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F IGURA 5 M APAS DOS DIFERENTES REINOS SUCESSORES DO IMPÉRIO DA G ANA

2.5 IMPERIALISMO, COLONIALISMO, E NEOCOLONIALISMO

Esta sessão discute conceitualmente os termos Imperialismo, Colonialismo, e neocolonialismo no contexto africano. Para tanto, entendeu-se que entre a grande gama de literatura que existe sobre o assunto, pode se adotar como base teórica as obras de Kwamé Nkrumah: “Neocolonialismo, último estágio do imperialismo”, publicado em 1967; o livro de Aimé Cesaire: “Discurso sobre o colonialismo” de 1955; além do livro do Benjamin Cohen intitulado: “A questão do Imperialismo: a economia política da dominação e da dependência” editado em 1976 e do livro intitulado “crise do imperialismo organizado por Samir Amin, editado em 1976”.

No entanto, antes de iniciar a discussão vale fazer duas ressalvas. Primeiramente importa observar que somente, com base dos títulos das obras acima citadas que não é possível falar do colonialismo e do neocolonialismo sem entender o significado do imperialismo, por isto será reservado um ponto desta sessão para conceituar imperialismo. Em segundo lugar, importa deixar claro que as definições que serão adotadas aqui tanto para o colonialismo quanto para o neocolonialismo, são feitas, olhando especificamente o caso africano principalmente, no que desrespeite ao fator tempo. Isto porque, sabe-se da existência do antigo sistema colonial durante o regime absolutista e, é segundo Carvalho (1994), o apagar das luzes deste regime que abriu nova etapa na história das civilizações ocidentais,

interferindo profundamente na evolução histórica, econômica e social da África e da Ásia. Ou seja, será referido ao neocolonialismo não em referência ao colonialismo europeu que teve a sua origem na época do descobrimento e continuou durante a maior parte dos séculos XVI e XVII.

Segundo Cohen (1976), este colonialismo que alcançou seu apogeu após a segunda metade do século XVIII corresponde ao imperialismo antigo, que nunca foi uma pratica exclusiva da Europa, já que a história dos impérios é tão antiga quanto o próprio mundo. Portanto, percebe que o colonialismo africano é novo se comparado ao colonialismo europeu do século XVI, pois pode se adotar como ponto de partida da ocupação da África a conferência do Berlim de 1884-1885. Desse modo, o neocolonialismo, que tem como essência o fato de que o Estado que a ele está sujeito é, teoricamente, independente e tem todos os adornos exteriores da soberania internacional (NKRUMAH, 1965) que é o caso dos países africanos a partir da década de sessenta do século XX. Ressalta feita, importa dizer que essa sessão, independentemente dessa introdução, comporta três partes que tratam respectivamente do imperialismo (2.3.1); do colonialismo (2.3.2) e do neocolonialismo (2.3.3).

É importante notar que a difusão da noção do imperialismo no início do século XX, levou em consideração as características da ação política antes da formação do capital financeiro que resultou da fusão do capital bancário com o capital industrial sobre o domínio do primeiro. É na formação do capital financeiro que será indicado a razão estrutural do fenômeno político do imperialismo (CATANI, 1981), que impera até na atualidade no mundo globalizado, visto que a maior parte do capital industrial não pertence aos industriais que o utilizam, mas, aos banqueiros. Isto significa que a industrialização de um país ou de uma região é somente possível com a intermediação dos banqueiros, que por serem obrigado a fixar uma parte cada vez maior do seu capital na indústria, se tornam capitalistas industriais.

Deste modo, o capital industrial é o conhecido capital financeiro disponibilizado pelos bancos para a utilização da indústria, criando assim, um sistema de relação e de interdependência complexa que tem características cíclicas e anônimas. Estas características são fundamentais no funcionamento do imperialismo, pois, ajudam a manter a dependência dos países dominados principalmente os periféricos como os países da África ocidental, que devido efetivamente à ausência de recursos financeiros, não conseguiram alcançar o um nível mínimo de industrialização e consequentemente são submissos ao imperialismo capitalista e/ou ao colonialismo e neocolonialismo ocidental, que explora os recursos naturais e humanos em favor de seus países e indústrias. Segundo Catani (1981), uma das consequências da cooperação entre o capitalismo é o imperialismo é a colonização dos territórios ultramarinos,

pois, foi esta cooperação que permitiu o inventario aproximado de todas as fontes de matérias primas de um país (Jazidas de minérios) em um primeiro momento, em seguida foi feito o mesmo para todos os países e de todo mundo e criar associações monopolistas gigantescas para se apoderar das referidas fontes.

A partir desta lógica pode se entender o porquê a presença de recursos ou de matérias primas no solo ou no subsolo de um país ou de uma região não garante a industrialização e muito menos o desenvolvimento do mesmo, mas, no caso da África ocidental, contribuiu na manutenção da região em condições de dependência econômica, política e a sua submissão a uma dominação cultural, essência do colonialismo. Os termos imperialismo e colonialismo são usados alternadamente, no entanto o colonialismo é uma política de aquisição de colônias e a manutenção delas como dependente ou ainda uma tendência de um país poderoso de usar suas colônias ou países que são economicamente dele para seu próprio benefício econômico e político. Ou seja, o colonialismo, pode ser visto como um sistema e uma modalidade de produção e reprodução das relações de poder em contexto de dominação e se revela inesperadamente como um sistema de produção diferenciada de identidade e de reprodução das mesmas, no intuito de formatar e apresentar o mundo colonial como uma totalidade homogênea. Desde esse momento, pode se buscar o entendimento do sistema que sucedeu ao colonialismo também conhecido como neocolonialismo nas relações norte-Sul em geral e particularmente ente a África e as antigas metrópoles.

Antes de tudo importa buscar a origem e a sua evolução no campo acadêmico do conceito “neocolonialismo” que é aplicado a territórios ocupados a administrados por um governo, em consequência da conquista ou da colonização de seus súditos, e aos que se impões uma autoridade estrangeira como foi no caso da África ocidental onde, os atuais países foram todos sobre o domínio da autoridade francesa, inglesa e portuguesa. Tal relação termina quando o povo dominado recupera a soberania ou se incorpora, em igualdades de condições, à estrutura política da potência colonizadora. Portanto, pode se falar de neocolonialismo na África, depois do período ou da era colonial comumente chamado do período pós-colonial, que teoricamente pressupões o que ocorreu ou ocorre após o colonialismo (CARREIRA, 2003). Esta autora entende que o termo pós-colonialismo, academicamente se reporta uma série de estudos centrados nos efeitos da colonização sobre as culturas e sociedades colonizadas, que podem ser interpretados como parte da teoria pós- modernistas, que busca trazer no debate as vozes das culturas e dos segmentos sociais periféricos.

Nesta ótica, o pós-colonialismo é visto como instrumento teórico-crítico de investigação das regiões mais diversas e se disseminou assim de Gana a Índia, para Barbados e Martinica, para o Brasil e o Chile, e até mesmo nos Estados unidos (GONÇALVES, 2002). Nesta ótica Carreira (2003) argumenta que admitir o conceito do Estado pós-colonial, é pressupor que o colonialismo teve um fim, ora, se examinarmos a história recente dos países que sofreram o processo de colonização, veremos que em muitos deles, a colonização não terminou. Pelo contrário ela continua e não somente nesses países, mas persiste também na proposta da globalização cuja forma de domínio se esconde sob a ideia de uma aparente igualdade, ou seja, colonialismo continua sobre uma nova forma que é o neocolonialismo.

Desse modo pode se perceber que de forma geral, o neocolonialismo designa a nova forma de relação de domínio entre países do primeiro mundo (desenvolvidos) e países do terceiro mundo (subdesenvolvidos ou em desenvolvimento), entre centro e preferia. Contrariamente ao colonialismo, o neocolonialismo não tem certamente uma variedade de sentidos apesar de poder ter várias definições, mas, a essência do termo continua a mesma independentemente do lugar ou do idioma usado. Neste sentido, o neocolonialismo último estágio do imperialismo, título do livro do maior opositor e crítico do sistema colonial e neocolonial praticado contra o continente africano, Kwamé Nkrumah, sintetiza bem o sentido do neocolonialismo. Carvalho (1994) vê o neocolonialismo como resultado das novas transformações geradas pela revolução industrial que termina com a grande depressão, crise que levou a elaboração de uma nova fase de expansão territorial, que representa o imperialismo, extensão do antigo colonialismo mercantil do século XVI. No caso do continente africano, o surgimento do neocolonialismo também resultado de outras crises do imperialismo capitalista cujo ponto de partida foi à crise de 1929 e seguido da segunda Guerra Mundial (1939-1945), na qual a contribuição africana foi importante tanto no ponto de vista material quanto humano, tornando incontornável a independência pelo menos política. Assim, os países imperiais adotam uma nova forma de dominação, que consiste, em conceder uma independência política que viu o nascimento dos diversos Estados africanos entre os quais os atuais quinze países da CEDEAO.

Este novo sistema de dominação é o neocolonialismo, que significa para aqueles que o exercem, o poder sem a responsabilidade e para aqueles que o sofrem, a exploração sem alivio, portanto é a pior forma do imperialismo (NKRUMAH, 1967). Deste ponto de vista percebe-se que a ideia da integração surge com a percepção da fraqueza ou da impossibilidade dos novos Estados africanos em resolver ou administrar os diversos problemas políticos, econômicos e socioculturais, além de fazer frente à continuação da exploração dos recursos

do continente em favor das empresas estrangeiras implantadas na região desde época do período colonial. Assim, conclui-se que a história da formação do Estado africano e dos processos de integração regional da África ocidental são intimamente ligados aos processos de globalização, do imperialismo europeu no continente africano e principalmente do neocolonialismo que, baseado nos laços de amizade e de cooperação pretendiam “ajudar” na construção das novas instituições políticas e econômicas.

3 HISTÓRICOSDAINTEGRAÇÃOREGIONALNAÁFRICAOCIDENTALDE1960-