DANIEL E O SONHO DE NABUCODONOSOR
B) DANIEL RECORRE A DEUS
2- O IMPÉRIO PERSA
metais está relacionado com a diminuição da nobreza e do poder dos governos sucessivos.
Nabucodonosor era absolutista e tinha em suas mãos:
a) A vida dos filhos dos homens b) A vida dos animais do campo c) As aves do céu.
O poder de Nabucodonosor não tinha limites: ele era o rei, o chefe de estado, o juiz de direito, o delegado, o papa, o primeiro ministro; Nabucodonosor era dono da família toda desde os pais até os filhos; ele fazia e desfazia e não pedia nada a ninguém. Foi por essa razão que ele determinou a morte dos sábios da Babilônia, o que seria executado se não fosse Daniel e seu Deus. Foi Deus quem lhe outorgou tanto poder sobre a humanidade, sobre os animais e sobre as aves do céu. Veja os versos trinta e sete e trinta e oito. Já os impérios posteriores: Persa e Grécia, já não teriam tanta glória e esplendor.
No verso trinta e nove Daniel revela que depois de Nabucodonosor se levantará outro reino já inferior ao seu.
Esse reino “depois de ti” referido no verso trinta e nove se refere ao governo persa que teve a duração de mais ou menos 200 anos, que vai ter início com Dario e Ciro.
2- O IMPÉRIO PERSA
O império persa iniciou com a conquista de Babilônia por Ciro, o persa, quando dominou a Beltessazar naquela noite no banquete em Babilônia.
Estudaremos esse reinado com mais detalhes nos capítulos posteriores. É representado pela prata do peito e dos braços na estátua. Durou na faixa de duzentos anos e deu lugar ao terceiro reinado.
O verso 39 fala do segundo e do terceiro reinado, associado à prata e ao bronze. Esse segundo reinado representado pela prata do peito e dos braços teve inicio com Ciro, o Persa e o terceiro, representado pelo bronze dos quadris e do ventre teve inicio com Alexandre, o Grande. Esse terceiro reinado foi o reinado dos gregos, iniciado com Alexandre. Aqui ainda temos um metal de pouca nobreza, mas ainda nobre: o bronze. Ver verso trinta e nove.
Mas a nobreza do bronze é inferior ao ouro, e também é inferior à prata; isso aponta para uma demonstração de nobreza decadente ou que vai diminuindo de um reinado para outro. O terceiro reinado durou por volta de 250 anos e deu lugar ao quarto e último reinado mundial, que nesta imagem ou nessa estátua, é representado pelas pernas de ferro e pés de ferro e barro.
Trata-se do reinado romano, dentro do qual nasceu Jesus.
Verso 40 - Esse quarto reino será forte como o ferro e a tudo quebra e esmiúça. Esse reinado teve início em 63 a.C. e foi o reinado que recebeu o Messias e o crucificou.
A estátua de Nabucodonosor tinha duas pernas de ferro, o que significa que esse reinado teria dois ramos, o que realmente ocorreu. Por volta do ano de 476 d.C., ocorreu a cisão do império romano que se dividiu em dois ramos, um com sede em Constantinopla e outra com sede em Roma.
Descendo mais para os pés nós temos aí uma mistura de ferro com barro, e temos dez dedos. Posteriormente estudaremos com detalhes esse fato, mas no momento vou dizer apenas que esse
“pé com dez dedos” se refere a uma época que ainda não chegou, ainda é futuro para nós, mas que acontecerá no desenvolver da Septuagésima Semana de Daniel. Isso implica na existência de um intervalo na vigência desse império. Após a queda de Constantinopla em 1453 os romanos perderam a hegemonia e deixaram de ter autoridade sobre outros países, mas sem dúvida esse reinado terá de se restabelecer e voltar a atuar como reino universal, onde teremos os dez reinos que representam os dedos dos pés da estátua. Esses dez reinos terão uma relação direta com o Anticristo. Esse assunto é mais bem detalhado no Livro de Apocalipse, que apresenta mais pormenores dessa época.
Daniel, em nenhum momento, apresentou ou se referiu à Igreja em suas profecias. Também não houve nenhum profeta que profetizasse sobre a Igreja. Na verdade a Igreja vive um período especial, chamado período da graça. Esse período não é contado, nem considerado nas profecias que falam do futuro, porque não tem relação com Israel. Nesse período Israel está desligado da figueira verdadeira e se comporta como desviado do caminho do Senhor. Os Judeus ainda não aceitaram a Jesus como Messias, e nem O admitiram como Filho de Deus.
Os versos quarenta e um e quarenta e dois falam sobre esse reinado, no final, se refere aos dez dedos da estátua do sonho de Nabucodonosor. Aqui nós temos esclarecimento sobre a mistura ferro, barro e lodo, que aliás não se misturam de forma real, apenas permanecem juntos. Lodo é uma mistura insalubre e úmida.
Isso fala da fragilidade desse reino ao mesmo tempo em que será um reinado forte.
No verso quarenta e três temos uma referência que fala de mistura e casamento, mas que não resultará em mistura. Aqui nós temos uma referência profética que será estudada lá no capítulo onze, quando estudarmos o versículo seis. Este reinado será um reinado forte, pois tem também o ferro além do barro, mas como o ferro não se une ao barro, e ainda se tem lodo nessa mistura, também a união desse governo será frágil e efêmera, devendo predominar o ferro, que é o governo romano ressurgido.
DANIEL 2.45 - como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
No verso quarenta e quatro temos o final desse período; o final desse reinado, que será o último. Daniel diz que “nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo:
esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre”. Aqui nós temos uma referência nítida a respeito da volta de Jesus com poder e grande glória. Aqui entendemos que o Reino Milenar de Cristo será implantado por Deus e será Ele quem esmiuçará e consumirá todos os reinos.
Também observamos aqui no verso quarenta e quatro que uma vez iniciado o reinado de Jesus, que aqui na terra será o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus nunca mais deixará de ser Rei. O reinado eterno de Jesus iniciará no Milênio e se estenderá para a eternidade sem fim.
Ao final do Milênio Jesus entregará o reinado ao Pai e Deus será o gerenciador Eterno, já no Estado Eterno. Ver 1 Coríntios 15.24
Jesus não receberá o reino de mãos humanas, pois é Ele quem dá os reinos e quem os estabelece, mas o seu reinado Ele o tomará pela força de seu poder. Jesus receberá do Pai a autoridade de Rei (ver Daniel 7.13,14). Jesus será Rei, e nós, a Igreja, reinaremos com Ele. Mas ao final do Milênio, após ser exterminada a existência humana natural, Jesus devolverá o reino ao Pai.
Aquela pedra, que sem auxílio de mãos humanas fere o pé da estátua e a destrói toda, é Jesus, manifesto em sua segunda vinda, que será cheia de poder e grande glória.
Nessa vinda, aniquilará a besta que saiu do mar, a besta que saiu da terra e o dragão. A Bíblia faz referência a Jesus como pedra em outras referências: Atos 4.11; 1 Coríntios 10.4;
Mateus 25.31,32; 2 Pedro 2.4-7; Lucas 19.14; Lamentações 4.6 DANIEL 2.45 - como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
No verso quarenta e cinco fica claro que a estátua foi destruída TODA (desde a cabeça até os pés) num só instante pela pedra, sem auxilio de mãos, que esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. Essa estátua representa o governo humano neste mundo, desde Nabucodonosor até o final e a pedra tipifica a Jesus em sua segunda vinda.
Na verdade, Nabucodonosor não entendeu bem a respeito da interpretação, porque esta é de grande abrangência, mas entendeu o suficiente para lhe trazer a paz. Aquela visão e a sua interpretação diz respeito ao futuro próximo de Nabucodonosor, mas também a um futuro distante, envolvendo a judeus e gentios, e de tal profundidade que não foi possível entendê-la em toda sua extensão. Nabucodonosor ficou contente com a parte que lhe coube. Estava ansioso para saber sobre seu reino e seu futuro, e agora sabia. Assim Daniel salvou-se a si mesmo e a seus companheiros e também a todos os sábios, caldeus, magos e astrólogos, contemporâneos seus, pois, sem o sonho e sua interpretação,estavam todos condenados.
Assim cumpriu Nabucodonosor suas promessas e reconheceu a soberania de Deus, chamando-o por “Deus dos deuses” e o “Senhor dos reis” e ainda revelador dos mistérios, como se lê no verso quarenta e sete.
Vamos ver, agora, sobre a recompensa nos versos 46-49.
f) A RECOMPENSA
Daniel 2.46-49
46 - Então o rei Nabucodonosor se inclinou e se prostrou rosto em terra perante Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e suaves perfumes.
47 - Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.
48 - Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitos e grandes presentes, e o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também o fez chefe supremo de todos os sábios de Babilônia.
49 - A pedido de Daniel, constituiu o rei a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego sobre os negócios da província de Babilônia; Daniel, porém, permaneceu na corte do rei.
Nabucodonosor, agora de posse da interpretação do seu sonho, reconhece a participação de Deus nesse processo. No verso quarenta e seis e quarenta e sete nós vemos, pela primeira vez, O grande Nabucodonosor se inclinando e prostrando seu rosto em terra, perante um homem, seu súdito. Nabucodonosor desce de seu mais alto pedestal e se inclina num gesto de humildade diante de um novo Deus que ele não conhecia, reconhecendo que esse Deus é o Deus dos deuses. Essa cena nos dá a idéia da extensão de sua admiração pela consumação do fato, mesmo porque sua fatia no bolo não era a pior. Deus lhe houvera sido longânimo e ele fez honrar a Daniel com oferta de manjares e suaves perfumes.
No verso quarenta e sete, Nabucodonosor reconhece o Deus dos judeus, o Deus para ele desconhecido até então, como revelador de mistérios, dizendo para Daniel: “Certamente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério”.
Verso 48:- Nabucodonosor, numa forma de agradecimento, e muito mais para tê-lo a seu lado, fez Daniel chefe supremo de todos os sábios na Babilônia e ainda o colocou como governador de todas as províncias de seu reino.
Aqui inicia a glória de Daniel, que foi maior que a de José.
José foi governador do Egito, mas Daniel o foi de todas as províncias de Babilônia e chefe supremo de toda sabedoria.
Convém salientar também, nesta altura, que Daniel não se esqueceu de seus companheiros. Na hora da aflição Daniel lembrou de procurá-los (versos 17,18) a fim de que intercedessem a Deus em oração. Quando Daniel os procurou foi prontamente atendido e juntos passaram noites em oração; agora de posse das bênçãos, Daniel não poderia esquecê-los. Agora Daniel é glorificado e poderia ter se esquecido de Misael, Azarias e Ananias, mas não foi assim. Isso é mais que uma lição para nós.
O verso 48:- diz que: A pedido de Daniel constituiu o rei, a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego sobre os negócios de Babilônia.
Poucos homens, nesse mundo, tiveram a glória de Daniel, cuja glória se estendeu até o reinado de Dario e de Ciro.
Assim chegamos ao final do capítulo dois do Livro de Daniel, como pudemos ver. Um capítulo profético cuja profecia abrange toda a história humana.
Agora vamos prosseguir na parte histórica desse livro, estudando o capítulo três.