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Da Identificação da Soberania Externa

2. SOBRE A SOBERANIA COMO ATRIBUTO DO PODER

2.3. Da Identificação da Soberania Externa

No mundo moderno, o conceito de soberania como elemento da teoria do poder, coloca- se numa seara bipolar que reflete a inconstância das concepções de superioridade e inferioridade normativa, de titularidade do poder, de constituição da autoridade e de legitimidade do governo. Continuamos tributários de uma realidade volúvel patrocinada não exclusivamente pela bipolarização da filosofia do poder, mas pela dissipação dos interesses, pelo pluralismo social e jurídico, e pelas dimensões múltiplas das formas de expressão do poder, dilaceradoras da construção histórica da idéia de soberania como qualificativo de um poder incondicional no âmbito interno, a partir da sua absolutização no plano externo.

A incompatibilidade do ideário da soberania com a submissão do poder ao domínio da legislação que pretende ser superior, aparece como antinomia resolúvel com a remodelação estrutural do Estado e com a reedificação de um ordenamento internacional alicerçado na autonomia dos povos e num constitucionalismo mundial mantido por um processo democrático de caráter abrangente.

Objeto de equívocos históricos, o conceito de soberania, não raro, é confundido com a noção de ‘potestas superiorem’ quando, em análise mais aprofundada, reporta-se a este como predicado “em torno do qual se adensam todos os problemas e aporias da teoria juspositivista do direito e do Estado” (FERRAJOLI, 2002, p. 1).

Destacada, na modernidade, como idéia fundante, de cunho jusnaturalista, da moldagem juspositivista do Estado e da Ordem Internacional, a noção de soberania incorporou, no âmbito doméstico das nações, a mesma significação do poder que qualifica, cujas nuances absolutas dissolveram-se com as limitações impostas pela instituição dos Estados Constitucionais e democráticos, sob os auspícios do Direito, ao passo que, na órbita externa, ganhou tonalidades marcantes e imperativas, sem, no entanto, ter sido resolvida a contradição inflexível mantida entre a potência qualificada, o direito interno e o ordenamento internacional, sobretudo, quando submetida ao paradigma de submissão à lei.

A concepção de ‘soberania externa’ continuou a ser ponderada pela ausência de subordinação entre Estados, nas relações recíprocas que mantenham no cenário internacional, assim como, pela observância do dever de não interferência nos assuntos internos de cada nação. Essa mesma imagem também serviu de suporte à tese de que a soberania deve ser concebida como atributo relativo, limitado e circunstancial, sobretudo quando confrontada com a ordem supra-estatal, que comporta um conceito mais dúctil e “cambiante, sujeito a variações de profundidade e de extensão” (LUPI, 2004, p. 112), pois, quando os espaços do exercício da autonomia são normatizados pelo direito internacional, a liberdade de ação unilateral é abreviada.

Esquadrinhando a perspectiva jusnaturalista da ‘origem’ da idéia de soberania, Luigi Ferrajoli desenvolve importante ponderação sobre a teorização da concepção de soberania na sua dimensão externa, trazendo à luz a contribuição dos fundadores ocidentais do Direito Internacional, cujos ensinamentos buscavam fornecer suporte jurídico à conquista, ou invasão, do Novo Mundo.

Traz à baila, a refutação patrocinada por Francisco de Vitória, nas primeiras décadas do século XVI, às teses sustentadas pela Espanha visando legitimar a conquista, fundadas na construção da idéia de soberania do Império, ao lado do poder supremo da Igreja, com a qual fincou as bases do Direito Internacional moderno e da identificação de um conceito de Estado como sujeito soberano, livre e independente, integrante de uma ordem mundial, onde se subordina ao abrangente ‘ius gentium’. Com esta visão põe-se em rota de colisão com a concepção universalista da comunidade mundial assentada no domínio imperial e papal, e antecipa a doutrina do Estado de direito enquanto realidade jurídica ordenada.

Naquele tempo, ao imiscuir-se nos problemas internos dos reis, a Igreja Católica “retirava uma parcela da sua soberania. O poder, não obstante tivesse pretensão de ser absoluto, era limitado pelo direito natural, pelas leis divinas ou, ainda, pela interferência

direta” do Papa (SORIANO, 2004, p. 82). Somente com a reforma protestante é que a unidade cristã foi quebrada, deflagrando um novo pluralismo religioso que não se coadunava com o modelo de Estado confessional, e que minou a idéia de potência divina dos monarcas, abrindo caminho à secularização do poder.

Posicionando o Direito e o Estado num mesmo patamar, Vitória professa a submissão dos soberanos às leis, inaugurando a preocupação com a base democrática da autoridade, ao afirmar que as leis devem ser promulgadas em benefício do bem comum dos cidadãos, entretanto, nas interações com outros Estados, o direito que vincula é o direito das gentes, inclusive com força coativa.

Divisava na sua visão de retorno, a comunidade humana como uma república universal, na qual se concretiza o poder de elaborar normas abrangentes a todos. Foi, no entanto, precisamente, esta construção de um poder soberano estatal externo que legitimou a conquista, e ofereceu fulgor ideológico ao “caráter eurocêntrico do direito internacional, dos seus valores colonialistas e até mesmo das suas vocações belicistas” (FERRAJOLI, 2002, p. 10).

A questão do fundamento popular do poder soberano foi retomada por Francisco Suarez que comungava com a idéia de que o poder de gerir politicamente os homens é prerrogativa inerente à coletividade, por conseguinte, a transferência desse poder para qualquer pessoa pressupõe a concordância da comunidade que, em qualquer caso, mantém-se com força suficientemente apta para revogar o pacto originário.

O direito internacional confundia-se com a idéia de um disciplinamento natural, decorrente da associação espontânea entre os povos, arraigada numa ordem jurídica igualitária e fraterna assecuratória das liberdades. A partir dessa concepção maturou-se, notadamente com a intervenção de Hugo Grotius e Alberico Gentili, a ideação de um mercado mundial unificado mediante a garantia do direito de transitar, de ocupar, e de apoderar-se de terras não

utilizadas pelos habitantes do Novo Mundo, bem como para elas transferir-se e nelas adquirir cidadania.

Ao lado desses direitos, ditos ‘do homem’, são identificados como ‘direitos-deveres’ sagrados dos ‘conquistadores’, o de evangelizar sem óbices, o de repreender gentios, o de proteger os conversos dos seus chefes pagãos, podendo substituí-los por soberanos cristãos se a maioria dos súbditos ‘aceitarem’ a fé católica, e o direito de impor práticas e convicções por intermédio de todos os meios possíveis, inclusive das vias belicosas. Titular exclusivo do direito à guerra, o Estado emancipa-se e legitima-se a manejá-lo como mecanismo garantidor da efetividade do direito internacional.

A visão (re)unificadora dos Estados em uma sociedade igualitária, regida pelo direito e orientada pelo reconhecimento de direitos naturais, dentre os quais o de evocar a luta, de fato, faz parte da construção do mito da soberania estatal externa. Contudo, falar de isonomia entre Estados numa realidade impregnada pelo ranço imperialista das potências, avistar prerrogativas naturais dos Estados num quadro assimétrico de colonização e conquista dos países ou regiões subdesenvolvidas, porque categorizados em mundos subalternos, e conceber justiça na intervenção violenta como forma de punir e de tornar efetivas normas de direito internacional, contrasta com o panorama comunitário hodierno, porém, a idéia cosmopolita de uma comunidade mundial de Estados permanece latente no imaginário internacional, da mesma forma que a exploração e a colonização subsistem transmutadas no fenômeno da mundialização dos valores ocidentais.

Remonta ao ‘tempo das Catedrais’ a edificação dos ‘Estados fracassados’, revelados como coletividades “cujos aparelhos burocráticos são incapazes de manter continuamente a ordem no território sob sua jurisdição” (COSTA, 2004, p. 131), devido ao grau de corrupção interna, ao acirramento dos conflitos étnicos e religiosos, à ingerência externa, descompromissada, dos Estados hegemônicos e das Organizações Internacionais, e à

priorização de políticas econômicas e militaristas em detrimento dos programas sociais estratégicos. Espoliadas por longo período de dominação e incapacitadas de manterem a ordem interna e a integridade territorial, essas Nações tornaram-se carecedoras de poder soberano, e foram forçadas a se sujeitarem às medidas interventivas vindas de fora.

À secularização do poder soberano estatal sucedeu o processo de absolutização da expressão do poder, tanto na órbita interna como na externa, consolidando a convicção de Estado nacional “como pessoa artificial, fonte exclusiva do direito e, ao mesmo tempo, livre do direito” (FERRAJOLI, 2002, p. 17).

Autonomizado, o direito das gentes liberta-se dos limites morais e teológicos, e das amarras que o atrelavam ao direito natural, sua força cogente passa a alicerçar-se no consenso dos Estados, ou pelo menos da maioria deles, não raro refletindo o interesse dos mais abastados.

A absolutização do poder soberano dos Estados nacionais encontrou em Bodin e em Hobbes lugar comum. Enquanto o primeiro admitia as normas divinas e naturais como limites à expressão do poder, o segundo, percebia com tal caráter, as leis naturais, sentidas como manifestação da razão, e o liame consensual originariamente estabelecido para a proteção da vida dos indivíduos, estreando a moldura contratualista da teoria jurídica e política moderna.

Personificado, o Estado firma-se como catalisador das vontades individuais deflagradas na constituição dos pactos recíprocos, cujo poder qualifica-se como soberano e absoluto, passando a amparar o edifício teórico do positivismo jurídico, a partir do qual a produção do direito é titularizada e monopolizada pelo detentor do poder, enquanto emissor de comandos de vontade conforme os parâmetros formais, que não reconhece fórmulas de produção legislativa alienígenas ou com vigência supranacional.

No espaço internacional seu poder soberano equipara-se à força dos demais, como “pessoa” participa de uma comunidade de Estados, que emerge caótica e desregulamentada

em razão da insuperabilidade da recusa, por parte dos seus integrantes, de emanações normativas obrigatórias e cogentes estranhas aos mecanismos internos de cada um. (Re)produz-se na sociedade mundial, o estágio original de liberdade ilimitada e belicosidade latente.

A insustentabilidade dessa estrutura paradoxal, marcada pelo choque de personalidades do Estado, uma doméstica, fundada no sobrepujamento do estado de natureza, outra externa, apoiada na sua preservação, impulsionou a retomada do movimento unificador, provocando, na era das revoluções, a reversão do percurso teorizado para a idéia de soberania.

A arquitetura de novas teses e a influência determinante dos acontecimentos sociais, que permearam a reformulação da concepção de democracia e a invenção do Estado de direito, alavancaram o processo de limitação do exercício interno do poder soberano, ao passo que na seara internacional destacava-se o movimento de absolutização da versão externa do poder supremo.

A liberalização dos Estados, ocasionada pela derrocada dos regimes absolutistas e pelo reconhecimento de um corpo normativo protetor do homem-indivíduo e do homem-cidadão, inserido em documentos constitucionais, permitiu a partição do poder em poderes funcionalmente atrelados à legislação, ao princípio democrático e à observância das faculdades fundamentais, evidenciando um processo de bloqueio ou delimitação do seu atributo de soberano. Este fenômeno produziu, no âmbito teórico, o aparecimento das concepções de poder soberano nacional e de poder soberano popular como fórmulas de legitimação política do poder soberano estatal, com base nas quais o Estado é justificado como ordem civil racionalmente constituída pelos cidadãos. Cidadãos que, enquanto povo, são obnubilados pelo ente coletivo personalizado e jurisdicizado como sujeito titular do poder soberano, em substituição ao monarca e à população.

O Estado (re)assume o posto de (re)unificador e (re)fortalecedor da identidade nacional, é reconhecido como nascente exclusiva do direito, ensejando a “domesticação” dos direitos fundamentais, corolários que, de limites externos, passam a figurar como autolimitações ao exercício do poder soberano estatal, emoldurado, agora, juntamente como o povo e o território, como elemento constitutivo do coletivo personalizado.

A submissão do poder à lei, como imperativo do Estado de direito, erradica a idéia de soberania como atributo do poder, imune aos comandos da legislatura e que não reconhece força que pretenda ser superior. Esta onipotência da parcela legislativa da potestade, decorrente da convicção que reduz a titularidade do poder soberano popular ao parlamento, é esvaziada pela transferência da supremacia normativa aos textos constitucionais, identificados a partir do caráter da supralegalidade, e pela exigência valorativa de adequação do teor dos comandos aos corolários constitucionalmente eleitos que validem a sua recepção pelos destinatários ou interlocutores, observado o critério de agradabilidade.

As teorias constitucionalistas encerram a “defesa dos requisitos preliminares da discussão política: um corpo de cidadãos educados, um generalizado senso de civilidade, uma medida de abundância material, uma ausência de privilégio especial, um mínimo de ressentimentos e os foros para debate” (KARIEL, 1966, p. 154), pressupostos que merecem apoio público incondicional, independentemente das preferências privadas, e viabilizam tão- só um Estado que ‘evita ser injusto’.

O paradigma do Estado constitucional de direito entroniza a constituição como expressão do poder soberano a quem o Estado, seus poderes e o povo devem submissão e reverência. Dissipado o modelo de supremacia interna composto na modernidade, nem mesmo a alegoria popular consegue firmar-se como detentora perpétua do poder irresistível, porquanto só assume tal qualidade no curto intervalo temporal em que ostentar, direta ou indiretamente, a titularidade, originária ou derivada, do poder constituinte.

Caminho oposto foi traçado pela expressão externa da soberania como predicado do poder. Desprendida dos laços jusnaturalistas, caminhou, sem amarras, rumo à liberdade plena, a um estágio natural belingerante, do qual é testemunha a maioria das guerras desencadeadas no cenário mundial, formatando, em contraposição à conotação liberal-democrática interna, um modelo absoluto, ilimitado e não submisso ao direito internacional. À autolimitação legitimadora interior corresponde a absolutização exterior, igualmente legitimadora, da manipulação do poder.

Esse panorama inviabilizou a reprodução, no espaço internacional, do arquétipo de submissão do Estado ao direito, presente no padrão desenhado internamente. Na realidade externa o domínio é monopolizado pelo mais forte. A disseminação da concepção liberalizante externa da soberania serviu à mundialização das perspectivas européias (ocidentais) de Estado, facilitando a manutenção do modelo colonialista de exploração, por intermédio da falsa alforria de nações e da mascarada supressão de povos e culturas.

Essa moldura foi afetada pela Carta das Nações Unidas e pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, instrumentos normativos que modificaram o ordenamento jurídico mundial impondo restrições ao exercício da soberania externa e, em conseqüência, tornando insubsistente o conceito que até então a identificava. A revogação da prerrogativa de guerrear e a atribuição de caráter supranacional aos direitos humanos, constituem o marco significativo da (re)modelagem do direito internacional, metamorfoseado em sistema jurídico supra-estatal, com força cogente suprema.

Aliás, o processo de constitucionalização do direito internacional, consubstanciado na incorporação, pelos ordenamentos internos, das normas convencionais dos tratados, marcou, no pós-guerra, o processo de internacionalização ou universalização dos direitos consolidados pela Carta das Nações Unidas. As relações entre Estado e cidadão transformaram-se em problemas internacionais regidos por regras supranacionais fundadas em valores comuns não

identificados no voluntarismo que fulcra os ordenamentos estatais. A humanização do direito internacional afetou o constitucionalismo firmando o consenso de que a pessoa humana titulariza direitos que desconhecem fronteiras.

Devido aos novos modelos evidenciados pelos compromissos internacionais dos Estados, assumidos nos tratados e convenções, a redução das reservas do poder tornou-se irresistível, e a soberania passou a ser ponderada em conformidade com os interesses da comunidade mundial que se sobrepõem à liberdade dos Estados, limitando-a para viabilizar um maior grau de receptividade aos direitos fundamentais pelos seus ordenamentos constitucionais.

Os Estados, nesse panorama, são expostos às exigências de uma nova ordem externa, impregnada por novas variáveis econômicas, políticas e sociais, que reclama o estabelecimento de um sistema de cooperação entre Estados, e a consolidação de uma estrutura unilateral de interações econômicas, orientadas por regras elaboradas por organismos supranacionais, que limitam as competências das soberanias nacionais dos seus membros, em nome do interesse comum.

Materializa-se, nesse espetáculo, a necessidade irresistível de construir, no plano global, um sistema normativo que supere e aniquile práticas unilaterais e medidas arbitrárias, visando “alcançar maior previsibilidade e estabilidade nas relações econômicas internacionais” (AGUIAR, 2004, p. 120), mesmo que à custa da relativização das soberanias dos Estados nacionais, do esvaziamento das suas funções tradicionais, e de um mascarado controle externo das ordens jurídicas internas por entidades extra-estatais.

Concluída a diluição das ambivalentes dimensões da soberania, o sistema normativo que surge integra normas internacionais, de vigência e validez plenas, suficientemente capazes de tutelar direitos titularizados tanto pelos Estados-membros, como pelos indivíduos, grupos e povos.

A idéia de soberania interna, como atributo do poder, passa a convalescer de uma crise de origem, e a sua antijuridicidade nata a torna incompatível com o direito. Antinomia esta que atinge inevitavelmente o paradigma do Estado soberano, já fragilizado pela crise do Estado-nacional, cujas estruturas e finalidades foram postas em cheque pelas substanciais mutações das relações internacionais.

A complexidade dessas integrações globais, e as assimetrias do orbe, tornaram irresistível a integração dos Estados sob o domínio de um direito que não os capacita para se manterem titulares absolutos e soberanos das funções essenciais à manutenção da unidade, da ordem e da paz internas, forçando-os a se curvarem ao ocaso, e nada imporem às intervenções de órgãos e entidades supranacionais.

Ao lado desse processo, sob o prisma do movimento integracionista e do direito comunitário, a soberania estatal também se ressente. O caráter supranacional do direito comunitário e a descaracterização, pelos processos de integração regional, do povo, do território e do governo autônomo como elementos essenciais do Estado-nação, passaram a anunciar uma radical transformação paradigmática marcada pela cedência de poderes e pela diluição de fronteiras.

É assim que todos os dilemas que tocam a humanidade tangenciam o direito internacional, e resvalam para a vala comum, não raro inoperante, dos Estados. A crise neles operante descarta a efetividade plena do quadro constitucional garantista que lhes foi legado, abrindo espaço à idéia de constitucionalização no cenário jurídico internacional. (Re)aprece o mito de retorno à origem, no movimento unificador da sociedade global, mediante a construção de um constitucionalismo mundial apto para fornecer suporte aos textos fundamentais dos Estados da comunidade, assegurar a paz, e garantir a todos os cidadãos o pleno gozo dos seus direitos, independentemente de fronteiras.