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3.5 CARACTERÍSTICAS DOS ALIMENTOS

3.5.4 Impenhorabilidade

Como as demais características já citadas, os alimentos tornam-se impenhoráveis devido a sua finalidade principal, qual seja, de manter a subsistência do alimentando.

“Uma vez que se destina a prover a mantença do necessitado, não pode, de modo algum, responder pelas suas dívidas, estando a pensão alimentícia isenta de penhora”. (DINIZ, 2009, p. 589).

Complementa o raciocínio Wald e Fonseca (2009, p. 65-66) afirmando que “Não se pode admitir que as pensões alimentícias venham a ser objeto de constrição judicial, privando assim o alimentando de verba que se denota essencial a sua mantença”.

Portanto, não se pode privar ao alimentando do que é estritamente necessário para sua mantença.

3.5.5 Imprescritibilidade

Nesta característica é mister que se diferencie o direito a reclamar os alimentos, o qual é imprescritível, da cobrança das prestações alimentares atrasadas, as quais possuem prazo estipulado em lei.

“O direito aos alimentos é imprescritível, ainda que por longo tempo não exercido, muito embora existissem os requisitos de sua reclamação”. (PEREIRA, 2005, P. 501).

“Considera-se, assim, o direito de alimentos imprescritível, no sentido daquele poder de fazer surgir, em presença de determinadas circunstâncias, uma obrigação em relação a uma ou mais pessoas (direito potestativo)”. (CAHALI, 2006, p. 93).

Diante da imprescritibilidade dos alimentos, assevera Diniz (2009, p. 588):

[...] se seu quantum foi fixado, judicialmente prescreve em 2 anos a pretensão para cobrar as prestações de pensões alimentícias vencidas e não pagas. Assim, se o credor não executar dívidas alimentares atrasadas, deixando escoar o biênio, não

mais poderá exigi-las, visto que, por mais de dois anos, delas não precisou para prover sua subsistência.[...] Não há, portanto, incidência do lapso prescricional sobre o direito dos alimentos, mas sim sobre as prestações já vencidas, mas não cumpridas pelo executado, extinguindo a pretensão de exigi-las ante a inércia do exequente. Venosa (2010, p. 365) compartilha do mesmo entendimento quando afirma:

A qualquer momento, na vida da pessoa, pode esta vir a necessitar de alimentos. A necessidade do momento rege o instituto e faz nascer o direito à ação (actio nata). Não se subordina, portanto, a um prazo de propositura. No entanto, uma vez fixado judicialmente o quantum, a partir de então inicia-se o lapso prescrional.

Deste modo, não é sabido quando a pessoa irá necessitar de alimentos, e, para não prejudicar sua mantença, o direito de pedir alimentos é imprescritível, sendo cabível a qualquer tempo o pedido judicial da prestação de alimentos.

3.5.6 Imcompensabilidade

Segundo Miranda (2001, p. 286), “A dívida de alimentos não admite compensação, qualquer que seja a natureza da dívida que se lhe oponha”.

Explica Cahali (2006, p. 86) a característica da incompensabilidade:

Ainda em razão do caráter personalíssimo do direito de alimentos, e tendo em vista que estes são concedidos para assegurar ao alimentado os meios indispensáveis à sua manutenção, afirma-se como princípio geral, que o crédito alimentar não pode ser compensado; pretendendo-se, mesmo, que não se permite a compensação em virtude de um sentimento de humanidade e interesse público; nestas condições, se o devedor da pensão alimentícia se torna credor da pessoa alimentada, não pode opor-lhe, inobstante, o seu crédito, quando exigida aquela obrigação.

Complementa Wald e Fonseca (2009, p. 66):

Pela mesma razão que não se admite a penhora da verba pensional, são os alimentos também incompensáveis. Ou seja, ainda que se estabeleça uma relação de crédito e débito entre o alimentante e o alimentado, não pode aquele se valer de tal situação para eximir-se da obrigação alimentar.

Venosa (2010, p. 366) menciona “que se admite compensação com prestações de alimentos pagas a mais, tanto para os provisórios como para os definitivos”.

Compartilha deste mesmo entendimento Cahali (2006, p. 88) quando explana: Embora irrepetível a pensão paga, nada impede que os valores pagos a mais sejam computados nas prestações vincendas, operando-se a compensação dos créditos [...]. Assim, torna-se viável a compensação de dívidas originadas de alimentos, quando ambas tenham a mesma causa.

Trata-se de adiantamento da prestação alimentícia, o qual poderá ser compensando nas prestações vincendas.

Assim, como a maioria das características inerentes aos alimentos, esta também possui a finalidade de manter a subsistência do alimentado.

3.5.7 Intransacionabilidade

Sendo o alimento indisponível, por estar estritamente ligado ao direito personalíssimo do alimentado, resultam normas de ordem pública as quais garantem a que a sua finalidade seja atingida. Dessa forma, não é permitido fazer transação de alimentos futuros. (CAHALI, 2006).

Miranda (2001, p. 286) descreve que “Não é permitido fazer-se transação sobre alimentos futuros; porque, sendo o fim da prestação alimentícia prover à mantença do necessitado, o seu destino seria elidido quando se admitisse transigir-se com as prestações a serem recebidas”.

Para Gonçalves (2007, p. 461):

Sendo indisponível e personalíssimo, o direito a alimentos não pode ser objeto de transação (CC, art. 841). Em consequência, não pode ser objeto de juízo arbitral ou de compromisso. A regra aplica-se somente ao direito de pedir alimentos, pois a jurisprudência considera transacionável o quantum das prestações, tanto vencidas como vincendas. É até comum o termino da ação em acordo visando prestações alimentícias futuras ou atrasadas.

Consoante as explicações doutrinárias, em relação com as demais características e sua finalidade, os alimentos não podem ser objeto de transação, mas, esclarece-se que seu

quantum pode ser transacionável pois se trata de direito disponível.

3.5.8 Variabilidade

Esta característica está ligada ao binômio necessidade/possibilidade, pois o artigo 1.699 do Código Civil (BRASIL, 2002), assim estabelece: “Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessando reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo”.

Diniz (2009, p. 590) leciona que “É variável, por permitir revisão, redução, majoração ou exoneração da obrigação alimentar, conforme haja alteração da situação econômica e da necessidade dos envolvidos (CC, art. 1.699)”.

Portanto, a pensão alimentícia é variável conforme a situação econômica das partes envolvidas na época do pagamento. Quando houver modificação na necessidade e também na situação econômica dos envolvidos, deverá ser alterado o valor das prestações, ou até mesmo acarretar em sua extinção.

3.5.9 Periodicidade

Como a prestação alimentícia se prolonga por determinado período, é necessária a fixação da periodicidade para seu adimplemento.

Para Cahali (2006, p. 114), a prestação estipulada mensalmente é a melhor forma de cumprimento das obrigações pelas partes, pois:

Em realidade, essa forma de pagamento revela-se conveniente sob vários aspectos: é menos onerosa para o devedor, ao tempo que assegura de maneira mais certa a subsistência do credor, que assim, melhor controla os seus gastos. [...] A pensão assim calculada destina-se a cobrir os gastos normais do alimentando.

Complementa Dias (2010, p. 516):

Quase todos percebem salários ou rendimentos mensalmente, daí a tendência de estabelecer este mesmo período de tempo para o atendimento da obrigação alimentar. No entanto, nada impede que seja outro o lapso: quinzenal, semanal e até semestral. Essas estipulações dependem da concordância das partes ou da comprovação por parte do devedor da necessidade de que assim seja.

Conclui-se que o pagamento deve ser periódico para garantir a mantença do necessitado, visto que a maioria das pessoas obrigadas pela relação alimentícia recebem rendimentos mensalmente.

3.5.10 Divisibilidade

Na obrigação alimentar não existe solidariedade entre os devedores, mas sim um caráter complementar, condicionado às condições de cada um dos obrigados. Sua natureza, portanto, é divisível. No caso de existir mais de um devedor, cada um deles responderá

conforme suas necessidades, não havendo responsabilidade solidária por toda a dívida alimentar. (DIAS, 2010, p. 509).

Desse modo, “vários parentes podem contribuir com uma quota para os alimentos, de acordo com a sua capacidade econômica, sem que ocorra solidariedade entre eles (VENOSA, 2010, p. 368)”, pois a solidariedade não se presume.

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