i s l i b e r o u u ma d a s mã o s d o o p e r a d o r e p o s s i b i l i t o u q u e e s t e u s a s s e u ma mã o e x c l u s i v a me n t e n a ma n i p u l a ç ã o d o p e n t e ( U S H E R , 1 9 9 3 , p . 3 7 4 ) .

Desta forma, ela possibilitou o aumento da velocidade dos teares. A lançadeira-volante somente em 1760 difundiu-se por toda a indústria têxtil. Sendo assim, em 1738, Lewis Paul (Birminghan) alterou o sistema de fiação, fazendo com que a lã e o algodão cardados passassem por dois cilindros, que giravam em velocidades diferentes, passando depois pelo fuso e dando-lhes a torcedura conveniente. O filatório conhecido como “Spinning Jenny” surgiu entre 1764 e 1767, criado pelo carpinteiro- tecelão James Hargreaves.

A má q u i n a e m s u a fo r ma p r i mi t i v a e r a d e e s t r u t u r a e fu n c i o n a me n t o s i mp l e s . C o mp u n h a - s e d e u m c a x i l h o r e t a n g u l a r mo n t a d o e m q u a t r o p é s . E m u ma d e s u a s e x t r e mi d a d e s fi c a v a u ma fi l e i r a d e fu s o s v e r t i c a i s ; t r a n s v e r s a l me n t e , d u a s b a r r a s d e ma d e i r a , c o n e c t a d a s u ma n a o u t r a e mo n t a d a s n u ma e s p é c i e d e c a r r i n h o , d e s l i z a v a m à v o n t a d e , p a r a fr e n t e e p a r a t r á s . O a l g o d ã o , p r e v i a me n t e c a r d a d o e t o r c i d o , p a s s a v a e n t r e a s d u a s b a r r a s , i n d o d e p o i s s e e n r o l a r n o s fu s o s . C o m u ma d a s mã o s o fi a n d e i r o fa z i a i r e v i r o c a r r i n h o , c o m a o u t r a e l e g i r a v a u ma ma n i v e l a c u j o mo v i me n t o s e c o mu n i c a v a a o s fu s o s . O fi o e r a a s s i m e s t i r a d o e t o r c i d o a o me s mo t e mp o ( M A N T O U X , 1 9 5 7 , p . 2 0 8 ) .

Esta máquina era simples e barata, não ocupando muito espaço nas oficinas. Produzia de 6 a 7 fios ao mesmo tempo, chegando mais tarde a produzir 80 fios simultaneamente. Em 1779 aparece o filatório contínuo de Arkwright. Ele “tinha sob seu comando os serviços de um relojoeiro de Warrington e os meios financeiros e os conhecimentos técnicos de Strutt, fabricante de teares de meias de Nottinghan” (USHER, 1993, p. 389). Esta máquina, semelhante à invenção de Lewis Paul, utilizava tambores para estender a mecha para passar para o fuso, sendo que o fio saía mais forte, pronto para ser usado na urdidura. Ela necessitava de maior energia para o seu funcionamento do que a força humana e por isso foi instalada em moinhos ou em fábricas, sendo que o operário fosse mais qualificado.

N e s t e me s mo a n o , “fo i i n v e n t a d a a fi a n d e i r a a u t o má t i c a mu l a p o r S a mu e l C r o mp t o n , q u e c o mb i n a v a a l g u ma s c a r a c t e r í s t i c a s d o fi l a t ó r i o c o n t í n u o e d a J e n n y . D u a s mu d a n ç a s e s s e n c i a i s fo r a m fe i t a s : o s fu s o s e r a m mo n t a d o s n o c a r r o e a b a r r a r í g i d a fo i s u b s t i t u í d a p o r u m o u ma i s p a r e s d e r o l o s ” ( U S H E R , 1 9 9 3 , p . 3 9 1 ) A p e s a r d e i n o v a d o r , e s s e e q u i p a me n t o a p r e s e n t a v a a l g u n s d e fe i t o s , p a r a c u j a c o r r e ç ã o fo r a m n e c e s s á r i o s o p e r a d o r e s ma i s q u a l i fi c a d o s , a l t e r a n d o o p a d r ã o d e r e mu n e r a ç ã o d o s t r a b a l h a d o r e s . E m 1 7 8 7 o t e a r me c â n i c o fo i i n v e n t a d o p o r E d mu n d C a r t w r i g h t . “ E s s a má q u i n a t e v e d i fi c u l d a d e s p a r a s e p o p u l a r i z a r , e m v i r t u d e d e a l g u ma s d e fi c i ê n c i a s me c â n i c a s ( o p r o b l e ma p r i n c i p a l e r a c o mo c o n s e g u i r v e l o c i d a d e s e m r o mp e r d e ma i s o s fi o s ) , e s u a d i fu s ã o p o d e s e r d i r e t a me n t e v i n c u l a d a à s fl u t u a ç õ e s n a d e ma n d a d e t e c i d o s e , p o r t a n t o , n o c u s t o d o t r a b a l h o ma n u a l ” ( L A N D E S , 1 9 9 4 , p . 9 1 ) .

O lançamento dessa máquina no mercado foi lento nas duas

primeiras décadas do século em virtude da Guerra dos Sete Anos e das barreiras alfandegárias que isolaram a Inglaterra de importantes mercados. Somente em 1820 a sua capacidade técnica fica superior à do tear manual.

O filatório com anel, inventado em 1828 nos Estados Unidos e que aos poucos foi difundindo-se mundialmente, não exige que o operador tenha muita qualificação. Os teares automáticos, implantados em 1900, substituem definitivamente os teares manuais.

No século XIX, várias foram as inovações introduzidas nos filatórios, que preparam a fibra para transformar-se em fio. Para tanto, foram criados vários tipos de abridores, de batedores, de cardas e de laminadeiras.

O processo de fiação com anel apresentava problemas de torção e de enrolamento do fio, somente solucionado com o surgimento do filatório open-end, que separa a torção do enrolamento do fio. Essa máquina veio simplificar a preparação para a fiação, eliminando várias máquinas e operadores.

Em 1937, a primeira máquina de fiar com rotor open-end foi patenteada pelo dinamarquês Berthelsen, mas somente em 1963 começaria a ser comercializada.

O ‘ fi l a t ó r i o o p e n - e n d c o m r o t o r ’ , q u e c o me ç o u a s e r e mp r e g a d o e m 1 9 7 0 a u me n t o u c o n s i d e r a v e l me n t e s u a i mp o r t a ç ã o n o p e r í o d o d e 1 9 7 7 e 1 9 7 8 , p r o v o c a n d o o d e s a p a r e c i me n t o d a s s e g u i n t e s o c u p a ç õ e s n a á r e a t ê x t i l : l i mp a d o r d e fi l a t ó r i o ( 1 9 6 0 ) , a l i me n t a d o r d e a b r i d o r e s ( 1 9 7 0 ) , o p e r a d o r d e b a t e d o r e s ( 1 9 7 0 ) , o p e r a d o r d e c a r d a s ( 1 9 7 0 ) , o p e r a d o r d e p a s s a d o r ( 1 9 8 0 ) , o p e r a d o r d e ma ç a r o q u e i r a ( 1 9 8 0 ) , fi a n d e i r o ( 1 9 8 0 ) , t r o c a d o r d e e s p u l a s d e fi l a t ó r i o s ( 1 9 8 0 ) , a b a s t e c e d o r d e fi l a t ó r i o ( 1 9 8 0 ) , l i mp a d o r d e c i l i n d r o ( 1 9 8 0 ) , t r o c a d o r d e v i a j a n t e s ( 1 9 8 0 ) , t r a n s p o r t a d o r d e e s p u l a d e fi l a t ó r i o ( 1 9 8 0 ) e o p e r a d o r d e c o n i c a l e i r a ( 1 9 8 0 ) . ( S E N A I / D N , 1 9 8 7 , p 5 0 )

Estas máquinas possibilitaram a indústria têxtil um aumento na produção, tornando o produto mais uniforme e de melhor qualidade, vindo assim provocar uma alteração no processo de produção.Tais transformações resultam de inovações tecnológicas provocadas pela introdução de máquinas com dispositivos eletrônicos no processo de fabricação do setor têxtil.

3.1.2 MATÉRIA- PRIMA

Na indústria têxtil, a matéria-prima classifica-se em fibras: naturais, artificiais ou químicas. As fibras naturais começaram a ser utilizadas no século XIX, e são encontradas na pecuária (produção de lã), na agricultura (algodão, linho, juta) e outras.

“Os comprimentos aproximados de algumas fibras naturais são de 25 a 35 mm para o algodão, de 30 a 300 mm para a lã e de 300 a 600 mm

para o linho” (RIBEIRO, 1984, p.34).

As fibras artificiais ou químicas são produzidas a partir da matéria-prima macromolecular de origem animal ou vegetal, como a celulose e a proteína. As sintéticas são obtidas por uma liga química de seus constituintes elementares. São elas: a viscose, cupramônio (Bemberg), a nitrocelulose, fibras de acetato, fibras de poliamida (náilon), fibras de poliéster, fibras de acrílico, fibras oleofínicas (polietileno, polipropileno), poliuretano-lycra, fibras de vidro. Surgiram em 1884 e eram feitas da regeneração de celulose, em um processo desenvolvido por Hilaire de Chardonnet.

O c o n d e fr a n c ê s d e C h a r d o n n e t a p r e s e n t o u e m 1 8 8 9 n a E x p o s i ç ã o M u n d i a l d e P a r i s o s p r i me i r o s t e c i d o s fe i t o s c o m n i t r o - s e d a a r t i fi c i a l . A me s ma s e d a a r t i fi c i a l fo i p r o d u z i d a p e l o i n g l ê s S w a n e u s a d a c o mo fi l a me n t o i n c a n d e s c e n t e e m l â mp a d a s e l é t r i c a s , d e p o i s d e t e r r e c e b i d o u m s e g u n d o t r a t a me n t o . A q u e s t ã o c o mo e d e q u e s e fa z i a o l í q u i d o p a r a a fi a ç ã o e s t a v a r e s o l v i d a . C h a r d o n n e t u s a v a c e l u l o s e , t r a t a v a - a c o m á c i d o n í t r i c o e á c i d o s u l fú r i c o , d i s s o l v e n d o - a n u ma mi s t u r a d e á l c o o l e é t e r . ( E R H A R D T , 1 9 7 6 , p . 9 ) .

Em 1898, aparece o rayon acetato. A viscose foi descoberta em 1892 pelos ingleses Cross e Bevan, que transformaram a celulose em um líquido viscoso para a fiação. No Brasil, a viscose (fibra com alta hidrofilidade), é introduzida em 1926, pela empresa Reunidas Matarazzo, e o acetato em 1931, pela Rhodiaceta, subsidiária da Rhône-Poulenc. Mas, a revolução da indústria têxtil aconteceu com a produção de fibras sintéticas, que provocaram mudanças no processo de novos produtos.

São fibras sintéticas: o náilon, o poliéster e o acrílico. O náilon substituiu a seda natural; o acrílico, a lã; o poliéster foi introduzido misturado ao algodão ou à lã, resultando os fios mesclados.

poliamídicas em conjunto com um grupo de pesquisadores. A corporação industrial Du Pont de Nemours Co, financiou as pesquisas e usufruiu dos resultados.

Já a fibra de náilon é resistente à tração e a fungos e bactérias. O rayon é utilizado na produção de tecidos planos e malhas. Também é aproveitado para fabricar tapetes, carpetes, pneumáticos, redes de pesca, correias transportadoras e objetos de uso militar. Após ser texteurizado, o náilon é conhecido por helanca, usada para confeccionar vestimentas em geral, principalmente da linha esportiva.

O processo de utilização do náilon é o mesmo da seda. Ela pode ser alvejada e tingida com os mesmos materiais usados para a seda. Para o tingimento, são utilizados corantes dispersos, desenvolvidos para as fibras de acetato de celulose, mas, não sendo resistentes à ação da luz e da lavagem, são mais aproveitadas para a fabricação de lingerie. O náilon também pode ser tingido, adicionando pigmento na massa de fiar. Ele possibilitou a elaboração de procedimentos especiais e a adaptação de aparelhagem convencional ao controle de qualidade na matéria-prima. As adaptações foram: aumento da capacidade de dinamômetros, novos dispositivos para a determinação da regularidade, criação de métodos para testar a extensibilidade e o poder de recuperação dimensional de filamentos texturizados. Foram também realizados métodos especiais para avaliar o grau de polimerização dos filamentos de poliamida.

Os filamentos de náilon já eram importados para uso têxtil em 1950, mas a sua produção somente ocorre em 1955, na usina construída pela Rhodia S/A, subsidiária do grupo francês Rhône- Poulenc.

Outra fibra importante é o poliéster sintético, estudada pela

primeira vez por um grupo de pesquisadores da empresa Du Pont. A pesquisa foi abandonada em razão de dificuldades para obter o ponto de fusão, por reação do ácido succínico com o etilenoglicol. Mais tarde, os

químicos ingleses J. R. Whinfield e J.T. Dickson (Calico Pribters Association) retomaram a pesquisa, obtendo o resultado desejado.

O poliéster possui características semelhantes às do náilon, mas se mostrou superior ao mesclar-se com o algodão, a linha e a lã. O poliéster é conhecido pelas marcas Dacron, Diolen, Tergal, Terylene, Tetron e Trevira. O filamento liso é utilizado na produção de tecidos para cortinas e coberturas de estofados, substituindo o náilon e a viscose, por seu menor custo. Também pode ser utilizado na produção de aglomerados (Bedin) para uso na construção civil e na indústria automobilística.

Com a introdução do poliéster, houve a necessidade de serem criados equipamentos de tintura de alta temperatura (aproximadamente 130º C) e alta pressão, e desenvolver corantes e produtos auxiliares, como óleos lubrificantes, amaciantes, dispersantes, resinas para acabamento e outros. Como a tenacidade do poliéster é alta, foram criados equipamentos de tecelagem e malharia com alta velocidade de produção, como os teares sem lançadeira. No Brasil, a introdução dessa fibra, de custo muito baixo, só ocorreu em 1955.

Já as fibras acrílicas foram obtidas em laboratório em 1931 (I.G. Farben) pelo pesquisador F. Rein. Várias outras empresas realizaram pesquisas. Com as marcas Dralon o laboratório Du Pont chegou à denominada Fibra A, depois conhecida por Orlon, Acrilon, Creslan e, por último, Zebran.

Quando misturada à lã, não ao algodão, essa fibra é utilizada na produção de tecidos e malhas para a confecção de blusas, suéteres, cobertores, meias e abrigos esportivos. Tem ainda utilidade na fabricação de perucas e de cabelos para bonecas.

A introdução dessa fibra provocou alterações no processo de beneficiamento, mais especificamente nas áreas de tintura e de estampagem. No princípio houve dificuldades com a tintura, só

resolvidas com a introdução de corantes catiônicos e auxiliares de tintura, especialmente desenvolvidos para as fibras acrílicas.

A utilização comercial dessa fibra ocorreu somente a partir de 1958, com o consumo em pequena escala, quadro que se alterou apenas em 1968. A popularização da fibra acrílica reduziu o consumo da fibra de lã.

3.1.3 PROCESSO DE FABRICAÇÃO

As diversas matérias-primas que vimos anteriormente sofrem uma

série de transformações, ou seja, passam por diversos processos de fabricação, divididos em setores, como: fiação, tecelagem plana e malharia. É por meio desses processos que são fabricados produtos intermediários ou sofrem beneficiamento, tornando os produtos aptos para utilização nos vários ramos industriais ou de consumo final.

3.1.3.1 Fiação 3.1.3.1.1 Introdução

A indústria têxtil tem início na fiação. O algodão chega em fardos à fábrica, onde sofre um processo de limpeza em que são retiradas impurezas, como: cascas, caroços e folhas. Depois vai para os batedores, e é transformado em rolo de manta destinado às cardas (processo tradicional). Nas cardas, o algodão é novamente limpo, separado em fibras, sofrendo operação de paralelização e estiragem, afinando o produto, formando fitas. Esse processo difere conforme o tipo de fio cardado ou penteado.

3.1.3.1.2 Fio Cardado

No caso de fio cardado, a fita vai para o passador, que uniformiza o peso da unidade de comprimento, e afinam o produto, paralelizando as fibras. Isto feito, as fitas vão para as maçaroqueiras, que afinam mais o produto, através da paralelização das fibras, aplicando uma pequena torção para que ele mesmo possa ser enrolado e desenrolado, transformando o pavio. O filatório transforma o pavio da maçaroqueira em fio, dando a estiragem e a torção final do produto. Os fios são enrolados em embalagens que, uma vez cheias, são transportadas para as conicaleiras.

As conicaleiras recebem o fio enrolado em espulas do filatório e as transferem para outras embalagens de tamanho e peso compatíveis com final que se requer do fio. Na mudança de embalagem são eliminadas algumas irregularidades existentes, como pontos grossos ou fracos dos fios, sendo que algumas conicaleiras executam até a emenda automática dos fios rompidos” (SENAI, 1987, p. 14).

Desta forma, o fluxograma do processo de fabricação do fio cardado é:

F i g u r a 2 : F l u x o g r a m a d o p r o c e s s o d e f a b r i c a ç ã o d o f i o c a r d a d o .

Fonte: Empresa Hering (O modelo que era utilizado para fabricação do fio Cardado é o Sistema Europeu).

3.1.3.1.3 Fio Penteado

No fio penteado (fio mais limpo, mais fino e com maior resistência), as fitas vão para as reunideiras, laminadeiras e penteadeiras tendo como produto final as fitas, que após limpas, vão para os passadores que uniformizam o peso/unidade de comprimento (através da duplicação), afinam o produto, paralelizando as fibras, transformando-o em fitas. Estas vão alimentar as maçaroqueiras que afinam o produto,

S A L A DE A B E R T U R A

C O N I C A L E I R A

F I L A T Ó R I O

M A Ç A R O Q U E I R A

P A S S A D O R

C A R D A

paralelizando as fibras, aplicando uma pequena torção para que ele seja enrolado e desenrolado, formando o pavio. Também as fitas de algodão vão para o filatório, transformando-se em fios que vão ser enrolados nos conicais para serem comercializados ou utilizados na tecelagem da indústria que os produziu. O fluxograma do processo de fabricação do fio penteado é: F i g u r a 0 3 : F l u x o g r a m a d o p r o c e s s o d e f a b r i c a ç ã o d o f i o p e n t e a d o . F o n t e : E mp r e s a H e r i n g ( O mo d e l o q u e e r a u t i l i z a d o p a r a a fa b r i c a ç ã o d o fi o p e n t e a d o é o S i s t e ma E u r o p e u .

A B E R T U R A

M A Ç A R O Q U E I R A

P A S S A D O R

P E N T E A D E I R A

L A M I N A D E I R A

C A R D A

P A S S A D O R

Portanto, “a qualidade e a quantidade de fios produzidos dependem de três componentes básicos, tomando-se como matéria-prima

o algodão: da qualidade da fibra de sua titulagem8, do tipo de fio

produzido (cardado ou penteado) e do nível tecnológico das máquinas, (filatório em especial)” (DIEESE, 1997, p. 90).

A introdução do filatório Open-End alterou o processo produtivo da indústria têxtil, reduzindo o número de etapas e de máquinas como: maçaroqueira, retorcedeira e conicaleira. Isto possibilita maior produção, menor espaço físico e reduz a quantidade de resíduo, requerendo menor atenção do operador. Além de eliminar as impurezas da fibra, possibilita também maior uniformidade no fio, fazendo a torção necessária, diminuindo a freqüência da ruptura do fio.

As transformações tecnológicas, ocorridas na década de 80 nos

diversos países centrais e em alguns países asiáticos provocaram alterações no processo produtivo como:

N a s a l a d e a b e r t u r a , a s o p e r a ç õ e s c o n t ê m d i s p o s i t i v o s e l e t r ô n i c o s d e c o n t r o l e ; a s c a r d a s t ê m p r o c e s s o d e a l i me n t a ç ã o a u t o má t i c a e má q u i n a s d e mi s t u r a d e fa r d o s d e ma t é r i a - p r i ma , c o n t r o l e s e l e t r ô n i c o s p a r a me d i r e r e g u l a r o p e s o p o r u n i d a d e d e c o mp r i me n t o d a me c h a p r o d u z i d a ; a s p a s s a d e i r a s u t i l i z a m a u t o - r e g u l a d o r e s e a t r o c a d o s v a s o s é a u t o má t i c a ; a s ma ç a r o q u e i r a s a d q u i r i r a m ma i s v e l o c i d a d e , ma s p a s s a r a m a s e r e l i mi n a d a s , c o m a i n t r o d u ç ã o d o s fi l a t ó r i o s O p e n - E n d . E s t e s p a s s a r a m p o r t r a n s fo r ma ç õ e s r a d i c a i s : d e a n é i s e fu s o s p a r a r o t o r e s ; d e u ma v e l o c i d a d e e 1 8 mi l r . p . m. ( a n o s 6 0 ) p a r a 8 0 mi l r . p . m. e a t é 1 0 0 mi l ( c o m a l g o d ã o d e b o a q u a l i d a d e e r o t o r e s d e 3 2 mm, c o m t í t u l o a c i ma d e 3 0 ) , n o s a n o s 8 0 e 9 0 c o n t é m d o i s r o b ô s a c o p l a d o s a o fi l a t ó r i o p a r a r e a l i z a r a e me n d a d o fi o e t r o c a d o s c o n i c a i s ; o o p e r a d o r ( o u a j u d a n t e ) r e a l i z a a p e n a s a s o p e r a ç õ e s d e c a r r e g a me n t o d a e s t a ç ã o d e c a r g a , c o n t r o l a o i n i c i o d o e n c h i me n t o d o s c o n i c a i s e a j u d a o r o b ô a fa z e r a e me n d a d o fi o , 8 A s p r o p r i e d a d e s d a s fi b r a s d e t e r mi n a m a q u a l i d a d e d o fi o n o s s e g u i n t e s a s p e c t o s : ma s s a , t e n a c i d a d e , e l a s t i c i d a d e , r e s i s t ê n c i a , t a ma n h o d a fi b r a e s u a c o l o r a ç ã o o u c a p a c i d a d e d e a b s o r ç ã o o u c a p a c i d a d e d e a b s o r ç ã o d a s c o r e s ( D I E S S E , 1 9 9 7 , p . 9 0 )

c a s o e s t e n ã o c o n s i g a n a s t r ê s t e n t a t i v a s q u e t e m p a r a fa z ê - l a . T e m a i n d a u m c o mp u t a d o r a b o r d o q u e d á t o d a s a s i n fo r ma ç õ e s s o b r e a q u a n t i d a d e e q u a l i d a d e p r o d u z i d a s ( D I E S S E , 1 9 9 7 , p . 9 0 ) .

Estas mudanças no processo produtivo possibilitaram um aumento na produtividade e na qualidade dos produtos têxteis, tendo como conseqüência uma maior competitividade entre as indústrias.

3.1.3.2 Tecelagem

Na tecelagem convencional os fios são entrelaçados, transformando-se em tecidos planos. Portanto, os fios vêm das conicaleiras para as espuladeiras, que passam para embalagens especiais, conhecidas como espulas. Estas seguem dentro de uma guia, denominada lançadeira, que atravessa no sentido longitudinal, através da cala, os chamados fios de urdume. Esses são um conjunto de fios enrolados paralelamente num grande carretel que formarão a base dos fios transversais no entrelaçamento para a formação do tecido.

Os fios de urdume são submetidos a uma forte tensão, passando pelas engomadeiras, que os recobrem com uma goma, evitando assim as rupturas dos fios durante o tecimento, proporcionando menor número de aradas do tear.

“Os produtos oriundos das espuladeiras (as espulas, que contêm os fios da trama) e das engomadeiras (os rolos de urdume, que contêm os fios do urdume), após a operação de rematação, seguem para o tear, equipamento que realiza o entrelaçamento desses dois fios, dando origem ao tecido propriamente dito” (SENAI, 1987, p. 15). Ao final desse processo, o tecido está pronto para ser comercializado, mas comumente não está pronto para ser utilizado como bem de consumo, necessitando

passar antes por processos de acabamento.

Deve-se ressaltar que os fios produzidos na fiação, além de terem utilidade na fabricação de tecidos, também podem ser aproveitados para a fabricação de malhas. Os teares utilizados para produção de malhas são: circular, Kettenstuhl, Roschel e retilíneo. A utilização do tear com ou sem lançadeira depende do tipo de tecido que vai ser fabricado pela indústria. A d i fe r e n c i a ç ã o e n t r e a s v á r i a s g e r a ç õ e s d e t e a r e s é ú t i l p a r a s e e n t e n d e r a s mu d a n ç a s t e c n o l ó g i c a s e o p a p e l d o t r a b a l h a d o r e m c a d a u ma d e l a s : n o t e a r ma n u a l é o t e c e l ã o q u e c o n t r o l a o s mo v i me n t o s e s s e n c i a i s d o t e a r ; o t e a r me c â n i c o c o mp o r t a u ma á r v o r e c e n t r a l a c i o n a d a p o r u m mo t o r e o s mo v i me n t o s s ã o c o ma n d a d o s a p a r t i r d e s t a á r v o r e , c a b e n d o a o t e c e l ã o a fa z e r a t r o c a d a e s p u l a e e me n d a r o s fi o s r o mp i d o s ; o t e a r a u t o má t i c o l i g a a r e n o v a ç ã o d a t r a ma à t r o c a d a e s p u l a , q u e é c o l o c a d a ma n u a l me n t e , ma s j á h á u m a u t o ma t i s mo e l e t r o me c â n i c o d e p a r a d a d o t e a r ; n o t e a r s e m l a n ç a d e i r a o u má q u i n a d e t e c e l a g e m, o ma i s a v a n ç a d o , a i n s e r ç ã o d a t r a ma é a s s e g u r a d a p o r u m d o s c i n c o t i p o s d e d i s p o s i t i v o s d i fe r e n t e s d a l a n ç a d e i r a : p r o j é t i l , l a n c e ú n i c o , d u a s a g u l h a s , j a t o d e á g u a e j a t o d e a r . O ma i s a v a n ç a d o é e s t e ú l t i mo e c o n s i s t e n o l a n ç a me n t o d o o b j e t o q u e c o n t é m o fi o d a t r a ma p o r p r e s s ã o ( D I E E S E , 1 9 9 7 , p . 9 1 ) .

Ao longo da história da indústria têxtil, podemos notar que houveram diversas alterações introduzidas nos teares, sempre baseadas nos problemas ocorridos nas empresas, durante o processo de fabricação.

3.1.3.3 Acabamento

No ramo de acabamentos, diversos são os processos que constituem os produtos têxteis: Alvejamento, tinturaria, estamparia etc,

conferindo-lhes a cor desejada e determinado aspecto, um toque específico e outras características que estejam em consonância com o mercado a que se destinam.

“As características são incorporadas aos produtos por meio de um complexo conjunto de máquinas, cuja seqüência de passagem varia conforme a natureza da fibra (natural ou química) ou do tipo de acabamento requerido” (SENAI, 1987, p. 16).

Nesta parte do processo produtivo têxtil, são determinadas as cores, o brilho, a suavidade ao tato, a estabilidade dimensional dos fios, tecidos ou malhas. Na malharia, os fios formam laçadas que se entrelaçam, dando origem à malha. Para isto, são executadas diversas operações como: navalhagem, chamuscagem, desengomagem, mercerização, cozinhamento, alvejamento, tingimento, estamparia e polimerização.

De acordo com o Relatório do SENAI, descrevemos abaixo as operações de diferentes formas de acabamento voltadas para os tecidos e malhas:

Navalhagem: consiste em cortar as partes dos fios que sobressaem na superfície dos tecidos;

Chamuscagem: elimina os pêlos dos tecidos;

Desengomagem: remove a goma usada nos fios de urdume e de outras substâncias gordurosas;

Mercerização: confere brilho, maior poder de absorção e maior resistência ao tecido composto por fibras vegetais, principalmente o algodão;

Cozinhamento: promove a remoção da camada de gordura natural que envolve as fibras vegetais. No caso das fibras sintéticas, o processo denomina-se purga;

Tingimento: consiste na aplicação de corantes nos tecidos;

Estamparia: aplicação localizada de pigmentos ou corantes formando desenho e/ou padrões;

Polimerização: operação por meio do qual ocorre a fixação dos diversos acabamentos pelos quais passa o tecido.

A introdução na indústria têxtil de máquinas como: filatório open- End, o tear sem lançadeira e os dispositivos microeletrônicos incorporados ou agregados nos equipamentos possibilitaram a melhoria da qualidade dos produtos têxteis fabricados pelas indústrias, tendo como conseqüência um aumento da produtividade.