6 O Estudo de Caso: IPPMG
6.1 Identificação e Condução do Caso
A unidade de análise escolhida para realização do estudo de caso foi o Institu- to de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), localizado na Ilha do Fundão (Figura 13). O Instituto de Pediatria da UFRJ foi inaugurado em 02 de outu- bro de 1953, sendo o primeiro prédio construído no campus da cidade universitária. O projeto arquitetônico do IPPMG é de Jorge Machado Moreira e de Roberto Burle Marx e foi premiado na II Bienal de Arquitetura do Estado de São Paulo, no mesmo ano de sua inauguração.
Figura 13 - Localização do IPPMG Fonte: Google Mapas
A construção, com mais de 60 anos de história, passou por alguns projetos de reforma que nunca saíram do papel. Com a entrada no novo Diretor Geral no IPPMG, a ideia de reformar algumas unidades para adequar o Hospital às exigên-
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cias normativas atuais, bem como transformar o Instituto em referência para o Brasil, saiu do papel.
Atualmente, as unidades do IPPMG não atendem integralmente aos requisitos da legislação proposta pela ANVISA (Resoluções de Diretoria Colegiada – RDCs), não consegue atuar em sua capacidade máxima (perdem pacientes por falta de es- trutura) e seus funcionários se sentem frustrados por não conseguirem ser vistos como referência dentro de um Hospital-Escola (falta de estrutura também impacta no ensino dos alunos).
Visando mudar esse cenário, um contrato foi fechado com a “Fluxo Consulto- ria”, empresa júnior de consultoria e engenharia da UFRJ, para realização de novos projetos para algumas unidades instaladas no segundo pavimento do Bloco C do IPPMG como: do Centro Cirúrgico, da Central de Material de Esterilização (CME), e da Enfermaria Cirúrgica. As reuniões para coleta das informações iniciais, primordi- ais ao programa de necessidades, tiveram início no dia 12 de dezembro de 2016.
Posteriormente, foi feito um aditivo no contrato para incluir as unidades da Farmácia e Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), que também se encontram no segundo pavimento do Bloco C. Ficou previsto um segundo contrato que contempla- rá o projeto das novas enfermarias. Com o decorrer da elaboração desses projetos, o Diretor do IPPMG ficou motivado também em contratar os projetos do novo ambu- latório para o segundo andar do Bloco D.
As plantas arquitetônicas originais e atualizadas da construção foram apresen- tadas nesta dissertação apenas para fins de ilustração (sem detalhes de projeto). Os anexos D e E apresentam as plantas baixas originais do 1º e 2º pavimentos da cons- trução (em 03/06/1998). O anexo F apresenta a planta baixa atualizada do pavimen- to térreo e do 3º pavimento, com as reformas executadas na 1ª gestão, na 2ª gestão e também com os projetos de reformas previstas naquela época (em 31/01/2000).
Em entrevista para o Jornal “O Ipepê”12
em dezembro de 2016, o Diretor Geral do hospital, Bruno Leite Moreira, deu seu depoimento sobre o planejamento de re- formas dessas unidades do hospital: “Em 2017, estamos na expectativa pela conclu- são do projeto do futuro complexo cirúrgico, composto por 3 salas cirúrgicas (1 de grande porte e 2 de médio porte), incluindo o novo Centro de Material e Esteriliza- ção, sonhos antigos de toda a comunidade do Instituto”.
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O projeto foi realizado por uma equipe de alunos da empresa júnior de enge- nharia da UFRJ, a Fluxo Consultoria, composta por 1 coordenador geral, 2 gerentes de projetos e 2 estagiários, sob orientação do Professor Roberto Machado Corrêa, que já possui experiência na área atuando como Diretor da Divisão de Engenharia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Adicionalmente, a autora desta dissertação atuou como observadora-participante, uma vez que acompanhou a execução do projeto e serviu como consultora da equipe.
O estudo de caso foi conduzido por meio de uma pesquisa exploratória, que visa proporcionar maior familiaridade com o problema (explicitá-lo). Esse tipo de pesquisa geralmente envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado, assumindo a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso (GIL, 2002).
Segundo Cauchick Miguel (2012), o estudo de caso é um trabalho de caráter empírico que investiga um dado fenômeno dentro de um contexto real contemporâ- neo por meio de análise aprofundada de um ou mais objetos de análise (casos), com uso de múltiplos instrumentos de coleta de dados e presença da interação entre o pesquisador e o objeto de pesquisa. Essa análise possibilita extenso e acurado co- nhecimento sobre o fenômeno, permitindo inclusive a geração de teoria.
A condução do estudo de caso deste trabalho seguiu a proposta de conteúdo e sequência sugerida por Cauchick Miguel (2012) e o novo instrumento para siste- matização do processo decisório proposto nesta dissertação foi aplicado nas etapas iniciais do projeto de reforma (programa de necessidades e estudo preliminar).
O referencial conceitual teórico foi definido por meio de um mapeamento sis- temático da literatura sobre o assunto. A partir da busca e organização da bibliogra- fia foi possível identificar lacunas onde a pesquisa pôde ser justificada (em termos de relevância), além de delimitar as fronteiras do que estava sendo investigado, pro- porcionar suporte teórico para a pesquisa (fundamentos) e explicitar o grau de evo- lução (estado da arte) do tema estudado.
Dessa forma, realizou-se um estudo de caso único, dentro do setor de AEC, no período entre novembro de 2016 e julho de 2017, podendo-se classificar como um estudo de caso longitudinal, uma vez que as análises foram conduzidas de forma retrospectiva (ou seja, em momento distinto da investigação).
Como o projeto teve início concomitante com o levantamento bibliográfico, não foi desenvolvido um protocolo formal com procedimentos e regras gerais da pesqui- sa e sua condução. No entanto, os dados foram coletados da maneira mais acurada,
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empregando-se múltiplas fontes de evidência, dentro dos limites e possibilidades apresentadas pelo caso.
Deu-se início ao caso quando o orientador dessa pesquisa contatou o orienta- dor do projeto do IPPMG, que por sua vez apresentou a aluna de mestrado à equipe de projetos da Fluxo Consultoria bem como à equipe de funcionários do IPPMG. Assim, a autora deste trabalho realizou uma palestra para a equipe de projetos da empresa júnior com propósito de esclarecer o tema que estava sendo estudado e mostrar a relevância do estudo.
O registro dos dados foi realizado durante as reuniões por meio de anotações em papel e, algumas vezes, com gravador. Quando havia visita a um local específi- co, as anotações eram feitas em papel. A transcrição das anotações e os registros mais completos eram desenvolvidos logo após as reuniões e visitas, e repassados para a equipe de projetos da Fluxo Consultoria. A equipe de projeto por sua vez, compartilhava as plantas arquitetônicas das unidades do hospital após cada altera- ção realizada em função do que havia sido discutido nas reuniões.
Vale ressaltar que durante a condução de entrevistas tentou-se limitar os efei- tos da própria pesquisadora, tendo esta sido tratada pelos funcionários (informantes) como parte da equipe do projeto. A coleta de dados foi concluída em maio de 2017.
A partir do conjunto de dados coletados, produziu-se uma espécie de narrativa geral do caso. Fez-se uma redução dos dados coletados durante as reuniões (data
reduction), tendo sido selecionado apenas os conflitos de projeto julgados como
“mais relevantes” para serem analisados neste trabalho. Em paralelo, as conclusões foram comparadas com a teoria na tentativa de saber se a teoria pode explicar o fenômeno estudado em diferentes contextos.
Todo conjunto de atividades das etapas anteriores foi sintetizado em um rela- tório de pesquisa gerador desse capítulo da dissertação. Conforme Cauchick Miguel (2012), um estudo de caso deve estar pautado na confiabilidade e validade, critérios para julgar a qualidade da pesquisa. Assim, considerou-se que os resultados estari- am estritamente relacionados à teoria, tomando o cuidado de não ajustar a teoria aos resultados e evidências, mas o inverso, ou seja, os resultados e evidências é que foram ajustados à teoria existente.
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